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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠Ditados - Quando a vida está cansada dá-lhe espaço p'ra te ver
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⁠Ditados - Quando a vida está cansada dá-lhe espaço p'ra te ver que ela mostra nova estrada p'ra que a possas entender. E deixa que ela escute o teu grito de saudade não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe. E porque a vida não se aninha nem se dá a quem não espera por morrer uma andorinha não acaba a Primavera. E há sempre uma quimera que nos tira a confiança quem espera desespera quem espera sempre alcança. Tantas bocas que antevêem mentindo a toda a gente mas olhos que não vêem coração que não sente. Na verdade a compaixão é água mole em pedra dura mas com Amor no coração tanto bate até que fura. Sobre a vida derramadas tantas culpas que sentimos mas as águas passadas já não movem os moinhos. E quem só vive em solidão é seco e não tem trilhos mas quem se dá ao coração tem nos filhos os cadilhos. Quem toma o que não é dele é um cego sem saber mas pior cego é aquele que não vê e não quer ver.

⁠Portas do Mundo - Porque se fecham para mim todas as portas do Mundo?!
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⁠Portas do Mundo - Porque se fecham para mim todas as portas do Mundo?! Por que trago estas dores sem fim e, na voz, um grito profundo ... E porque me dão amarguras todos os olhos que encontro?! Por que as palavras impuras, habitam tristes, meu canto ... Porque serei um condenado desde a hora em que nasci, triste e perdido, na dor do Passado?! Por que visto um silencio maior ... Por que não importa o que perdi ... Só importa encontrar o Amor ...

⁠Detalhes - Naquela casa ao fundo vim à vida como sou
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⁠Detalhes - Naquela casa ao fundo vim à vida como sou e lá morreu o meu avô num silencio profundo. Alta noite em solidão passa a vida em sopro lento passo eu e passa o tempo só não passa o coração. Faz doer lembrar que a morte nos deixa secos e tão sós naquela casa , por sorte, sempre lembro os meus avós. E quando um dia eu partir não me chorem por favor já me basta toda a dor de ter vivido sem sorrir.

⁠Só Isto - Será que vim ao mundo p'ra ser só isto?! Um filho do vazio sem tecto nem chão ...
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⁠Só Isto - Será que vim ao mundo p'ra ser só isto?! Um filho do vazio sem tecto nem chão ... Ser confuso sem saber se resisto até que a morte me queira dar a mão! Será que vim ao mundo p'ra ser só isto?! Alguém que nada tem e nada é ... Pois sigo o meu caminho e persisto embora tenha mais cansaço e menos Fé! Será que vim ao mundo p'ra ser só isto?! Este tormento inútil e infinito de soluços que tenho por castigo?! E nada pode ser o meu abrigo! Ninguém consegue ouvir o quanto grito! Será que vim ao mundo p'ra ser só isto?!

⁠Um Pouco de mim - Minha vida nunca foi um mar de rosas onde o rio dos meus cansaços pudesse desaguar,
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⁠Um Pouco de mim - Minha vida nunca foi um mar de rosas onde o rio dos meus cansaços pudesse desaguar, mas sim, um vendaval de ondas furiosas, onde, no mar alto, só vi sonhos naufragar! E nunca estive à mesa onde se come, nunca fui capaz de ter ou dar amor, nunca fui à cama onde se dorme, nem senti o balsamo de uma flor! Que inferno colossal o destino me entregou! Pobre vagabundo com roupas de jasmim que alicerça nos poemas a revolta que o gerou ... E levo aos ombros o peso desse desdém ... Nos versos d'Alguém, há sempre um pouco de mim, pois o que sou e não sou, tantos foram também!

⁠Auto do desencontro - Quando o meu amor chegar, se chegar e eu já tiver morrido,
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⁠Auto do desencontro - Quando o meu amor chegar, se chegar e eu já tiver morrido, esse alguém há-de amar como se eu nunca tivesse existido! Que talvez nem por mim sofra! E como poderá sofrer se chegar e eu já tiver partido?! Destinado a encontrar tudo vazio ... ... de mim ... sem mim ... Absorto! Alguém sem rosto, cujo corpo, é morto! Na verdade alegro-me por sentir que a minha morte não traz pena! Se eu morresse agora e soubesse que chegavas amanhã, partia sem demora, só por saber que chegarias e que meus versos se cumpriam! Hoje morreria ... Tu chegavas depois de hoje ... Depois de amanhã nada acontecia ... Tudo estático, igual, como sempre, como dantes. Ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah ... Deixem-me rir desta sequência ... Ela foi a minha vida ... nua e crua ... Para mim sempre se fez gente ... Sempre se fez rua ... Alguém bate à minha porta ... Que faço?! Acabo os versos?! Abro a porta?! Ou adormeço simplesmente?! Se acabar os versos quem bate à porta pode partir ... Se abro a porta quem sabe o que será?! O tal Amor? A Morte? ... Se for amor, não acabo os versos e a´ minh'Alma não se cumpre! Se for a Morte, os versos serão cumpridos mas p'ra sempre inacabados ... Que faço?! Que faço?! Alguém abriu a porta ... Vou voltar-me para trás. Se for o vento terminarei os versos e o meu ser estará completo. Se não os acabar sabereis que encontrei o tal amor ou a Morte, a Morte, a Morte ...

⁠Hora de Revolta - Mais um dia igual aos outros ... Passa o tempo e nada traz ...
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⁠Hora de Revolta - Mais um dia igual aos outros ... Passa o tempo e nada traz ... Sinto que vivo entre loucos ... E que a vida nada mais me dá! E o porquê de tanta crueldade? Olhos miseráveis sem compaixão pejados de vazio e de maldade que vestiram no meu corpo a solidão! Porquê?! Porquê?! Porquê?! Malditos sejam eles e as suas descendências! Hão-de pela vida comer meus gritos! Hão-de tristemente enlouquecer como praga que os consome em ardências, e eu, vivo ou morto, hei-de ver ...

⁠O Amor é ... O amor é como a água que corre sem parar
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⁠O Amor é ... O amor é como a água que corre sem parar num caudal de solidão no pulsar de um coração para as águas do mar. O amor é como a vida que se dá de par em par que por vezes é paixão outras tantas ilusão de nossos olhos a chorar. O amor é como a rua onde passa quem passar onde chega quem partiu d'onde parte quem sentiu tanta dor no seu olhar. O amor é como as rosas nas margens do cansaço umas vezes entre flores outras tantas entre dores no leito ou no regaço. O amor é como a morte vem de longe num rumor à procura d'um Poeta que fala, que confessa tanta coisa sem pudor. Afinal o que é o Amor?! ... É uma coisa inacabada que alegra e magoa que nos deixa ir à toa à deriva pela estrada.

⁠Ninguém me diga nada - Hoje venho aqui falar da minha mágoa ... Da ânsia que me esventra e consome ...
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⁠Ninguém me diga nada - Hoje venho aqui falar da minha mágoa ... Da ânsia que me esventra e consome ... Ninguém me diga nada! Ninguém a queira entender, porque nem eu, tampouco, lhe dei nome ... Esta amargura de onde vem?! Não sei! ... Mágoa, vazio, solidão ... Talvez uma euforia a que me dei ... Dor e agonia de um pobre coração - sem chão! Porque habita ela em mim se a desconheço?!... Talvez seja o principio de um amor, ou talvez, novamente, a revolta de ter nascido! A tristeza de me ver perdido, num corpo que passa, num mundo que em nada, por nada, me abraça! ... Pode ser tudo e pode se nada! Por isso afirmo mas não juro! ... Viver assim é tudo da vida quanto sei . E se nada mais me é dado saber, resigno e não insisto. E não me questionem!!! Deixem-me fazer o meu papel de louco ... Não fui nada! Não sou nada! Nunca serei nada! Porem, muito me agrada ser, nesta angústia de ser tão pouco ...

⁠Pedido de Amor - Dá-me os teus olhos profundos que eu dou-te os meus em troca
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⁠Pedido de Amor - Dá-me os teus olhos profundos que eu dou-te os meus em troca como os teus não tem o mundo nem mesmo um santo de roca. Quando estamos separados passa a vida, passa o tempo e meus olhos magoados duas pombas ao relento. E deixa tudo se apagar até meus sonhos vencidos lá dentro do teu olhar estão os meus olhos perdidos. Quando um dia eu partir não me chores por favor ter vivido sem sorrir já bem basta meu amor.

⁠Ai - Ai esta insatisfação que me habita ai esta angustia que me come
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⁠Ai - Ai esta insatisfação que me habita ai esta angustia que me come ai esta amargura que se agita, no meu peito, sem nome! Ai esta loucura que eu visto cheia de escárnio e solidão, ai este não-sei-se-resisto à dor que me esventra sem razão! Ai esta mentira que eu vivo, ai este pecado que eu sou, um pobre coitado, vencido ... Que vive a vida escondido, perdido e calado, despido, pois a esperança na vida, voou!

⁠Olhos de Silêncio - Nos meus olhos de silencio há dois ecos de saudade
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⁠Olhos de Silêncio - Nos meus olhos de silencio há dois ecos de saudade dois martírios consagrados pelo peso da idade ... Nos meus dedos levo a culpa dos amores que não toquei e se a culpa me matasse, estava morto, eu bem sei ... E porque fomos mal-amados, nunca fomos bons amores, só Poetas ilibados ... Mas "ser Poeta é ser mais alto!" É ser dono das minhas dores quando aos versos nunca falto!

⁠Pedido - Dá-me um pouco de amor que o silencio já não basta
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⁠Pedido - Dá-me um pouco de amor que o silencio já não basta leva tudo, leva a dor por onde a vida me arrasta. Dá-me um pouco de Lua que a noite não é minha a culpa não é tua perdi a Alma que tinha. Dá-me um pouco de vida porque a morte vai chegar levará, de mim, perdida, a luz do meu olhar. Dá-me um pouco de paz ó Senhor da Cruz de pau pois de mim o que será se o meu caminho for mau! Dá-me um pouco de esperança p'ra vencer a solidão que me tira a confiança e me afunda o coração. Ó Senhor dos meus cansaços ó Senhor do meu Destino toma sempre nos teus braços cada passo do caminho.

⁠Àquela quina - Àquela quina da cidade onde a mágoa se alevanta
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⁠Àquela quina - Àquela quina da cidade onde a mágoa se alevanta moro eu, mora a saudade e também Florbela Espanca. É o nome da Praceta ali de fronte à minha casa que um dia foi eleita pelo nome que hoje abraça. E porque escuto a condenada que tanto fala na Praceta?! Tantos versos pela estrada. Uma voz que não se deita.

⁠Vejo no teu rosto - Hoje vejo no teu rosto tanto tempo que passou
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⁠Vejo no teu rosto - Hoje vejo no teu rosto tanto tempo que passou tanta vida que viveste tanta esperança que secou! Hoje vejo nos teus olhos tanta raiva do passado tantas culpas que carregas e convivem lado a lado! E quanta Morte; quanta Vida nos habitam sem piedade nesta loucura sentida! Mas como o sonho é maior, a solidão e a saudade dão lugar ao nosso amor!

⁠Fui - Fui de cansaço em cansaço de solidão em solidão
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⁠Fui - Fui de cansaço em cansaço de solidão em solidão nem a esperança de um abraço só vazio no coração. Fui de poema em poema de loucura em loucura na verdade que o tema sempre foi amargura. Fui de boca em boca procurando um coração e só a loucura mais louca levei triste na mão. Fui alguém que ninguém viu uma Alma ressentida fui um preso que fugiu das amarras da vida.

⁠Convento da Orada - Em plena planície Alentejana há um edifício antigo que se ergue.
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⁠Convento da Orada - Em plena planície Alentejana há um edifício antigo que se ergue. A paz que da fachada ele emana não deixa indiferente quem lá segue. Há nele um aroma místico de paz que atravessa a nossa caminhada, nas várzeas da solitária Monsaraz alevantasse o Convento da Orada. Intimo, extenso, pesado mas profundo ... No seu silencio escutam-se as vozes de mil frades perdidos pelo mundo. E passa o tempo, a vaidade, a solidão, só não passam os olhos tristes e ferozes de D. Nuno, junto à cruz, em oração.

⁠Inter - Mundos - Inter-Mundos vivem corpos peregrinos da esperança
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⁠Inter - Mundos - Inter-Mundos vivem corpos peregrinos da esperança alguns vivem como mortos outros ganham confiança. Outros tantos não se lembram que o silencio é o caminho e talvez até se esqueçam de encontrar outro destino. Na verdade não me lembro quando a vida me deu vida do destino me dar tempo de encontrar a Fé perdida. E porque a morte chega tarde quando os gritos são profundos tanta gente com saudade que vive triste Inter-Mundos.

⁠Antes de Nascer - Foi tudo um sonho desfeito que passou na minha vida
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⁠Antes de Nascer - Foi tudo um sonho desfeito que passou na minha vida e erguendo as mãos ao peito adormecido no leito nem uma esperança em mim havia! E vivi tanta mentira sobre a luz de um triste corpo pois a vida tudo tira e nunca mais ninguém me vira esperando alguém naquele Porto! Aconteceu sem esperarmos aconteceu sem acontecer tudo parou ao pararmos passou tudo sem passarmos morremos antes de nascer!

⁠Um ser errante - Naquela Janela de fronte há uma vida aprisionada
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⁠Um ser errante - Naquela Janela de fronte há uma vida aprisionada sem vontade nem horizonte de voltar a ser amada! Na verdade um Ser errante alguém por trás de uma prisão que entre as grades delirante já não pensa em salvação! E em que mais pensa aquele ser, naquela Janela de fronte, que ao fim do dia posso ver?!... Não pensa mais do que penso eu que em liberdade constante me sinto preso neste breu! ...

⁠Até Quando - Vou beber da tua boca ai amor que timidez
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⁠Até Quando - Vou beber da tua boca ai amor que timidez e que loucura tão louca saber que a vida é tão pouca para te amar outra vez. Vou beber do teu silêncio vou bebe-lo à tua voz e que verdade tão pura acreditar na loucura d'um dia a menos tão só. Meu amor dos olhos negros que te afastas como a sorte leva a tristeza que tenho que trago em mim e sustenho tal qual o medo da morte. E levo aos ombros um tormento que me arrasta pelo chão não ter outro pensamento não ser mais que este lamento que dá meu corpo à solidão. Ai amor o meu olhar tão longe do teu porto passa a vida a procurar e quantas horas a chorar só pensando no teu rosto. Há tantas dores naufragadas que ninguém pode aconchegar tantas lágrimas cansadas tanta gente abandonada que está no fundo do mar.

⁠À Mesa da Vida - Hoje comi cansaços à mesa da vida bebi silêncios de folha caída
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⁠À Mesa da Vida - Hoje comi cansaços à mesa da vida bebi silêncios de folha caída esperei um amor que afinal já não vem! Ontem a minha infância que triste memória parecia distante, tão longe essa história mas sinto-me só, dos seus olhos refém! Trago no coração tanta mágoa perdida trago a minh'Alma à mesa da vida não vejo o caminho, não tenho ninguém! Ai os meus sonhos são tristes e vagos folhas caídas à margem dos lagos o vento as levou e a vida também!

⁠Retaguarda - E há dilemas que habitam o vazio há vontades no corpo dos passantes
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⁠Retaguarda - E há dilemas que habitam o vazio há vontades no corpo dos passantes há verdades que sentimos como frio e mentiras que nos fazem ser errantes! Há desejos que nos ocultam cada culpa induções que a poesia tanto aguarda cada dor que nasce de uma luta é um verso que está na retaguarda! E tudo o que há em mim vem da poesia da fome que o meu corpo me trazia na vontade d'ir além do que é doer! E há em nós uma ingente melancolia talvez um cansaço que pesa o dia-a-dia na indomável loucura que é viver!