Água lamacenta
Esta raiva que arde dentro de mim
é um fogo que queima e não se apaga.
É a barreira que me impede,
de atravessar pontes que me levem ao outro lado de mim.
Preciso descalçar esse furor...
Perigoso inimigo de mim mesma...
Polui de ferrugem minhas entranhas.
Faz-me a mim mesma uma pessoa estranha.
Não há voz de lucidez.
Não há equilíbrio no meu caminhar.
Escorrego até o calabouço
Vejo minha vida nas águas barrentas se afundar.
Sem nada de mim
não queria ter sido parida...
trazer em mim essa ferida...
nem o amanhecer... nem o entardecer de mim deveriam ter palavras ouvidas...
não haveria riozinhos com águas quentes pra me banhar...
eu ali jamais iria estar...
secar ao sol
um vento o corpo refrescar
nada disso quisera eu ter de experimentar...
um olhar a se perder na distância
sem alma pra abarrotar de dores dessa eterna inconstância...
sem partículas de mim nos caminhos de espinhos desfloridos...
ao pó caídos... numa eternidade sem fim destituída de mim
Da vida
E é a vida a se tecer.
Fios que se entrelaçam.
Noites e dias que se sucedem.
Faz frio.
O vento sopra forte.
As folhas das árvores caem.
As flores florescem deslumbrantes por aí.
A estrada que se faz.
A vida se tece entre sinapses...
Um pensamento aqui.
Um pensamento lá... bem distante do aqui e agora.
A vida que se fez.
E a alma permanece perdida nos labirintos do ser...
ou do não ser.
Tanto faz. Tudo realmente tanto faz.
A vida se tece. Simplesmente acontece.
Todas as manhãs tento não te buscar.
Pois já sei que nem adianta...
Em lugar nenhum vou te encontrar.
Não sabes o quanto sonhei minha vida contigo.
Não consegui... terrível castigo.
Procuro por ti nas tuas coisas que por aqui ficaram...
São sombras... fantasmas... espectro que permanece ao meu lado.
Às vezes penso só quero isto: estar contigo.
Outras vezes nem quero.
Baralhas a minha mente...
Sinto-me quase o tempo todo demente.
Quem plantou em nós a semente?
Por que só em mim vingou?
Toda esperança virou fumaça...
Esperança é coisa que passa?
Olho-me no espelho.
Olho meus olhos.
Olhar cansado... magoado
Olhos que procuram o tempo todo em todo lugar por ti.
Se era pra partir tão cedo, por que passaste por aqui?
Se era pra me amar um amor tão passageiro,
por que me pediste um amor inteiro?
Meu mundo é cinza.
A aquarela de cores foi-se contigo.
Hoje sou solidão.
Sobrevivo em um mundo de fantasias...
Miragens, ilusões... só isso pra não parar de bater meu coração.
Vida em escuridão
Em momentos de descontrole
O mundo dele virava do avesso...
E por mais que as pessoas orientassem
Ele sentia como se coisa alguma tivesse fim... nem mesmo tinham começo.
Ele dizia que o que via era só escuridão.
Sob seus pés areia movediça.
Na boca um gosto de fel...
Um castelo sem ponte levadiça.
Ele sentia bater acelerado seu coração.
O mundo girava sem parar...
Sentia-se tonto, desnorteado.
Como se tudo estivesse fora de lugar
A sabedoria se encerra no saber o momento certo.
Se vais agir ou se vais ficar quieto.
Desespero... anarquia... some o chão.
Atropelo mental... irracional.
Desgoverno... confusão geral.
Atrapalhadas as coisas do coração.
Incontrolável... lastimável.
Irrefreável... lamentável.
Controle na mão.
Segura do barco o timão.
Governo... tranquilidade...
Para encontrar a melhor direção.
Levo minha vida no meu ritmo
Muitas vezes o ritmo do mundo ignoro...
Vou mais depressa... ou mais devagar...
O que acompanho é o teu caminhar.
Contigo é tudo o que me envolve.
Tua companhia é o que me conforta.
Ruas retas... ou ruas tortas...
Pouco... ou nada influem.
Não tenho pressa por algo...
Teu ritmo é o ritmo perfeito.
Depois que chegaste em minha vida
Não há mais portas de saída... minha moral nunca mais está em baixa.
Estou tão bem... como peça de quebra cabeças que se encaixa.
Essa solidão é um eco que ressoa no vazio dentro de mim. O medo, uma sombra a dançar nas paredes da minha mente demente. A tristeza, uma chuva fina a molhar minha alma sem aviso. O desânimo, um peso a amarrar meus pés ao chão. Juntos, tudo forma uma tempestade silenciosa... cada gota carrega o sabor amargo da ausência de tudo. Mas e que bom que sempre há um 'mas'...
mesmo na noite mais escura, estrelas teimam em brilhar. Respiro fundo e lembrar que toda nuvem é passageira, mais ou menos ligeira...
e a luz, por mais tênue, nunca desaparece de verdade. Mantenho sempre um pouco de sanidade.
Silente mundo
Se há coisa que não dá pra a sério levar é o mundo.
Ele muda todo dia de tempo e lugar....
Mudo... não deixa de mandar... não deixa de se mudar.
Um pra lá... outro pra cá.
Quem nele vive é o compasso que tem de bailar.
E de nada adianta reclamar.
Fincar os pés no chão... se rebelar.
O mundo suas voltas vai continuar a dar...
O mundo está deveras imundo.
Ar poluído.
Rios conspurcados.
Caminhos profanados.
E a culpa? Quem dela é?
Do homem que tudo destrói.
E, da destruição, sempre algo constrói.
Polui, polui e polui...
E no mundo inteirinho é que mais dói.
O mundo tranquilamente a girar...
Se está todo mundo tonto...
O mundo não está nem aí...
Por que haveria de se importar?
É o mundo que manda.
O resto obedece.
Nasce... cresce... e um dia desaparece.
E o mundo continua a rodar.
Consciente de que o homem é que no fim as contas vai pagar.
Minha sina... meu destino
Sôfrega de esperança.
Impaciente, inquieta...
enfrento o mundo.
Anoitece. Enoita...
Ajoelho-me
Faço minha prece.
Às vezes tenho a impressão de que, de quando em quando, Deus de mim se esquece.
Olvida-se de que cá estou...
Sem chão... sem Norte... sem direção.
E que de se esquecer se acostumou.
O frio gela meus ossos.
O sangue flui vagarosamente... tentando romper barreiras...
Furando obstáculos... por entre minhas veias se esgueira.
O desespero e a desesperança parecem tomar conta de tudo em mim.
Sono picado...
Acordo tão cansada.
Desesperação: tenho de continuar.
Abro vagarosamente a cortina.
Vejo o sol pela janela sorrateiramente se esgueirar.
Ávida de esperança, me armo.
Sôfrega de expectativa
Continuar a continuar... eis minha sina.
Caminhar e caminhar... sei que a vida ensina.
Do destino que eu queria
Recordo-me de quando meus olhos te viram pela primeira vez.
Lembro-me do frio na espinha que senti...
Lembro muito bem que tremi...
Era frio?
Um temor enorme se apossou de mim.
Um alarme soou dentro de mim.
Era o começo do que eu já antevia o fim.
Era o primeiro passo de um caminho que eu já antecipava o fim.
Hoje, ao lembrar, eu rio...
Pobre de mim... tststs
O que está escrito... está escrito!
O que cada um tem de passar... tem de passar.
Ninguém vai ocupar o lugar de ninguém.
Cada qual seu próprio andar vai passo a passo ter de dar.
Eu sabia disso... sabia.
Sabia que o que viria pela frente iria me machucar.
Chamem de premonição... de sexto sentido... de impressão...
Não importa como se denomina... o que senti tem todo sentido.
Mas...
Porém...
Entretanto...
Todavia...
Não se preocupe, sempre soube que o que é meu vai achar um jeito de até mim chegar...
O que não é pra ser... não virá...
Pode até aos meus olhos se apresentar...
Rondar o caminho que estou a rodar.
Meu coração roubar...
Trazer dor e aflição ao meu coração...
Mas logo outro caminho vai pegar.
Mas...
Porém...
Entretanto...
Todavia...
Eu juro:
Só queria que alguém me ensinasse a convencer o destino de acertar.
Só queria que o destino se compadecesse de mim...
Só queria um pouco de complacência...
Queria o destino se coadunasse com meu querer redondinho como se tudo fosse só e somente só ciência.
Mas...
No que concerne a mim... vive o destino a se enganar... a mil voltas dar... tudo meio sem noção... divertindo-se com meu coração.
Sem amor... por um tempo
Não desejo mais amor.
Todo aquele que até mim chegou...
Um dia de aqui ficar desistiu...
Partiu... foi-se embora... tudo aqui abandonou...
Sem se importar o caos que me causou.
Dor, desesperança, sofrimento aqui deixou.
Brincou com meu coração.
Jogou com meu coração.
Não se importou com os traumas que em mim causou.
Juras de amor esquecidas...
Promessas vazias interrompidas...
Máscaras pelo tempo desmascaradas...
Deixou desgosto e desilusão.
Quem não?
Eu... não mais...
Espinhos?
Caminho sozinho...
Nas asas do vento...
Sigo!
Em busca de carinho...
Rosas perfumadas e coloridas pelo caminho.
Caminhos repletos de alento.
Neste mundo bem redondinho...
Quem nunca?
Eu... eu sim.
Vi voltar o que um dia deixei no meu caminhar.
A alegria de que um novo dia pode me dar.
Corações magoados
Quantos corações feridos tens por aí deixado.
Sabes que tens feito muito mal...
Não paras pra pensar que na vida tudo pode retornar?
É o velho ditado: ‘Colhe-se o que se planta’.
Do carma tentar fugir de nada adianta.
Coração machucado... sangrando.
Peito dilacerado doendo.
Vida se esvaindo...
Esperanças pouco a pouco expirando.
Que estrada é essa que trilhas?
Que muros são esses que constróis?
Há tanto gelo ao teu redor...
Não percebes que a cada passo que dás um coração destróis?
Amor não correspondido
Daí você se apaixona...
Fica no mundo da Lua.
Acha que tudo são flores...
Até perceber que está apaixonado sozinho...
No caminho... há mais dores do que amores.... e espinhos têm as flores!
“Um amor com outro se cura” diz o ditado.
E você pensa: ‘Não está isso errado?”
Mas... doce constatação: uma nova paixão... você olhou em outra direção.
Entenda isto:
Paixão cega – você não enxerga nada.
Paixão emburrece – amor não correspondido é como se você nada tivesse... e você nem percebe... acredita que logo aí à frente esse amor vai lhe amar.
Se um amor não correspondido seu caminho cruzar...
Você deve rapidamente descruzar.
Olhar pra outro lado.
Quem lhe dê carinho encontrar.
Esse novo encontro você deve bastante regar.
Amor não correspondido deve sempre ter os dias bem contados.
Não deve no seu peito ser alimentado.
Sua mente, você deve treinar...
Amor não correspondido – não se deixe por muito tempo por ele se levar.
Poesia enganosa
Temas tão tristes
teimam em minha mente aparecer...
Versos sadicamente me fazer escrever.
Uma cruel solidão assola meu coração.
Uma dor tão doente...
Embaralha minha mente demente.
Causa-me espasmos agoniantes permanentemente.
Machuca-me profundamente... essa insistência em me fazer pôr em versos
do meu coração toda a dor.
Triste e chorosa... lágrimas calmas brotam em meus olhos... caem dentro de mim.
Triste esse caminho em que a dor me faz companhia...
É minha sombra do começo ao fim.
O perfume das rosas é o que apenas desejo.
Mas elas secaram.
Um odor agro exalam.
Um cheiro de pólvora flutua no ar...
O oxigênio pouco a pouco a se acabar.
O mundo ao meu redor recita, numa lamentação acrimoniosa
poesias que soam amargamente amargas... enganosas.
Estrada desconhecida
Ah! Estrada que à minha frente vai.
Pra onde vai?
Tão florida... tão perfumada...
Não deixo de em ti seguir por nada.
A abóbada celeste a te cobrir.
Manto azul contigo a seguir....
Frondosas árvores há por aqui.
Pássaros cantando... tudo alegrando... felizes por contigo ir.
Tudo cintila ao raiar do sol.
Tudo fulgura no teu traçar...
É o amor pondo tudo no lugar.
Nada há de mais belo do que aqui estar.
Envio-te esta mensagem...
Estou longe... mas aqui segue todo o meu afeto...
De uma maneira ou de outra procuro me manter por perto.
Por que esse silêncio louco?
Ajude-me a te ajudar...
Faço o que for preciso pra vida fazer você voltar.
Faço tudo... e o meu tudo nunca será pouco.
Ajude-me a te ajudar.
Um caminho de flores quero te ver trilhar.
Um mundo machucado...
Um mundo de ponta cabeças! A palavra espalha-se por todos os lugares. A palavra que machuca... agride... fere... faz sangrar.
Palavras que carregam o peso de quem não consegue lidar com a própria sombra... sombras ressentidas pesam mais; carregar o peso do ressentimento, do se sentir diminuído, do se sentir menos pesa. Então esses ressentidos usam o teclado pra tirar de dentro de si mesmos amargor... e amargar o outro... o outro que faz sucesso, o outro que pensa diferente... o outro que não se encaixa em moldes forjados pelo ressentido.
Se o outro conquistou um espaço o ressentido não consegue aplaudir... só ataca... desmerece o trabalho do outro... vomita palavras do abismo que carrega dentro de si.
O ressentido se esquece de que palavras que profere/digita falam mais sobre o emissor do que do próprio receptor...
Enfim: o que quero dizer é que se o outro voou... e o ressentido rasteja no chão... não significa que o ressentido não possa voar também... basta tirar os olhos presos em única e exclusivamente julgamentos, e fixá-los em si mesmo, segurar firmemente o fio da própria vida, tomar impulso e voar também.
Há espaço pra todos... Nosso planeta tem uma área de mais de 500 milhões de quilômetros quadrados 😉
Um mundo machucado... que pode ser curado!
Ro
Dias sem cor
Nossa estrada tão florida
foi vagarosamente submergindo em escuridão...
abrumadas nuvens a cobriram...
as flores que por todo lado estavam lentamente se descoloriram.
Pedras estéreis sem cor e sem brilho...
Endurecem meu caminhar.
As aves que cantavam...
Hoje delas ouço apenas um leve e triste pipiar.
Sob esse céu negro e denso...
Olhares tristes voltam-se pra mim.
Árvores deixam pela terra seca suas folhas ressecadas...
Todo o verde e o colorido pausadamente chegando ao fim.
Da leveza
A leveza do ser... = você!
Quando penso nas palavras que acima estão... o que vem à minha imaginação?
As palavras sozinhas lá não estão...
Ligadas à sua imagem vêm e vão.
Palavras que se materializam em uma persona com o mais doce coração.
Então paro pra analisar... por que minha mente à leveza você me faz associar?
Seu toque é suave... é leve.
O seu olhar é delicado... é leve.
A sua presença é afetuosa... é leve
Suas palavras são afáveis... são leves...
Tudo é leve pra onde quer que você me leve.
Tudo é leve na análise racional de um ser tão leve.
A tua foto no meu computador.
Olho bem dentro dos teus negros olhos...
Há um vazio profundo...
Um amor remoto... tão distante...
Só durou como um click... um segundo.
Na foto perdura o teu olhar.
Estava eu tão segura que pra sempre irias me amar.
Hoje sei que amanhã ao acordar aqui não vais estar...
Não há rastros... só restolhos... nada mais pra encontrar.
Como não percebi que era passageiro?
Não largavas a mala e o mapa das mãos...
Sempre pronto pra partir...
Sem se importar se ia apagar o meu sorrir.
Sem se importar se no mapa não vias nenhuma direção.
A foto no computador...
Vê ela essa minha loucura...
Estou sempre à procura...
Um rastro de amor queria nela encontrar...
Juro! Ainda vou achar.
Lamentos
Quanta dor...
Não queria estes versos escrever.
Minha vontade é toda dor do mundo esconder.
Mas há algo que em mim insiste.
De escrever meu coração não desiste.
Tornar palpável meu sofrimento...
Quem sabe diminui meu tormento.
Lamento.
Triste não te quero deixar não.
Não deixe esta minha dor perto de ti chegar.
Não leia esta dorida lamentação.
Me disseram que o poeta é paz...
Não se engane, no poeta a guerra também se faz...
Me disseram que o poeta não chora...
Não se engane, o poeta também deixa as lágrimas escorrerem pelo rosto...
lavarem a alma... devolverem-lhe a
calma.
Me disseram que o poeta é só amor...
Não se engane, há momentos em que o poeta é só dor.
Me disseram que obstáculos não são pedras no caminho do poeta...
São... nem tudo na vida do poeta rosas perfumadas são
O poeta é um ser como todos os outros...
Talvez o que o diferencie é saber ser um fingidor...
Finge amor, quando há dor.
Finge paz, quando há guerra.
Finge calma, quando por dentro tudo queima sua alma.
O poeta baila na vida... olha a linha do horizonte...
E pra tudo encontra ou finge uma saída encontrar.
Tenho planos
Vou seguindo nesta trilha.
Conto metodicamente cada passo, cada milha.
Claro que tenho planos.
Minhas ideias são transparentes.
Não aceito enganos. Fujo dos ardis...
Tateio entre as brumas...
Caço caminhos de marcante matiz.
Falei de amor... sem temor.
Nem sei se devia.
Queimei etapas. Pulei lances desconcertantes.
Fiz de conta que perigos não via.
Hoje solitário sigo na direção
do sol nascente.
E não, não deixo transparecer o quanto vivo carente.