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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠Falso Eu - Tantas vezes, sobre os dias, distraído, sem pensar em mim, na minha dor,
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⁠Falso Eu - Tantas vezes, sobre os dias, distraído, sem pensar em mim, na minha dor, fui vivendo falsamente, ao sabor de uma alegria, convencido ... Vivendo uma vida que não era minha esquecido de que a minha era mais do que passar mais do que ir ou apenas ficar num querer que tive e já não tinha ... E menti! Não aos outros mas a mim ... E muito me dói a morte dos instantes em que, perto, me pus tão longe de mim! Como pode alguém diferente querer agradar a outros, tão iguais, mas errantes, que dizem que o não são só pra passar?! ...

⁠Desconversa - Pela vida houve alguém que me falou em ser feliz
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⁠Desconversa - Pela vida houve alguém que me falou em ser feliz mas eu disse-lhe a bem que também era um aprendiz ... Manda fora essa tristeza que puseste nos teus versos rasga a dor, a incerteza e encontra outros desejos! Nada tive p'ra dizer quem não sente o que outro sente nunca tem como entender o que vai dentro da gente. E falou! Deixei falar ... Achava velho o que ia ouvindo fui-me embora sem pensar disse adeus e fui sorrindo!

⁠Nada Aconteceu - Mais um dia que passou e nada aconteceu
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⁠Nada Aconteceu - Mais um dia que passou e nada aconteceu mais uma flor que secou e uma esperança que morreu. O que foi deixou de ser a vida é mesmo assim não há vida sem sofrer nem sofrer sem ter fim. Se contudo a dor é nossa e toda a mágoa que nela vem que haja em nós tanto de força quanta amargura ela tem. Mais um olhar que se fechou e pouco ou nada se perdeu mais um coração parou e nada aconteceu.

⁠Outro fado - Adeus gentes, minha terra adeus campos, adeus serras
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⁠Outro fado - Adeus gentes, minha terra adeus campos, adeus serras que em criança me viram; adeus versos que escrevi aos amores que não vivi adeus fados que me ouviram. Meu coração como louco sente triste, pouco a pouco que ao partir não volta mais; e no meu peito de espuma esta dor é só mais uma outra dor entre as demais. e o meu corpo feito lume já não tem quem o inunde d'ilusões, esperanças fagueiras; e entre pedras e cansaços caem penas pelo espaço como cai água das beiras. E a saudade que me amarra prende minh'Alma à guitarra numa angustia de deixar-te; e toda a história perdida e toda a vida sem vida vai nos olhos de quem parte. Ó minh'Alma onde vais?! Porque sofres tanto e mais se o destino está marcado?! Diz adeus a quem ficou diz adeus a quem passou parte em busca d'outro fado ...

⁠Outro Sonho/outro menino - Nunca gostei que de mim tivessem pena mas mentia se dissesse que não sinto
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⁠Outro Sonho/outro menino - Nunca gostei que de mim tivessem pena mas mentia se dissesse que não sinto uma alegria, ora grande ora pequena, quando me encontro só, de amor faminto! Meu caminho triste sempre o fiz por mim, de poesia embriagado, longo e frio, sempre o caminhei ferido de mim a mim no alcance de outra terra, de outro rio! Mas nunca lá cheguei! Aí onde queria ir ... E aqui onde estou só, não estou só afinal, estou comigo, mas estou prestes a desistir! É que lá no fim, onde está isso que quero, há outro Sonho, outro Menino, outro Natal, há outro Poeta, mais doce, mais sincero ...

⁠Na nossa Rua - Meu amor eu não te vi Ao passar à nossa rua
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⁠Na nossa Rua - Meu amor eu não te vi Ao passar à nossa rua Nessa rua onde eu vivi Bem me lembro, não esqueci Mas a vida continua. Dessa casa que foi branca Nada resta de nós dois Junto à porta há uma santa Um letreiro vem depois Que tristeza, não encanta. Na varanda não há flores Nem cortinas nas janelas A fachada não tem cores Nada resta, pobre dela Da casa dos meus amores. E no meu peito continua Desse tempo que abalou A saudade nua e crua Que da casa já passou Mas ficou na nossa rua.

⁠Era outro - Ah se eu pudesse não ser eu ... Acreditem ... era outro!
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⁠Era outro - Ah se eu pudesse não ser eu ... Acreditem ... era outro! Pois quem este me deu deu-me à vida jaz morto. E se estas pedras falassem se este chão tivesse boca talvez todos soubessem que a minha vida é tão pouca. E o porquê de ser assim?! Se eu fosse fariseu matava em mim este peso de ser eu ... Nem eu sou o que sou nem sou o que queria desta angustia a que me dou vou morrendo dia a dia.

⁠O melhor de mim - Sinto que o melhor de mim 'inda não veio! Mas de que horizontes há-de esse bem chegar?!
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⁠O melhor de mim - Sinto que o melhor de mim 'inda não veio! Mas de que horizontes há-de esse bem chegar?! Há magoas a bailar no vale do meu seio e tantas dores que sinto ainda aconchegar ... E é ter fome de ser alguém diferente é ter sede d'encontrar outro caminho, procurar outro destino, ir em frente, recordar as ilusões de pequenino. E é sentir uma vontade de te amar num campo de açucenas a florir que se dá, por dar, aos olhos de quem chegar. Que vontade de adormecer nesse teu seio que vontade de chorar, contigo rir ... Serás tu o melhor de mim qu'inda não veio?!

⁠Sempre Só - A Vida é um sonho tenebroso uma estrada sem destino
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⁠Sempre Só - A Vida é um sonho tenebroso uma estrada sem destino é um grito ansioso um lamento a que me dei ... E há um mistério na minh'Alma esse resto de vida que não vivi esse resto de caminho que não andei talvez nele pudesse ser feliz! Nem isso me foi dado nem a isso tive alcance sempre só, em vão, cansado talvez agora, então, descanse!

⁠Pressa - Nada é o que devia ser! E o destino tem pressa,
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⁠Pressa - Nada é o que devia ser! E o destino tem pressa, tudo passa, embora peça, terei um dia de morrer! E eu sou o que sou mas o que sou não chega e a minh'Alma vive presa por afinal ser quem sou! E quem sou eu, por meu mal, nesta pressa de saber se sou alguém afinal?! ... E se há noite no coração o que tenho eu a perder se vestir agora a solidão?! ...

⁠Amnésia Parcial - Não encontro palavras que definam o meu estar,
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⁠Amnésia Parcial - Não encontro palavras que definam o meu estar, o meu corpo sem asas sem paz nem lugar. Já não vejo o caminho que me tire daqui o meu estar é destino do sonhar me perdi. E perdi-me de mim de quando um dia nasci e já não sei, por fim, se vivi ou morri. E há palavras vazias a bailar nos meus dedos uma dor que eu não via no meu corpo de medos.

⁠Tempo sem tempo - A saudade é inocente face a toda a desgraça
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⁠Tempo sem tempo - A saudade é inocente face a toda a desgraça e a dor é permanente quando a vida a abraça ... Se tudo me foi vedado porque fica, não mingúa a lembrança, o passado que traz passos de Lua?! E o que sou porque sou nem eu sei d'onde vem onde vou porque vou nem o sei eu também! E se vos canto esta dor é p'ra que fiquem sabendo que na verdade o amor traz um Tempo sem Tempo ...

⁠Exaltação - Não sou Poeta! Nunca o quis ser ...
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⁠Exaltação - Não sou Poeta! Nunca o quis ser ... Quis antes não ter dor quis vida concreta e o que fiz foi de cor. Estudei a solidão! Matéria que não quis ... Quis tanto ter amor, afoguei o coração e dormi sobre a dor. Eu sou Poeta! Alguém quer entender?! É meu segredo ter Alma d'asceta e um pouco de medo.

⁠Ó Fadistas do Passado - Ó Fadistas do Passado venham comigo a meu lado
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⁠Ó Fadistas do Passado - Ó Fadistas do Passado venham comigo a meu lado reviver noites bairristas; a cantar à desgarrada até que seja madrugada venham daí ver as vistas! Um Fadista cantando uma Guitarra trinando assim se fez a tradição; venham comigo a meu lado ó Fadistas do Passado dar sentido à solidão! É Destino assim cantado dar a Voz ao nosso Fado não tenham medo da Fama de cantar à desgarrada até que seja Madrugada em qualquer canto de Alfama!

⁠Folhas ao Vento - Folhas caem ao vento sobre a luz do meu olhar
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⁠Folhas ao Vento - Folhas caem ao vento sobre a luz do meu olhar como a queda do tempo que me impede de sonhar! E estrelas bailam no Céu como silêncios no ar e vejo os olhos de Deus, então, espelhados no mar! Por mim chama a solidão que só leva a mau caminho e ai do pobre coração que faz dela o seu destino! Há dor e esquecimento na cama ao meu lado, folhas caídas ao vento sobre o chão do meu Passado!

⁠Pensei ter Asas - Trago um vazio talvez um frio
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⁠Pensei ter Asas - Trago um vazio talvez um frio dentro de mim um Amor Maior que sei de cor uma dor sem fim. Trago um segredo viver do medo que nos dá a vida destino ardente Fado inclemente minh'Alma ferida. REFERÃO: Pensei ter asas p'ra voar p'lo cais do Coração, mas meu voar, perdeu a confiança, pensei ter asas p'ra rasgar a solidão, mas fiquei triste e vazio, e a dor, a dor é tanta! Ando p'la rua com a Alma nua já não m'importa que toda a gente saiba o que sente uma Alma morta. Que mal profundo que neste Mundo já não me larga que no meu seio sinto e não creio que o amor é nada.

⁠Queda d'onde vim - Morri caído! Por isso nasci caído!
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⁠Queda d'onde vim - Morri caído! Por isso nasci caído! Porém, nesta queda que é a vida, serei firme como a Rocha ... Ninguém me verá cair mais do que a queda d'onde vim ... Se morri caído, renasci caído! Eu sou a queda, eu fui a queda e sempre serei a queda d'onde vim numa estrada controversa de mim a mim ... E rio, e canto, e escrevo, e grito ... ... e enlouqueço os levantados ... ... coitados! Coitados! ... Não suportam a firmeza d'um caído que da queda não se ergue, só se ri! E dizem:"Nunca vi!!! Tal coisa nunca vi!" Pois eu, entre ser assim e vós, escolho-me a mim, à minha queda e ao que dela possa vir, 'inda que seja pó. Não vos suporto, nem vos quero, nem tolero! De repente, todos arredaram, partiram sem falar ... Não faz mal! Quando alguém se vai embora é porque gente bem melhor pode chegar!

⁠Horas Caídas - Horas caídas num triste silencio gente perdida sem direcção ...
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⁠Horas Caídas - Horas caídas num triste silencio gente perdida sem direcção ... Olhar parado que rosto enfeita?! Tantos pecados de mão em mão! Quem se aninha, quem se deita numa cama sem ter pão, sente que a vida o rejeita e lhe serve, à mesa, a solidão! Tantas vezes que a fome nos parece ser maior do que a razão porque toda a gente a sofre e padece! E não deixa de sofrer, de ter razão, horas caídas num triste silencio tantos pecados de mão em mão!

⁠Mal me vejo - Mal me vejo mal me toco
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⁠Mal me vejo - Mal me vejo mal me toco mal me sinto ... O que desejo?! Teu corpo. Não minto. Não te amo não te quero mesmo assim, por ti chamo por ti espero ai de mim! E o que farei? Sem ti quem sou? De olhos tristes onde irei?! Vou? Não vou! Amor ... não viste ...

⁠Consequências sem sequência - Já fui mais novo já tive mais esperança
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⁠Consequências sem sequência - Já fui mais novo já tive mais esperança sinto-me morto e sem confiança. Restou tão pouco do que foi meu sonho que o amor d'um louco em nada o ponho. Que saudade a minha de quem fui um dia quando nada tinha quando nada via. De mim para mim o amor disponho nada sou por fim perdi-me do sonho.

⁠É Natal - É Natal e nós precisamos de Natais ... Precisamos de um mundo melhor
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⁠É Natal - É Natal e nós precisamos de Natais ... Precisamos de um mundo melhor Cheio de paz e harmonia ... É Natal e nós precisamos de Natais ... Precisamos de toda a beleza do mundo para enfeitar a vida de cada homem ... É Natal mas nós precisamos de fazer Natal, hoje, amanhã e sempre ... Feliz Natal de para todos com as bençãos de Cristo nascido a brotarem em todos os corações. E não se esqueçam ... façam o Natal acontecer onde quer que estejam, com quem quer que estejam ...

⁠Quando o sonho se Revela - Quando o sonho se revela eis que tolda o pensamento
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⁠Quando o sonho se Revela - Quando o sonho se revela eis que tolda o pensamento e lá no Céu há uma Estrela que alivia o sofrimento. Mas aquele que não sente que o sonho mata a solidão é levado na corrente de quem perde o coração. É poço sem ter água é nascente sem caudal alguém que leva a mágoa da criança sem Natal. Quem sente e nunca fala quem não fala do que sente no silêncio em que resvala, fica só, inteiramente.