Pular para o conteúdo

Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠Madre Solidão - Há um tecto muito antigo naquela casa onde vivi
Continuar lendo

⁠Madre Solidão - Há um tecto muito antigo naquela casa onde vivi testemunha do perigo da infância que sofri! Um tecto com goteiras como os olhos que sofreram sem limite nem fronteiras para as dores que me deram! Naquele tecto outrora feito por mãos que a morte acarinhou estava posta ao seu jeito uma Madre que o tempo consagrou! Uma Madre escusa e fria que no leito em solidão tantas vezes me tapou! (À Madre do tecto da casa da Quinta do Malhão em Évora onde passei parte da minha infância. Casa hoje inexistente. Fica a memória e a saudade...)

⁠Espectros - Desde a hora em que em meu peito entraram versos que nunca mais a paz em mim pairou
Continuar lendo

⁠Espectros - Desde a hora em que em meu peito entraram versos que nunca mais a paz em mim pairou e na loucura de poemas controversos meu destino desde então se consagrou! Mas foi loucura ter aberto o coração, o mundo não me entende, sou cravo num canteiro que procura água na secura, solidão, num jardim de rosas em Janeiro! Assim é a vida destes seres sonhadores, diferente, num mundo imenso e abissal, onde nada nem ninguém acolhe as suas dores ... Homens livres, na verdade, sem sorte, vencidos na vida, afinal, destinados a triunfar depois da morte!

⁠A Senhora de Vale-Flôr - De pele trigueira e olhar firme porte de gazela, pelos campos ao calor,
Continuar lendo

⁠A Senhora de Vale-Flôr - De pele trigueira e olhar firme porte de gazela, pelos campos ao calor, - ó Poeta -, fala, escreve, diz-me, alguém há que se assemelhe à Senhora de Valle-Flor?! Alta, esguia, perturbante, passa por entre os nobres sem temor, deixa a um canto a Senhora Duquesa de Brabante a Senhora Marquesa de Valle-Flor. Vestida de brocados e cetins, pedras, pérolas, jades incolor, desliza p'los salões ao toque dos clarins a muy nobre dama Senhora de Valle-Flor. Mas um dia, algo terrivel ocorreu, chega-lhe a noticia que a deixa sem fulgor, Jenny, sua filha, tão jovem, morreu! Pobre e contristada Senhora de Valle-Flor. O Marquês, deixara-a antes tão nova, esse, a quem dera tanto amor, agora, sua filha, 20 anos, vai à cova, triste, no Palácio, a Senhora Marquesa de Valle-Flor. A Rainha, Dona Amélia de Bragança, vem ao Paço dar a mão à sua dor, traz-lhe flores e um abraço de esperança: "- Aceitai estas Rosas Senhora de Valle-Flor!" De negro vestida, véu cobrindo o rosto, tão ressentida, pálida, sem cor, cai aos pés da rainha - tal o desgosto da muy nobre Dama - a Senhora de Valle-Flor. " - Alevantai-vos!" Diz a Rainha. "- Pobre mãe, alembrai de Maria a sua dor, sabeis agora o que é ser mãe - tão bem, Senhora Marquesa de Valle- Flor." "- É tão funda, Senhora de Bragança, a dor que me assola o coração, que não há Rosas nem esperança que me tirem deste valle de solidão!" Ainda hoje, à porta do jazigo da defunta, se vê passar um vulto que liberta um odor das Rosas que leva no regaço! Quem é? Alguém pergunta! E há um suspiro que se escuta. É a Senhora de Valle-Flor! (Poema à Senhora D. Maria do Carmo Dias Constantino Ferreira Pinto Valle-Flor (1872-1952) Primeira Marquesa de Valle-Flor, e à sua filha, Jenny Valle-Flor, falecida muito jovem, ainda adolescente ...)

⁠O Morgado de Selmes - Houve outrora um Morgado na bela aldeia de Selmes
Continuar lendo

⁠O Morgado de Selmes - Houve outrora um Morgado na bela aldeia de Selmes um homem desalmado que o povoado ainda teme. Numa herdade fria, escura vivia o tal Morgado um homem sem ternura sombrio e mal amado. Montava o seu cavalo pelas ruas da aldeia era um nobre sem passado que chorava uma plebeia. Sua amada que morrera por decreto do seu Punho era jovem e de cera fora morta ao mês de Junho. Não gostava do Morgado essa jovem doce e bela e ante todo o povoado fora morta p'la guela. E o Morgado duro e frio do alto do cavalo dera a ordem que feriu o olhar do povoado. E a raiva e o horror do Morgado se ressente, sem lamento nem pudor matava toda a gente. Na fogueira sem piedade tanta gente lhe implorou e a arder nessa maldade uma bruxa lhe imprecou: " - Que esta morte vos dispa a Vós e à vossa geração e que uma maldição vos vista até mil anos sem perdão! " Mas um dia a Santa Igreja fachada da Matriz caiu e até Beja chorou, Selmes, infeliz. Era Ele do Santo Oficio D. Manuel Nunes Thomaz o Morgado que vos digo era um homem perspicaz. " - Que se erga outra fachada a Catarina vossa Santa, mas ao lado, minha casa, ficará como uma anta!" E ao lado da capela construiu o seu jazigo esperando p'la donzela como sendo um sem abrigo. Passa o tempo, passa a vida morrem gentes, nascem outras e junto àquela ermida o Morgado mira as moças. Qual delas era a sua a que volta e o liberta da maldição da rua do jazigo à porta aberta. Mas um dia emparedaram o jazigo do Morgado e o seu ódio despertaram como outrora no passado. E houve mortes, acidentes tanta gente possuida p'lo Morgado de Selmes do jazigo e da ermida. Até que a porta foi aberta e o Morgado adormeceu, no jazigo está à espera da amada que morreu! (Poema a D. Manuel Nunes Thomaz, Morgado de Selmes, Senhor da herdade da Rabadoa no Alentejo. Membro honorário do Tribunal do Santo Oficio (Inquisição). Um homem de poder, severo e cruel, frio e distante, apaixonado por um amor infeliz. Morreu em 1878, deixando, segundo a lenda, uma maldição naquelas terras. A maldição do Morgado de Selmes. Que descanse em paz, Ele que partiu, e nòs que ficámos...)

⁠Abismo Profundo - Em meu corpo que dia a dia se levanta levo o negro de uma roupa que vesti
Continuar lendo

⁠Abismo Profundo - Em meu corpo que dia a dia se levanta levo o negro de uma roupa que vesti levo o peso da mágoa de quem canta na loucura destes versos que escrevi... Tanto que meu corpo em silêncio te falou mil versos meu punho em tantas folhas te escreveu fui aquele que um dia pela vida mais te amou perdido nos abismos desse amor que era só meu! Tinha no meu peito o teu amor! Quem mo roubou? Quem pisou a dor destes versos desfolhados? Meu lamento, minha taça, meu sangue envenenado ... Afinal o que tenho e o que sou?! Sem ti que faço?! Nem sei aonde vou... Vou sem vida, pela vida, mal amado.

⁠Ai Senhor - Ai Senhor que destino que turbilhão de incertezas
Continuar lendo

⁠Ai Senhor - Ai Senhor que destino que turbilhão de incertezas desses tempos de menino de loucuras e tristezas. Ai Senhor que tormento me enlaça o coração me afoga o pensamento e me tolda a razão. Ai Senhor que lamento me escorre o corpo todo que a morte e o sentimento me afogam no lôdo. Ó Senhor que te não vejo neste caminho perdido fui traido com um beijo porque me tens tão esquecido.

⁠As Rosas do Choupal - Passei de madrugada entre as rosas do Choupal ternas, sequiosas, ansiando dias puros
Continuar lendo

⁠As Rosas do Choupal - Passei de madrugada entre as rosas do Choupal ternas, sequiosas, ansiando dias puros oscilando entre o vento, entre o bem e entre o mal como pálidas donzelas por desejos inseguros. Eram Rosas meu amor, eram rosas eram Rosas que ao longe se avistavam alvas, doces, meigas, ternas, porém espinhosas, eram Rosas sequiosas que pela tarde se arrastavam. Eram Rosas inseguras, desfolhadas pelos dias eram Rosas esquecidas, bailando sem sentido eram Rosas , meu amor que tu não querias na dolencia de um caminho ressequido. Essas Rosas infelizes cheiravam a saudade por terras do Choupal de silêncio e mel pois lembravam, ao passar, aquela lenda da cidade que fala no regaço de Santa Isabel. (À mata do Choupal em Coimbra. À Rainha Santa. E à Lenda das Rosas.)

⁠No Túmulo de Florbela Espanca - Caminhando pelo chão dos meus cansaços encontrei em cada esquina solidão,
Continuar lendo

⁠No Túmulo de Florbela Espanca - Caminhando pelo chão dos meus cansaços encontrei em cada esquina solidão, na rua, vi tristeza e cada passo me lembrava a amargura de outro coração. Vila viçosa, como um campo de trigais, triste, nocturno, sem chama ... Pelas ruas, mil suspiros, tantos ais, me lembravam, ao passar, Florbela Espanca! Entrei no cemitério, fui além, cheguei onde outros não chegaram, pelo espaço, só os mortos, mais ninguém. Mas no meio deles alguem sorria ... De entre todos os que um dia sepultaram, Florbela Espanca 'inda vivia! (No cemitério de Vila viçosa junto ao túmulo de Florbela Espanca.)

⁠Flor de Sonho - Procurei recondidos olhares num amor ideal, no regaço, mil esperanças, tanta flor,
Continuar lendo

⁠Flor de Sonho - Procurei recondidos olhares num amor ideal, no regaço, mil esperanças, tanta flor, o ideal foi sonho, a realidade, porém, punhal, e tão só, naveguei em Mar de dor. Afoguei nas águas meu destino esqueci os olhos de minha mãe fui tão só no meu caminho e em meus sonhos também ... E o que fiz daquele brilho no olhar?! O que fiz da esperança e da ternura, dos poemas, e de ti, a quem tanto quis amar?!... Tudo ao largo do meu corpo, que tormento, que destino, que ventura, solidão ardente, boiando no Mar Morto!

⁠Louco sem chão - Meu corpo de esperar-te envelhecido sente a mágoa de um destino solitário
Continuar lendo

⁠Louco sem chão - Meu corpo de esperar-te envelhecido sente a mágoa de um destino solitário do meu peito, o teu olhar, em vão perdido, como um crente rezando diante d'um sacrário. Não vejo nada, só a tua ausência, e vou no mundo, passo a passo, no vazio, no mistério, na esperança e na clemência da morte me afogar na dor de um rio. E tudo passa, tudo acaba, que loucura, que destino, amar e ser esquecido, por alguém que parte sem ternura. Por ti, de ti, em ti - saudade! Em mim, de mim, por mim - perdido! Um louco, sem chão, pelas ruas da cidade ...

⁠Estranho e Sombrio - Talvez houvesse um amor esquecido no coração
Continuar lendo

⁠Estranho e Sombrio - Talvez houvesse um amor esquecido no coração mas só havia dor e gritos de solidão. É tão negro o que pressinto quando passo àquela rua que ao sentir o que não sinto sei que a dor não é só tua. E se uma lágrima caida trouxesse luz ao teu olhar faria desta vida um lamento ao passar. Mas levo o corpo fechado o teu retrato na mão e num gesto calado um punhal no coração.

⁠Nunca Mais - Odeio a vida porque sempre me enganou! Nunca dei um passo onde não tenha caido,
Continuar lendo

⁠Nunca Mais - Odeio a vida porque sempre me enganou! Nunca dei um passo onde não tenha caido, traido, abandonado, esquecido - não vou, não passo de um lamento em vão perdido! Alguém maior que os outros sempre rejeitaram alguém diferente que o destino sempre apedrejou alguém que as gentes sempre malograram ... Quem me chama?! Não vou! Não vou! Chega de silêncio! Não me calo nunca mais! Estou cansado de em vão acreditar que um dia o meu destino vai mudar ... É loucura! É mentira! Ó dor aonde vais?! - Procurar na morte o silêncio em alguém porque na vida jamais me quiseram bem!

⁠Nas Curvas do Destino - Quando penso em ti sinto saudade vontade de me atirar da ponte ao rio,
Continuar lendo

⁠Nas Curvas do Destino - Quando penso em ti sinto saudade vontade de me atirar da ponte ao rio, o que sinto, meu amor, na verdade quando falo em ti, é dor e frio ... Quando fixo os rostos que encontro pela vida, que cruzam seus olhares com os meus, só lembro a promessa em vão perdida dos meus olhos só olharem para os teus. Não esqueço, meu amor, aquelas tardes delirantes em que vinhas de mansinho com ternura e trazias a esperança de, um dia, sermos mais que amantes! Descalço vou, sozinho, agora, traçando outro caminho, talvez te encontre, um dia, pela vida, que loucura, nas estradas ou nas Curvas do Destino ...

⁠Berço de Poeta - Porque trago junto a mim tanta vida e tanta morte?!
Continuar lendo

⁠Berço de Poeta - Porque trago junto a mim tanta vida e tanta morte?! Foi no ventre de onde vim que nasceu a minha sorte ... Minha mãe o que dizer neste mundo a esta gente? Que trazias sem saber um poeta no teu ventre! Desde a hora em que nasci ao passar de mão em mão que no berço onde dormi estão a dor e a solidão. Minha mãe o que fazer se este mundo não me entende?! Cantarei até morrer a dor que minh'Alma sente ...

⁠Num mundo à parte - Estou longe, à parte, neste mundo onde vivo, num mundo de Poetas onde a vida é de sobejo!
Continuar lendo

⁠Num mundo à parte - Estou longe, à parte, neste mundo onde vivo, num mundo de Poetas onde a vida é de sobejo! Vivo noutro mundo, em palavras tão esquecido, procurando em cada verso dar resposta ao meu desejo! Desejo em vão perdido! Encontrar uma casa, um caminho ou um abrigo para a Alma que caminha devagar procurando direcção p'ro seu caminho... É à parte esta procura que me sangra, é à parte o que escrevo e o que sinto, é à parte, tudo é à parte, p'ra quem ama! Porque tudo é vaidade e vai ao fundo, tudo é vão e passageiro - sem abrigo -, tudo morre p'ra quem vive neste mundo!

⁠Aos Caidos - Ando na vida aos caidos procurando quem resgate
Continuar lendo

⁠Aos Caidos - Ando na vida aos caidos procurando quem resgate meus olhos tristes, perdidos, antes que uma noite os mate. Ando na vida aos caidos num esperar que é ilusão soluçando mil gemidos no pulsar do coração. Ando na vida aos caidos procurando quem me entenda e destes versos proibidos ter alguém que me desprenda. E tanta noite perdida na loucura dos sentidos tanta gente esquecida pela vida aos caidos.

⁠Divida herdada - Despi-me dos cansaços das loucuras de menino
Continuar lendo

⁠Divida herdada - Despi-me dos cansaços das loucuras de menino e esperei p'los teus abraços nas dolências do destino. Fiz da vida um serão imberbe numa casa sem ninguém e como um pobre qu'inda deve fiquei da divida refém. Mas o que devia e a quem?! Não me lembro de pedir herdei a divida de alguém sou um louco a fugir. A fugir da solidão a fugir dos dias turvos, fujo à dor do coração por caminhos que São escusos.

⁠De Ti - De ti só quero as cores das rosas que escolhestes
Continuar lendo

⁠De Ti - De ti só quero as cores das rosas que escolhestes dos poemas que escreveste ... De ti só quero as cores das palavras que disseste das esperanças que me deste ... De ti só quero a vida que nasceu da terra brava e num impulso se fez lava ... De ti só quero a vida de uma aurora que me lavra sem destino nem palavra ... De ti só quero o infinito que transcende a ilusão e me leva a solidão .... De ti só quero ter sido o Amor que não é vão nascido erva em pobre chão ... De ti só quero ter o impossivel que nós somos .... De ti! Só de ti!

⁠Esperança Imortal - Pus nos versos uma esperança que nem a noite mais forte
Continuar lendo

⁠Esperança Imortal - Pus nos versos uma esperança que nem a noite mais forte ou o desejo da morte me tiraram por vingança. Nem a pessoa mais culta ou alguém que até duvida nem a vida que dá vida ou a morte que sepulta. Ninguém de mim arranca cheio de dor e solidão estes versos que serão quem dá vida à minha esperança. Que a minha vida é assim esperar por ti como um louco vestir a dor em meu corpo chorando lágrimas sem fim.

⁠A dor do Mar - Um Pintor pôs numa tela um lamento por adorno
Continuar lendo

⁠A dor do Mar - Um Pintor pôs numa tela um lamento por adorno e fez do Mar uma aguarela na pressa de um retorno. Um Poeta pôs nos versos a saudade da amada o Mar secou-lhe os beijos por a ter nele afogada. Um Fadista pôs no canto a mentira de um amor e afogou-se de quebranto no Mar alto, sem pudor. Ó Mar que tanto inspiras a arte das viagens porque trazes e agitas tanta dor nas tuas margens?! Ó Mar que na neblina tantas mágoas se dissolvem tanta esperança se fulmina tantos mortos em ti dormem. E como as ondas que se enrolam do mar alto até à margem minhas dores já não choram são no Mar uma miragem.

⁠Vitima/Algoz - Se eu soubesse que esgotando as palavras esgotava o meu sofrer,
Continuar lendo

⁠Vitima/Algoz - Se eu soubesse que esgotando as palavras esgotava o meu sofrer, esgotalas-ia por certo! Pior seria se as palavras se esgotassem e o meu sofrimento não... Nunca mais teria como escoar a minha solidão. Se a poesia vive de mim, do meu sofrer, o meu sofrer tenta "matar-se" nos braços da poesia! Eis a relação da vitima com o algoz! Ambas vítimas! Ambas algozes!

⁠Trago um Silêncio - Trago um silêncio nocturno no meu corpo de lilases
Continuar lendo

⁠Trago um Silêncio - Trago um silêncio nocturno no meu corpo de lilases das noites que não durmo dos abraços que não trazes. Trago um silêncio de sombras num toque de matizes do calice que não tomas das palavras que não dizes. Trago um silêncio de criança numa espera inacabada na loucura da lembrança da minh'Alma enamorada. Trago um silêncio sem sentido nestes versos que compus trago o meu olhar perdido na tua pele que me seduz. Trago um silêncio de rosas no campo dos meus dias trago sonhos com asas rasgando as ventanias. Trago um silêncio de mel no eco do teu nome lembro o toque da tua pele num desejo que me consome. E és tu esse silêncio essa espera em que naufrago és o barco dos meus dias que no peito ainda guardo.

⁠Tragédia - Trago a minha dor na ponta de uma espada! Eu sou a vontade. Alguem é a solidão.
Continuar lendo

⁠Tragédia - Trago a minha dor na ponta de uma espada! Eu sou a vontade. Alguem é a solidão. Levo a minh'Alma da cor da madrugada! Alguem é a saudade. Eu sou o coração. Levo a minha angustia numa espera em dia vão! Eu sou a loucura. Alguem é o meu corpo. Trago nos meus ombros uma oculta maldição! Alguem é a ternura. Eu sou um pobre louco. Trago nos meus versos a certeza que não tive! Alguem não é verdade. Eu apenas iludido. Levo no meu peito o vazio que tu não viste! Eu sem liberdade. Alguem de mim perdido. Levo horas, tristes horas, em mim a soluçar! Eu sou o vazio. Alguem a ousadia. Trago versos,tantos versos, que em mim estão a chamar! Alguém é o meu frio. E eu sou a poesia.

⁠Figuras de Estilo - De sonhos passados a fogo rasgados
Continuar lendo

⁠Figuras de Estilo - De sonhos passados a fogo rasgados vestidos de nada meus dias toldados acrisolados na Alma que me afastam dos lábios o sorrir e a calma. São dias sem noites são noites sem dias tão perto da morte tão longe me vias ... Ser poeta é ter Sorte!!! Destino sem Norte porque mentias??? Eu sou uma analepse que a vida não esquece uma antitese ou hiperbole, prolepse, repetição, eu sou a falha da Nação sou o Poeta que parece nesta Pátria não ter chão.