Frase de Rosana Fleury
Masmorra Ficava em alguma rua sossegada, de vias estreitas, quase sem saída. Moradia empilhada, de paredes finas e escadas escuras. Janelas apertadas davam ares de sufoco aos segredos. Entreabrindo a porta; de nada se vestiam as paredes, o chão empoeirado mostrava que ali morava o desabitado. Esperava encostada em alguma divisória o ingresso de uma figura dramática. Chegava o visitante. Sempre apertava seus braços e engolia seus beijos. O desejo e o medo se amavam. Violavam a repreensão. O temor logo desaparecia e os anseios gritavam doídos em sua carne explorada. Havia um espelho mofado no lavabo, deformando sua imagem. Iludiu sua boca de encarnado e saiu ajuizando que havia sido furtada por algum sentimento obscuro. Na rua admitiu o sol abrasador iluminar sua marcha. E nada do que desejava na sua profundeza permaneceria no cárcere infinitamente. Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury
No pensador.ai desde