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Frases de Rosana Fleury

98 frases

⁠Masmorra Ficava em alguma rua sossegada, de vias estreitas, quase sem saída. Moradia empilhada, de paredes finas e escadas escuras. Janelas apertadas davam ares de sufoco aos segredos. Entreabrindo a porta; de nada se vestiam as paredes, o chão empoeirado mostrava que ali mora…
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⁠Masmorra Ficava em alguma rua sossegada, de vias estreitas, quase sem saída. Moradia empilhada, de paredes finas e escadas escuras. Janelas apertadas davam ares de sufoco aos segredos. Entreabrindo a porta; de nada se vestiam as paredes, o chão empoeirado mostrava que ali morava o desabitado. Esperava encostada em alguma divisória o ingresso de uma figura dramática. Chegava o visitante. Sempre apertava seus braços e engolia seus beijos. O desejo e o medo se amavam. Violavam a repreensão. O temor logo desaparecia e os anseios gritavam doídos em sua carne explorada. Havia um espelho mofado no lavabo, deformando sua imagem. Iludiu sua boca de encarnado e saiu ajuizando que havia sido furtada por algum sentimento obscuro. Na rua admitiu o sol abrasador iluminar sua marcha. E nada do que desejava na sua profundeza permaneceria no cárcere infinitamente. Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

⁠As loucas Jesus manso e humilde de coração Fazei a minha essência semelhante à sua
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⁠As loucas Jesus manso e humilde de coração Fazei a minha essência semelhante à sua Todas ficaram loucas E fico a observá-las Cuspirem sua demência Mita tinha depressão Comprava E acumulava o mundo às prestações Sofria nostalgia de aquisições Férula eriçou os cabelos Seus olhos mancharam de vermelho Conseguia mastigar e digerir ódio De sua boca proferiam palavras fétidas Assia vagava pelo quintal Blasfemando a chuva Costurava vestidos com os dentes Perdeu todas as joias Ficou banguela Procurando amores De favela Meu Deus Tenho tanto medo Fazei meu coração semelhante ao seu Átia vivia de comichão Seu cerne brotou na pele Vivia de olhos apagados Cabelos opacos Feridas e pruridos Cascas Manchas e desilusão Filha de Maria Também ficou louca Veste-se como santa E diz que espanta o diabo Jesus abrande meu coração Tenho receio Das alucinadas Geórgia sabia amar E enlouqueceu Citava cacos de versos Nas esquinas Envelhecera com flores nos cabelos Destrancava a casa à noite Esperando fantasmas amantes Ave Maria Misericórdia Todas ficaram loucas Onde percorreram seus olhos? Do que se embebedaram? Quais sementes ingeriram? Que germinaram loucas

⁠ Quanto Sabe o quanto te desejo? Não, você não sabe
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⁠ Quanto Sabe o quanto te desejo? Não, você não sabe É muito Sabe qual é a intensidade Desse desejo? Tenho certeza que você não sabe E vou verbalizar isto somente uma vez Abra seus ouvidos Ouça: Preste atenção É forte Muito forte Profundo Sabe qual é a profundidade deles? Talvez nem eu sei Talvez nem você saiba Mas isto mastiga Todos meus dias Todas as horas Cada minuto e segundo Você me deixa molhada de desejos Sabe o que é o desejo? Sou eu que te procuro Nos beijos dos outros Teu olhar Teu cheiro que ficou em Minha boca É ficar perdida Somente te esperando Sabe o que e esperar muito? É desejar Profundamente. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

⁠ As Serras de “Trem” Nos altos e nos baixos Nos vales e nos picos
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⁠ As Serras de “Trem” Nos altos e nos baixos Nos vales e nos picos Ondulando caminhos Caminhos de Minas as curvas não encurtam Caminhos tortos, Caminhos de Minas. Nos caminhos Os trilhos Os trens O trem O que é que tem Vamos esperar Aí vem Um café Que está um trem. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

⁠Poema Não gosto de poesia Nunca se despe
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⁠Poema Não gosto de poesia Nunca se despe Aparece Desaparece Nunca tem fim Aromática Cheia de banhos e feridas Levanta em versos Cheia de arranhaduras Esfola Cozinha E nunca serve a mesa Arrebata Arrebenta Arrepios Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

⁠Ipê Profunda e lentamente Quero ser raiz certo dia
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⁠Ipê Profunda e lentamente Quero ser raiz certo dia Embaraçar-me e enraizar na sua indecisão Sufocar-te Esmagar sua covardia E você vai gritar encarniçado Arrastar tempos Consoantes e vogais Vai verbar seu timbre Asfixiado Em noite de lua abarrotada E não te reconhecerei Serás estranho Te matarei Sem remorso E na estação que interrompi Para adornar esta conquista Vou florescer E de nada me lembrarei Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

⁠Fruto do Pai Meu pai dizia Que tinha de ser aroeira
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⁠Fruto do Pai Meu pai dizia Que tinha de ser aroeira Lustrar a epiderme cinzenta Pinçar as sobrancelhas Escovar o hálito Acetinar os cabelos Cortar as cascas Ser adstringente nas respostas Resinoso para atrair Não ter muita importância Se banhar de estimação Ser baga trilocular Desconfiar Que somos Filhos de Deus Em parto humano Que nada descende De nossa criação Mas do espírito Capsula Suavizada em Deus Com nome e identidade Pela vida além Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

⁠Saudades Saudades, jardim de aromas, redemoinho de lembranças que se espalham repentinamente; desabrocham em torrentes de lágrimas,
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⁠Saudades Saudades, jardim de aromas, redemoinho de lembranças que se espalham repentinamente; desabrocham em torrentes de lágrimas, Em conta-gotas O tempo pára Retrocede Para vivermos de novo. Viver, agora, em sentimento Em saudades Em lembranças Nas sombras do passado, na luz do presente. Nas sombras das lembranças, ternas passagens, saudades, aromas perdidos, estreitas aparências, vampiras recordações. Na luz de todo dia, construindo saudades, suaves, a cada dia, Ave Maria, nas contas do terço de nossa existência, espalhando aromas para que possamos ter sempre Saudades. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

⁠ Neste Ano Novo Lençóis brancos Alvos
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⁠ Neste Ano Novo Lençóis brancos Alvos Onde todo dia Descortinas, tua alma. Na cama, Com calma. Antes da aurora Forres de intenções sua oração Para que tenhas, Na alma A cor da lua Palma Alva. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

"Meu Deus, Meu Deus" Deus de todo mundo Deus criador
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"Meu Deus, Meu Deus" Deus de todo mundo Deus criador Punha sempre Sementes em meu caminho E eu as enterrava Achando tudo Caso encerrado ...mas eram de Deus E elas germinavam Eu assustava Como tudo brotava Ficava brava Com a indecência Brava Como tudo se realizava E me esquecia Que tinha Outro lado da calçada E... No movimento da decisão Era simplesmente Atravessar Outro momento Que ficava Ao lado A travessura E De Nada Adiantava Esbravejar Tinha Que Simplesmente Atravessar. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

⁠ Infinitamente Quanta solidão Amarguei
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⁠ Infinitamente Quanta solidão Amarguei Até chegar No teu beijo Quantos dias ásperos Tive que digerir Na fome Do teu corpo Faminta de ti Entre brumas Da imaginação Recordarás Que nunca é sempre Na lembrança Você é meu Meu desejo Sempre Infinitamente Meu. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

⁠Cercados A idéia feita na ilusão em acreditar na capacidade de vivermos sempre em comboio, trombando uns com os outros... ...assim, feito barulho provocado pelo ranger do atrito nos trilhos, lustrando nossa carga de paciência cada vez mais longa, numa simetria infinita e solit…
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⁠Cercados A idéia feita na ilusão em acreditar na capacidade de vivermos sempre em comboio, trombando uns com os outros... ...assim, feito barulho provocado pelo ranger do atrito nos trilhos, lustrando nossa carga de paciência cada vez mais longa, numa simetria infinita e solitária. Vão ficando vagões cada vez maiores, se amontoando ao longo da penosa existência, deixando tudo de ser paraíso para morrer na fina linha que retorce nos trilhos. Desgastadas e tortas. Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

⁠Rita Rita ficou brava e, numa correria que a raiva desperta subiu onde o pensamento não aliança e ficou lá como alma penada, a chorar acima na comunheira da casa. Chorou os minutos.
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⁠Rita Rita ficou brava e, numa correria que a raiva desperta subiu onde o pensamento não aliança e ficou lá como alma penada, a chorar acima na comunheira da casa. Chorou os minutos. Chorou as horas. Chorou por dias. Os meses. Longos anos. Chorou tanto e por resumidos até que alguém percebeu que o choro amoleceu o pau da comunheira. As paredes derretiam, aí notaram que lá estava Rita a chorar e ia fazer a casa desabar. Como fazer, era rezar para Nossa Senhora do Pilar para calar seu choro. Mais oravam, mais choro caía. E a casa dissolvia lentamente sem solução. Rita na comunheira da casa a lacrimejar. E o pior, agora rangia, trepidava raiva e vergava os paus da construção. E a casa deteriorou, desmanchou. E todo mundo abandonou o que era uma construção. Ficou a casa ali vergada, desabitada Por anos. Até que alguém teve a graça de falar da desgraça com Rita. Amassar a argila onde suas lágrimas se derramaram. Deus fez o homem do barro sem as lágrimas de Rita. Era tempo de magia, reconstruir. Rita, desistir de ser lamento e assombração de um passado que se despedaçou sem lembranças, banhado de tanto chorar. Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

⁠O Décimo - Primeiro Dedo Era uma vez, uma mulher que tinha guardado em si um segredo. Como a palavra indicava, era silencioso, deitava no mistério. Mas quem guarda um segredo e não resgata o enigma
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⁠O Décimo - Primeiro Dedo Era uma vez, uma mulher que tinha guardado em si um segredo. Como a palavra indicava, era silencioso, deitava no mistério. Mas quem guarda um segredo e não resgata o enigma fica infeliz, doente. E o imaginar veio como acalento e cirurgia para sua alma ...transformou-se em caneta, tenra, macia, perspicaz e mordaz, transformando tudo em verso. Mas o verso é masculino e falou com a imaginação: – Quem sou eu que visita esta página? E a imaginação respondeu: – Você é meu desejo, meu mundo e agora vou transformar-te em realidade. E o segredo se escondeu, a realidade estampou, o tempo absorveu o perfume e a existência percorreu as ruas e labirintos desesperado como urgência. E nesta briga a estação passou e o ser caneta não se cansou, roncou tudo e virou o escritor, o artífice. A fantasia é feminina. Em paz com a realidade. Quer ser verbo e decifrada como o décimo-primeiro dedo dominado pelo imaginar. Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

⁠ Hora Agora Vou falar
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⁠ Hora Agora Vou falar De mim Olhe nos meus olhos Sou transparente Dramática Observe meu corpo Tem cicatrizes Não sou pragmática Tenho alma Não acalma Vive dúvidas Não vire o rosto Olhe em mim Tenho matemática De consciente inexato Não me conhece Sou elegante Por favor Desça Dos meus pensamentos Para que nada Aconteça Com sua presença Desça Também Do meu corpo Você não existiu Movimenta palavras Para cobrir Sua falsa coragem Para descobrir Quem sou. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

⁠Inconstante Ficava ali, presa ao chão, porque nela morava a inquietude permanente amarrada aos ventos. Fecharam todas as portas e janelas para que não viajasse desavisadamente e flutuasse entre as fechaduras espalhando segredos.
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⁠Inconstante Ficava ali, presa ao chão, porque nela morava a inquietude permanente amarrada aos ventos. Fecharam todas as portas e janelas para que não viajasse desavisadamente e flutuasse entre as fechaduras espalhando segredos. De vez em quando era posta ao sol a aliviar bolores e choros que avisavam os anjos de sua dor, dos quais sempre conversava. Eles a espreitavam e comungavam com sua dor. Seu lamento estava inconveniente e colocava a felicidade no embaraço. E não adiantava água benta, somente lágrimas salgadas silenciavam sua inquietude. Ninguém a alcançava, dançava solitária com seus pensamentos. Navegava. E os acontecidos passados espirravam em seu rosto como recordações enganadas. Muito tempo se passou e amanheceu diferente, com os olhos claros de cílios alongados de negro. Na porta alguém trouxe a correspondência. No desembalar, uma carta sem remetente, amarfanhada, com uma pérola quase imperceptível dançando entre letras descritas, grafada nas sílabas: “Única”. E o sorriso de sua boca eclodiu como resposta. Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

⁠Nunca Nunca Nunca devia ter te beijado
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⁠Nunca Nunca Nunca devia ter te beijado Nunca Deverias ter deixado Seu rastro em mim Tanto amor Fiquei violeta Chamaram médicos E não viram Que mal você causou Porque o fogo que sinto É febre Causa Caldo Ferida Onda Pranto Crepúsculo Que cai nas tardes Em febre Sou consumida de ti. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

⁠Formas Não decidirei Em poesia
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⁠Formas Não decidirei Em poesia Não foi poético Nosso fim Foi na rua Minha dor Avançando desesperada E você jogou Seu beijo No espaço Como resposta E com quantos Beijos se arranja um amor Da dor eu sei Do amar é passado E do resto Escreverei amanhã Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

⁠Teatro de sombras Tarde angustiante Vento sorrateiro,
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⁠Teatro de sombras Tarde angustiante Vento sorrateiro, Quarto fechado Espelhos iluminados. Frio. Vestiu-se com apuro. Preto e prata. Amoras colorindo a boca. Amores secretos. Silêncio Brincos aprumados, Nos dedos anéis engessados. Gritos no estômago, Alarde de afetos famintos. Palavras alteradas, Olhares esvaídos Pulseiras. Encanto nos aros, Apegos secretos aprisionando o calo. No pulso Compasso O sufoco de um bandorion afogado. Passos acre. A calúnia dos dias. Edificação de inverdades Aperfeiçoamento embebedado de ternura. Marcha e ditado. Guerra. Mortos. Feridos. Fuga Escoamento. No luto, A rua, O mundo, A diversidade, O conceito, A lâmina da integridade. Palco. Episódio Enfeitado de sombras. Marionetes e palavras. Malabaristas equilibrando sonhos. Frases perfumadas com cardamomo. Formato e bastidores. Escrita Lacrimejado em letras Literatura, Teatro do amar Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

⁠Inundação Naquela noite todos os planetas densos estavam alinhados. Dia de muita oração pela natureza. O clima estava revolto e quando seu temperamento espalhava carregava tudo em seu caminho.
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⁠Inundação Naquela noite todos os planetas densos estavam alinhados. Dia de muita oração pela natureza. O clima estava revolto e quando seu temperamento espalhava carregava tudo em seu caminho. A refeição foi minguada pelo medo e no calor do fogão despejou uma acalorada discussão. Todos escolheram vestimentas de bicho para embarcar na Arca do Patriarca Noé. Uns vieram voando nas asas, águias, corujas e beija-flores. Dos mares desafogados das ondas, os polvos, as pérolas, as dançarinas águas-vivas, de peixes coloridos, golfinhos, baleias e, das profundezas abissais, os moluscos. Sem brigas, os impertinentes os insetos vieram de carona. Os mais domésticos e disciplinados apareceram nos gatos, cachorros e nos elegantes cavalos. Selvagens, indomados e desconfiados os macacos, as onças e os lobos embarcaram sorrateiramente. Se ficar alguém, Deus perdoa ou opera aparição nos milagres. Quarentena. Dias e noites. Tormenta nos mares. E chuva cessou. A nau encalhou no destino certo. Todos desembarcaram aflitos e desapareceram onde a terra flutuava. E alguém reclamou. – Não desembarquei, me deixaram! – Em que bicho se vestiu? – De bicho feio. – Qual? – Urubu – Mas por quê? – Ninguém caça ou persegue o urubu, voa solto e livre pelos céus. E ainda faz a limpeza da carniça que deixaram pelo caminho, do que foi imaginado. O mundo não vai acabar hoje. Vamos jantar em paz. Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

⁠ Preste Atenção: Minha casa tem quatro janelas Sopram ares de toda natureza
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⁠ Preste Atenção: Minha casa tem quatro janelas Sopram ares de toda natureza Primavera, Verão, Outono, Inverno. Minha casa tem três portas Por onde ventam Saúde, Paz, Prosperidade. A casa tem quintal Onde circundam muros centenários Dentro deles, Histórias ancestrais. Nela tudo tem vida Em cada canto e recanto. ENTRE: A cada tábua que range Ao seu pisar Preste atenção: a casa FALA. Em cada prato dependurado na parede Que se curva a sua passagem Preste atenção: a casa te OBSERVA. Em cada cortina que balança Preste atenção: a casa RESPIRA. E se o café perfumar e cheirar seus ares: Preste atenção: ela é VAIDOSA. Minha casa "Encantada" Espelho da minha intenção É muito bom te receber. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

⁠Vista Manhã Silenciosamente, te olhei. Admirei:
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⁠Vista Manhã Silenciosamente, te olhei. Admirei: Seu perfil distraído. Suas sobrancelhas arqueadamente atrevidas, Sua boca decidida, Suas mãos carinhosas. Você, a minha melhor paisagem. Sua companhia, a minha maior viagem SEMPRE. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

⁠Identidade Tem paixão Pitadas de loucura
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⁠Identidade Tem paixão Pitadas de loucura Com volúpia É líquido Intenso Momo Resoluto Absoluto Penetrante Tem mais versos Para você Do que imagina Você não imagina Você voa perdido Não tem magia Vive fechado em si mesmo Recolhido em egoísmo Não revirou minhas páginas Não se interessou Somente em si olhou E não me admirou Não viu minhas cores E nem disse palavras mágicas Sai de mim Não sou seu encosto Nem empresto minhas cores A quem desbotado vive. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

⁠ Amanhã Amanhã é outra história. Amanhã é outro dia.
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⁠ Amanhã Amanhã é outra história. Amanhã é outro dia. O descortinar é diferente. Observe: Difere dos outros dias Das tardes Dos céus cobertos Ou encobertos Simplesmente É outro dia Outra decisão Outras palavras E não foi tudo em vão Não aconteceu nada Mas é outro dia Porque: Nenhum dia pela manhã é igual Nem você é igual A todos os dias E único. Profundamente Especial. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury