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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠Por Semear - Aqui estou! Tombado e inútil
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⁠Por Semear - Aqui estou! Tombado e inútil ao relento dos meus dias ... Perdido e vazio sobre as águas da vida às margens de um rio que o destino me deu! Estou seco! Sem nada! Não tenho sequer o abraço de um silencio ou o beijo d'uma esperança ... Eu sou esse Porto por achar, essa vida por viver, essa terra por semear!

⁠Amor por caridade - Se o teu amor, por caridade, me dás, deixa estar, não o quero em mim a palpitar,
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⁠Amor por caridade - Se o teu amor, por caridade, me dás, deixa estar, não o quero em mim a palpitar, não quero sobras do que fica com quem estás, antes só, do que ter de ti o que sobrar! E já não há lágrimas nos meus olhos excessivamente abertos! Eles bem te seguem! Dás a tantos, teu amor aos molhos, e a mim, só os restos que não querem! Amor por caridade não tolero, pois há muito quem me queira por aí, simplesmente, por ti, sou eu que os não quero. Que te fique na alembrança o que te dei, tantos versos deste amor que te escrevi e que ao fogo da revolta entreguei.

⁠Sem resposta - Porque trago um coração com vontade de parar?!
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⁠Sem resposta - Porque trago um coração com vontade de parar?! Porque trago a solidão dos meus dedos a pingar?! Porque trago no destino tantos fados p'ra cantar?! Tantas pedras no caminho como dores p'ra chorar?! Porque sinto esta agonia como sendo o próprio frio?! Esta noite que é meu dia nas margens do vazio?! Estou cansado de estar só d'ir aos tombos pela vida digo adeus calando a voz só me resta a despedida!

⁠Deambulatório - Às vezes a Vida parece ingrata porque nada acontece
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⁠Deambulatório - Às vezes a Vida parece ingrata porque nada acontece e em tudo se esbarra na inutilidade de existir ... E o vento grita de noite, a cada esquina, a cada canto, e a noite, calada, vagueia, negra, vazia, intacta, nua ... E a mágoa é como um vicio, doença terminal que nos destrói, e há sombras, muitas, tantas que procuram, chorando, por mim ... E a rua?! Por quem espera aquela rua do principio até ao fim?!... Nela ... nada acontece ...

⁠Asa Quebrada - Sou um pássaro ferido num voo de asa quebrada
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⁠Asa Quebrada - Sou um pássaro ferido num voo de asa quebrada sou um filho esquecido numa casa abandonada. Sou andorinha sem ninho que se perdeu da Primavera passageiro sem destino que da Vida nada espera. Ai de mim que estendo a mão numa agonia profunda ao embalar a solidão num barco que se inunda. E o que fica não sou eu nem tampouco o que escrevi fica a dor que Deus me deu do que sonhei e não vivi.

⁠Olá, Adeus - Foi tão bom encontrar-te e tão triste esse momento,
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⁠Olá, Adeus - Foi tão bom encontrar-te e tão triste esse momento, foste embora mal chegaste olá, adeus ao mesmo tempo! Ao chegares, mal te vi, já dizias, vou partir, nem sei bem o que senti não te podia impedir! E o meu coração parou e tudo parou também alguém partiu e não voltou daquelas bandas de além! E de nós dois o que ficou? Só a dor desse tormento! O meu coração parou parou tudo ao mesmo tempo!

⁠Rosas e Luar - Nestes dias esquecidos e calados em que os olhos parecem não falar
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⁠Rosas e Luar - Nestes dias esquecidos e calados em que os olhos parecem não falar neste tempo de silêncios magoados trago fome de Rosas e Luar. Nestas horas vestidas de saudade em que se ouve tanta gente a soluçar trago cinzas cobertas d'ansiedade e tanta fome de Rosas e Luar. Nas espáduas do destino está a esperança, em mim, só há fome de Rosas e Luar, há falta de alegria e confiança ... Já nem as pedras me suportam ao passar! Para mim não há vida nem bonança, só há fome de amor, de Rosas e Luar ...

⁠Chorar alguém - Quem morre ou vai embora eis que nunca levará
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⁠Chorar alguém - Quem morre ou vai embora eis que nunca levará a saudade de quem chora e se arrasta em vão por cá. A saudade é triste e sã porque a morte é longa e fria mas que loucura tão vã chorar alguém dia-a-dia. E já que a morte é nossa e o silencio que ela traz que a vida dê mais força a quem fica só por cá.

⁠Gente que nasce do frio - Há gente que nasce do frio como a bruma ensanguentada,
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⁠Gente que nasce do frio - Há gente que nasce do frio como a bruma ensanguentada, triste, só, dilacerada sobre as águas do Rio. Gente que nasce do nada como as ondas do mar como o vento ao tocar numa casa abandonada. Gente que nasce a chorar como as aves dos Céus como os olhos de Deus cansados de esperar. Gente que nasce perdida como alguém que ao morrer não consegue esconder quanto dói a despedida. Quando se vive e não sentiu que a dor nos dá força, o destino baloiça e mata gente de frio.

⁠Deixem Passar - Deixem sofrer quem d'amargura vai vestido, quem de sonhos vai despido, deixem passar,
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⁠Deixem Passar - Deixem sofrer quem d'amargura vai vestido, quem de sonhos vai despido, deixem passar, deixem falar quem na vida está vencido, sem mãe nem pai, como um barco a naufragar! Deixem cantar quem ao Fado deu a voz, quem tem olhos cor de medo, sem nada, no silêncio d'um destino, acompanhado e só, vivendo a vida numa casa abandonada! Deixem passar quem à mágoa deu o nome, quem plantou no coração a rosa brava, que cresce na demência que o consome! Deixem ouvir o grito das entranhas que ressoa de uma alma em vão cansada e deixem-no passar por entre as madrugadas!

⁠Em minha casa - Procuro em minha casa encontrar alguém que me oiça
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⁠Em minha casa - Procuro em minha casa encontrar alguém que me oiça pois minh'Alma não fala mas pensa tanto, tanta coisa ... E o que fala ninguém ouve o que sente também não entre uns pratos de couve só há copos de mão em mão. Tantos segredos sobre a mesa nas cadeiras lado a lado e o que dizer da sobremesa só há medo em cada prato. Não se fala! Não se entende! Foi azar ou foi engano ... É tão diferente da gente que nem parece um Ser Humano.

⁠Este Livro - Este Livro que vos deixo é de mágoas e saudade
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⁠Este Livro - Este Livro que vos deixo é de mágoas e saudade o que há em mim de sem vontade que tantas vezes está por baixo! Já não é nenhum segredo vejam bem que triste sorte nem me lembro que há a Morte nem da vida tenho medo! E às vezes ponho e minto nestes versos que me dão o que vivo mas não sinto ... Pois os versos nunca são mais que a hora que os pressinto um travo amargo a solidão ...

⁠Revelação - Um pintor pôs numa tela um lamento por adorno
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⁠Revelação - Um pintor pôs numa tela um lamento por adorno fez do mar uma aguarela na pressa de ter retorno. Um poeta pôs nos versos a saudade endiabrada mas o mar secou-lhe os beijos no frio da madrugada. Um fadista pôs no canto a mentira de um amor mas na voz ficou-lhe o pranto que fica depois da dor. Como as ondas que se enrolam do mar alto até à margem minhas dores já não pesam são no mar uma miragem.

⁠Triste Confissão - Estou cansado da loucura de um sentir que grita em vão
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⁠Triste Confissão - Estou cansado da loucura de um sentir que grita em vão no meu peito que amargura já não bate o coração. Já não pulsa o meu destino só há dor, contradição, chorem pedras do caminho que sou filho da solidão. Há tanta gente na rua procurando o que virá também eu vou de Alma nua caminhando ao Deus dará. E se um dia tu souberes que eu parti p'la barra fora chora tudo o que puderes vou sentir-te a toda a hora.

⁠Eu Nasci - Eu nasci do silencio das nortadas que se adensa pelos campos solitários,
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⁠Eu Nasci - Eu nasci do silencio das nortadas que se adensa pelos campos solitários, das tormentas, aguaceiros, trovoadas, das tristes badaladas dos velhos campanários. Eu nasci daqueles que nunca morrem mas convivem com a morte dia a dia, do silencio daqueles que não dormem, das mães que os filhos choram, da poesia. Eu nasci do Sol-Poente que desponta a cada dia, orgulhoso, sobre o mar e se deita, sempre, sobre as águas a chorar. E tanta madrugada que a Minh'Alma conta em que na demência dos sentidos me perdi, apodrecido, jaz no ventre de quem nasci.

⁠Grito na voz - A noite chega de longe e traz um grito na voz ...
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⁠Grito na voz - A noite chega de longe e traz um grito na voz ... Um lamento de onde? Vem do Rio até à Foz! E eu que vivo tão só procuro um amor profundo e oiço esse grito na voz por entre as paredes do Mundo! É um lamento constante que me parece estar só na noite, fria, distante ... E quanto dói o coração, quanto dói a nossa voz quando se veste a solidão ...

Silêncio que me abraça - ⁠Vislumbrei o teu olhar por entre dor e escuridão
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Silêncio que me abraça - ⁠Vislumbrei o teu olhar por entre dor e escuridão mas o caminho p'ro tocar só podia ser o coração. Por ali a solidão parecia não ter dono perdi de vista o coração fiquei só, ao abandono. E minha vida hoje segue como segue tanta vida ora triste, ora alegre ora aqui, ora perdida. Também segue o desespero que se aninha a quem amar e as horas que te espero custam muito a passar. Até a vida já não passa nem a morte é certeza e o silencio que me abraça é mais triste que a tristeza.

⁠Ainda Espero - Ainda espero por ti numa cama de cetim
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⁠Ainda Espero - Ainda espero por ti numa cama de cetim em lençóis de solidão, a minha esperança vazia a minha história tão fria sem Alma nem coração. Tantas rosas proibidas tantas lágrimas perdidas há na dor do meu olhar, numa cama sem ternura estão meus olhos de amargura em teus olhos a bailar. Estes versos são um grito uma saudade que agito como as ondas, mar revolto, do que fui e já não sou do que dei e já não dou são um grito, um grito solto.

⁠Amor sem nome; amor sem rosto - Um amor sem nome um amor sem rosto
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⁠Amor sem nome; amor sem rosto - Um amor sem nome um amor sem rosto chegou e levou-me o coração do corpo. Um amor sem fé um amor tão só se é verdade ou não é vou prende-lo a nó. E estar só o que é?! Condição ao nascer que vestida de fé termina ao morrer ... E o amor passou-me tão perto do corpo, um amor sem nome um amor sem rosto.

⁠Assim - Tenho sede de amor tenho fome de ti
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⁠Assim - Tenho sede de amor tenho fome de ti em meu corpo de dor os teus olhos vesti. E vesti amargura plantei-a em mim esperar-te é loucura nesta fome sem fim. E vesti o vazio como a noite que chega vou morrendo de frio esteja eu onde esteja. No meu corpo de dor na verdade senti tanta sede de amor tanta fome de ti.

⁠Precisava - Queria tanto que alguém gostasse de mim ... Esta ansiedade no meu corpo já não quero!
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⁠Precisava - Queria tanto que alguém gostasse de mim ... Esta ansiedade no meu corpo já não quero! Precisava ser amado até ao fim, pois ser poeta, nesta vida, não tolero! Precisava de um olhar no meu olhar alguém que me visse como alguém queria tanto dar silencio ao meu penar e arrancar do meu sentir tanto desdém! Dizem que sou fraude, sou mentira, que mereço ir à forca ... Pobre de quem tanta pedra me atira! Mas eu sou como a água, vem e vai, não fura a pedra pela força, mas pela persistência com que cai!

⁠Campa Vazia - Numa campa triste e fria há um corpo sepultado
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⁠Campa Vazia - Numa campa triste e fria há um corpo sepultado que já não tem poesia pela Morte naufragado. É o corpo de um Poeta já sem luz no seu olhar e uma rosa que não seca está na campa a soluçar. Tão só, abandonado, cheio de dor e solidão naquela cova parado está um pobre coração. Até os versos que escreveu não passaram d'um momento mil instantes que perdeu mal morreu o pensamento. E até o epitáfio já se foi da lousa branca e o seu corpo tão frio sem memória nem lembrança. Pois viveu no lado errado, passo a passo, dia a dia ... Estará o Poeta sepultado nesta campa triste e fria?! Diz a voz daquela gente que tal cova está vazia porque uma estrela cadente o levou da campa fria. A Luiz de Camões.

⁠Num dia de ninguém - Da vida que me deram sobrou pouco para mim
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⁠Num dia de ninguém - Da vida que me deram sobrou pouco para mim só os sonhos que não quiseram e o que resta além do fim. Tantas vidas, tantas calhas sem amor nem coração que só me deram as migalhas caídas pelo chão ... E eu sozinho nesta escola mendigando caridade fui vivendo só de esmola com destino à saudade... Mas num dia de ninguém numa triste madrugada, prometi: Serei alguém com tão pouco ou mais que nada!

⁠Espirito Cansado - No meu Espirito cansado há muito d'amargura e solidão
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⁠Espirito Cansado - No meu Espirito cansado há muito d'amargura e solidão e até aquelas horas do passado alvoroçam o meu pobre coração! E há gritos, palavras e punhais que se escutam em mim de lés-a-lés sonhos que não voltam nunca mais espinhos no caminho que ferem os meus pés. É mentira o que me diz a tua voz, a rua já não fala, a noite já não vê, e eu, aqui, sou resto, tão só, tão só. O caminho é longo e doloroso cheio de buracos e abismos, e eu, perdido, triste e ansioso ...