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Frase de Ricardo Maria Louro

⁠O Morgado de Selmes - Houve outrora um Morgado na bela aldeia de Selmes um homem desalmado que o povoado ainda teme. Numa herdade fria, escura vivia o tal Morgado um homem sem ternura sombrio e mal amado. Montava o seu cavalo pelas ruas da aldeia era um nobre sem passado que chorava uma plebeia. Sua amada que morrera por decreto do seu Punho era jovem e de cera fora morta ao mês de Junho. Não gostava do Morgado essa jovem doce e bela e ante todo o povoado fora morta p'la guela. E o Morgado duro e frio do alto do cavalo dera a ordem que feriu o olhar do povoado. E a raiva e o horror do Morgado se ressente, sem lamento nem pudor matava toda a gente. Na fogueira sem piedade tanta gente lhe implorou e a arder nessa maldade uma bruxa lhe imprecou: " - Que esta morte vos dispa a Vós e à vossa geração e que uma maldição vos vista até mil anos sem perdão! " Mas um dia a Santa Igreja fachada da Matriz caiu e até Beja chorou, Selmes, infeliz. Era Ele do Santo Oficio D. Manuel Nunes Thomaz o Morgado que vos digo era um homem perspicaz. " - Que se erga outra fachada a Catarina vossa Santa, mas ao lado, minha casa, ficará como uma anta!" E ao lado da capela construiu o seu jazigo esperando p'la donzela como sendo um sem abrigo. Passa o tempo, passa a vida morrem gentes, nascem outras e junto àquela ermida o Morgado mira as moças. Qual delas era a sua a que volta e o liberta da maldição da rua do jazigo à porta aberta. Mas um dia emparedaram o jazigo do Morgado e o seu ódio despertaram como outrora no passado. E houve mortes, acidentes tanta gente possuida p'lo Morgado de Selmes do jazigo e da ermida. Até que a porta foi aberta e o Morgado adormeceu, no jazigo está à espera da amada que morreu! (Poema a D. Manuel Nunes Thomaz, Morgado de Selmes, Senhor da herdade da Rabadoa no Alentejo. Membro honorário do Tribunal do Santo Oficio (Inquisição). Um homem de poder, severo e cruel, frio e distante, apaixonado por um amor infeliz. Morreu em 1878, deixando, segundo a lenda, uma maldição naquelas terras. A maldição do Morgado de Selmes. Que descanse em paz, Ele que partiu, e nòs que ficámos...)

Ricardo Maria Louro

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Pensador.com

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⁠CANTIGA DE ESCÁRNIO E MALDIZER: Quando as tripas te doerem Ou tiveres diarreia O XANAX, é bom saberem, Faz passar, é boa ideia! Na farmácia Malagueira A Crispina ao balcão Dá XANAX p'ra cegueira A quem vem com comixão. Aos jantares de Natal Só lá vão os coitadinhos deixa estar que não faz mal Serão sempre pobrezinhos. Um XANAX, é bom saberem Faz passar a diarreia Quando as tripas te doerem Bota-a-Baixo, é boa ideia.

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⁠Nome que é meu - Nada no mundo me prende perdi-me no sofrimento e quanto dói dentro da gente não saber dar tempo ao tempo! Sou como a folha caída que se perdeu do mundo inteiro sou como a flor esquecida em manhã de nevoeiro! A tristeza que me abraça dá mais voz à minha fome sou como tudo o que passa não me chamem pelo nome! Porque esse nome sem carinho foi o destino quem mo deu deixem-me Ser pelo caminho longe desse nome que é meu!

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⁠Viagem - A vida é uma viagem Um retorno sem imagem Nos espelhos do destino, É um grito sem amarras Um poema sem palavras Que vivemos no caminho. O que trago ou não trago O que canto e dou ao fado Só eu sei o quanto dói, Ver nos olhos de toda a gente O silêncio de quem sente O quanto a vida nos destrói. Visto noites e cansaços No meu corpo, nos teus braços Na distância, o teu olhar, Roda a roda do destino Acendo velas no caminho Numa pressa de te amar. Só há Fado e solidão Esta dor e um coração Nos meus olhos a bailar, E no céu da minha noite Já nem há onde me acoite Tanta estrela sem brilhar.

⁠Tremores - E eis que na solidão da praia deserta Caem águas do meu triste olhar,
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⁠Tremores - E eis que na solidão da praia deserta Caem águas do meu triste olhar, Mas essa água que me aperta Não é menos que as águas do mar. Não me lembro de existir dentro de mim Algo maior que a palavra solidão, Algo mais seco que a amargura d'um jardim Plantado junto aos portais do coração. Há uma noite enleada aos desejos de cada um, Um grito, uma metáfora de saudade, Uma vontade de comer que é jejum Que a trazemos desde o berço por piedade. E o que ser para além d'um silêncio sem destino?! Um planeta sem elipse, uma curva, Uma pedra só, pisada no caminho, Um punhal numa fonte de água pura!