Enganada
Da vida... abandonada emocionalmente.
Dores e sofrimentos diariamente.
Um tempo eternamente corrosivo.
Fez, para viver, o que era preciso.
Lamentos lacônicos...
Sofrimentos em nada resumidos.
Muita dor.
Nada de amor.
Da vida... eternamente traída.
Longa jornada...
Eternamente enganada.
Melancolia
O frio da madrugada.
A escuridão que não me deixa ver nada.
Partiste e sozinha me deixaste.
Contigo toda a minha paz e alegria levaste.
Escrevo agora minha última poesia.
Sem rimas... sem métrica... sem nenhuma melodia.
Só uma nota triste que em toda ela persiste: a mais corrosiva melancolia.
Meu futuro
Meu futuro...
Um tiro no escuro?
Um eixo oposto?
Um gosto ou um desgosto?
Água potável?
Água intragável?
Luz do sol?
Mofo da escuridão... do abismo mais profundo o fundo?
Sombra?
Ou luz que calibra meu caminho?
Âncora segura?
Câmara escura?
Meu futuro...
O que será de ti?
O que farás de mim?
Alargará as fronteiras?
Do precipício a beira?
Meu futuro...
Há algum veredito?
Ou será sempre o dito pelo não dito?
Meu futuro...
Bendito?
Maldito?
Medo crescente do que vem pela frente...
Amor perdido
Inquieto coração.
Sabor e dissabor.
Conflitos... ilusão.
Paixão secreta.
Razão e emoção.
Ah esse amor que existe...
Não, não é o acaso que insiste.
Amor quase desesperado...
Por tanto tempo tão esperado.
Razões desperdiçadas.
Amor que deu em nada.
Coração partido...
Amor que não era pra ter sido.
POR UM MUNDO MELHOR
Que alegria...
poder acordar todo dia
e estar sempre na melhor companhia.
Minha vida de criança
é feita de pura esperança
acredito num lugar colorido
onde todos estarão bem unidos.
Tenho um pincel mágico.
Vou pincelando aqui e ali.
Te convido, amiguinho querido,
a comigo esse caminho seguir.
Juntos colorindo a estrada.
Juntos fazendo brilhar nossa estrada.
Juntos somos mais fortes...
Abraçamos nosso mundo com muito amor...
Espalhamos alegria, paz e carinho...
Fazemos um mundo melhor pra todo mundo dispor.
Sempre é fim
É sempre assim
Encurta-se o tempo.
Que chegue logo o fim da história.
Afinal, é sempre a mesma história.
Começo. Meio. E fim.
Diz pra mim...
Alguma vez foi diferente?
Há alguma coisa que dure pra sempre?
É o peso dos dias que nos quebra.
Força-nos aos erros.
Não, não me diga que você se importa.
É sempre a mesma história:
alguém abre a porta.
Entra a luz.
De repente... vales obscuros.
Alguém sai e bate a porta.
Essência
Fatigada da existência
Vejo ao fundo trevas crescentes...
Glórias passageiras...
Um barco à deriva.
Névoas a cobrir meu cenário.
Medo de estar a fazer tudo ao contrário.
É a noite afogando-se em chuva intermitente…
Procurando a saída
desta grande encruzilhada que é a vida…
Sinto-me acuada
Quero sarar as feridas
Olhando o passado…
Sinto que fui iludida.
Abro brechas em minha mente.
Vejo laços que me prenderam.
Tento abrir passagem...
Esvaziar-me dos sentidos.
Tento no curso que sigo
encontrar da minha vida o real sentido.
O que tem o tempo pra me dar?
O alívio da brisa?
Calmaria no mar?
Ou um fundo tão fundo que vai me afogar?
Vou te achar…
E, com alegria, fechar os olhos, e me esquecer de tudo.
Vou embrulhar o tempo.
Fazer um laço perfeito.
Viver o amor que pra nós foi feito.
Talvez na beira do mar
Vendo as ondas que vêm e vão sem parar.
Num dia quente de verão.
Talvez numa praça num canto secreto.
Vou te achar...
Vivo desenhando cenários.
Sentindo pensamento inquietos espiando-nos nas sombras...
Vou te achar.
A bem da verdade, pouco importa o lugar.
Importa mesmo é que vou te achar.
Prepare seu coração
Prepare seu coração
pras coisas que vou te contar...
o sol se apagou
e a lua parou de brilhar...
O amor que existe em mim
é o mesmo que você viu nascer,
crescer... e mais crescer...
mais amor se fazer.
Por que você não volta?
Não sabe a falta que faz?
Escolheu o caminho errado...
e por isso o sol continua apagado.
Remexo as palavras.
Faço poesia.
Tenho esperança, muita esperança...
De te convencer um dia.
Há futuro, sim
Tento driblar
a inércia do tempo.
Um cantinho no mundo estou a procurar.
No melhor cantinho que existe, minha alma quero pousar.
O dia desponta já, o sol abre seu melhor sorriso ao chegar.
Minha solidão pra bem longe acaba de mandar.
Uma definição de um caminho alegre se apresenta.
O desconhecido no vendaval se dispersa.
O calor do sol mais e mais me envolve...
A alegria ao mundo todo devolve.
Amarro com fios de ouro esse momento.
O que de futuro me resta?
Que flores à minha alegria a vida empresta?
Harmonia enche meus dias
O encanto, como o vento, pra bem longe leva toda a dor, tristezas e agonias.
Penetro caminhos secretos.
Se são curvos ou se são retos...
Não tem importância não.
Consegui ter de volta em minhas mãos...
da minha vida o timão.
Sigo o curso, persigo os sonhos que não, não sonho em vão.
Poeira estelar.
Céu noturno
Pra onde se dirige meu olhar.
E fico a me perguntar: de que partícula sou... como aqui vim chegar?
Mergulho profundamente nos processos cósmicos que moldam este mundo...
Vou em busca de respostas...
E vou até o fundo.
Chego à minha raiz – nuvens cósmicas gigantes... as nebulosas.
Entrelaçaram-se elas num balé cósmico.
Chegam a um frenesi sem igual.
Explodem numa explosão fenomenal.
Olho o céu noturno.
Em busca do meu passado.
E repito sempre palavras que em algum lugar li: “eu, universo de átomos, um átomo no Universo”.
É estranho estar aqui agora simplesmente a fazer disso versos.
Por que te amo?
Por que te amo tanto assim?
porque sim...
Foste feito pra mim...
côncavo, convexo...
prosa e verso...
frente e verso...
meu inverso...
todo o Universo...
começo sem fim..
Amo-te porque te amo...
Não ando pela vida com descuido.
Cuido bem onde coloco meu pé.
Procuro verdade e beleza...
Amo-te, porque em ti encontrei o que procuro.
Amo-te, porque não há pensamentos inquietos...
Amo-te... e fim
Passos certos
Trevas se dissolvem
Numa claridade dúbia.
Descortino a manhã indolentemente.
Uma claridade triste atravessa as cortinas…
As sombras se desatam suavemente.
Inquieta desenho formas no pó dos móveis.
Uma solidão amarelada pelo tempo.
A cortina faz suaves movimentos.
Sinto que não sou tão forte como imaginava.
A luz não é suficiente pra me dar a força que preciso.
Espreguiço-me.
Viro pro lado.
Vejo o futuro na parede desenhado.
É preciso da cama me levantar.
Tenho no coração toda a vontade do mundo
de sair por aí e passos certos dar.
Sigo
Driblo certeiramente o mal...
Em loucas, mas não vãs esperanças...
Nas noites escuras e frias
Em notas dolentes de solidão…
Passo meu tempo a fazer poesias.
Numa inquietante audácia
O tempo passa certeiro.
Conduzindo glórias passageiras,
As trevas se dissolvem em fios.
Sorvo suavemente tudo o que cada instante tem pra me dar...
Sigo em frente, como assim seguem os rios.
Pesadelos não mais
Afogo-me no azul deste sonho calmo.
Um céu coberto de estrelas…
A chuva foi chover bem longe daqui
Só há mais pesadelos vindos por não estares aqui.
Ansiedade calada, permeada de esperança.
Esperança que encarcera a dor passada.
Esperança que tem uma estrada florida preparada.
Deixaste-me na inércia do tempo
Não pensaste em me privar de dor por nenhum momento…
Não procuraste driblar o mal que sabias iria me causar…
Deixaste a vida com lutas meus dias temperar.
Descortino o futuro…
Desembrulho versos.
Minhas mãos não se entregam:
Plantam flores.
Entreabrem novos horizontes...
Neles, pintam risos de todas as cores.
Ânsia requintada, em qualquer momento se harmoniza a caminhada.
Na areia da praia.
Nas águas do mar.
Quero pra sempre morar.
Ondas que batem no costão.
Rede que pescador joga pra buscar seu pão.
Marejar.
Água salgada meu corpo a salgar...
das dores e tristezas do mundo a me purificar.
Vivo no mesmo vai e vem das ondas... num pra lá e pra cá.
Pés na areia... mãos no mar.
Todos os obstáculos,
cordilheiras, colinas, desertos – ninguém por perto... areia a tudo nublar...
costas sem portos para aporta, um lugar de chegada encontrar.
caminhos insuetos,
travessas sem saída... nem tente atravessar, você só terá a opção e volta voltar...
as mais abruptas subidas...
trilhas abandonadas, que não servem pra guiar mais nada...
caminhos que levam a coisa nenhuma,
rios caudalosos,
curvas tortuosas
descidas perigosas...
Só não solte minha mão,
não vou deixar você perder a razão.
Guio-te com o coração.
Só não solte a minha mão
Todos os obstáculos,
montanhas, desertos,
mares sem portos
caminhos insólitos,
becos sem saída...
as mais íngremes subidas...
trilhas abandonadas,
caminhos que levam a nada,
rios caudalosos,
curvas sinuosas
descidas perigosas...
Só não solte minha mão,
não vou deixar você perder a razão...
Quero sentir a vida.
Respirar o ar.
Por caminhos inusitados caminhar.
Sem pressa.
Sem cobranças.
Sem medo... seguir minhas andanças.
Solto em cada esquina os fardos que me pesam.
Da pontualidade.
Das cargas horárias...
Abro mão.
Calma e equilíbrio.
Na corda bamba.
Vivo minha vida numa roda de samba.
Calmaria.
Só o cantar de um pássaro lá longe.
Uma nuvem cobre ligeiramente o sol.
As sombras no quarto desaparecem.
Tudo se sombreia.
É chuva que vem?
Um vento forte sopra.
As nuvens vão sombrear outro lugar.
Hoje o sol quer o dia todo todo o meu dia iluminar.
Claro que te esqueci... é tão claro
Agarro o que restou.
Um sopro... que o vento levou.
Estou em queda... voo livre.
Sim, sem paraquedas.
O frio no corpo aquece a alma.
A quem quero enganar?
Tudo está a congelar.
Rasga-se a ferida.
Vida doída.
Abafo um gemido.
Decido: não vou te procurar... não te quero mais.
És apenas um fragmento. Lamento!
Não somos mais os mesmos.
Tomamos rumos tão diversos.
Por que estou eu aqui a falar de ti?
Não cabes mais em meus versos.
Sim, eu me recuso a lembrar de ti.
Eu sei: eu te esqueci.
No seu próprio lugar
Esse silêncio ruidoso sempre a me acompanhar.
Um amor se parte.
Cacos por todo lugar.
Meus pés sangram.
Melhor não me movimentar.
Coração sangra.
A dor da partida.
Uma agonia lenta...
No passar lento do vento.
Um sussurro.
Tudo vai passar.
Então não importa tudo o que está a sangrar.
Tudo daqui a pouco estará curado.
Tudo estará no seu próprio lugar.
Alma cósmica
Ah! Essa faça falsa calma.
Tens um turbilhão em teus pensamentos.
Empurras-me cada vez mais para um buraco sem fim. Pobre de mim.
Que faço?
Mudo minha rota?
desisto desta calma desesperada que estás tentando me impor?
ou me encaixo nela...
Estou com minha alma cósmica perdida.
Da vida não consigo mais encontrar a saída.
Encolho-me toda.
Dedico-me às escritas amenas?
Apenas a duras penas...
Sinto vontade de chorar até não sobrarem lágrimas.