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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

A Vida Chega Tarde - ⁠A vida chega tarde quando breve vem a morte
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A Vida Chega Tarde - ⁠A vida chega tarde quando breve vem a morte e sem fazer alarde vem num golpe de má-sorte! Entre a vida e a morte quem escolhe nunca pensa estar vivo é ter sorte porque aos mortos só lamenta! Quando vi no teu regaço amortalhada, sem esperança, tanta mágoa, só cansaço, morreu em mim a confiança! E em silêncio fui embora dei à morte a minha vida e num segundo se fez hora de partir sem despedida!

⁠Máscaras - Nesta calha da vida o que ser afinal
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⁠Máscaras - Nesta calha da vida o que ser afinal quando a esperança é vencida? Ser bem ou ser mal?! Quantos somos num só?! De onde vem connosco? Porque vivem em nós no silencio do corpo?! São mascaras, Senhor, que trazemos no rosto e um eterno pavor de lembrar das ter posto! Quando a vida nos pede que as tiremos, é tarde, estão coladas à pele, entranhadas na carne! E à boca calada quem somos não sabem! Quando queremos tira-las por vezes não saem ...

⁠Diferença - Quem nasce diferente não o é porque quer
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⁠Diferença - Quem nasce diferente não o é porque quer e esta gente não entende que também isso nos fere! Quem nasce diferente não entra no álbum até a dor que se sente não tem lugar algum! Quem nasce diferente neste mundo de iguáis nem sempre se entende, entre tantos, demais! Quem nasce diferente leva pedradas no corpo e por vezes até mente p'ra sentir que tem Porto! " - Coitado, é diferente, devia estar morto, antes morto, presente, que um Ser, vergonhoso!"

⁠Pintura (de um ideal) - Sou um quadro mal pintado numa tela já esquecida
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⁠Pintura (de um ideal) - Sou um quadro mal pintado numa tela já esquecida sou o sonho inacabado de um pintor que perdeu a vida! Fui o sonho idealizado de um artista em fim de vida que p'la morte trespassado não queria a despedida! Fiquei preso e incompleto estou só e condenado não há nada no meu peito que me livre do Passado! A parede que me esperava era branca, nada à vista, mas agora até a casa já morreu com o artista! Sou a obra interminada sem poiso nem destino que ficou abandonada nos sótãos do caminho!

⁠sete - Sete facas se perfilam à luz do firmamento
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⁠sete - Sete facas se perfilam à luz do firmamento e sete feridas me fuzilam no vazio do pensamento! Sete anos se passaram no passar dos dias vãos e sete mortos me falaram com sete pedras na mão! Sete amores me deixaram foi verdade sem razão e sete vidas me largaram no vazio da solidão! Sete ausências me ficaram do sabor de sete bocas e outras bocas me beijaram, mais de sete, foram poucas! Foram sete desilusões tinham gosto d'acidez e ai dos sete corações que perdi de uma só vez! Sete orgulhos engoli como o mar engole o rio e sete versos escrevi na demência do vazio! Eram sete horas da tarde sete dores eu senti no meu corpo sem alarde sete facas e morri!

⁠Revelação Intima - Ser Poeta é exilio num pais de condenados
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⁠Revelação Intima - Ser Poeta é exilio num pais de condenados um tormento infinito de olhos rejeitados. Ser Poeta é ser em vão num mundo que não é seu mendigo sem ter pão loucura a que cedeu. Ser Poeta é amargura estar só no meio das gentes procurar numa ternura entender o que se sente. Ser Poeta é noite escura com uma candeia mão andar na vida à procura de matar a solidão.

⁠Versículo da Despedida - É verdade meu amor que foste breve mais breve que o cansaço à tua espera
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⁠Versículo da Despedida - É verdade meu amor que foste breve mais breve que o cansaço à tua espera teus olhos são gelados como a neve prende-los nestes versos quem me dera. É verdade meu amor que já nem penso nas palavras que disseste ao meu ouvido já não sinto a tua ausência já nem tento encontrar outro caminho estou vencido. Trago a dor e a solidão de quem não sofre num vazio que fica em toda a despedida sou mais triste que a tristeza que há na morte sou mais louco que a loucura que há na vida.

⁠Frente a uma Cruz - Minha mãe quem é aquele pregado e morto numa cruz?!
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⁠Frente a uma Cruz - Minha mãe quem é aquele pregado e morto numa cruz?! Aquele - meu filho - é Jesus! Vê a triste imagem dele! ... E quem é Jesus minha mãe? É Deus que nos dá o trilho ... E Deus? É Jesus também?! Sim meu filho! Sim meu filho! E porque está morto numa cruz?! P'ra dizer que a morte não existe, que o amor sempre persiste e que das trevas se faz Luz! Quero segui-lo minha mãe! Vai meu filho, dá-lhe o coração, segue o seu caminho, faz o bem, vai p'lo mundo fora, destrói a solidão ...

⁠Rosa de Maio - És berço que embala quem nasce do amor
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⁠Rosa de Maio - És berço que embala quem nasce do amor um cheiro que exala no abrir de uma flor! És silencio nos montes és criança a chorar és a água das fontes um romeiro a chegar. És tímida Garça que mal se deixa tocar és a tarde que abraça que chega a pairar. És a Rosa de Maio que nasce em Agosto no teu colo desmaio e adoro o teu rosto.

⁠Litígio - Vejo o tempo a passar passa a vida
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⁠Litígio - Vejo o tempo a passar passa a vida passa o tempo devagar. Vai a Vida já cansada cansada vai a vida pobrezinha não tem nada. Nesta vida é impossivel impossivel ir além ir além do que é visivel. E meus olhos de mortal de mortal são os meus olhos num eterno vendaval...

⁠De Súbito outro Diálogo - Em certa tarde de Inverno, fria e cinzenta, sentado na Praça dos Poetas, em Évora,
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⁠De Súbito outro Diálogo - Em certa tarde de Inverno, fria e cinzenta, sentado na Praça dos Poetas, em Évora, na esplanada de Santo Humberto, de súbito, alguém: - Ricardo não tem frio?! Não! O frio que está cá fora não é maior do que o frio que está dentro de mim ... - E porque não se aquece?! Porque nada nesta vida é quente! Tudo é cansaço e solidão ... - Falava do frio da rua! Áh bom! Mas esse não me preocupa! Na realidade nem o sinto! Mais frio é o frio que trago no coração ... Encolheu os braços e partiu ...

⁠Diurno - E é como se as pedras da rua me gritassem aos ouvidos e os narcóticos silencios tangidos pelo dia fossem rosas de papel,
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⁠Diurno - E é como se as pedras da rua me gritassem aos ouvidos e os narcóticos silencios tangidos pelo dia fossem rosas de papel, gemidos ( ocultos, perdidos,) que se adensam no mais escuro da vida, que se misturam no mais dentro da morte! Vaidades! Só vaidades! Saudades que se ocultam nos olhares, vendavais de solidão, mentiras que subplantam o intimo da verdade e olhares, mil olhares que desolham quando passo - tudo é vão ... tudo é vão! Tudo pela rua vai passando, tudo passa sem passar, mentindo e naufragando, magoando, magoando ... Passageiro clandestino, assim me sinto, assim me vejo! Um sem rumo, perdido, em luto! Tão longe e tão perto ... deserto! Vivendo sepultado onde nunca existi - caminho entre as gentes que morreram e não sabem - zoombies do destino - sem tino ... São sombras Senhor! São sombras! Quando passo não as vejo, só as sinto ... Estão mortos Senhor! Estão mortos! E eu tão vivo! E eu tão vivo! Às vezes queria ser um deles, cego, calado, infiel e possuido ... Sem norte ou direcção! E a minha direcção qual é?! Se a tenho quem ma diz?! Talvez a solidão que pinga dos meus dedos, que se prende às minhas mãos, que resvala no meu peito, que se inclina ao meu olhar ... Vou-me embora, Senhor, porque afinal, não sei amar!

⁠Gangrenas - Ó empedernida solidão, estática, parada num jardim desta cidade, sobre o busto que levanta
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⁠Gangrenas - Ó empedernida solidão, estática, parada num jardim desta cidade, sobre o busto que levanta uma espera imortal! Fitando a luz do nada ergue-se do chão, Florbela Espanca! Minha vida é cor da sua! E ninguém me peça pausa ou silêncio! Que a vida que me deram, cor dos olhos dos mortos que morreram é fria, porque os mortos arrefecem depressa ... Só não arrefece a minha eterna e profunda solidão cor da mágoa das Gangrenas do Senhor, meu espelho ou ilusão de Ser nas necroses do coração num sentir que está parado neste imenso mar de dor! No Jardim Público de Évora frente ao busto da Poetisa.

⁠Dia de Dezembro - Tranquilamente invade-me nesta hora o sossego de um dia de Dezembro
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⁠Dia de Dezembro - Tranquilamente invade-me nesta hora o sossego de um dia de Dezembro cheio de sussurros por dentro, ardências por fora e aromas esquecidos que não lembro! Tranquilamente penetra-me o sossego, o sussurro dessa hora, mais um dia por viver! E somos passo, demencia, somos água, apego a que nos damos com vontade de morrer ... Tranquilamente somos brisa universal no eco de um segredo, oculto, por dizer, somos amor, extenso, absoluto, intemporal, somos sede, espaço e voz à procura de saber. Tranquilamente somos "pó, cinza e nada" em busca de um caminho que nos rasgue a solidão e procuramos sulcar a vida como escada esquecendo tantas vezes os degraus do coração!

⁠Cárcere - Sinto-me preso a uma estranha inquietação que marca no silêncio um compasso lento e mortal,
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⁠Cárcere - Sinto-me preso a uma estranha inquietação que marca no silêncio um compasso lento e mortal, horas frias a que chamo, cansaço e solidão, herdadas dos Poetas deste chão de Portugal. Espirais de assombro, tuneis negros adentram repentinamente aos olhos meus e palavras tocam no meu corpo como beijos na procura incessante de um adeus. Senhor que ser Poeta é meu cárcere, meu chão, minha tábua, meu punhal, meu prato de ansiedade nas mesas de Ninguém servido de amargura, pó e cinza, dor e sal ...

⁠(des)Sintonia - Há pessoas que encontramos sem pedir p'rás encontrar
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⁠(des)Sintonia - Há pessoas que encontramos sem pedir p'rás encontrar e ao passar acreditamos que as podemos abraçar. Há gente que abraçamos sem pensar no que virá gente a quem nos damos mas que a nós nunca se dá. Há gente que vai e vem vem e vai sem nos amar e só deixa o que não tem no coração de quem ficar. E a magoa e a saudade de Alguém que tanto deu faz-se tumba na verdade de um morto que morreu.

⁠Lágrima Celeste - Há uma lágrima Celeste no teu rosto a deslizar
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⁠Lágrima Celeste - Há uma lágrima Celeste no teu rosto a deslizar das palavras que disseste junto às ondas do mar: " - Sou Gaivota debandada à deriva pelos Céus à procura numa estrada d'encontrar os olhos teus!" Tua lágrima Celeste não é lágrima do Mundo é ternura que te veste cada hora num segundo. E o silêncio que fizeste não apaga ao passar essa lágrima Celeste no teu rosto a deslizar ...

⁠Demissão - Ao passar vi o destino ao longe num soluço
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⁠Demissão - Ao passar vi o destino ao longe num soluço parado no caminho com trajes cor de luto. Suas mãos sobre o corpo cheias de noite e solidão como o destino de um morto que se lhe gela o coração. Olhos tristes e velados num horizonte sem razão dois cálices cansados suspensos numa mão. Então o mundo também parou o destino estava zangado por alguém que não chegou e o deixou amargurado. Aproximei-me lentamente olhei adentro ao seu olhar e perguntei-lhe francamente: -Por quem é o teu penar?! " - Cada um tem um caminho de alegria, pranto e dor ... Já não quero ser destino porque perdi o meu amor!" Que amargura nesse rosto suspiros longos pelo ar tal qual o meu desgosto quando partes sem voltar! Ao destino que julgava ser destino sem destino ....

⁠Habemus Nada - Alguem diz habemus Papam na varanda de São Pedro
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⁠Habemus Nada - Alguem diz habemus Papam na varanda de São Pedro mas da morte Ele não escapa e o que habemus é segredo! E o que habemus nós de querer deste mundo de mortais além da fama de não ser tão diferente dos iguais? E o que habemus nós de ter não sabendo o que é amar numa ânsia de correr sem saber quando parar? E o que habemus nós de ser procurando ser alguém num caminho que é esquecer que esta vida vai e vem? E o que habemus nós de dar a quem nos dá o que não queremos? O segredo é não esperar por aquilo que não temos! E o que habemus de sentir perante a crueldade de uma gente que a fingir é tão má na realidade? E por que habemus de chorar quando houver separações se não temos quem amar no bater dos corações? E o que habemus ante a morte quando a vida é despojada?! Nada fica, triste-sorte, e afinal habemus nada ...

⁠Decisão da Morte - De suspirar a cada dia já cansado deitando no meu leito a solidão
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⁠Decisão da Morte - De suspirar a cada dia já cansado deitando no meu leito a solidão eis que junto a mim pegando a mão senti um toque longo e velado! Era a Senhora dona Morte mensageira de todas as nortadas espalhando pela noite a cor do nada trazia um tal silêncio no seu porte! Tinha olhos frios e desgarrados trajava negro luto sobre o corpo vi-lhe traços pálidos d'um morto passos lentos, tristes e pesados! Falou da solidão onde me afundo falou da dor que visto no meu corpo disse que sou vivo mas estou morto por isso não me leva deste mundo!

⁠Evasão - No silêncio da minha cama fria, na loucura do meu quarto sem sentido,
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⁠Evasão - No silêncio da minha cama fria, na loucura do meu quarto sem sentido, na tristeza da minha casa tão vazia, caminho passo a passo, em vão, perdido. Bóiam tantos mortos em torno a mim ... E oiço alguém desamparado que me fala comovido ... Alguém que olha com olhos de jasmim, cujos olhos, cortam o silêncio, como um grito ... Sua face, escavada, adornada de solidões ardentes, quase morta, coberta de cansaços e mais nada, lembra casas como a minha já sem porta. Seus olhos de descansos por viver, de pálpebras frias, pesadas, sem nada, choram lágrimas de pedra, a arder em corpos de andorinhas, sós, paradas. Seus lábios coam água de seus olhos, sua voz, azeda, balbucia solidões, o destino, esse, quem lho deu, cheio de escolhos, cansaços de amargura, tristeza e podridões?! Nem sei que diga ante dor que é tamanha! Que triste desencontro! Eu lamento esse dia que se prende no meu peito, que me apanha, sempre que escrevo no papel uma poesia!

⁠Retrato Espontâneo - Num gesto suspenso e cansado alguém surgiu ao longe
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⁠Retrato Espontâneo - Num gesto suspenso e cansado alguém surgiu ao longe caminhando passo a passo solitário como um monge. Era alguém! Bem sei que era! Alguém sem nada que nada diz passando livido como a cera por entre os outros infeliz. Trazia olhar de prata olhos negros cor de fado alguém que a morte não abraça um poeta já cansado. Quem seria tal figura que o destino ali nos deu?! Olhei com olhos de ternura e afinal aquele era eu! ...