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Frases de Rosana Fleury

98 frases

Outono Chegaste ao outono Da vida.
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Outono Chegaste ao outono Da vida. Na primavera me mostraste Os campos de Teu perfume. Abandonaste-me no inverno E meu coração Congelou. Restou o mapa de sua nação De nossas intenções Tatuado Maculado em meus seios. Hoje sou lagarta Sem verão À procura de seu coração Para Fazer Transformação. Chegaste ao outono da vida Mostraste-me a primavera Nos campos de teu perfume Abandonaste no inverno de incertezas Meu coração, este inverno. Inferno congelado Não acha o verão. Chegaste ao outono da vida Mostraste-me Na primavera Os campos de seu perfume Um território que eu desconhecia. Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

Adverso Em cada verso Em cada verso
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Adverso Em cada verso Em cada verso Que escrevo Você existe Em cada página Que viro Você permanece Em cada lágrima Que corre Você escorre Em cada sopro Do vento Que bate em Meu rosto Você se reinventa e Reescreve Em cada vírgula Que para, pausa Você resiste Em cada dia Que apaga Você afaga em Lembranças Em cada soluço Que tropeço Você navega Nas lágrimas Em cada palavra Que escrevo Você finge e corre Em cada rima Que descrevo Você é o fim Em cada final Que você existe Eu fico Feliz Escorre Delicadamente Em cada dia que amanhece Assim Eu adereço O seu jeito de ser Em cada tempero Que eu verso Você compõe Em cada perfume Em que fico Você se banha E o passado Permanece Inalterável Como presença Peço ao tempo imperar Transmutação Até virar Dia pó Areia Pós dia Poeira Sujeira De um verso Do avesso Exausto De ser Execrável Cafajeste De rimar Ordinário Em cada tormento Que me afronta Eu escrevo Rimo Componho Crucificação com Libertação Alforriado Em paz Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

Índice Poético Meu Deus, Me perdoe
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Índice Poético Meu Deus, Me perdoe Porque o vinho que bebi em dezenas Me deu um tapa E pela madrugada Em metamorfose Eu vi o corredor E entrei nele de cabelos longos E o dragão que habitava nele Chamuscou meus fios E eu Em transformação Fui à vidente Para decifrar as linhas E ela nada me disse E virei vatapá Mistura E no compasso de tudo Num vôo sem direção Eu fiquei envidraçada E a partir de um todo A verdade Se perdeu Em uma história sem fim, Dentro de uma taça Onde escorre a vida E tudo é Refluxo Do que vivemos. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

Vazio Não há nada Somente vazio
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Vazio Não há nada Somente vazio Um copo sem fundo Um corpo que quer vida Não há verbos Para decifrar A cegueira De nossos movimentos Não há dicionário Para encapar Os meus, O seu, Os nossos Sentimentos Não há energia Nem transcendência do viver Não há nada No olhar Não sobrou coisa nenhuma Mas há Você navegando Em mim. Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

De que lugar Onde anda você? Em que parágrafo você acorda?
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De que lugar Onde anda você? Em que parágrafo você acorda? Em que capítulo você se despe? Com que asas você voa? Em que céus devo te procurar? Em que estação você floresce? Em que águas devo te recolher? Qual o recado que vai enviar? Em que nuvem vai escrever..... Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

Frio Frio Adivinha minha alma
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Frio Frio Adivinha minha alma Percorra Sinta Perceba A saudade Frio Fale Amargue Congele Apague Tudo Frio Endureça A minha vontade Congele Meus dedos Vire pedra Para que Eu nunca Atire no destino A quem interessar Congelou Minha alma Frio Abrace-me Necrose Apodreça Para que nada aconteça Frio Não me leve Não me enterre Não me deixe Quero Arrepiar Não só de frio Mas de Clamor De um frio absoluto De amar. Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

O Tapa Ele pertencia a alguma tribo. Havia nascido mirrado, moreno, gritava feito indomado e era de gênio irascível.
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O Tapa Ele pertencia a alguma tribo. Havia nascido mirrado, moreno, gritava feito indomado e era de gênio irascível. Donde surgiu isto? Criatura tão imprevisível, veio ao mundo onde todos só desejavam o aprazível. Ele era tenente, contente e soberbo, dono de si mesmo. Era do mundo. A mãe gritava, Se irritava. E ele não se alterava. Até que um dia... Sem data... Sem tempo... A paciência navegou e naufragou na violência, e a mãe deu um tapa na cara do herdeiro, vomitando sua raiva com raça, na face da criança que ela mesma gerou! Mas... o pescoço dele virou e ficou assim errado, de cara virada, nas costas, vendo o mundo afastado. A mãe gritou e se apavorou e não houve ciência e cientista que desvirasse o virado. E ele se criou, num mundo onde ele próprio assistia às aulas de pescoço virado, nas costas. Mas tirou vantagem! A mãe tinha trabalho. Tudo de costas, num mundo que só conta as horas prá frente. Tinha bom ouvido, porque os olhos nos traem, o olfato nos engana e a verve nos veste de lama mas, ele ganhou na percepção. O menino, agora homem, cresceu, se profissionalizou e arrasou em tudo. Até nas conquistas! Mas, de costas? Sim de costas. Como? Foi assim: ela passou, ele de pescoço virado ignorou; ela se virou e piscou e ele se apaixonou! Se casaram de data marcada, convite confirmado, com balada ensaiada e festa preparada. Mas. como seria a entrada? Ele de costas para a nave central, onde o padre ministrava os sacramentos? Ela o amava e resolveu: Vou entrar com ele de cara virada, de braço dado. Ninguém perdeu! A Igreja encheu. Ela desceu do carro, frente aos curiosos, Feliz!!! No patamar, à porta, ele a esperava, de pescoço virado. Ela na certeza de que o amava... ...o beijou... e o pescoço d’ele, desvirou. O trauma estancou e ela mais se encantou! E entraram assim: Ela, elegante, e ele de pescoço desvirado, na grande mágica que o AMOR faz na vida. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

Transformando Por onde andei Era chão atapetado
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Transformando Por onde andei Era chão atapetado Não havia ruído Mas o corroído da alma Era mais barulhento Por onde andei Palavras sussurradas Pois não há suturas Para emendar Sonhos impossíveis Por onde andei Vaguei Fui tateando E o impossível Se despiu Por onde andei A poesia tingiu E fugiu Por onde andei Fui sobrevivente De minhas escolhas E da minha coragem Por onde andei Minha voz Virou você Um barco de estações escritas Com seu nome Que naufragou Por onde andei Na vida Resisti, escapei Me salvei De mim mesma Das horas De lagarta Nas horas de borboleta. Livro: Pó de Anjo

Quando se escreve Fica-se nu. Nu perante seus inimigos.
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Quando se escreve Fica-se nu. Nu perante seus inimigos. Nu perante as críticas. Somente as letras nos vestem. E os críticos Céticos Arrancam nossas vírgulas Pontuam nossas angústias E você fica nu Indefeso Sem alma Sem arma Somente exclamação Com ponto de interrogação Por que escrevi? Livro: Não Cortem Meus Cabelos

⁠“Enfurnada” Sou subtraída do profundo das águas calcárias e cristalinas de Furnas Enfurnada entre montanhas Alinhadas de pés de café.
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⁠“Enfurnada” Sou subtraída do profundo das águas calcárias e cristalinas de Furnas Enfurnada entre montanhas Alinhadas de pés de café. Lugar de cheiro doce Da floragem cafeeira vestida de noiva do moka Que se enfeitam de flores brancas e sementeiras vermelhas Ano a ano Dia pós dias Sou as sacas cheias da safra Que despolpa líquida nas xícaras E cobre o paladar e os ares Sou das minas verdes Sul de Minas Perfurmada Aromatizada Cheiro de café Ser gerado Das Minas Gerais Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

⁠A última carta de amor Sinto sua falta e as areias sopradas pelo vento frio batem em meu rosto e acordo com as lembranças.
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⁠A última carta de amor Sinto sua falta e as areias sopradas pelo vento frio batem em meu rosto e acordo com as lembranças. A chuva fina penetra em meu corpo e penso em seus beijos tão quentes como ares do Equador. Meu demônio infernal que arrasta meus dias em desejos queimantes e fico cega. Chamá-lo de meu amor é tão vulgar e abstrato e meu pensamento se dirige a ti de forma tão concreta que sinto e quero sua presença. Fica tudo tão distante. Meu corpo, meu desejo, que nem as cartas cobrem esta ausência. Dizem que amores não tem corpo, mas do que é feito sua intensidade sem seus contornos físicos, perfumes perdidos sem seu cheiro? E o vento apaga as palavras neste deserto de solidão e gasto tanta pena e tinta e nem sei se verbos atravessam oceanos e intempéries. Mas fica a força de meus punhos grafados, para contornar seu corpo nesta carta.

Meu amor de ontem Ele havia chegado. Foram 25 cinco anos de sertão. Barba por fazer, desodorante faltando, mal-cheiro falando.
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Meu amor de ontem Ele havia chegado. Foram 25 cinco anos de sertão. Barba por fazer, desodorante faltando, mal-cheiro falando. Português capenga, só ficava rachando lenha, trabalho braçal mesmo. Verbalizar algumas palavras somente depois de uns goles de pinga. Até que morava bem, num “igarapé” fresquinho às margens do Rio das Mortes, uns 100 quilômetros da cidade, na seca. Na chuva nem tiro ideia. Ventilação só do vento nos buritis. Lugar bonito por lá. Tem duas estações: a seca e as águas. Ouvi dizer que vendem perfumaria nos alagados. Vizinhança próxima, toda sorte de animais silvestres e rastejantes. Ele me explicou bem como era feliz. E fez esta viagem com proposta de sermos mais unidos. Na verdade fiquei embasbacada e pensando se o banheiro tinha lixa de pé e “bidê”. Olhei sua camisa de um algodão rústico e desbotado, seus pelos agora também descoloridos saindo revoltos entre os botões. O vento derrubou meu chapéu panamá e ele não se inclinou para pegá-lo. Disse que tinha hóspedes e muita pressa. Saí da conversa com um calor sufocante e uma pergunta im- pertinente. “Será ele o mesmo que tanto amei ?” Ele virou Anhanguera e não o reconheci. Lembranças, às vezes, é um lugar confortável. Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

⁠“Cozinhando” Tinha cheiro perfumado de cardamomo moído
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⁠“Cozinhando” Tinha cheiro perfumado de cardamomo moído no ar nosso jeito de amar Vermelho Rubro Intencional Despido Tomates descascados despelados refogados sufocados no azeite ferviam esparramando desejos Não dava para esperar ervas benziam alecrim tomilho mangericão coentro hortelã para acalmar o mar de dentro Esperei... Abri um vinho... Ele não chegou MEU DEUS !... Para AMAR COZINHAR Basta o Sal do mar e das lágrimas Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

⁠Quando Quando morrer, não me espetem de flores, porque representam a vida e sua resplandecência é rápida: florescem, envelhecem e morrem. Me alfinetem de palavras que sejam somente substantivo abstrato: felicidade, sucesso, angústia, desejo, prazer, cumplicidade, compromisso,…
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⁠Quando Quando morrer, não me espetem de flores, porque representam a vida e sua resplandecência é rápida: florescem, envelhecem e morrem. Me alfinetem de palavras que sejam somente substantivo abstrato: felicidade, sucesso, angústia, desejo, prazer, cumplicidade, compromisso, inocência, perdão, amor, confissão. Confesso que o perfume das flores paira no ar, mas as palavras perfuram e permanecem interpretadas por quem não tem preconceito, mas sonha. Quero deixar esta herança. Sonhos. Sonhe e o os sonhos são proféticos, eternos como os céus e as estrelas que nos cobrem. Cubra-se somente de sonhos. E sonhe somente seus sonhos. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

⁠Saudades em poesia Seu cheiro derramado em poesias Seu cheiro arrastado nos versos
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⁠Saudades em poesia Seu cheiro derramado em poesias Seu cheiro arrastado nos versos Cheiro espairado Repartido Cheirando espalho Vetado Revive em mim seu corpo em perfume Flui Esparrama a sua vontade Somos mistura Dos céus e dos ares Somos nós e nó Você existiu Para... sempre... Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

⁠Com Que Cor Vou Vestir? Não me vês Meu bem
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⁠Com Que Cor Vou Vestir? Não me vês Meu bem Visto Azul Tudo Azul Como o céu E não me vês Visto rosa Tu discordas E não me vês Visto vermelho Tu avermelhas e duvidas. Visto estampas Tu espantas. Visto negro Tu exclamas! Onde estão as estampas? E digo: Espantastes? Com tantas cores meu bem Qual seria a minha estampa? Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

⁠Impressões Noite de céu crespo sem lua. Silêncio sedicioso derramava em seus pensamentos agonias. O travesseiro ficara quente, as tábuas estalavam a secura do Mês de Setembro. Os ventos frios adentravam sem convites por todas as janelas. A rua já havia se esvaziado da festa e o…
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⁠Impressões Noite de céu crespo sem lua. Silêncio sedicioso derramava em seus pensamentos agonias. O travesseiro ficara quente, as tábuas estalavam a secura do Mês de Setembro. Os ventos frios adentravam sem convites por todas as janelas. A rua já havia se esvaziado da festa e os papeis vagabundos e coloridos faziam folia com o sopro da madrugada. Caminhou pela casa, pegou um livro, as letras não acolchoavam sua cabeça. Acomodou as malas na soleira da porta. A esta hora ainda estava sem sono. Revirou suas anotações, tentou dar curso e poesia aos guardados e a página permaneceu imaculada. Olhou pela janela e viu que a cidade repousava. Parecia que já era hora de amanhecer e acendeu todas as luzes e esquadrinhou todo o lugar como se o mapeasse para a sua memória. Deitou com seus pensamentos vazios e muitas perguntas. Revirou na cama e talvez fosse o estômago vazio esta insônia. Foi à cozinha. Açúcar queimado com canela e leite cheirou, aguçou suas papilas. Os biscoitos de queijo ajeitaram o doído do vazio. Limpou os dentes pacientemente um a um com pasta de hortelã. Passou creme de nozes nas mãos e percebeu que durante sua estadia não havia tocado o piano. Foi até a sala onde ficava o esplêndido. O lustre iluminou junto o recinto. Talvez fosse o lugar mais austero da casa, moveis delicados com instantâneos das descendências em poses agoniáveis. Todos pertencendo ao passado com histórias confusas e nunca narradas. Mirou cada face como se retirasse de seus olhares suas existências. Tudo mudo. Todos impassíveis. Abriu a maravilha, o piano, teclado amarelado em marfim liso e gelado; soltou seus tons que espalhou pela casa, e todos valsaram. A cortina dançou, o vento parou para escutar, os papéis se esconderam nas esquinas, os pensamentos acalmaram e os instantâneos dependurados pelas paredes se pintaram. Sua insônia se demitia e na última valsa sentiu um vulto se aproximar. Fechou os olhos sem medo e dedilhou a última melodia. No avião sua mãe comentou:” Que foi aquela andação à noite pela casa?Agora virou assombração?” –Foi só indigestão. –O que comeu? –As assombrações não digeriram bem os biscoitos de queijo e ficaram por lá brigando, dançando com azias. Brancas, aparentes, empoadas de farinha... Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

⁠Eu - Tu - Ele Não chores menina Vamos rezar
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⁠Eu - Tu - Ele Não chores menina Vamos rezar Contemplar os mistérios Eu Tu Ele Eu quero Tu condenas Ele Navega Eu Tu Ele Mistério Conto Metáfora Eu Tu Ele Eu quero Eu devo? Eu posso Única pessoa Único verso Em um único desejo Eu Tu Ele Quem viajou nessa conjugação? Eu Tu e Ele Sem condenação Gosto de todos Eu Tu Ele Somos uma realidade Tu criticas Ele foge Eu fico sozinha E no plural? Nós Vós Eles Nós eu desembaracei Vozes não me escutaram Eles sempre existiram Vamos recomeçar (de novo) Eu Tu Ele Eu desejei Tu estornou Ele recolheu Mas quem emende?! Nós desembaraçamos Vozes se apagaram Eles nunca escreveram Na realidade Só sobreviveu Eu para escrever Tu para apreciar Ele para me atormentar. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

⁠Sonhos Todo sonho De quem sonhou
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⁠Sonhos Todo sonho De quem sonhou Velho ou novo Não se realizou Vira assombração Fica assustando os outros Mandando avisos Indecifráveis Para terminarem Os sonhos Que Sonharam Dá um trabalho enorme Decodificar sonhos Não realizados Para edificar Sonhos sonhados. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

⁠"Vende-se" Já pensou em amanhecer de carga vazia sem ter o que oferecer e ser dispensada de todos os favores, pois você mais parece água de um lago revolto e coloca a todos em desespero e sem rumo. Já pensou em abrir sua bolsa e lá estivesse vazia e sua carteira como se fosse…
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⁠"Vende-se" Já pensou em amanhecer de carga vazia sem ter o que oferecer e ser dispensada de todos os favores, pois você mais parece água de um lago revolto e coloca a todos em desespero e sem rumo. Já pensou em abrir sua bolsa e lá estivesse vazia e sua carteira como se fosse nova e você sem identidade? Imagine abrir um livro em que todas as consoantes fossem banidas do dicionário. Imagine contar infinitamente só os números ímpares, pois os pares não existem mais. Cristalize falar e não ser compreendida. Chorar e parecer estar sorrindo. Soprar e tudo virar ventania. Imagine: ...que tudo é realidade. É o escritor O que ele vende Poucos compram. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

⁠Nus Estávamos despidos, nos cobrindo de algodão sem o mundo descortinar nosso pecado. Seus pelos haviam arranhado minha pele e sem dizer que te amava, perguntei:
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⁠Nus Estávamos despidos, nos cobrindo de algodão sem o mundo descortinar nosso pecado. Seus pelos haviam arranhado minha pele e sem dizer que te amava, perguntei: - Ate quando? - Até algum dia. Nos vemos por aí. Disse palavras sem hora, jogou displicência na minha cara. Mastiguei sua elegância sem defeito e desapareceu pelo corredor. Me vesti de transparência, masquei meu pecado. O celular tocou, era você novamente. Atendi e verbalizou: - Saia daí, ela vai chegar. Não alterei meus passos entrei nas teias das mentiras e embriagada de culpa, “traguei “meu último pensamento:” isso não vale nada.” E saí sem esperança e avancei rumo ao FINITO. Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

⁠Verdes Primícias A Vida Prometia Eu queria
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⁠Verdes Primícias A Vida Prometia Eu queria Em cada frase Deitada e deixadas nas linhas Talvez abandonadas Do nosso querer viver Mas vivi As primícias De cada frase Abertas Destrancadas Do seu verde adstringente Deixei e deitei nelas As proposições Conclusões Premissas Da açucarada impossibilidade Que ficou Impregnada No meu viver Hoje revolvem Os derradeiros Sentimentos E prazeres Que só pertencem a você Sempre verde. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

Seremos Eu te esperei Sonhei anos
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Seremos Eu te esperei Sonhei anos Séculos Te aguardei Te separei Do resto Ouvi sua voz Naveguei Voei E vi Que eras tu Me desesperei Te disse: Nunca Chegaste no meio do verso Sem ritmo Serias ferida aberta Metáfora tingida Versos trancados Quis gritar Viajar Voar Navegar Parar Mas para falar de ti Tem unguento Meu amor Minha frase Se veste delas E seremos Felizes. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

⁠Obra de mãe Esculpida no angico Na angina dos dias
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⁠Obra de mãe Esculpida no angico Na angina dos dias Ao meio-dia Respirei Havia chuva No meio do dia Brotei Havia santos Todos os santos E me benzi De todos os dias Havia Dor Amores Tumores Andei Dei formas De acácias A cafés Negociei O gosto do aroma A infusão E nas xícaras destilei Mãe me recolhe Quero seu colo... Embrionário Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury