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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠Tenho Medo - Tenho medo de tudo o que não vejo, da amargura dos olhares que se perdem,
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⁠Tenho Medo - Tenho medo de tudo o que não vejo, da amargura dos olhares que se perdem, das dolencias, dos abraços e dos beijos, tenho medo das tristezas que não doem! Tenho medo das palavras e dos versos, tenho medo do teu cheiro no meu corpo, tenho medo de tudo o que está perto, tenho medo, tanto medo de estar louco! Bem sei que somos feitos, por um Deus, eternamente, tambem sei que nunca o quis na realidade, por isso, a Alma sofre e sente-se demente! Tenho medo de ficar só por ser diferente, medo de morrer em lençóis feitos de saudade, afinal, tenho medo de não ser igual à outra gente ...

⁠No Berço da Cidade - Cinco letras tem o nome da cidade onde nasci
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⁠No Berço da Cidade - Cinco letras tem o nome da cidade onde nasci é palavra que não dorme nesse berço onde cresci. Ó Évora cantada, pelas águas da fonte, és Évora, doirada, erguida num monte. Oito ruas tem a Praça oito bicas tem a fonte e à quina do Arcada está a igreja de fronte. Entre portas e janelas, oito entradas na igreja, cinco grades moram nelas Santo Antão as proteja. Também há oito solidões p'ra quem vive de saudade é a dor dos corações neste Berço da Cidade.

⁠Estranhas Mágoas - Ó poeta exasperado numa mágoa adormecida que estranha solidão te adorna a fria fronte?!
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⁠Estranhas Mágoas - Ó poeta exasperado numa mágoa adormecida que estranha solidão te adorna a fria fronte?! Talvez seja a dor dos versos, consentida em teu corpo, de onde jorram como fonte! Os teus olhos são janelas de amargura de onde espreitam cansaços, solidões, teus olhos são negros, chorando, que loucura, procurando amar na raiz dos corações. Poeta! Este mundo não é teu ... Não queiras fazer dele o que não é, aceita aquilo que esta vida não te deu! Aceita que o amor te vem apenas da cabeça, acredita que p'ra ti não há outro real, perde a fé e aguarda que um dia a vida te adormeça!

⁠Rosa ao Vento - Há uma ansiedade efémera que te habita, um vazio estranho e proibido,
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⁠Rosa ao Vento - Há uma ansiedade efémera que te habita, um vazio estranho e proibido, uma voz, uma ausência, alguém que grita: saudade, amor - silêncio! - É perigo! Ansiedade que te consome sem razão, sombra triste que te fala sem palavras ... Por quem bate o teu cansado coração, rosa branca, ao vento, triste, desfolhada?! Que o destino assim te fez! Solidão, não é, por certo, é distancia, amor, talvez ... Esperar alguém é dor cansada, amar alguém, recorda, só de perto, rosa branca, ao vento, triste, desfolhada ...

⁠De Poema em Poema - Fui de poema em poema à procura da razão
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⁠De Poema em Poema - Fui de poema em poema à procura da razão que me fazia ter por tema a dor, a morte e a solidão. Mas os versos não sabiam o porquê dessa loucura, só falavam, só diziam, sempre cheios de amargura. Digo aos gritos sem pudor que meus versos são um pranto! Mas o porquê de tanta dor, tanta morte no seu canto?! Talvez devesse procurar a razão dessa agonia, não nos versos, a chorar, mas em mim, no dia a dia...

⁠Sono do Poeta - E veio a noite cheia de gritos e punhais, trouxe o silêncio desses gritos- mil gemidos,
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⁠Sono do Poeta - E veio a noite cheia de gritos e punhais, trouxe o silêncio desses gritos- mil gemidos, os sonhos de quem sofre-tantos ais, e os gestos de quem ainda está perdido. Veio a madrugada embrenhada em loucura, trouxe versos a quem ainda é desperto e espinhos a quem procura na lonjura encontrar o peito de um amor que esteja perto. E a aurora anunciou-se breve e mansa, os olhos já cansados respiravam solidão, e o corpo, num pesar, arfava com a dança. Mas o dia clareou e nada aconteceu, na verdade, a dor recomeçou, alguém em vão esperou e o poeta adormeceu ...

⁠Eu vi minha Avó - Eu vi minha avó chorando aos pés da virgem Santa
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⁠Eu vi minha Avó - Eu vi minha avó chorando aos pés da virgem Santa e vi a santa deixando nos seus olhos nova esperança. Eu vi minha avó secando suas lágrimas de dor nas estrelas fixas do manto da virgem cheia de amor. Eu vi minha avó pedindo mirando o rosto de Maria e a virgem Santa, ouvindo as rezas que ela tecia. Eu vi minha avó partindo, serena, pela estrada, ia ao encontro, sorrindo, da Senhora da Orada.

⁠Tempo Infimo - Fecho os olhos por instantes e ao abri-los novamente
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⁠Tempo Infimo - Fecho os olhos por instantes e ao abri-los novamente numa dor, triste, constante, vejo a vida tão diferente! Esse alguém a quem amava num passar por entre escolhos dizia adeus e abalava deixando mágoa nos meus olhos! Podem morrer os horizontes podem chorar todas as gentes podem secar todas as fontes que o meu amor é para sempre! Tempo infimo, esgotado, dor presente sem destino, sonho morto, enterrado, olhar triste sem carinho! É assim a nossa vida, ora quente, ora fria, encontrada ou perdida, ora noite, ora dia ...

⁠A Igreja da Praça - Certa vez, ao cair da tarde, passando pela Praça dos Poetas,
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⁠A Igreja da Praça - Certa vez, ao cair da tarde, passando pela Praça dos Poetas, sentei-me na fonte... Fixei a igreja, triste, iluminada, fria, deslumbrante, grandiosa na fachada, num anseio fustigante, numa idade já cansada! Estava ela em silêncio, num estático sossego, quando à noite, e aos olhos de quem sente, altiva, imponente, se ergueu do chão, branca, sinzelada, num olhar arrepiante! Ao alto, duas torres em vetusta solidão, dois sinos sobranceiros, cada um com uma cruz, janelas, pórticos, brasão, uma grade bem de fronte, com um, outro portão, janelas com mil ferros, varanda a meia torre e um relógio que dá horas que afinal nunca dão ... No centro do não-tempo, outra cruz dá-nos a bênção! Ao passar, mirá-la não é vão, porque a igreja mais parece uma tela de Monet na parede de um salão ... Ou um poema de Florbela que invoca a solidão de ser "pó, cinza e nada" numa imensa vastidão! E tudo é breve! Passa a vida e a Gente ... Mas na Praça do Poetas fica ao alto para sempre o Altar de Santo Antão! ... (Poema à Igreja de Santo Antão cita na Praça do Geraldo em Évora.)

⁠Conversa Fiada - Não me venhas com conversas que eu já não te quero amar
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⁠Conversa Fiada - Não me venhas com conversas que eu já não te quero amar só quero que tu me esqueças que eu vou p'la vida a cantar. Aqueles versos que me deste faziam tantas promessas os versos que tu fizeste rasguei-os ontem à pressa. Talvez te lembres dos meus olhos chorando por não te ver agora choram aos molhos só já te querem esquecer. Só tenho mágoa no meu peito por não te ver como eras agora é tudo ao meu jeito só quero que tu me esqueças.

⁠Fronteiras - Trago cansaços ocultos dos sonhos que já tive! Sonhos que perdi, cansaços qu'inda tenho ...
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⁠Fronteiras - Trago cansaços ocultos dos sonhos que já tive! Sonhos que perdi, cansaços qu'inda tenho ... E o vazio que me ficou é dor que ainda vive parada, sem andar, no caminho de onde venho. E venho de onde? Que sonhos?! Que cansaços?! Venho de ervas, tristezas, arrelias e traições, venho de palavras sem abraços, frio, das fronteiras dos meus dias! Venho do silêncio das noites sem luar, venho das fontes, secas, sem amor e dos olhos dos amantes que se querem separar! Venho das palavras que nunca foram ditas, venho da saudade, do lamento e do pavor que só espero meu amor que nunca sintas!

⁠Pensamento - A minha casa é a rua, minhas vestes são os campos,
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⁠Pensamento - A minha casa é a rua, minhas vestes são os campos, meus olhos de alma nua, na voz do povo são dois cantos ... A noite - cama onde me deito, feita de linho, brocados e cetins, tem alvas ondas - o teu jeito, ao pôr as rendas sobre mim ... Tocam na dolencia os sinos da igreja, dão horas, meia-noite, tu não estás ... E onde foste? Aonde irás? Que a vida te proteja! Que eu, no frio da minha noite, sem nada, na tristeza das colchas de damasco, adormeço em silêncio numa cama já cansada!

⁠Muito Tarde - Já era tarde, muito tarde, quando a solidão me abandonou,
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⁠Muito Tarde - Já era tarde, muito tarde, quando a solidão me abandonou, era noite, madugada e a saudade fez de mim quem hoje sou! Já era tarde, muito tarde quando a revolta se calou passou o tempo e a idade mas a calma não chegou ... Não sou mais do que a lonjura que me habita neste passo de silêncio em agreste solidão, que avança, dia a dia, que me fala, que me grita! Era tarde para amar neste precipício de saudade! E a morte enfim chegou! Parou meu coração! Era noite, madrugada, era tarde, muito tarde ...

⁠Miragem de Morrer - Hoje o dia está cansado dos meus versos de saudade,
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⁠Miragem de Morrer - Hoje o dia está cansado dos meus versos de saudade, oiço um canto, é um fado e há silêncio na cidade. Hoje a noite está perdida em palavras de amargura e minh'Alma tão esquecida no passar da noite escura. Hoje a morte é só miragem! P'ra quem tem sorte de morrer a vida é triste imagem na vontade de viver ... Meu destino, nao ter casa, foi a vida a que me dei, hoje sinto, não sou nada, porque o sinto eu nao sei!

⁠Cheira a Ti - Entre todas as promessas que me fizeste, e foram tantas, em segredo,
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⁠Cheira a Ti - Entre todas as promessas que me fizeste, e foram tantas, em segredo, recordo aquelas palavras que me disseste: " - Por favor, de mim, não tenhas medo!" Falo de coisas que me custam e são caras num enleio de amor e ilusão, e pouco a pouco, vejo que me abalas e deixas à deriva sem razão. E provo um trago amargo a solidão uma saudade do teu corpo e dos teus olhos que me prende ao silêncio e à escuridão ... A minha cama cheira a ti! Cheira a ti cada palavra que te escrevo, cada lágrima vertida, salgada, sabe a ti ...

⁠Quadrantes - Trago a a alma quase morta na raiz do pensamento
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⁠Quadrantes - Trago a a alma quase morta na raiz do pensamento de palavras e revolta num rimar de sofrimento. Trago a vida indiferente - sem ternuras nem amor - aos olhares desta gente que me deram tanta dor. Trago em mim tantos cansaços! Silêncio triste que me arrasta na ausência dos teus braços ... Trago em mim o que sonhei, o que sonhei e nunca tive e o que tive mas não dei!

⁠Sozinho - Ando na vida sozinho, à deriva, como um louco,
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⁠Sozinho - Ando na vida sozinho, à deriva, como um louco, meu olhar, coitadinho, do destino sabe pouco. Ando na vida sem assento, por capricho ou solidão, estou vencido, não há tempo, meu cansado coração. Ando na vida sem rumo, à procura de um caminho, estou perdido mas assumo, anďo na vida sozinho!

⁠Teus - Teus olhos, meu amor, dois dolentes madrigais
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⁠Teus - Teus olhos, meu amor, dois dolentes madrigais que me inebriam de pavor por não saber aonde vais! Teus lábios, meu amor, duas rosas em botão que secam ao calor no canteiro do coração! Teus versos, meu amor, são os ecos do agoiro de um agoiro bem maior! E teus cabelos, meu thesoiro, os cordões da minha dor, mais finos que o fio de oiro!

⁠Amor Inútil - Meu amor porque partiste meu amor tu nem sentiste
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⁠Amor Inútil - Meu amor porque partiste meu amor tu nem sentiste quanta dor ficou em mim, meu amor porque fugiste nem de mim te despediste hei-de amar-te até ao fim. Sou aquele que te escreve que te ama, que se atreve a procurar teu coração, meu amor a vida é breve meu amor tão ao de leve me deixaste sem razão. Ainda assim por ti esperei foste tu a quem me dei sou um grito de saudade, meu amor não morrerei sem dizer quanto te amei no silêncio da cidade.

⁠Saudade, Vazio e dor - As tristezas que me doem São saudades ... Ó vida, dizei-me, porque tanto me enganais?!
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⁠Saudade, Vazio e dor - As tristezas que me doem São saudades ... Ó vida, dizei-me, porque tanto me enganais?! Foram dadas no silêncio das idades por olhares de quem não torna mais! E porque partem todos os que amamos deixando no vazio quem nunca esquece? Pobre de quem fica pela vida mendigando esperando o novo dia que amanhece! Saudade, vazio e dor ... Aquilo que esperei está tão mudado que esqueci no peito o que é amor! Não há esperança p'ra quem perde alguém que ama! Má fortuna, dor ardente, tempo errado, um grito de silêncio que por nós ainda chama ...

⁠Pequena Ode à Solidão - Ó tristeza! Ó miséria! Tudo o que fui e ainda sou ...
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⁠Pequena Ode à Solidão - Ó tristeza! Ó miséria! Tudo o que fui e ainda sou ... Alguém que chegou e não sorriu. Que partiu e não voltou. Sonhos proibidos - então - homens ocultos, dores em vão ... Noites sem vida - diz quem viu! Dias vazios, calados, sem água ... Iguais às noites, iguais aos dias, distantes do possivel - como cal -, do eterno, do real! E vós - ausentes, perdidos também- fingindo- mas sós ... tão sós ...

⁠Esquece-te de mim - Esquece-te de mim que eu já perdi a esperança que me fez acreditar um dia em ti
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⁠Esquece-te de mim - Esquece-te de mim que eu já perdi a esperança que me fez acreditar um dia em ti esquece-te de mim e recorda como herança que meus olhos vão chorando só por mim. Esquece-te de mim em horas de abandono como o mundo de ti também se esquece já não és a alegria dos meus sonhos esquece-te de mim, que em mim nada acontece. Esquece-te de mim na cama onde dormes que essa cama já não é onde me deito esquece meu amor e nunca mais acordes o meu corpo que já não volta ao teu leito. Foram tantas as promessas que fizeste as alegrias que tivemos sem fim aqueles versos de amor que tu disseste não te esqueças meu amor, esquece-te de mim.

⁠Valette de Paus - Há sempre um cavaleiro que se espera vindo de uma bruma de saudade,
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⁠Valette de Paus - Há sempre um cavaleiro que se espera vindo de uma bruma de saudade, alguém a quem dar o coração - ái quem dera -, que viesse cavalgando p'la cidade ... Vindo de uma noite perdida de uma sombra que o acolhe, alguém que viva além da vida e abrande o passo quando olhe. Mas esse oculto dos saraus, cedo ou tarde, sempre surge e aparece como um Valette de Paus. E mais um dia passado, mais uma noite que acontece e um destino marcado!

⁠No dia do meu Enterro - No dia do meu enterro quero que os sinos se calem
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⁠No dia do meu Enterro - No dia do meu enterro quero que os sinos se calem minha vida é um erro não quero que a dobrem. No dia do meu enterro quero silêncio na rua na verdade que encerro minh'Alma irá nua. No dia do meu enterro não quero luto nem pranto, quero a morte, primeiro, só depois algum canto. No dia do meu enterro irá meu corpo a passar e nesse instante certeiro minh'Alma a voar.