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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠Trago nos costados um Poeta - Trago nos costados um Poeta!
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⁠Trago nos costados um Poeta - Trago nos costados um Poeta! Uma Alma invisivel que me esventra ... Uma voz imensa, cheia de noites ... ... vagas ... persistentes ... Dias vãos! Tantas sombras! Trago no meu corpo o abismo de um Destino, um imenso precipicio, a tarde quente, eterna e abissal à beira de um silêncio ... Isso que acontece quando tudo está parado, a meio tempo ... Quando eu morrer façam destes versos a mortalha ... ... porque trago nos costados um Poeta!

⁠ Aceita-me Assim - Aceita-me Assim! Calado e frio como a madrugada ...
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⁠ Aceita-me Assim - Aceita-me Assim! Calado e frio como a madrugada ... Infeliz e indiscreto como a noite funda ... Aceita-me Assim! Árido como a terra e gelado como a água ... Desiludido e triste como gentes sem destino ... Aceita-me Assim! Sem vontade de viver ou esperança de me amar ... Talvez indeciso ou indiferente como o vazio que está em mim ... Aceita-me Assim! Porque nunca soube ser de outro modo ...

⁠Nunca mais chega - Nunca mais chega ... Venha a morte! Venha!
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⁠Nunca mais chega - Nunca mais chega ... Venha a morte! Venha! Leve em suas mãos a ânfora de silêncio com as visceras da vida ... Traga o meu destino suspenso nos lábios e a minha noite como um manto sobre os ombros ... Venha desprovida e ambiciosa com vontade de mim! Semeie no intimo fundo da minh'Alma a vontade de morrer ... Arranque do meu peito este espinho venenoso que é viver... Nunca mais chega ... Venha a morte! Venha!

⁠sorrisos de Sangue - Pelas ruas caiadas, desertas, cheias de repugnância e solidão,
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⁠sorrisos de Sangue - Pelas ruas caiadas, desertas, cheias de repugnância e solidão, passeio obsoleto! ... passo a passo ... Escorre dos meus olhos um liquido viscoso que não são lágrimas! ...gota a gota ... Há no espaço um cheiro intenso a maresia humana, vozes por detrás de cada porta, sonhos, mentiras e cansaços! ... gente ... tanta gente ... E eu passo ... vou passando ... ... nocturno como a noite que me veste o corpo ... meu corpo! Sem sonhos nem ilusões! Nada é verdadeiro, tudo é absurdo. Há em torno a mim sorrisos de sangue.

No dia em que tu Partiste - ⁠No dia em que tu partiste o meu corpo só e triste
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No dia em que tu Partiste - ⁠No dia em que tu partiste o meu corpo só e triste adormeceu na cama fria; e no silêncio em solidão afoguei meu coração naquela casa vazia! No dia em que tu partiste dos meus olhos me fugiste vesti noites e cansaços; fiz dos cravos o teu leito plantei rosas no meu peito e adormeci no teu regaço! No dia em que tu partiste foste embora, nem sentiste, quanta dor ficou em mim; quis a morte por destino quis o fado por caminho não te esqueço mesmo assim!

⁠Dos Silêncios e das Grades - Às vezes tenho pena dos versos que escrevo!
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⁠Dos Silêncios e das Grades - Às vezes tenho pena dos versos que escrevo! Não porque os escrevo mas como os sinto ... Meus versos são eu continuando-me em silêncio ... Porque faço eco de vozes passadas e gestos cortantes que se espraiam nas madrugadas dos meus sonhos. Há rios de luz no meu olhar! De tanto sonhar perdi-me no tempo sem perder-me de mim! Versos trago-os aos molhos ... E os meus dias nascem, desde então, dos silêncios e das grades!

Mistério Vulnerável - Trago uma vaga saudade Um queixume abandonado
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Mistério Vulnerável - Trago uma vaga saudade Um queixume abandonado Um mistério vulnerável Uma pequena ondulação, cheia de vento e de maré, que me invade o corpo que me acorrenta a Alma! Trago o luar na minha mão Trago o Sol e trago a chuva Todos os sonhos do mundo Todas as esperanças perdidas Uma vida transformada em morte Uma morte que se faz vida num silêncio absurdo e impreciso! Trago tanta coisa em mim que não sei bem o que sou nem o que faço neste mundo!

Dispersão - Vivo num dissolver-me constante dos Versos que escrevo ...
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Dispersão - Vivo num dissolver-me constante dos Versos que escrevo ... Pássaro cansado de voar, parado a meio do tempo sem vontade de ficar! Cai a tarde ... A noite não dempra ... Vem a madrugada ... Chega outro dia ... A vida é mentira! Uma roda cruel sem desejos de infinito ... E a jeito de nos ultrapassar, tudo chega ao fim, pois vivemos cada dia de mão dada com a morte. Quero dormir ... Não quero pensar ... Quero escrever ... Não quero chorar ... Só quero morrer ...

Mãe entre Ciprestes - Mãe que vives entre ciprestes e ventos intacta como o silêncio ...
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Mãe entre Ciprestes - Mãe que vives entre ciprestes e ventos intacta como o silêncio ... Mãe-terra, na terra serena, adornada de mim, feita de noites e Sóis beijada pela Lua! Mãe das pálpebras caídas que não arde nem fala ... Mãe do azul que nos legou sob um mar de ventanias, agreste e verde, com vontade de ficar! Mãe pura sobre os sonhos com passos de andorinhas cansadas de voar ... Mãe! Intacta e casta como a água que cai de todos os silêncios sob as lousas frias, brancas, que se fecham em saudades ... Ó minha mãe ... minha Mãe ... (Dedicando à tia Maria Eduarda Salgueiro estes versos, neste novo estar, da sua vida ... agora!)

À hora do Silêncio - À hora do Silêncio, num vago entardecer,
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À hora do Silêncio - À hora do Silêncio, num vago entardecer, permaneço estático e indiferente, tudo é vago e monótono, o vento passa frio, tocando-me no rosto, a rua está deserta, tudo está cansado de existir! Não me metam em formas apertadas porque eu não caibo nas formas deste Mundo ... Eu sou à conta, à justa, das palavras que penso, digo e escrevo! Só caibo na forma dos meus sonhos que é não ter sonhos nenhuns ... Que me Amarrem ao poste dos condenados!

Sombras mudas - Vim ao mundo p'ra estar só! Sou o primeiro e último poeta depois
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Sombras mudas - Vim ao mundo p'ra estar só! Sou o primeiro e último poeta depois de mim ... Diluido como estou no ser e nas coisas sou resto de mim mesmo! Mordo as palavras como quem as beija, abraço os versos como quem os ama. Palavras, gestos, olhares impolutos, infinitamente longos, eternamente tristes. Lançado ao fogo, sou figueira estéril, Alma descarnada e nua sem brilho no olhar ... A noite cobriu-me o ser de um mar de trevas. Estou farto de sombras mudas encostadas ao destino ...

Visão Errante - Meu Amor, quando chegas como um sonho na noite pálida, caído sobre os braços da madrugada,
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Visão Errante - Meu Amor, quando chegas como um sonho na noite pálida, caído sobre os braços da madrugada, debruçado sobre o mundo, trazes o silêncio das horas num bater descompassado do coração, a fecundar de poesia as nossas vidas ignoradas ... Horas e horas a fio esperando amargamente por ti e quando finalmente vens, que pena, não passas, meu amor, de uma visão errante ...

Nos lábios e nos dedos - Trago suspensa nos lábios A palavra poesia,
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Nos lábios e nos dedos - Trago suspensa nos lábios A palavra poesia, Trago, na ponta dos dedos, Todos os versos por escrever, Nos olhos, trago estrofes, Métricas, rimas e tercetos ... Tantas quadras d'ilusão Que na forma nunca rimam Mas que enquadram um sentir Vasto e profundo, Cheio de sucalcos no caminho, À beira de um abismo! Existo p'ra sofrer em minha Própria dor, Destruo-me e renasço A cada instante, para em seguida, Voltar a morrer e depois a renascer! Sou assim em cada verso! Porque trago suspensa, nos lábios, A palavra poesia e na ponta dos dedos Todos os versos por escrever ...

Deixem os Poetas - Deixem-se de palavras vãs Aos ouvidos rebeldes
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Deixem os Poetas - Deixem-se de palavras vãs Aos ouvidos rebeldes Dos poetas renegados! O mundo está velho, Os homens cansados, A carne está gasta ... Deixem os poetas ao vento. Que gritem liberdade P'ra lá dos muros da prisão! A esperança perdeu-se, A fé caiu por terra, Não há sonhos nem vontades ... Caem silêncios infinitos por Sobre as Almas ... E nada é verdadeiro além de Sermos nós frente ao mundo ... Porque só os poetas vivem para sempre!

Uma Rosa, um Suspiro e um Silêncio - Entre uma memória e outra O teu olhar é neutro!
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Uma Rosa, um Suspiro e um Silêncio - Entre uma memória e outra O teu olhar é neutro! Toco-te no rosto com mãos De vento E o teu corpo delira ... Tudo o que me deres, Te devolvo, sem pensar, A ganância de um olhar O gúme de uma espada A pena de uma ave Uma rosa e um Silêncio! E quando nada restar de Nada, Quando o último momento Me chegar , Antecipado e vago, Cheio de vingança Num impeto de morte, Será por ti o meu Último suspiro!

Confissões em Cruz - Apetece-me gritar ao vento que estou vivo! (Ou não ...)
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Confissões em Cruz - Apetece-me gritar ao vento que estou vivo! (Ou não ...) Apetece-me gritar que não sinto o corpo ... A minha morte veio, agora, intima, embebida em lençóis de madrugada! Estou cansado ... Minha cama, meu dossel, minha carne junto ao osso, coração de marinheiro afogado no mar alto. Trago uma cruz ao peito! Apetece-me chorar, dizer adeus e não partir, não ter que chegar a lugar nenhum ... Mar de mágoas sem destino, rio de sangue sobre pedras, meu corpo, minhas veias, Minh'Alma de Poeta!

Não deixes Mãe que me fechem os olhos - Por trás de cada espelho há um olhar Por trás de cada corpo há uma Alma
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Não deixes Mãe que me fechem os olhos - Por trás de cada espelho há um olhar Por trás de cada corpo há uma Alma Por trás de cada ilusão há um sonho ... Olha Mãe, quando a morte vier e virá cedo, não deixes fecharem-me os olhos nem porem-me as mãos em cruz sobre o peito. Não pode a vida negar-se a quem a Viveu - obscura - dia-após-dia ... Quero ir de olhos abertos para a terra com as mãos livres para os versos ... Eu sei que hei-de morrer como quem vive! Não deixes Mãe que me fechem os olhos!

Poema Triste - Há uma musica triste, distante, um quase silêncio
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Poema Triste - Há uma musica triste, distante, um quase silêncio que me toca no rosto que me acaricia a Alma, uma angústia fria e vaga uma sombra profunda um grito cansado um destino por viver um sonho por sonhar. Há uma voz doce, presente, uma quase alegria que me envolve o coração um triturar de gestos quentes um quase vento de asas um leve entendimento uma breve lonjura um poema que acaba de nascer!

Serei Sempre - Serei sempre um pobre Poeta sem destino,
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Serei Sempre - Serei sempre um pobre Poeta sem destino, um deserdado dos outros, um esquecido, abandonado, filho do silêncio sem vontade de viver! Serei sempre um triste que só sabe fazer versos com garras frias, contra a vida negando o coração ... Terra mordida de Sol ... Noite vivida de Lua ... Morto que procura a solidão ...

Sonhos sobre o Mar - Tantos são os sonhos que persigo, Com eles, a ilusão de alcançá-los,
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Sonhos sobre o Mar - Tantos são os sonhos que persigo, Com eles, a ilusão de alcançá-los, Só eu sei, na verdade, porque o digo, Hei-de um dia, sobre o mar, deixá-los! Vem o vento! Nas suas asas subo! E ascendo ao anseio de voar-me ... O sonho é voar! E isso é tudo. A alegria de poder cantar-me ... É longa a viagem do Poeta Porque vem de fundos, longe de si, Não sabe o seu destino, a sua meta, E as suas ilusões não tem fim. Talvez um dia possa ultrapassar A vida que vai e vem sem jeito Talvez possa pôr os sonhos sobre o mar E guardar os versos no seu peito.

Sem Saber - Aqui a vida respira-se antiquada e cinzenta, igual à desses Poetas tristes das românticas madrugadas,
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Sem Saber - Aqui a vida respira-se antiquada e cinzenta, igual à desses Poetas tristes das românticas madrugadas, cujos os sonhos a distância não não matou. Ali a Alma é grande e os corpos diminutos, os olhos extensos e os gestos frios como a noite ... A esperança está presa aos versos e os dedos com que rasgamos as sombras são vertigens puras de um amanhã por conceber! Há pontes de um destino a outro, e nós, indecisos, sem saber ...

Sou o que Fica - Eu sou o que fica parado, contra o tempo, numa espera inútil e cansada,
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Sou o que Fica - Eu sou o que fica parado, contra o tempo, numa espera inútil e cansada, num espaço aberto, contra o vento, onde a Alma está ainda agrilhoada. Sou o que fica depois de tudo terminar, calado, ausente de esperança, num silêncio abrasador, a chorar, mas com alguma Fé e Confiança. Sou o que fica vestido de madrugada com sapatos de silêncio à beira mar e que caminha numa longa estrada numa pressa incessante de chegar. Eu sou o que fica sem ficar a mágoa apetecida sem razão o triste barco ao cais pronto a largar a que o destino deu o nome de solidão.