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Frase de Ricardo Maria Louro

⁠Maria da Graça - Nos longos madrigais destes campos do Alentejo andam moças aos Ais de-desejo-em-desejo ... Campos de trigo, campos de seiva, plantados com suor por esta gente! Que a Senhora da Orada lhos proteja, hoje aqui e para sempre ... E no Outeiro da saudade, junto à Monsaraz do Coração, há hortas, campos de piedade, vinhedos, imersos em solidão! E ouve-se ao longe, no Outeiro, uma canção! É uma jovem com ternura e encanto que canta e encanta a ilusão ao ponto de calar até o pranto! Agita-se-lhe o canto na garganta, sai-lhe pela boca graciosa, e toda a gente se espanta ao ouvi-la cantar tão formosa... Seus olhos quando chora, sua boca quando ri, são graciosas auroras, pedras preciosas: esmeraldas e rubis. E quando feliz ela passa pela porta das gentes, chamam-na: "- Maria da Graça! Canta lá o que sentes ..." Que Graça, que encanto, que ternura levava a Maria no Coração, qu'inda hoje, na memória, perdura, a jovem Graça e a sua canção ... (À graça, à ternura e ao encanto, da sempre jovem, Maria da Graça, minha Mãe .)

Ricardo Maria Louro

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Pensador.com

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⁠CANTIGA DE ESCÁRNIO E MALDIZER: Quando as tripas te doerem Ou tiveres diarreia O XANAX, é bom saberem, Faz passar, é boa ideia! Na farmácia Malagueira A Crispina ao balcão Dá XANAX p'ra cegueira A quem vem com comixão. Aos jantares de Natal Só lá vão os coitadinhos deixa estar que não faz mal Serão sempre pobrezinhos. Um XANAX, é bom saberem Faz passar a diarreia Quando as tripas te doerem Bota-a-Baixo, é boa ideia.

⁠Nome que é meu - Nada no mundo me prende perdi-me no sofrimento
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⁠Nome que é meu - Nada no mundo me prende perdi-me no sofrimento e quanto dói dentro da gente não saber dar tempo ao tempo! Sou como a folha caída que se perdeu do mundo inteiro sou como a flor esquecida em manhã de nevoeiro! A tristeza que me abraça dá mais voz à minha fome sou como tudo o que passa não me chamem pelo nome! Porque esse nome sem carinho foi o destino quem mo deu deixem-me Ser pelo caminho longe desse nome que é meu!

⁠Viagem - A vida é uma viagem Um retorno sem imagem
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⁠Viagem - A vida é uma viagem Um retorno sem imagem Nos espelhos do destino, É um grito sem amarras Um poema sem palavras Que vivemos no caminho. O que trago ou não trago O que canto e dou ao fado Só eu sei o quanto dói, Ver nos olhos de toda a gente O silêncio de quem sente O quanto a vida nos destrói. Visto noites e cansaços No meu corpo, nos teus braços Na distância, o teu olhar, Roda a roda do destino Acendo velas no caminho Numa pressa de te amar. Só há Fado e solidão Esta dor e um coração Nos meus olhos a bailar, E no céu da minha noite Já nem há onde me acoite Tanta estrela sem brilhar.

⁠Tremores - E eis que na solidão da praia deserta Caem águas do meu triste olhar,
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⁠Tremores - E eis que na solidão da praia deserta Caem águas do meu triste olhar, Mas essa água que me aperta Não é menos que as águas do mar. Não me lembro de existir dentro de mim Algo maior que a palavra solidão, Algo mais seco que a amargura d'um jardim Plantado junto aos portais do coração. Há uma noite enleada aos desejos de cada um, Um grito, uma metáfora de saudade, Uma vontade de comer que é jejum Que a trazemos desde o berço por piedade. E o que ser para além d'um silêncio sem destino?! Um planeta sem elipse, uma curva, Uma pedra só, pisada no caminho, Um punhal numa fonte de água pura!