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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠Foi assim que nasceu - Tão estranho sentir o que sinto desde quando te vi Mas o amor sempre chega quando a gente não espera
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⁠Foi assim que nasceu - Tão estranho sentir o que sinto desde quando te vi Mas o amor sempre chega quando a gente não espera Talvez seja a vontade de amar que um dia perdi Quem sabe se és tu o luar da minha quimera Foi assim que nasceu este amor que eu sinto por ti! E Vi nos teus olhos o destino que tanto pedi E tu nos meus olhos o amor que tanto esperaste Nem mar, nem silêncio, nem vendavais que vivi Não voltarei a chorar porque tu já chegaste Foi assim que nasceu este amor que eu sinto por ti!

⁠Esse amor que trouxe o vento - Esse amor que trouxe o vento Mais veloz que o pensamento
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⁠Esse amor que trouxe o vento - Esse amor que trouxe o vento Mais veloz que o pensamento Trouxe rosas ao meu leito E num mar de água salgada Fez nascer a madrugada Como um sopro no meu peito! Esse amor que trouxe o vento Fez nascer no firmamento Uma estrela ilumimada E aqueles sonhos que sonhei Aquele amor que desejei Fez-me andar por outra estrada! Esse amor que trouxe o vento É mais forte que o lamento Que a saudade ou a tristeza E ái daqueles que o não sentem Na verdade é porque mentem E só vivem na incerteza! Esse amor que trouxe o vento Fez nascer um sentimento Que nos veste o coração; Disse adeus à amargura E não sei se foi loucura Disse adeus à solidão!

⁠Naquela campa - Há um poema cansado Nas rimas do meu sofrer
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⁠Naquela campa - Há um poema cansado Nas rimas do meu sofrer Mais um momento marcado Pela vontade de morrer. Há um silêncio que agito No fundo dos meus sentidos E o meu poema é um grito São meus sonhos perdidos. E o que ficou do que fomos Está preso ao fado, à poesia P'ra mim seremos e somos Aquele amor que eu sentia. Aquelas horas tão nossas Só eu as guardo no peito Talvez também 'inda possas, Lembra-las tu ao teu jeito. Naquela campa tão fria Deixo uma rosa e um beijo Que a Musa desta poesia Fica virada p'ro Tejo.

⁠À Morte de Maria Flávia de Monsaraz - Silêncio todos os povos, silêncio todas as raças,
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⁠À Morte de Maria Flávia de Monsaraz - Silêncio todos os povos, silêncio todas as raças, todos os Credos, todas as gentes! Façam silêncio todas as Almas ... O Céu parou! Calou-se a voz dos Astros, as Estrelas não cintilam, a noite cobriu os horizontes. Em tudo há algo que doeu. Por toda a Terra há um eco de saudade: " - Ficámos órfãos das Estrelas ... ... a Maria Flávia morreu!" Os Anjos, em cortejo, a vieram abraçar ... E assim partiu: imutável, eterna! Além de todas as palavras ... Esférica, etérica, ampliada. Na evidência Sagrada da Essência do Ser ...

⁠Não sou mais - Não sou mais do que o vento passageiro ou a brisa do horizonte que se sente
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⁠Não sou mais - Não sou mais do que o vento passageiro ou a brisa do horizonte que se sente no olhar, num instante triste mas inteiro, numa hora infeliz, fria e permanente! Não sou mais do que um grito de infinito por sobre as manhãs frias que nos cercam cheias de névoa e solidão, num desejo perdido, de não ser um daqueles que todos deserdam! Não sou mais do que a distância imprecisa, vagamente perturbadora que nos rodeia de rosas negras, numa hora apetecida de Primaveras, num sonho que se alteia! Não sou mais do que estes versos que escrevi nas folhas do silêncio que vou lendo ou estas linhas que não falam de ti porque tudo se apagou na voz do vento!

⁠Hoje mas só hoje - Hoje inclino-me ao fulgor dos dias luminosos caiados de sol, cheios de noite e solidão,
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⁠Hoje mas só hoje - Hoje inclino-me ao fulgor dos dias luminosos caiados de sol, cheios de noite e solidão, inclino-me às dores, aos olhares saudosos da minha triste juventude etérea sem razão! Hoje! Mas só Hoje! ... Hoje inclino-me às crianças que passeiam pela rua cheias de sonhos e vontades, como eu já tive, e penso na amargura que vão sentir, tão crua, ao verem, crescendo, que sem a morte ninguém vive! Hoje! Mas só Hoje! ... Hoje inclino-me às guerras porque delas se faz paz, uma paz armada, bem sei, porém uma semente, inclino-me à fome e à tristeza de que a traz, à dor e ao silêncio de quem a vê, de quem a sente! Hoje! Mas só Hoje! ... Hoje e só hoje me inclino ao coração dos homens, por vezes, tão negros, cheios de maldade e podridão, cheios de angustia e amargura, cheios de nuvens que lhes encobrem a Voz de Deus e lhes tiram a razão! Hoje! Mas só Hoje! ...

⁠Instante de mim - Meu amor tu não te lembras daquelas horas, das penas,
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⁠Instante de mim - Meu amor tu não te lembras daquelas horas, das penas, das ilusões que a vida tem; das tristezas sem carinho de tantas pedras no caminho que o teu amor me deu também. Trago tanto por escrever muita coisa por dizer na solidão dos dias vagos; dou ao Fado o meu destino e os meu olhos de menino trazem sonhos magoados. Se eu soubesse que esquecendo apagava o que fui sofrendo, acredita, seria o fim; nunca mais me encontrarias porque afinal tu não merecias nem um instante de mim.

⁠Esta noite - Lado a lado, frente a frente, nós, a Morte, o destino e a saudade!
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⁠Esta noite - Lado a lado, frente a frente, nós, a Morte, o destino e a saudade! Quem diz que não sofre, mente, pensando que vive em liberdade! Não passa tudo d'um instante entre o desejo de ficar e ter que partir; o ritmo é binário, constante, vivendo a vida da vida a fugir. Olha docemente em teu redor, a vida não acaba, simplesmente, quem nasce p'ra morrer não é pior do que quem vive infeliz no meio da gente. Esta noite tocarás para as estrelas, esta noite, tocarás ao som do vento ... Tudo porque as Estrelas são belas e a vida não passa d'um momento!

⁠Perguntei ao teu olhar - Perguntei ao teu olhar se tinhas por mim amor
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⁠Perguntei ao teu olhar - Perguntei ao teu olhar se tinhas por mim amor mas dissestes a chorar não perguntes por favor. Quando a Alma nos agita e as palavras contradizem as verdades que não ditas só os olhos no-las dizem. Mas se os olhos nunca mentem porque o faz a tua boca que eles digam o que sentem pois a vida é tão pouca. O silêncio também fala quando tira a voz da gente quando a tua boca cala o teu rosto nunca mente.

⁠Aquela Ponte - Ainda hei-de encontrar aquele amor que não vivi
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⁠Aquela Ponte - Ainda hei-de encontrar aquele amor que não vivi aquele toque que não senti alguém que me há-de amar. Hei-de ser o Sol poente que arde no horizonte hei-de ser aquela ponte onde passa toda a gente. E hei-de ser todas as coisas do principio ao fim da vida uma esperança concebida como são as coisas doidas. Mas porém se não chegar esse amor de que vos falo acreditem vou espera-lo bem no fundo do meu olhar.

⁠É inútil acreditar - É inútil acreditar quando alguém já nos mentiu
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⁠É inútil acreditar - É inútil acreditar quando alguém já nos mentiu fere sempre até sangrar da mesma forma que já feriu. Uma espada de dois gumes que trespassa até matar duas chamas num só lume é inútil acreditar. É inútil acreditar em olhos que já mentiram insistem sempre até magoar num amor que não sentiram. Mas um dia há-de haver fim o que começa há-de acabar nessa história, ai de mim, se voltar a acreditar.

⁠Mais vida - I A vida é um mistério sem tamanho
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⁠Mais vida - I A vida é um mistério sem tamanho Às vezes uma pressa que nos cansa Quem ama por amar tem tudo ganho A vida é um poema que nos alcança. A vida é como um rio que segue o leito O sonho no olhar de uma criança Um forte coração dentro do peito A vida numa palavra é confiança. REFERÃO E um dia hei-de dar mais voz à vida Saber que a solidão não é mais forte Romper qualquer amarra com a morte E um dia hei-de dar mais vida à vida! I I Há vida no olhar de quem se ama Na boca quando fala uma verdade No corpo de um poeta feito lama Há vida em cada gesto de saudade. Há vida num silêncio feito grito Num pássaro que voa sem destino No eco de um adeus que não foi dito Há vida em cada passo do caminho.

Desabafo sem medo - ⁠Eu canto porque o meu canto é da cor do sangue,
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Desabafo sem medo - ⁠Eu canto porque o meu canto é da cor do sangue, porque o meu sonho é maior que o mar e porque a vida tem de cumprir-se! ⁠E outros dias virão!... E com eles outros versos menos amargurados, mais sentidos, como pedras primeiras, bem alicerçadas, na reconstrução de vidas destruídas! A tristeza dos dias tumultuosos secará, a fonte dos meus olhos minguará e o poeta poderá enfim cantar...

Conversão - ⁠É loucura não saber de onde se parte sempre que se parte de algum lado,
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Conversão - ⁠É loucura não saber de onde se parte sempre que se parte de algum lado, para amar, precisamos de ter arte, ser fortes p'ra fugir do que é errado! Tantas vezes que afinal nos enganamos com olhos que nos olham sem verdade porque erradamente acreditamos que esses olhos são olhos de saudade! Deixa Deus falar-te ao ouvido só Ele te pode encaminhar na vida e mostrar-te qual é o teu sentido ... Entrega em oração o teu penar e abre o Coração a Esse Amigo, pois Ele, jamais te irá abandonar!

⁠(Des)Campanha politica - Há p'las ruas da cidade Muitas caras em cartazes
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⁠(Des)Campanha politica - Há p'las ruas da cidade Muitas caras em cartazes Uns sinceros, com verdade, Outros disso tão incapazes! Quem são uns ou quem são outros Não me cabe a mim saber Mas que saibam aqui todos Há um ratado a bem d'zer! Que haja ratos na cidade, Já sabemos, teem manhas! Mas comem por maldade Os cartazes das campanhas?! Ainda há uns impecáveis Limpos, claros, sedutores, Mas os mais indesejáveis São rasgados por doutores! Foi só um o maltratado! Até um dente lhe faltou! Mas quem seria o irritado Que ao seu charme se curvou?! Ora deixa lá Henrique Que o teu nome já é Sim Que este gesto prejudique Quem traçou nele o seu fim! Há muito que nesta Praça Não se vê que haja Lei O que irritou foi teres Graça Só por teres o ar d'um Rei!

⁠Sino da Fome - Quando se ouvem badaladas Desse sino solitário
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⁠Sino da Fome - Quando se ouvem badaladas Desse sino solitário Fala a fome das consagradas De Santa Helena do Calvário! No silêncio da cláusura Entre o dia e a penumbra Grita o sino por ternura Contra a fome que se apruma! E as Trindades vão soando E a fome vai batendo Toca o sino de quando em quando E à Abadessa vai morrendo! E não há quem não pereça Ao saber que num Sudário Morre a última Abadessa De Santa Helena do Calvário!

⁠Aquela Cruz - Lá no alto, aquela Cruz tem um Cristo cansado;
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⁠Aquela Cruz - Lá no alto, aquela Cruz tem um Cristo cansado; pobrezinho, não tem luz abandonado, ó Bom Jesus por mal do nosso pecado! E uma tão bela Mulher chorando ao ver tanta dor; disse, não posso viver sem a vida me dizer porque mataram o meu Senhor! Tristemente Jesus morreu numa tarde sem amor; e uma voz se ouviu do Céu vem a Mim ó Filho Meu que esse mundo só traz dor! E os homens desde então por este gesto numa Cruz; puderam ter em comunhão a cada Passo da Paixão o Corpo e Sangue de Jesus

⁠Outro dia - I É triste sentir que a esperança é coisa rara
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⁠Outro dia - I É triste sentir que a esperança é coisa rara ninguém encontra um caminho ou direcção tanta gente que se dá e só embala saudades, lado a lado, a par de coração! E quando passam todos há silêncio na raiz da noite tudo é em vão e já ninguém se esconde, é permanente viver amargurado em solidão! Refrão Mas sei que a vida traz sempre um caminho creio no amor mais forte que o vazio pois sinto que sonhar não é fantasia ... Porque pomos tantas dores no destino se a vida vai passando como um rio nas margens do silêncio, dia-a-dia! II Há tantos ódios pelo mundo a dançar penetrando o amanhã, 'inda por vir e é fácil ser diferente, basta amar como o Sol que se levanta a sorrir! A esperança nunca morre, diz o Povo, a vida nunca acaba, diz a esperança! O que falta a cada Homem é amar de novo, sorrir, acreditar, voltar a ser criança...

⁠Um Piano na Sala - Na solidão dos dias cansados, num apanágio de silêncio,
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⁠Um Piano na Sala - Na solidão dos dias cansados, num apanágio de silêncio, há um Piano na Sala ... O barulho das gentes vai e vem e volta sem sentido! Nos rostos cansados, severos, que a parede proclama, suspendem-se os gestos de quem está. No ar ... o Piano ... a musica ... ... a voz suspensa, calada, dos estáticos homens e a voz dos que vivem, sentem e falam ... tudo no espaço em torno do Piano! Há Poesia no ar ... E a musica ... sempre a musica ... união entre mundos!

⁠Dor sem rosto - Sou na vida um filho triste sou um pobre solitário
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⁠Dor sem rosto - Sou na vida um filho triste sou um pobre solitário sem presente nem passado a viver neste Calvário. No silêncio dos meus olhos inclinados para o chão trago medos, deixo culpas nos caminhos da paixão. Desde a hora em que nasci que a minh'Alma ferida canta que o destino me enrolou uma corda na garganta. Na fraqueza dos meus braços sobre o peso desta cruz já não rezo, só já canto, porque eu ó Bom Jesus?! Pela Rua da Amargura vou sofrendo sem falar tantas vezes minha mãe tu me vens aconchegar!

⁠Cobras Condenadas - Quando se acredita em alguém que diz ser verdadeiro
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⁠Cobras Condenadas - Quando se acredita em alguém que diz ser verdadeiro e grita amar-te a uma voz não se percebe como vem a calúnia e o mau cheiro da mesma boca contra nós. É mentira e nós não vemos mas até desconfiamos quando jura sempre em falso dessa LAIA não seremos e é por isso que deixamos que se enterre passo-a-passo. E depois quando te afastas conta tudo à sua maneira porque pensa que te enterra o teu silêncio serão facas porque a matas na fogueira da mentira onde ela BERRA. Essas cobras venenosas com bom ar e elegância que vagueiam por aí morrerão todas ranhosas do veneno e da ganância que destilam contra ti.

⁠Quando Deus sangrou as rosas - ⁠Quando Deus sangrou as rosas golpeou a Primavera
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⁠Quando Deus sangrou as rosas - ⁠Quando Deus sangrou as rosas golpeou a Primavera às escarpas deu as rochas e ao silêncio uma quimera. Todo o vento é poeira quando a esperança fica presa aos escolhos da cegueira que a vida nos põe à mesa. E nas minhas mãos vazias trago um mar feito de pedra trago tudo o que não vias o sonho de quem eu era. Mas a vida continua cheia d'Almas ansiosas nosso amor nasceu da Lua quando Deus Sangrou as rosas.