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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠Separação Forçada - Há um vazio que se sente quando alguém se vái embora
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⁠Separação Forçada - Há um vazio que se sente quando alguém se vái embora alguém que toma a nossa mente, dia a dia, hora a hora. Há uma saudade que nos turva quando alguém nos diz adeus e cada estrada, cada curva nos lembra os olhos seus. E a distância é um tormento a solidão é um cansaço até nos dói o pensamento no desejo de um abraço. Duas vidas tão diferentes dois destinos desiguais dois lamentos permanentes que não se cruzam nunca mais.

⁠Máscara - Trago em mim uma verdade que não quero, uma verdade a que me dou mas nunca dei,
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⁠Máscara - Trago em mim uma verdade que não quero, uma verdade a que me dou mas nunca dei, algo que de mim sei mas não tolero, uma triste confissão que não farei ... Tantas vezes que pela vida vou cantando, mas no entanto, sinto que me morro, e na verdade, quase sempre pela vida vou chorando, e quem me vê sorrindo não sabe o quanto choro!

⁠Insónias de frio - Outono, manhã cedo, tarde quente, ensolarada,
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⁠Insónias de frio - Outono, manhã cedo, tarde quente, ensolarada, eu dormindo sobre o medo e tudo igual de madrugada. Tudo igual na vida, noite fria, nevoeiro, minha esperança perdida e da morte nem o cheiro. Da morte nem a sombra que passa por quem leva e åi de quem se esconda de um destino que não chega. Sempre chega, sempre vem, numa tarde ensolarada pois a vida vai e vem numa eterna madrugada.

⁠Aos Pés da minha Cama - Aos pés da minha cama há um baú cheio de versos
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⁠Aos Pés da minha Cama - Aos pés da minha cama há um baú cheio de versos uma dor que é tamanha de um poeta controverso. Aos pés da minha cama há um baú cheio de morte hora a hora de quem ama e odeia a sua sorte. Aos pés da minha cama há um baú cheio de vida uma vida de má-fama de tantas regras despida. Aos pés da minha cama há uma dor, triste lembrança, mil poemas, o meu drama, o baú da minha herança. Ao baú cheio de versos que está aos pés da minha cama na casa do Outeiro em Monsaraz.

⁠Chorão - Ao pé daquela casa onde vivo há uma árvore em vetusta solidão
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⁠Chorão - Ao pé daquela casa onde vivo há uma árvore em vetusta solidão da qual se escuta, ao passar, tanto gemido, como se fora de um Poeta o coração... Ninguém sabe de onde veio nem porquê! O que faz ali num estático sossego? Além da árvore que é árvore ninguém vê que ela traz dentro de si a Poesia por apego. Espalha pela rua a magia de um sorriso, triste, só, ao vento, seja noite ou seja dia, em diáfana presença procura alguém perdido e seu corpo de silêncio embala tanta melodia. E o que faz aquela árvore calada rodeada pela Era no meio de uma rotunda ao pé da minha casa?! Presença cinzelada que nada diz nem me revela, que apenas sinto, na voz de um silêncio que me abraça ... Que encanto dá à minha rua a alegria daquele mágico Chorão, dança todo o dia, chora toda a noite e canta, canta e encanta ... E minh'Alma, pejada de espanto, vê numa parede, alinhada com o chão uma lápide de mármore que nos diz: Praceta Florbela Espanca!

⁠Caçada - Pelos campos, na herdade, saem galgos a correr,
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⁠Caçada - Pelos campos, na herdade, saem galgos a correr, manhã cedo, uma caçada; é noite, na verdade, e entre frio, a chover desce ainda a madrugada! Há um galgo branco e leve a correr direito ao rio entre a névoa densa e clara, pelos campos uma lebre que ao saltar cheia de frio lhe parece jóia rara! Desce o Sol no horizonte e no meio da claridade, voam tordos pelo ar; a caçada vai a monte no silêncio da herdade correm galgos sem parar!

⁠Fado das Aias - Introdução ao Fado das Aias: "Eis que em Portugal, surgem caminhando melancólicas, no areal,
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⁠Fado das Aias - Introdução ao Fado das Aias: "Eis que em Portugal, surgem caminhando melancólicas, no areal, xaile traçado, vestidas de negro, as Aias da Solidão. Mulheres que choram seus homens, junto à barra-Tejo, no cais da despedida. Passam absortas, sombrias, solitárias, cantando a dor da separação na voz do Fado. E há lamento, angustia e solidão ..." IN O Último grito da Gaivota, do mesmo autor. FADO DAS AIAS Traçámos nossos xailes no coração junto ao Tejo neste cais da despedida ai xailes, negros xailes, solidão, herança que ficou dessa partida. Por não ter um coração onde se acoite o fado é um canto de incerteza gemidos de guitarras pela noite trinando nossas horas de tristeza. Em horas de agonia sem razão cantámos tantos fados que martirio ai xailes, negros xailes d'ilusão ai fados, tantos fados em delirio. Tão longe do amor p'la barra fora, por mares, navegando sem perdão, deixaram tantas Almas em penhora e fizeram de nós Aias-Solidão. P.S/ O Fado nasce da saudade, a saudade da distância e a distância do sonho de navegar ...

⁠Minha Vida é Solidão - Minha vida é solidão no cansaço da navegar
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⁠Minha Vida é Solidão - Minha vida é solidão no cansaço da navegar nela afogo o coração como um náufrago no mar. E mal cheguei à vida não sabia que era assim tanta gente, só, perdida num caminho sem ter fim. Fui galgando como um rio tive pressa de chegar, tantas dores, tanto frio na loucura de m'encontrar. Mal disse a minha vida na procura de uma luz alma aberta, alma ferida, sob o peso de uma cruz.

⁠Tragédia de um Adeus - Meu amor o teu silêncio faz parar meu coração,
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⁠Tragédia de um Adeus - Meu amor o teu silêncio faz parar meu coração, numa triste madrugada minha fria solidão numa cama já cansada! Meu amor terás meu corpo, nos teus olhos meu olhar e no silêncio das palavras esta ânsia no mar morto será eco de um cantar! E os teus olhos, meu amor, cor das longas ventanias, olhos fundos como os meus dois martírios pelos dias na tragédia de um adeus!

⁠Pétala de Solidão - Trago ao peito, ainda, uma pétala de solidão, única que resta da flor airosa que já fomos,
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⁠Pétala de Solidão - Trago ao peito, ainda, uma pétala de solidão, única que resta da flor airosa que já fomos, agora, murcha, seca e morta pelo chão, entregue ao pó da vida de onde somos! Eu fui pó e nunca vida, o que resta e nunca flor ... O que sobra de uma esperança perdida pois a vida nunca teve por mim amor! E não há como salvar aquela flor, jaz morta, apodrecida, pisada pelo chão, que aos olhos da loucura, enlouquece a própria dor. E que triste dor ardente que consome de amargura o olhar de toda a gente ....

⁠Coragem - Quem de entre vós me explica o porquê do meu destino? ! Esta insofrida nostalgia que me veste de lamento!
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⁠Coragem - Quem de entre vós me explica o porquê do meu destino? ! Esta insofrida nostalgia que me veste de lamento! Este estar no mundo, à deriva, sem caminho, que me seca, dia a dia, na raiz do pensamento ... Quem de entre vós terá coragem de me dizer: "tu és no mundo um despojado, feito apenas de aparência, boa imagem, mas no fundo, um pobre e triste desgraçado! " Coragem! Vocês inda precisam de coragem! Viver a vida que me deram, isso sim é ter coragem, o resto, é paisagem ... Posso ser no mundo um pobre e triste desgraçado, mas sei o que é na vida ter coragem, porque ela, frente ao mundo, foi meu escudo no passado!

⁠Razão - Quando um dia eu morrer, que sorte, não quero terra, campa ou jazigo,
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⁠Razão - Quando um dia eu morrer, que sorte, não quero terra, campa ou jazigo, para que não se acoitem à minha morte, só de cinza pretendo ser vestido! Que arda o fogo no meu corpo, queime a dor que me viveu a existência, pois só assim, sobre tábuas enfim morto, será cinza a solidão em permanência! E se p'ra matar esta fria solidão o único caminho for morrer, então, semeio a morte no fundo da razão! E assim, já tenho uma razão para morrer, é preciso libertar meu coração da amarra que é pensar em não sofrer ...

⁠Fui - Fui da vida um deserdado sem ter terra p'ra pisar,
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⁠Fui - Fui da vida um deserdado sem ter terra p'ra pisar, um mendigo tão cansado sem ter colo p'ra chorar. Fui da vida um aborto, um filho indesejado, um barco sem ter porto, à deriva, ancorado. Um filho da madrugada! Um filho da noite escura a quem a vida não deu nada ... Inda assim vivi a vida! E fui um passo de loucura num passar de despedida ...

⁠Apátrida - Trago a vida de um vencido neste corpo de mortal
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⁠Apátrida - Trago a vida de um vencido neste corpo de mortal um sonho em vão, perdido, de ser alguém em Portugal! Nunca fui - qu'importa tal?! Porém, desde o berço até à morte, ser poeta, triste sorte, de um povo que me quer mal ... E o que fazer ao que sonhei?! Guardar no coração - talvez! Destino ou maldição - não sei! É expectativa despojada! É dor que ninguém vê numa voz indesejada ...

⁠Aceita a Vida - Quando a vida está cansada dá-lhe espaço p'ra te ver
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⁠Aceita a Vida - Quando a vida está cansada dá-lhe espaço p'ra te ver porque a alma vem do nada exausta de sofrer. Onde há dor e amargura só há luto e solidão não há espaço p'ra ternura nem lugar p'ro coração. Não te esqueças que é loucura insistir no que não deu dar valor ao que não dura é viver do que morreu. Esquece os sonhos que perdeste acredita no que virá esquece a vida que não tiveste e aceita aquilo que ela dá.

⁠Saudade Parada - Trago a alma já cansada no viver da madrugada
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⁠Saudade Parada - Trago a alma já cansada no viver da madrugada num sonho que morreu, trago ao peito uma loucura no esperar de uma ternura que da vida se perdeu. Levo no corpo a solidão vazio e dor na minha mão num passar de despedida, ai minha vida sem nada minha saudade parada numa sombra esquecida. E em cada noite escura sinto em mim outra amargura na cama onde me deito, e adormeço a persistência de sentir a tua ausência à deriva no meu peito.

⁠Cegueira - Entre a dor que sentimos e a solidão que vivemos
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⁠Cegueira - Entre a dor que sentimos e a solidão que vivemos às vezes descobrimos que da vida nos perdemos. Na ausência que deixamos no vazio que remoemos afinal o que esperamos da vida que não temos?! A que temos e não queremos, silencio cáustico onde vais? ... A que temos porque a temos?! Tendo muito queremos mais! E o tempo passa, vai passando, a vida é longa, prolongada, alguém nos ama, vai amando, e nós não vemos, não vemos nada ...

⁠Queixas de um Mendigo - Sou um grito de revolta na voz de um condenado
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⁠Queixas de um Mendigo - Sou um grito de revolta na voz de um condenado um passaro sem rota um mendigo desprezado. Sou a cal da sepultura no enterro da solidão alguém morto, sem ternura esquecido num caixão. O dia quente que morreu a noite fria que chegou mataram quem esqueceu de esquecer o que chorou. Foi em vão a minha vida foi em vão acreditar foi minh'Alma proibida da alegria de sonhar!

⁠Velhas Pedras da Cidade - Évora - Velhas pedras da cidade que outrora já foi Moura
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⁠Velhas Pedras da Cidade - Évora - Velhas pedras da cidade que outrora já foi Moura "Ruas-Frades" por piedade que o passado não perdoa. Velhas pedras da cidade que o silêncio não calou passe a vida ou a idade pois o tempo as consagrou. Velhas pedras da cidade são cansaços do destino são poemas sem vaidade de poetas sem caminho. Velhas pedras da cidade - cinza fria que não sente - não se esqueçam da saudade no olhar de toda a tente.

⁠Reencontro o Coração - Meus olhos já não choram pela vida que passou!
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⁠Reencontro o Coração - Meus olhos já não choram pela vida que passou! No passado o que perderam?! Entre nós tudo acabou ... O que viram foi traição no desejo de um abraço mas só lamento e solidão lhes puseram no regaço. É tão longo o dia claro e tão breve a noite escura que esta vida a que me agarro, é mentira, é loucura. Quem não sente o coração não entende o que é a vida vai aos tombos pelo chão vai morrendo dia a dia. Passa o tempo devagar passa a vida que passou é loucura não amar mas é louco quem amou. É loucura ter saudade de quem vive no coração no silêncio da cidade e na raiz da solidão. A saudade que eu tinha era saudade de mim a saudade era minha eram saudades sem fim. Cai o Sol no Alentejo pelos campos solidão passo a Ponte sobre o Tejo e reencontro o coração ...

⁠Cautelosa e Serena - Quando a morte vier cautelosa e serena
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⁠Cautelosa e Serena - Quando a morte vier cautelosa e serena haverá luto e solidão no sentir de quem souber que o seu toque deixa pena no pulsar do coração! Quando a morte vier ninguém sabe quando virá talvez traga algum encanto no olhar de quem lhe der aquilo que ninguém dá a saudade como um canto! Quando a morte vier vem com ela outro destino vem com ela outra vida e se alguém a não quiser terá dor no seu caminho ao partir sem despedida! E é mentira quem disser que o morrer já não importa só a vida que passou quando a morte vier de repente fecha a porta e quem era terminou!