Frase de Rosana Fleury
A última carta de amor Sinto sua falta e as areias sopradas pelo vento frio batem em meu rosto e acordo com as lembranças. A chuva fina penetra em meu corpo e penso em seus beijos tão quentes como ares do Equador. Meu demônio infernal que arrasta meus dias em desejos queimantes e fico cega. Chamá-lo de meu amor é tão vulgar e abstrato e meu pensamento se dirige a ti de forma tão concreta que sinto e quero sua presença. Fica tudo tão distante. Meu corpo, meu desejo, que nem as cartas cobrem esta ausência. Dizem que amores não tem corpo, mas do que é feito sua intensidade sem seus contornos físicos, perfumes perdidos sem seu cheiro? E o vento apaga as palavras neste deserto de solidão e gasto tanta pena e tinta e nem sei se verbos atravessam oceanos e intempéries. Mas fica a força de meus punhos grafados, para contornar seu corpo nesta carta.
No pensador.ai desde