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Frase de Ricardo Maria Louro

⁠A Igreja da Praça - Certa vez, ao cair da tarde, passando pela Praça dos Poetas, sentei-me na fonte... Fixei a igreja, triste, iluminada, fria, deslumbrante, grandiosa na fachada, num anseio fustigante, numa idade já cansada! Estava ela em silêncio, num estático sossego, quando à noite, e aos olhos de quem sente, altiva, imponente, se ergueu do chão, branca, sinzelada, num olhar arrepiante! Ao alto, duas torres em vetusta solidão, dois sinos sobranceiros, cada um com uma cruz, janelas, pórticos, brasão, uma grade bem de fronte, com um, outro portão, janelas com mil ferros, varanda a meia torre e um relógio que dá horas que afinal nunca dão ... No centro do não-tempo, outra cruz dá-nos a bênção! Ao passar, mirá-la não é vão, porque a igreja mais parece uma tela de Monet na parede de um salão ... Ou um poema de Florbela que invoca a solidão de ser "pó, cinza e nada" numa imensa vastidão! E tudo é breve! Passa a vida e a Gente ... Mas na Praça do Poetas fica ao alto para sempre o Altar de Santo Antão! ... (Poema à Igreja de Santo Antão cita na Praça do Geraldo em Évora.)

Ricardo Maria Louro

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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⁠CANTIGA DE ESCÁRNIO E MALDIZER: Quando as tripas te doerem Ou tiveres diarreia O XANAX, é bom saberem, Faz passar, é boa ideia! Na farmácia Malagueira A Crispina ao balcão Dá XANAX p'ra cegueira A quem vem com comixão. Aos jantares de Natal Só lá vão os coitadinhos deixa estar que não faz mal Serão sempre pobrezinhos. Um XANAX, é bom saberem Faz passar a diarreia Quando as tripas te doerem Bota-a-Baixo, é boa ideia.

⁠Nome que é meu - Nada no mundo me prende perdi-me no sofrimento
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⁠Nome que é meu - Nada no mundo me prende perdi-me no sofrimento e quanto dói dentro da gente não saber dar tempo ao tempo! Sou como a folha caída que se perdeu do mundo inteiro sou como a flor esquecida em manhã de nevoeiro! A tristeza que me abraça dá mais voz à minha fome sou como tudo o que passa não me chamem pelo nome! Porque esse nome sem carinho foi o destino quem mo deu deixem-me Ser pelo caminho longe desse nome que é meu!

⁠Viagem - A vida é uma viagem Um retorno sem imagem
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⁠Viagem - A vida é uma viagem Um retorno sem imagem Nos espelhos do destino, É um grito sem amarras Um poema sem palavras Que vivemos no caminho. O que trago ou não trago O que canto e dou ao fado Só eu sei o quanto dói, Ver nos olhos de toda a gente O silêncio de quem sente O quanto a vida nos destrói. Visto noites e cansaços No meu corpo, nos teus braços Na distância, o teu olhar, Roda a roda do destino Acendo velas no caminho Numa pressa de te amar. Só há Fado e solidão Esta dor e um coração Nos meus olhos a bailar, E no céu da minha noite Já nem há onde me acoite Tanta estrela sem brilhar.

⁠Tremores - E eis que na solidão da praia deserta Caem águas do meu triste olhar,
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⁠Tremores - E eis que na solidão da praia deserta Caem águas do meu triste olhar, Mas essa água que me aperta Não é menos que as águas do mar. Não me lembro de existir dentro de mim Algo maior que a palavra solidão, Algo mais seco que a amargura d'um jardim Plantado junto aos portais do coração. Há uma noite enleada aos desejos de cada um, Um grito, uma metáfora de saudade, Uma vontade de comer que é jejum Que a trazemos desde o berço por piedade. E o que ser para além d'um silêncio sem destino?! Um planeta sem elipse, uma curva, Uma pedra só, pisada no caminho, Um punhal numa fonte de água pura!