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Frase de Ricardo Maria Louro

⁠Diurno - E é como se as pedras da rua me gritassem aos ouvidos e os narcóticos silencios tangidos pelo dia fossem rosas de papel, gemidos ( ocultos, perdidos,) que se adensam no mais escuro da vida, que se misturam no mais dentro da morte! Vaidades! Só vaidades! Saudades que se ocultam nos olhares, vendavais de solidão, mentiras que subplantam o intimo da verdade e olhares, mil olhares que desolham quando passo - tudo é vão ... tudo é vão! Tudo pela rua vai passando, tudo passa sem passar, mentindo e naufragando, magoando, magoando ... Passageiro clandestino, assim me sinto, assim me vejo! Um sem rumo, perdido, em luto! Tão longe e tão perto ... deserto! Vivendo sepultado onde nunca existi - caminho entre as gentes que morreram e não sabem - zoombies do destino - sem tino ... São sombras Senhor! São sombras! Quando passo não as vejo, só as sinto ... Estão mortos Senhor! Estão mortos! E eu tão vivo! E eu tão vivo! Às vezes queria ser um deles, cego, calado, infiel e possuido ... Sem norte ou direcção! E a minha direcção qual é?! Se a tenho quem ma diz?! Talvez a solidão que pinga dos meus dedos, que se prende às minhas mãos, que resvala no meu peito, que se inclina ao meu olhar ... Vou-me embora, Senhor, porque afinal, não sei amar!

Ricardo Maria Louro

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Pensador.com

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⁠CANTIGA DE ESCÁRNIO E MALDIZER: Quando as tripas te doerem Ou tiveres diarreia O XANAX, é bom saberem, Faz passar, é boa ideia! Na farmácia Malagueira A Crispina ao balcão Dá XANAX p'ra cegueira A quem vem com comixão. Aos jantares de Natal Só lá vão os coitadinhos deixa estar que não faz mal Serão sempre pobrezinhos. Um XANAX, é bom saberem Faz passar a diarreia Quando as tripas te doerem Bota-a-Baixo, é boa ideia.

⁠Nome que é meu - Nada no mundo me prende perdi-me no sofrimento
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⁠Nome que é meu - Nada no mundo me prende perdi-me no sofrimento e quanto dói dentro da gente não saber dar tempo ao tempo! Sou como a folha caída que se perdeu do mundo inteiro sou como a flor esquecida em manhã de nevoeiro! A tristeza que me abraça dá mais voz à minha fome sou como tudo o que passa não me chamem pelo nome! Porque esse nome sem carinho foi o destino quem mo deu deixem-me Ser pelo caminho longe desse nome que é meu!

⁠Viagem - A vida é uma viagem Um retorno sem imagem
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⁠Viagem - A vida é uma viagem Um retorno sem imagem Nos espelhos do destino, É um grito sem amarras Um poema sem palavras Que vivemos no caminho. O que trago ou não trago O que canto e dou ao fado Só eu sei o quanto dói, Ver nos olhos de toda a gente O silêncio de quem sente O quanto a vida nos destrói. Visto noites e cansaços No meu corpo, nos teus braços Na distância, o teu olhar, Roda a roda do destino Acendo velas no caminho Numa pressa de te amar. Só há Fado e solidão Esta dor e um coração Nos meus olhos a bailar, E no céu da minha noite Já nem há onde me acoite Tanta estrela sem brilhar.

⁠Tremores - E eis que na solidão da praia deserta Caem águas do meu triste olhar,
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⁠Tremores - E eis que na solidão da praia deserta Caem águas do meu triste olhar, Mas essa água que me aperta Não é menos que as águas do mar. Não me lembro de existir dentro de mim Algo maior que a palavra solidão, Algo mais seco que a amargura d'um jardim Plantado junto aos portais do coração. Há uma noite enleada aos desejos de cada um, Um grito, uma metáfora de saudade, Uma vontade de comer que é jejum Que a trazemos desde o berço por piedade. E o que ser para além d'um silêncio sem destino?! Um planeta sem elipse, uma curva, Uma pedra só, pisada no caminho, Um punhal numa fonte de água pura!