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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠Mágoas Intimas - Quando recordo a mocidade,
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⁠Mágoas Intimas - Quando recordo a mocidade, vem-me à lembrança, aquela triste criança de tenra idade no tempo da infância! E recordo o sonho que me jazia numa única ganância. Ver-me ao longe, bem distante daquela infância! Gritos que soltei em desajustes tão crueis, coisas que passaram em casas que desabei! Tantos sonhos, tanta gente em mim matei! Mas matei!!! Juntei as mãos e rezei! Foi assim que suportei! Pobre criança!!! Acreditei! Senti-me folha-de-pael, não-escrito, em branco, sem linhas, proscrito ... Fui poema inacabado, passaro ferido, morto, desgarrado! Sem tino nem destino! Coração perdido, sangrado, rosto escondido, marcado! Ser distante, infeliz, magoado ... Fantasma triste, vindo do passado! Arcanjo sem asas, depenado! Passaro caido, alado! Mas houve um dia que vooei! Fui p'ra lá daquela infância, daquela mocidade, e hoje, já não sou a pobre criança que outrora sofreu a dor daquela idade ... E essa gente, Seres tão castos, ainda mente! É gente que ressente e permanece, fria e austera, perto e distante ... Coitados!!! Coitados!!!

⁠Solidão a dois - Perto de Ti são frios e espinhosos os caminhos, longe de Ti as roseiras mansas não dão Rosas,
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⁠Solidão a dois - Perto de Ti são frios e espinhosos os caminhos, longe de Ti as roseiras mansas não dão Rosas, porém, juntas, nossas bocas silenciosas, são como pássaros erráticos sem ninhos ... Vejo um cão, perdido, triste, abandonado e só! "- Cão vadio vem que te faça uma festa, já que somos desta raça - que dó - ser vadio é o que nos resta ..." E que dor tão funda no meu peito! Solidão-a-dois que nos ultrapassa, juntos e tão sós, tudo desfeito ... E sinto que há em mim algo que morre! Do Amor que nos foge, nada fica, tudo passa ... Adormece Solidão, que o Tempo corre ...

⁠Quadra Ausente - Ausente e triste perdido se ressente! Assente-se perdido, ausente e triste!
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⁠Quadra Ausente - Ausente e triste perdido se ressente! Assente-se perdido, ausente e triste! E porque se assente tão ausente?! Ausente e triste assente-se perdido ... ...........triste ...................... e............................ausente.... .....perdido............................ ..................se......ressente...... E não é de ninguém! Infinita solidão ... Ninguém lhe é ou pertencera! Só quer Amar! Triste contradição ... Ninguém o quer! Não há perdão! Queimou na vela, derreteu na cera, quadra ausente na cinza do chão!

⁠Sonho Desmentido - E porque cheguei
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⁠Sonho Desmentido - E porque cheguei de parte alguma, deitei-me e adormeci! Imaginei que o amanhã era possível e entrei num Mundo etéreo e invisível! Por lá deambulei, austero e incompleto! Um sonhador ... ... O que procurava ... ... não sei! Mas era tudo tão real ... ...tão falsamente verdade ... ... como tu! Estranho odor a fantasia! Tu e Eu! Um sonho desmentido! Uma promessa inacabada! Um Nós tão iludido, um Eu tão manchado, um Só tão perdido ... E despertei! O dia, real e verdadeiro, finalmente acontecia!

⁠Lord - Nossos olhos se cruzaram pelas ruas do Chiado em horas de temor
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⁠Lord - Nossos olhos se cruzaram pelas ruas do Chiado em horas de temor e em nossos Corações logo soçobrou a expectativa d'um Amor! Foi entre gentios que o nosso encontro brotou! ... e ficamos a sós! Alvo, esguio, sereno, trazia charme nas mãos! - um Lord - Vivia nas recepções da embaixada entre a Corte e a Diplomacia mas era uma Alma atormentada, quando só, tão só, se revia! Culto, fino, bem-talhado, mas só, tão só, se sentia! Dizia! Mas quem acreditaria, ante aquele encanto, que o Cônsul do Consulado vive-se num pranto sem Amar nem ser amado?! Depois de horas de Mistério, olhares, ternuras e abraços, num imenso desidério, o Cônsul do Consulado, saiu à pressa, muito sério ... "- Até breve! Em breve regresso …" Telefonou! " -Perdão, mas tenho que voltar àquele que me deixou! Tenho que tentar ... Teria sido para Nós um bom começo! Adeus ..." E não voltou! Era o que temia! Alguém a quem amava mas que junto a mim não existia! Tudo desfeito! Conta errada! Eu de novo sem expectativa, ele de volta à Embaixada!

⁠Maria da Graça - Nos longos madrigais destes campos do Alentejo
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⁠Maria da Graça - Nos longos madrigais destes campos do Alentejo andam moças aos Ais de-desejo-em-desejo ... Campos de trigo, campos de seiva, plantados com suor por esta gente! Que a Senhora da Orada lhos proteja, hoje aqui e para sempre ... E no Outeiro da saudade, junto à Monsaraz do Coração, há hortas, campos de piedade, vinhedos, imersos em solidão! E ouve-se ao longe, no Outeiro, uma canção! É uma jovem com ternura e encanto que canta e encanta a ilusão ao ponto de calar até o pranto! Agita-se-lhe o canto na garganta, sai-lhe pela boca graciosa, e toda a gente se espanta ao ouvi-la cantar tão formosa... Seus olhos quando chora, sua boca quando ri, são graciosas auroras, pedras preciosas: esmeraldas e rubis. E quando feliz ela passa pela porta das gentes, chamam-na: "- Maria da Graça! Canta lá o que sentes ..." Que Graça, que encanto, que ternura levava a Maria no Coração, qu'inda hoje, na memória, perdura, a jovem Graça e a sua canção ... (À graça, à ternura e ao encanto, da sempre jovem, Maria da Graça, minha Mãe .)

⁠Louros e Acácias - Porque regressas tu assim, tolhido e sem pressas?!
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⁠Louros e Acácias - Porque regressas tu assim, tolhido e sem pressas?! Choram-me os olhos adentro aos teus ... Que entre a Vida e eu há já o costume d'um altar em preces absorvido, esquecido, perdido - - na insistência dos dias, na persistência das horas, frente a tua ausência que tornou, mas que agora, ao voltar, foi-se-me à Vida que matou! E sem ti, e sem mim, mormente o tempo passe, que minh'Alma se resgate, e que Louros e acácias, como frias-sentinelas em sacadas de solidão, adornem o altar da capela do meu triste e pobre coração!

⁠Hoje - E hoje?! Que se passa hoje em meu Coração?!
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⁠Hoje - E hoje?! Que se passa hoje em meu Coração?! Amanheceu o dia e a noite cobre-me ainda! Estranha solidão que me aglutina os sentidos, - dia turvo e vazio! E onde estou?! Onde?! Onde fiquei?! ... Ó Senhor que me não vem a menor consolação de Ti ... Porque me tens tão esquecido?! Tão cego e possuído ...

Na Poeira dos dias que me deste - ⁠Ferido d'angustia, ajoeilhei Senhor, na poeira dos dias que me deste ...
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Na Poeira dos dias que me deste - ⁠Ferido d'angustia, ajoeilhei Senhor, na poeira dos dias que me deste ... Rasguei um longo olhar sobre o Passado, mas vi-te, ó Deus, sempre a meu lado! Inda quando louco não te amei! Ferido d'angustias, caí na poeira dos dias que me deste ... mas ergui-me ... e segui-te! E agora! Quem sou? Dize-me Senhor - dize-me! Eis-me na dor, por vezes, ainda ... - tombado e inutil, verdadeiro e igual, ferido d'angustia na poeira dos dias que me deste! -

⁠Intima Impotência: diálogo - "- Onde foste Ricardo?" - Fui ali pedir a Deus
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⁠Intima Impotência: diálogo - "- Onde foste Ricardo?" - Fui ali pedir a Deus que me deixasse morrer! ... "- E porque vens tão triste?!!" - Porque Deus me disse que tenho que viver ... "- E isso é mau?!" - Não! É triste ... perturbador... "- Porquê?!" - Porque para mim, nesta dor, viver é morrer e morrer é viver ... "- Ó Poeta, sempre tão confuso, sempre a sofrer ..."

⁠A Vida de meus olhos vai morrendo - Tanto Amor que fica por viver: - abraços por dar, corpos por sentir,
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⁠A Vida de meus olhos vai morrendo - Tanto Amor que fica por viver: - abraços por dar, corpos por sentir, corações por palpitar ... E A VIDA DE MEUS OLHOS VAI MORRENDO! Rubras manhãs futuras por chegar, gritos renovados e floridos, intimos, contidos, por Primaveras a chegar ... E A VIDA DE MEUS OLHOS VAI MORRENDO! Tanto caminho por andar em calha de Terra Prometida, tantas aves a debandar ... E A VIDA DE MEUS OLHOS VAI MORRENDO! Mares sem fim por nevegar, paisagens olvidas, ocultas, montes rios e vales por sentir,viver, tocar ... E A VIDA DE MEUS OLHOS VAI MORRENDO! Tanto silêncio em minha Alma em horas de calar e de sofrer, amargura sem Esperança nem chama ... E A VIDA DE MEUS OLHOS VAI MORRENDO! É o medo das palavras recolhidas que espera o amanhecer de cada dia numa alegria tão fingida ... E A VIDA DE MEUS OLHOS VAI MORRENDO! Tanta presença por acontecer no meu intimo cenário! E quanta pressa em sofrer nos passos da partida que se adensam quando a ultima jornada já se vê ... ... PORQUE A VIDA DE MEUS OLHOS VAI MORRER!

⁠Hemisfério - Só! Assim
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⁠Hemisfério - Só! Assim me vejo além-de-mim... Tão só! Assim me sei neste hemisfério sem fim... E o Amor, esse, nunca o encontrei! E tanto que o esperei! Ai de quem chora, p'la Vida fora, o desamor, de quem, não sei ... E o Coração que lhe dei, deixou meu corpo frio, sem calor! E p'la solidão do Amor, eu sinto que estou morto, pálido, sem cor, vazio, distante, que voo, além- -da- -dor ...

⁠Elegia a Nós - Eu sou esse espaço
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⁠Elegia a Nós - Eu sou esse espaço onde ninguém pode habitar. Sou essa Vida que ninguém pode viver. Sou esse Fado que ninguém pode cantar. Sou aquele que ninguém pode entender! Eu sou alguém que ninguém pode tocar. Esse que apenas será livre à hora de morrer ... E tu! Sempre tão tu! A quem ninguém vê mas sente! E onde nos perdemos?! Onde?! Ai de nós, neste desencontro, permanente, que morremos, que morremos ...

⁠Sinto Ciúme - Sinto ciúme das negras nuvens a passar
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⁠Sinto Ciúme - Sinto ciúme das negras nuvens a passar das gaivotas a voar dos corações dos amantes e das ondas do mar ... Sinto ciúme da noite que chega da morte que nos leva da Vida que nos beija dos lagos, dos prados e da erva ... Sinto ciúme do nevoeiro que nos cobre do dia que amanhece da Terra que sepulta da minh'Alma que perece ... Sinto ciúme! Eterno ciúme! Pena negra na aza alvissima do Amor, olhos cegos, sem cor, corpo frio, sem calor! Sinto ciúme - ciúme de ti - meu amor! - meu Amor!

⁠Carta à Mãe ( sobre o cancro) - Estou diante de um velho espelho e vejo a minha imagem turva. Estou sozinha mas viva, e isso vale por mil companhias. Lá no fundo brilha uma esperança de futuro, de vida, de cura, ainda que vaga … o que não apaga tudo aquilo que vivi e senti. Ago…
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⁠Carta à Mãe ( sobre o cancro) - Estou diante de um velho espelho e vejo a minha imagem turva. Estou sozinha mas viva, e isso vale por mil companhias. Lá no fundo brilha uma esperança de futuro, de vida, de cura, ainda que vaga … o que não apaga tudo aquilo que vivi e senti. Agora quero acreditar em Deus, sinto que mereço acreditar nele e no seu poder de Equilíbrio … porque acreditar em Deus é acreditar na Vida. Vida que ainda sinto, que ainda respiro, que ainda me habita. Vida que nunca ninguém em tempo algum me poderá tirar … agora Sei! Agora Sinto-o! O cancro é um mal que entra no corpo sem se dar por ele. É um estranho negro que começa a viver lá, a virar a nova casa em que habita contra si mesma. Esta é a fatalidade do cancro. Ele começa por ser um invasor mas torna-se uno com o invadido forçando-nos a destrui-lo. Destruição que nos destrói, dor que gera dor, fim que nos aniquila. É a presença do diabo! O tratamento é o exorcismo da ciência. Mãe … espero que nestes termos o Ames a ele e a mim porque os dois formamos um só. Espero que aceites este estranho que muitos conhecem mas que poucos conseguem expulsar completamente … e se ao leres isto que escrevi, a escuridão me tiver engolido, não podes pensar que fizeste pouco por nós. E apesar de sempre termos alcançado tudo juntas, este ultimo percurso tem de ser feito obrigatoriamente por mim, e só por mim. Perdoa-me o individualismo mas é assim que a Vida quer! O passado dos nossos sorrisos parece ter-se afastado, parece ter-se evadido … sinto o presente tão doloroso na Alma e no Espírito que o futuro se torna numa incógnita fatal. Que o teu Coração de mãe se acalme com a recordação do nosso Amor porque o meu está em Paz … e se eu tiver que partir mãe, nessa hora de partida, levarei impressa no meu Ser a tua Alma de Mulher. in Uma Alma de Mulher Do mesmo autor

⁠Natal ... tempo de memória - Natal. Tempo de Memória.
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⁠Natal ... tempo de memória - Natal. Tempo de Memória. Tempo de celebração. Celebração de um outro tempo, de um tempo bem antigo. Aquando d'um luminoso nascimento: Deus no seu filho que humano baixou à Terra! "... e a noite se fez dia ..." enorme acontecimento! Não é, no entanto, velado na poeira da História, encapsulado em vagos sentimentos ou preso na teia obscura da memória que o Cristo permanece. Revela-se na abundância d'uma secreta mutação, na Vibração eterna que é a Vida da Alma. É na presença subtil do nosso Templo Interior, que de novo, em cada Ser humano, o Cristo se manifestará: no intimo silêncio do Ser Interno, na Alquimia do Sangue, no Espaço do Incomunicavel ... Natal é Tempo vivo, Tempo presente ... Natal é para todos e cada um uma imensa oportunidade de Luz Maior. Natal é mais um dia de uma Eterna Revelação ...

⁠Regresso - Vem, meu Amor, estou à tua espera: meus braços abertos, serão para Ti,
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⁠Regresso - Vem, meu Amor, estou à tua espera: meus braços abertos, serão para Ti, como prados floridos que te abraçam numa doce Primavera! E surge no peito um grito, um alvoroço, surge nos montes um cantar, um beijo, um abraço de saudade que se espalha pelo ar ... Nesse momento, recordaremos o que passou, sonhos, promessas que fizemos, a distância ofegante que nos afastou! Lembra-te, meu Amor, das palavras lindas que dissemos! E seremos um Só, nova Chama, novo Fogo! Pois na Vida, tudo vem e tudo vai, só tu ficas, meu amor, meu amor ...

⁠No Enterro da minha Gente - Sou ultimo vivente d'uma infancia mal fadada
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⁠No Enterro da minha Gente - Sou ultimo vivente d'uma infancia mal fadada e recordo essa gente numa fria madrugada onde minh'alma sò se via sem nada! ... Minha vida foi diferente do que queria a minha gente! Eles nunca me entenderam... Eles nunca me sentiram... Eles não me deram nada ... E a repulsa que lhes tive, amargura que senti fez de mim estrangeiro em casa ... E o que ficou dessa ferida, nessa fria madrugada, entre a casa abandonada e a minh'alma sem nada?! Ficou a morte dessa infância no enterro da minha gente ... E alguém mais sofrerá a dor desta distancia?! Haverá alguém mais que assim sente?! Qu'importa?! Sepulto os mortos do meu sangue nessa casa abandonada. E repouso por fim em paz, nesta hora, no frio da madrugada... Eles nunca me entenderam... Eles não me deram nada ...

⁠Junto ao Horto - E é aqui, Senhor,
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⁠Junto ao Horto - E é aqui, Senhor, em horas d'agonia, horas-desespero, que encontro neste mundo o meu lugar. Junto ao Horto da angustia do vosso altar! Só aqui me vejo! Ai, Senhor, Senhor, que me sinto morto, sem Luz! E onde estás Tu, que de Ti me não vem a menor consolação?!! ... Ai, meu pobre Coração! Navega perdido, sem estio, em Eterna solidão! Senhor, perdão! Se estás aí e Te não vejo, perdão! Meus passos solitários, baços, ingremes, carregam pecados de Seres que ja fui, alados ... Mortos que não morreram em meu corpo naufragados! Angustia de Seres calados, em mim, sufocados! Desejos que d'eles desejei, indesejados ... E meu fim, Senhor, te peço, p'ra quando esse-meu fim?! Tão pedido, desejado, prometido?! Levai-me, Senhor, levai-me p'ra donde eu vim!!!

⁠Cinzas - poesia por cumprir - Quando lançarem ao mar minhas cinzas,
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⁠Cinzas - poesia por cumprir - Quando lançarem ao mar minhas cinzas, rezem uma oração! Pedaços de mim ao vento ao som d'uma canção serão lançados dum penhasco, e num imenso respirar, intimo pulsar, ficarão no espaço, entre-águas-de-solidão! E eu irei, entre nardos e ondas de nostalgia ficarei, a pairar ... E das águas mais profundas do meu ser hão-de um dia ver-me emergir, e inda que seja cinzas-entre-mar, hão-de saber-me poesia por cumprir ... Versos, meus versos, imersos em saudade - meu mal! Poemas por viver, controversos, - pó e cinza, cinza e sal!

E Anoiteceu - ⁠Há no frontispício do meu olhar a mácula d'um vazio indefinido ...
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E Anoiteceu - ⁠Há no frontispício do meu olhar a mácula d'um vazio indefinido ... E anoiteceu! Fez-se escura a minha Alma cheia de turva solidão. Longe do Céu, longe da Terra, longe de todos os sonhos nada sei do meu silêncio. Há ainda um qualquer destino por cumprir, coisas por viver, vontades por abrir. São abismos! Profundos, silenciosos ... São vales! Densos, parados ... São montanhas! Penedos que se erguem entre mim e a vida. Entre a Vida e Deus. Estou cansado! Há no frontispício do meu olhar a mácula d'um vazio indefinido ... E anoiteceu!

⁠Homenagem a Paula Ribas - Palcos de Glória - E em tempos houve um rio que me sonhou! Uma Vida que vivi …
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⁠Homenagem a Paula Ribas - Palcos de Glória - E em tempos houve um rio que me sonhou! Uma Vida que vivi … Um sonho que me criou … Que fez margem do meu corpo … Fez leito do meu Ser … E parecia Glória intangível. E os destinos se cruzaram! E os milénios se interpuseram! E vi pedras, e vi barro, olhares e descrenças ... Rasguei o ventre à solidão, e fui além … Tão mais além do que alguém foi! E correram águas, e houve medo, e houve espuma e houve espanto. Mas fui … sem nunca duvidar. Sem nunca desistir. E à força do meu canto, sobre palcos sem nome, ergui desvãos sombrios, olhares secretos, noites diferentes e dias repetidos. E fui rio, fui margem, fui amor, fui ódio, espasmos e perdões! Fui tanto … tanto … que o recordar me deixa inebriada … E tanto que perdoei! Perdi-lhe o conto … De mim nasceram filhos. Glórias! Palmas! Tributos! Tanta gente … tanta gente … E tantas pautas me gastaram … Tantas outras por gastar … Mas o palco! Os panos! As luzes! E o canto!E a minh'Alma! Tudo em mim, ainda, tão intenso! E acordaram ecos, iludiram mágoas, e corri o mundo e o mundo correu-me a mim! E dancei … dancei, rasguei palcos d'ilusão aos movimentos do meu corpo. E fui sonho - fui estepe, fui quimera - tão fundo como os mares … Levo tudo na mão sem sombra ou nostalgia … Só saudade em lânguidas tardes mornas … Por mim tudo passou ao som das águas turvas e dos ternos temporais... E os anos desfilaram, lentos e absortos ante ruínas repetidas, mas nunca desisti! Nunca! E recordo o silêncio que então se fez. A beleza tombada das estátuas rodeadas de gardenias. Meu corpo! Meu corpo! Corri o pano! Calei as pautas! Mas não parei … renasci … fui de novo … em frente … Meu rio continuou … Em busca de outros horizontes... Nova aurora … novo amanhecer... Em busca d'outros mares … Novas margens … novo leito … Afinal, Eu sei quem sou! A que fui! A que serei! Por onde vou? Não sei! Sei que vou … que irei … Além … sempre mais além ...