E quando eu ficar mais velho, que minhas dores sejam acalmadas pelo verde e o ar puro que ainda restam...
Frases de Risomar Sírley da Silva
341 frases
'RIBEIRINHA' Vejo o infinito passear nas águas. À minha frente há paraísos.
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'RIBEIRINHA' Vejo o infinito passear nas águas. À minha frente há paraísos. Escurece. É hora de ascender lamparinas ou olhar vaga-lumes, desmitificando a escuridão... O peixe está na brasa. Crianças alegres estão a brincar, sem ter pressa de chegada. Sou morada a ver navios, com suas guloseimas distantes... Sou acenos, canoas cortando rios, a caçula trouxe um pote de doce. A mesa está farta. Cantaremos músicas populares para agradecer. E para que o amanhã seja feliz como o hoje...
'PORTA' A porta não está deserta, há fantasmas fazendo-lhe companhia.
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'PORTA' A porta não está deserta, há fantasmas fazendo-lhe companhia. Indivíduos mórbidos, cada vez que é entreaberta... Atrás dela, as faces e as dores. Com seus condolentes personagens, gritos sem cores... A porta é áspera, e não abri com facilidade. Por mais que se tente, é tristeza aparente e saudade... Mas a porta há de enfraquecer-se, nas suas microbactérias. E os pequenos olhares terão lugar definido, com suas reconstruções e artérias... Ela é passagem, caminho bucólico. Não precisas mais ocultar-se, nem cantar canções melancólicas... Teus segredos já fora definhados, tenta seguir a razão. Ser alegre na intuição, escultando as pessoas de tenra idade... Somos alguém, com nossas portas esquartejadas, algumas dolosas, nas suas formas diferenciadas... Porém, somos vigor e podemos mais que ela, aflingi-mo-los eis as sequelas, e as esperanças baterão à nossa porta... Não evitas o mundo, nem tenta ser abstrato! Abre todas as portas sem receios, e não será mais refém desse quarto...
'PERCURSO...' Ele sempre caminhava pelas ruas observando a crueldade. Numa de suas andanças,
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'PERCURSO...' Ele sempre caminhava pelas ruas observando a crueldade. Numa de suas andanças, percebeu uma pobre criança, a pedir comida a um senhor que o rejeitou. Mas à frente, um vetusto de idade, já sem conhecer a cidade, tentando atravessar a rua sem que ninguém o ajudasse. Mas à frente, observou um nasocômio, Ali presenciou pessoas enfermas! Outras truculentas. Pessoas sofrendo nas filas ali formadas. Olhares abatidos, desesperadas... Voando pelos lados, viu pessoas jogadas ao chão. Cheiro de fome e frio, sem brio perdidas no vício. Amotinação de carne humana, sem ação. Céleres andando de um lugar para o outro, andar sem direção. Caminhando em volta da pequena praça, ninhos de celeiros à céu aberto... Cidade metropolitana com seus metropolitanos fantasmas. Passou na igreja e presenciou uma porção de tristezas espalhadas. Refúgio de ludibriados, pensando ser desanuviados. E a nuvem de truculências e idolatrias estavam seguidas juntas. A partir de então, o homem resolveu ser triste por excelência. Um mundo triste, cheio de pessoas tristes. Tristeza refletindo adolescentes contemporâneos. As tantas guerras entre si, sementes cultivadas pelo esboço humano... O homem triste sempre chora ao perceber que os milagres não mais existem. E que as enfermidades escurecem o amanhecer. Toda sua tristeza percorre-lhe novamente à alma como um menino nascendo. E lembra do pequeno parto que é a vida, dos pequenos verbetes que lhe atingem a alma olhando fotografias antigas. Pequenas descobertas parecem tão reais, triviais, fortalecendo o percurso. Ele toma seu café da manhã como se fosse o primeiro, talvez o último. Cheiro de 'novo'. Mas novamente faz o mesmo decurso, cheio de atalhos, sem pássaros para mostrar-lhe as melodias. Percursos que ainda podem reviram um coração cheio de dor...
A minha felicidade cabe num olhar apaixonado e numa caixinha de cerveja...
GRAMÁTICA Fi-lo obliqua, substantivada.
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GRAMÁTICA Fi-lo obliqua, substantivada. Substitui-lhe pronomes. Ei-la agora objeto indireto, intransitiva. Complemento nominal. Verbo sem ligação. Voz passiva...
'FÉRIAS AMAZÔNIDA' O vento sopra o inferno. O calor amazônico flutua sob o rio, deixando as pessoas em flamas, desnutrindo-as nos barcos calorentos... O rio amazonas engole leitos e o abstrato. Os ribeirinhas se aproximam ainda mais das matas, com seus filhos, pescando nos barc…
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'FÉRIAS AMAZÔNIDA' O vento sopra o inferno. O calor amazônico flutua sob o rio, deixando as pessoas em flamas, desnutrindo-as nos barcos calorentos... O rio amazonas engole leitos e o abstrato. Os ribeirinhas se aproximam ainda mais das matas, com seus filhos, pescando nos barcos que passam... As crianças gritam, sons abafados pedindo comida dos céus. De repente a correnteza os ouvem e algumas migalhas vão ficando para trás, flutuandos ao léu... A Capital tem ócio, tem casas penduradas, como a violência íngreme e diária. O ribeirinha tem sonhos: passar as férias na capital... Mal sabe do dragão atormentando pessoas, sem água tratada, sem alegria no rosto. Férias tem mais sabor nos córregos, no vento balançando a casa simples de palha... No paladar arejado, comendo o peixe sem sal. No mergulho diário lavando a alma. Na ausência de tormento e do barulho da cidade grande... O cosmopolita tem sonhos: passar férias nas terras do ribeirinha...
'ESSA SEMANA' Vi um rosto que não via há anos e bateu uma saudade no peito rasgando todo o tempo perdido. Pitada de esperança em revê-lo,
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'ESSA SEMANA' Vi um rosto que não via há anos e bateu uma saudade no peito rasgando todo o tempo perdido. Pitada de esperança em revê-lo, abraçar-lhe e falar dos anos escorregadios na qual passamos juntos... Presenciei uma idosa correndo atrás de dinheiro desesperadamente, igual a uma criança, correndo atrás de pipas, sem conseguir ter paradeiro para suas refeições diárias. Fiquei meio intrigado com isso... Abracei um problema que não era meu. Mas o fiz por entender que o próximo é a nossa mais fiel semelhança. Temos muito de congênere, comportamentos parecidos, mas análises e ponto de vista diferentes... Era para ser uma semana normal. Mas atrasei-me ao buscar o filho na escola. Não conversei habitualmente com algumas pessoas como de costume. Fui 'duro' com algumas pessoas e não abracei meu cão... A semana passa rápido após os quarenta. Essa foi de nostalgia, algumas pessoas 'partiram' de súbito, Não tiveram oportunidade de pedir perdão, ou despedir-se carinhosamente da mãe, dos irmãos, amigos... A semana finda, e com ela, tantas desesperanças...
'TEMPO, AMOR E MORTE' Era tão apaixonado. Inclinado por que o tempo não passava. Agora abestalhado, tudo relampeja. Contagem regressiva para os pulmões. Coração pragmático e tão irreal. A vida vai ficando no tempo, abstrato como o ontem... O Senhor 'Tempo' trouxe tantos amores.…
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'TEMPO, AMOR E MORTE' Era tão apaixonado. Inclinado por que o tempo não passava. Agora abestalhado, tudo relampeja. Contagem regressiva para os pulmões. Coração pragmático e tão irreal. A vida vai ficando no tempo, abstrato como o ontem... O Senhor 'Tempo' trouxe tantos amores. As dores só após as partidas [que são muitas] e quando os olhos inclinarem. Dizíamos: 'temos todo o tempo do mundo e um amor para balançar a sorte.' Hoje, reduções vitais, recortes ... Domingo. Oito da manhã! O amor está dormindo, ainda não acordou para alegrar o lar. Viverás até quando nessa cama? A madrugada ventura calafrios. Sem brio, presos num trânsito ininterrupto e fugaz... Aprenderemos a lidar com a morte? Nessa recusa do próprio tempo, tínhamos sentimentos e amor, mas com o tempo, quase tudo esvaiu-se pela terra. Mudou. São as leis da natureza sentidas na pele... No tempo de escola, aprendemos que tudo 'nasce, cresce e morre'. Faltou ensinarmos a amar, coragem para a aceitação do tempo e nas seguidas mortes que nos vêem. Pensava-se: é apenas uma questão de tempo... Aprende-se: o amor é imortal! Sem nunca termos nascido para tal. O amor vai andando de mãos dadas no tempo. Até que a morte nos separe tênue. Nascemos com o choro e morremos agonizando. Precisamos aprender a viver e aprender a morrer pacificamente. Aceitar o amor no seu tempo, como se fossemos imortais...
NAS NUVENS [PRAÇAS] Um dia ficara adulto e percebeu não ser criança. Semelhante aos demais,
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NAS NUVENS [PRAÇAS] Um dia ficara adulto e percebeu não ser criança. Semelhante aos demais, a vida lúgubre. Passou a andar rude nas praças. A olhar para o céu, 'bestiado' porque as nuvens nunca caem... Talvez elas declinem nas suas formas várias - pensara! Exuberantes e tão tempestuosas. Nuvens de poeira e algodão doce ficadas para trás. Como a vida metaforizada, nuvens levadas ao ermo... A praça estar vazia. Nos céus, nuvens de orações e tecnologias. Sem perceber, as praças caíra no esquecimento, surrupiadas e expostas nos ventos, sem ar... Tudo perde a graça ao olhar para o céu sem granizos. E todo o tempo as nuvens sempre caem em chuviscos. Das praças mirando ao alto, as nuvens já são tão repetitivas. Menos as células abaixo, enferrujadas envelhecendo sorrisos... As pessoas só veem aqui [praça] por algum tempo, quando tem a liberdade de fitar os olhos nas suas tempestades. Após, se aprisionam em outros espaços caóticos, nuvens de areia impactando-se... Na praça há multidões, chuvas ácidas. Nas nuvens, simplórios corações dualistas. Seres matando expectativas sem antes abraçá-las... Sempre se olha para as nuvens asfixiando conquistas. E as praças em preto e branco, já não tão mais otimista, lembra saudade e solidão...
'PALHAÇO' Seu universo, controverso.
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'PALHAÇO' Seu universo, controverso. Alegria de palco. Levando alegria, sinestesia. Exteriorizado... Escondido, nos seus malabarismos, absorvendo aplausos. A comédia terminou, a face congelou, vida real... Falta elementos, tudo fingimento! O cômico não é angelical. Ego indignado, tudo abarrotado, Ele transformara-se... Comédia da vida sem alma, sem calmas, Particípio. Sem séries, nas suas imterpéries. Sem gesticulações no espelho. O palco é agora colinas, e as tantas neblinas, fez do palhaço homem...
'MEU COLEGA DE QUARTO' Ele sempre chora. E perde as estribeiras.
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'MEU COLEGA DE QUARTO' Ele sempre chora. E perde as estribeiras. Clama pelas razões que lhe sustentam. Tem o coração do tamanho de um trem, viajando por vilarejos, perfeccionado o amanhã, diferente do hoje... Sonha com os pretextos, esquecidos nas janelas. Tem o coração remendado de razões banais. Ele sofre, como o copo quebrado, perfurando a pele, fragmentando abraços... Tolo, esquece bicicleta nas ruas, fotografias no chão. Espera sorrisos que não vem. E aguarda esperança nos diálogos trazidos pelos ventos. O presente fez-se maré, e todos não entendem... Ele é reflexo, vidro polido. Com suas lágrimas intermitentes e diárias. O quarto está escuro e não se pode vê-lo. Queria não sê-lo, e não desejar-lhe imagens diárias. Meu colega de quarto, o espelho, tão singular, transparente, sempre foge de mim...
Felicidade, que saudade! Felicidade é ocultar-nos as verdades que nos permeiam diariamente. Felicidade é ser criança,
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Felicidade, que saudade! Felicidade é ocultar-nos as verdades que nos permeiam diariamente. Felicidade é ser criança, momentaneamente lúdica ao comer o bolo da mãe na janela... Quem não é [feliz], há de ser com o Alzheimer. Quando percebermos uma certa loucura, é ela acenando feliz. Balançando nas árvores, trancafiada ao sol, mas na escuridão... Felicidade há de ser superficial, como os deuses e suas pequenas porções de espíritos vivos em conchas. Hoje o deus matinal não é mais possível. Hefesto segregou a vida perfeita... Felicidade para alguns, dura, até se descobrir que ela aumentou de valor. Corrida e convicções [suadas durante toda uma vida] tornam-se a ficar sem sentidos... Felicidade, que saudade! Ideia criada para apaziguar a falta de compaixão imposta pelo mundo. Chora-se e trabalha-se por ela. Usurpadora e fugitiva dos homens. Plantando ideias insanas e temporárias...
'SÍNTESE' És síntese Amor maior
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'SÍNTESE' És síntese Amor maior Resumo e explicação... Sorriso coerente Parte que faltava ao coração Brilho nos olhos... Etimologia e paixão Lógica e efeitos Defeitos compreensíveis... És perceptível Imortalidade arraigada ao sol Sonho de almas... Latitude e esperança Bonança nas tempestades Apego e decisão... Com suas alegrias e tristezas É proeza suspirando mundos Sibilante na alma... Inclinação perfurante e calmaria Doravante pequenino Filho pródigo... És esbelto Franzino e afeto Filho meu...
'CONVICÇÃO' Ele tem fé em dias melhores Mosteiro e solidão
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'CONVICÇÃO' Ele tem fé em dias melhores Mosteiro e solidão Virou elo falando de amor Forte tal qual as correntes entrelaçadas Não se precisa de templo para cultivar o que de melhor temos Tampouco de falácias erguidos pelos homens O amor está na alma serena E ninguém tira-lhe essa imensidão para o mar... Anda descalços e de mãos dadas Sem importar-se com castelos de areia Finca trilhas a cada amanhecer E não se deixar levar tão fácil como as folhas soltas de verão Areia molhada nos pés [é essa a sensação] Desvenda caminhos com uma única razão: A vida e os seus sinos! Badaladas nas horas vãs [outras certas]... Já não basta as convicções sem o frio cervical A criança ainda chora adulta E as estradas jangadas para um novo mundo Trás crenças Mitos Sorrisos Procuras...
'BEIJOS ESPERANÇOSOS' Já estamos cansados E olhando um para o outro
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'BEIJOS ESPERANÇOSOS' Já estamos cansados E olhando um para o outro Ainda tento segurar suas mãos como antes... Sentindo sua respiração Lembro dos tempos tenros de outrora A juventude ainda vive aqui dentro... Vencemos tantas barreiras Sempre tentando ver a vida e os dias com bons olhos Decerto - tudo ficou mais violento... Ruas sem ponteiros Relógio e tormento Tudo passa: coisas boas e ruins... Mas seus olhos ainda são os mesmos A mesma luminosidade Cabelos e sorriso esbanjador... Quando nos vimos Não havia dor Quando ninguém mais acreditava... Molhávamos os olhos em ascensão E dávamos a cada dia mais risadas Risos no tempo ficados para trás... A história nunca morre Quando mantemos viva a esperança Quando voltamos a ser criança... Precisamos apagar as luzes E dormir para enfrentar mais um dia Um ao lado do outro... Beijos esperançosos Como antes Vividos no hoje...
'MEIAS VERDADES' A perda do encantamento do mundo impacta o café da manhã na sala. Verdades sejam ditas: o almoço ao pé da cama redireciona tristezas, avarezas e estranhamentos cotidianos... Filhos jogam os abraços de lado (como toalhas) e as pessoas tornam-se mortais de fato.…
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'MEIAS VERDADES' A perda do encantamento do mundo impacta o café da manhã na sala. Verdades sejam ditas: o almoço ao pé da cama redireciona tristezas, avarezas e estranhamentos cotidianos... Filhos jogam os abraços de lado (como toalhas) e as pessoas tornam-se mortais de fato. Obcecadas à ocultar lágrimas que fingem não existirem. O olhar para os livros empoeirados é esquizofrênico. Explodir palavras trás assentimentos vários... O ofício tão sonhado deixa o corpo prorrogativo. Depressivo ao tentar levantar da cama aconchegante e condolente. A semente não há de germinar em meio a tanta confusão. Entre criaturas asquerosas por natureza... O ponto no universo deve deflagrar-se por si só. As tentativas de melhorá-lo é psicose. Arraigar aquela plantinha no sobrado é imperceptível aos olhos do impossível. Meias verdades para aqueles que veem um mundo florido e cheio de esperanças...
'O OLHAR PARA O MUNDO' O pequeno olhar para o mundo. Olhos cheios de lágrimas. Chega-se de supetão arraigando dores. Inocente. Displicente nos gestos. Sem maldades ou maculas. O coração acelera os dias sonolentos. E o 'haja', após algum tempo, tem sabor amargo e cansaço... 'Des…
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'O OLHAR PARA O MUNDO' O pequeno olhar para o mundo. Olhos cheios de lágrimas. Chega-se de supetão arraigando dores. Inocente. Displicente nos gestos. Sem maldades ou maculas. O coração acelera os dias sonolentos. E o 'haja', após algum tempo, tem sabor amargo e cansaço... 'Destino' é palavra certa. Sem nomes, só cores desbotadas! Lá fora há pessoas atônitas. Suplicando notícias e explicações sobre a vida já sem respiros. Mórbidas, as mazelas ficam ocultas por um tempo. O 'antes' é suplicado com os braços encorajando súplicas. Respostas não veem assim de imediato... Tentativas e ruínas misturam-se. O vento sonolento, tenta abrandar significados vãs. O sol fecha os olhos e o horizonte foge ao coração. Trás sabedoria! Forças para enfrentar tempestades! Ninguém ouve vozes de retratação, ou pedidos de transformações futuras... A tábua escrita em pergaminho tem difícil compreensão. A vida mui semelhante esconde a essência para o bem viver. - Para quê sentidos passageiros se a melhor explicação está sob o véu, guardada à sete chaves? As rotações deixam a vida sem espiritualidade. Sem verdades para adocicar a pobre criança, sedenta de compreensão, alívio e essência...
'FALTA...' "José era infeliz porque não tinha um amor. Depois que conheceu Ana, seu único amor, José continuava infeliz." Tempo frio. Lembrei da frase acima e estive me questionando: - para onde as pessoas caminham desenfreadas, e o que elas tanto procuram? Lembrei de um amigo…
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'FALTA...' "José era infeliz porque não tinha um amor. Depois que conheceu Ana, seu único amor, José continuava infeliz." Tempo frio. Lembrei da frase acima e estive me questionando: - para onde as pessoas caminham desenfreadas, e o que elas tanto procuram? Lembrei de um amigo professor que chegara ao topo da profissão, desabafando que 'estava meio perdido sem saber mais o que fazer!' E que 'faltava-lhe alguma coisa para preencher o vazio.'... As pessoas, ou quase todas sentem algum tipo de falta. E nesse contexto, lembrei de uma frase de Marcel Proust que fala 'só se ama [aquilo] que não se possui completamente.' Em meias palavras, depois que se chega ao topo, os 'sentidos se perdem', seria isso? Aqueles cinco anos suado e o carro não faz mais sentido: a tinta esbranqueceu, arranhaduras tornaram-se perceptíveis.. José sentia falta de um amor. E quando falamos de falta, isso nos remete a certos sentimentos/sofrimentos. Ana não foi o suficiente? Sim! Talvez sim. Talvez não. A verdade é que ela preencheu um dos vazios, existem outras centenas a serem preenchidas. O lóbulo é temporal... José continua a andar desesperado nas suas buscas. Depois de tanto tempo, percebera que outras brechas fora aparecendo. Ele não desiste! 'Sentir falta' faz dele 'José.' A infelicidade é só um ponto de vista e as faltas que tanto lhe corrói, faz parte do paradigma humano.... 'A infelicidade caminha ao lado do homem. Isso faz dele brilhante, gigante, diamante, fértil e generoso..."
'REESCREVER' Lápis à mão caído Folhas supérfluas penduradas
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'REESCREVER' Lápis à mão caído Folhas supérfluas penduradas Roteiro no ar Suspiros de incógnitas... Mãos entrelaçadas Alma apertada sob a escrivaninha Desesperada à procura Pauta desvairada... Linhas tortas gritam desespero Reescreve-se erros Versos nada explícito, gritam calados... Como as canções caídas Navegando janelas Percorrendo ruas desertas Ausentes de sentidos... Deserto está o coração reescrevendo destinos Sem saber para onde os caminhos se vão Poemas reescritos ao chão...
QUEBRADIÇO' Nas cicatrizes levanta-se Abraçando as dores do mundo
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QUEBRADIÇO' Nas cicatrizes levanta-se Abraçando as dores do mundo Fitando ruas... Fez dos fantasmas amigos E da solidão crua Razão para celebrar... Sem cogitar Triturou paralelepípedos agudos Acenando esperanças... Sem perfeição E sabor agridoce nas veias Afogou-se em desesperos... A rua é imensidão Futuro desolado Generoso nas horas incertas... Mas sempre compartilha o pouco pão nas intempéries E faz da vida ilusão Ópticas várias no amanhecer... É criança sem reação a transbordar Ansioso por respostas Descrenças... Quebradiço Ele espera lá fora Veemente por casulos... [novas ausências]
'O ÚLTIMO SUSPIRO' Serei perfume Ardentes fragrâncias
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'O ÚLTIMO SUSPIRO' Serei perfume Ardentes fragrâncias O tudo bagunçando esperanças O último suspiro... A vida no leito Tantas dores cíclicas E eu só quisera abraçar desconhecidos Remisso nos sonhos... Olhares ao redor Substantivando o vil futuro Tudo prematuro! deleite acabado...
'CORREDORES' Mórbido, ele pede para respirar. Pular da cama. Sair do lugar hostil que é um quarto de internação. Patológica, a cadeira de rodas flutua entre corredores. Amontoados de pessoas em busca de dias melhores. Olhares de condolências percebem aquele pequeno ser... A son…
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'CORREDORES' Mórbido, ele pede para respirar. Pular da cama. Sair do lugar hostil que é um quarto de internação. Patológica, a cadeira de rodas flutua entre corredores. Amontoados de pessoas em busca de dias melhores. Olhares de condolências percebem aquele pequeno ser... A sonda nasogástrica incomoda. As veias do corpo superam coroas de espinhos. O estômago dispersa um líquido verde desencorajador. Todos dizem que não há esperanças para o agora limitado caucasiano de olhos chamativo e sorriso atraente, apaixonado por super-heróis... O próximo corredor cheira remissão. Sem mãos tão necessárias para apaziguar a dor. Ele é involucrado sem saber do regresso. O choro distante corta a alma. Gritos de socorro aumentam o frio que percorre a espinha de quem o espera com olhos lacrimejando... Olhos sem reação. A apneia tenta tirar o que há de mais precioso para um pai admirado pelo filho. Aparelhos ajudam os pulmões a serem valentes. Crianças ao seu lado partem a todo instante. Mas ele continuara suplicando vida, tentando trilhar seus passos... Hoje é um dia especial e importante para esse guerreirinho. Cinco meses passaram-se após sua passagem pelo vale da sombra da morte. Agora com dez anos e um lenço de desbravador no pescoço, a representação não é apenas pela vida, mas por todo um caminho a percorrer... [Uma breve homenagem ao meu pequeno atrapalhado, sempre Desbravador...] Escrito em 27/04/2019.
‘VALE DO TAPAJÓS: UM BREVE RELATO...’ Meu bairro tem apenas doze anos. Passou a minha idade! Tenho dez, mas sou muito pequeno para o meu tamanho. Tem um lago aqui próximo onde juntos quase moramos. Quase todos dias me levam lá! Aqui não tem água encanada ou esgoto para jogar res…
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‘VALE DO TAPAJÓS: UM BREVE RELATO...’ Meu bairro tem apenas doze anos. Passou a minha idade! Tenho dez, mas sou muito pequeno para o meu tamanho. Tem um lago aqui próximo onde juntos quase moramos. Quase todos dias me levam lá! Aqui não tem água encanada ou esgoto para jogar resíduos. Ninguém está imbuído em ajudar o bairro que eu amo… Não tem praças para meus amigos me levarem ou brincarem. Quando chove é o melhor dia, na brenha da mata, fazendo alegrias, adoramos brincar na lama! A rua é querido abrigo, tão largo, tão vasto, tão plano. Serviço público aqui só promessas, já há todos esses anos. Sei não! Mas acho que o atual está se recandidatando. Muita gente gosta dele na cidade que eu canto. Pode ser bom lá nos outros, mas aqui é ledo engano… É um bairro periférico suburbano. Posto de saúde não tem! É uma tremenda agonia. Sempre me levam em outros, quando vou lá todo dia. A principal é cheia de buracos e quando chove? Ah meu Deus quando chove! Ir à escola mais próxima é engano. E quando lá chegamos, não tem merenda! O professor está revolto, é tanto baixo o salário que nós quase não reclamamos. A vida aqui é bonita, mas turbulenta e esquecida. Vejo a rua sempre larga, imagino cada casa, às vezes fico voando… Mamãe foi para casa da patroa. Ela é meio à toa, fica igual a eu sonhando: com uma escola bem pertinho, um pouco de água tratada, famílias com boas moradas e uma creche para o meu maninho. Amanhã faço onze anos! Nunca tive aniversário e nem cultivo. Mas isso não me deixa bobo. Sou contente com o pouco, ´só queria ter mais anos. Alguém para escutar os gritos, ver meu Vale bem bonito, e voltar para casa andando…