Frase de Ricardo Maria Louro
Homenagem a Paula Ribas - Palcos de Glória - E em tempos houve um rio que me sonhou! Uma Vida que vivi … Um sonho que me criou … Que fez margem do meu corpo … Fez leito do meu Ser … E parecia Glória intangível. E os destinos se cruzaram! E os milénios se interpuseram! E vi pedras, e vi barro, olhares e descrenças ... Rasguei o ventre à solidão, e fui além … Tão mais além do que alguém foi! E correram águas, e houve medo, e houve espuma e houve espanto. Mas fui … sem nunca duvidar. Sem nunca desistir. E à força do meu canto, sobre palcos sem nome, ergui desvãos sombrios, olhares secretos, noites diferentes e dias repetidos. E fui rio, fui margem, fui amor, fui ódio, espasmos e perdões! Fui tanto … tanto … que o recordar me deixa inebriada … E tanto que perdoei! Perdi-lhe o conto … De mim nasceram filhos. Glórias! Palmas! Tributos! Tanta gente … tanta gente … E tantas pautas me gastaram … Tantas outras por gastar … Mas o palco! Os panos! As luzes! E o canto!E a minh'Alma! Tudo em mim, ainda, tão intenso! E acordaram ecos, iludiram mágoas, e corri o mundo e o mundo correu-me a mim! E dancei … dancei, rasguei palcos d'ilusão aos movimentos do meu corpo. E fui sonho - fui estepe, fui quimera - tão fundo como os mares … Levo tudo na mão sem sombra ou nostalgia … Só saudade em lânguidas tardes mornas … Por mim tudo passou ao som das águas turvas e dos ternos temporais... E os anos desfilaram, lentos e absortos ante ruínas repetidas, mas nunca desisti! Nunca! E recordo o silêncio que então se fez. A beleza tombada das estátuas rodeadas de gardenias. Meu corpo! Meu corpo! Corri o pano! Calei as pautas! Mas não parei … renasci … fui de novo … em frente … Meu rio continuou … Em busca de outros horizontes... Nova aurora … novo amanhecer... Em busca d'outros mares … Novas margens … novo leito … Afinal, Eu sei quem sou! A que fui! A que serei! Por onde vou? Não sei! Sei que vou … que irei … Além … sempre mais além ...
No pensador.ai desde