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Frase de Ricardo Maria Louro

⁠Auto do desencontro - Quando o meu amor chegar, se chegar e eu já tiver morrido, esse alguém há-de amar como se eu nunca tivesse existido! Que talvez nem por mim sofra! E como poderá sofrer se chegar e eu já tiver partido?! Destinado a encontrar tudo vazio ... ... de mim ... sem mim ... Absorto! Alguém sem rosto, cujo corpo, é morto! Na verdade alegro-me por sentir que a minha morte não traz pena! Se eu morresse agora e soubesse que chegavas amanhã, partia sem demora, só por saber que chegarias e que meus versos se cumpriam! Hoje morreria ... Tu chegavas depois de hoje ... Depois de amanhã nada acontecia ... Tudo estático, igual, como sempre, como dantes. Ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah ... Deixem-me rir desta sequência ... Ela foi a minha vida ... nua e crua ... Para mim sempre se fez gente ... Sempre se fez rua ... Alguém bate à minha porta ... Que faço?! Acabo os versos?! Abro a porta?! Ou adormeço simplesmente?! Se acabar os versos quem bate à porta pode partir ... Se abro a porta quem sabe o que será?! O tal Amor? A Morte? ... Se for amor, não acabo os versos e a´ minh'Alma não se cumpre! Se for a Morte, os versos serão cumpridos mas p'ra sempre inacabados ... Que faço?! Que faço?! Alguém abriu a porta ... Vou voltar-me para trás. Se for o vento terminarei os versos e o meu ser estará completo. Se não os acabar sabereis que encontrei o tal amor ou a Morte, a Morte, a Morte ...

Ricardo Maria Louro

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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⁠CANTIGA DE ESCÁRNIO E MALDIZER: Quando as tripas te doerem Ou tiveres diarreia O XANAX, é bom saberem, Faz passar, é boa ideia! Na farmácia Malagueira A Crispina ao balcão Dá XANAX p'ra cegueira A quem vem com comixão. Aos jantares de Natal Só lá vão os coitadinhos deixa estar que não faz mal Serão sempre pobrezinhos. Um XANAX, é bom saberem Faz passar a diarreia Quando as tripas te doerem Bota-a-Baixo, é boa ideia.

⁠Nome que é meu - Nada no mundo me prende perdi-me no sofrimento
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⁠Nome que é meu - Nada no mundo me prende perdi-me no sofrimento e quanto dói dentro da gente não saber dar tempo ao tempo! Sou como a folha caída que se perdeu do mundo inteiro sou como a flor esquecida em manhã de nevoeiro! A tristeza que me abraça dá mais voz à minha fome sou como tudo o que passa não me chamem pelo nome! Porque esse nome sem carinho foi o destino quem mo deu deixem-me Ser pelo caminho longe desse nome que é meu!

⁠Viagem - A vida é uma viagem Um retorno sem imagem
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⁠Viagem - A vida é uma viagem Um retorno sem imagem Nos espelhos do destino, É um grito sem amarras Um poema sem palavras Que vivemos no caminho. O que trago ou não trago O que canto e dou ao fado Só eu sei o quanto dói, Ver nos olhos de toda a gente O silêncio de quem sente O quanto a vida nos destrói. Visto noites e cansaços No meu corpo, nos teus braços Na distância, o teu olhar, Roda a roda do destino Acendo velas no caminho Numa pressa de te amar. Só há Fado e solidão Esta dor e um coração Nos meus olhos a bailar, E no céu da minha noite Já nem há onde me acoite Tanta estrela sem brilhar.

⁠Tremores - E eis que na solidão da praia deserta Caem águas do meu triste olhar,
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⁠Tremores - E eis que na solidão da praia deserta Caem águas do meu triste olhar, Mas essa água que me aperta Não é menos que as águas do mar. Não me lembro de existir dentro de mim Algo maior que a palavra solidão, Algo mais seco que a amargura d'um jardim Plantado junto aos portais do coração. Há uma noite enleada aos desejos de cada um, Um grito, uma metáfora de saudade, Uma vontade de comer que é jejum Que a trazemos desde o berço por piedade. E o que ser para além d'um silêncio sem destino?! Um planeta sem elipse, uma curva, Uma pedra só, pisada no caminho, Um punhal numa fonte de água pura!