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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

Nossa Senhora da Saúde de Évora - Há festa em Santo Antão Festa antiga, com virtude,
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Nossa Senhora da Saúde de Évora - Há festa em Santo Antão Festa antiga, com virtude, Sai à rua a procissão Da Senhora da Saúde. Senhora das mãos benditas Senhora d'olhar profundo Dá paz às Almas aflitas E a quem padece pelo mundo. Neste fado Virgem Santa Trago a Ti esta oração Nosso olhar nem se levanta Vai aos tombos pelo chão. Horas tristes que passaram Tanta vida mal vivida Nossos olhos enchugaram, No Teu manto, Virgem Maria. Aos Teus pés meu coração Muito canta com virtude ... É dia da procissão Da Senhora da Saúde.

Amar sem Medo da Idade - A manhã está suja de saudade! E há lá coisa mais bonita
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Amar sem Medo da Idade - A manhã está suja de saudade! E há lá coisa mais bonita Do que amar sem medo da idade, Viver, conforme o vento agita?! ... Pois conforme o vento agita Também se agita a saudade E há lá coisa mais bonita Do que amar sem medo da idade?! A vida é feita de ansiedades, Tantas vezes, de sonhos por cumprir, Mesmo assim, nas dificuldades, Ela ensina a nunca desistir. Não importa de onde vimos Nem tampouco com quem estamos Só importa o que sentimos E o lugar onde chegamos.

Até Depois - Não partas, meu amor, que eu fico num tormento Sou pedra de silêncio, sozinha no caminho
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Até Depois - Não partas, meu amor, que eu fico num tormento Sou pedra de silêncio, sozinha no caminho Sou chuva que se alteia ao sabor do vento Um pobre sem saber qual é o seu destino. Um cálice, um lamento, gemer de solidão São horas que te espero, são horas que não chegas A raiva que me aperta, que esmaga o coração São flores, meu amor, que a vida leva secas. Trago na voz solidão, o ser na vida um triste O grito d'uma noite, teu corpo que não chega E a ânsia que me escorre, que dói e que persiste Minha taça, meu veneno, de loucura e d'incerteza. Nao sei porque te espero, se quero ou não te quero A vida é uma roda, tudo volta ao que já foi Eu amo o teu olhar, mentiras não tolero Adeus, digo-te adeus, adeus e até depois.

Disse Adeus - Disse adeus, vi-te passar Disse adeus ao teu olhar
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Disse Adeus - Disse adeus, vi-te passar Disse adeus ao teu olhar Disse adeus, talvez p'ra sempre, Nosso amor é como o vento Um olhar, um pensamento Que nasceu dentro da gente! Dá-me um cravo de saudade Uma rosa sem vaidade Dá-me a mais bonita flor, Que eu em troca dou-te o mundo Um olhar triste e profundo Dou-te um lirio, meu amor! Já não quero a solidão Esta agonia sem razão Já não quero chorar tanto, Muito sofre quem não ama Mas quem ama é dor tamanha Amargura, dor e pranto!

Vento sem Destino - Passaste na minha vida Num passar de despedida
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Vento sem Destino - Passaste na minha vida Num passar de despedida Fiquei só no meu caminho E o silêncio que deixaste Foi a prova que passaste Como um vento sem destino. E o sono não chegou Tudo em mim por ti passou À luz d'uma lanterna E as manhãs não acordaram As noites não passaram A Madrugada foi eterna. E foi eterna a tua ausência Uma dor em permanência Que o silêncio não calou, As estrelas não chegaram Os sonhos não passaram E eu nem sei por onde vou. Mas se um dia o firmamento Me trouxer por um momento O teu olhar que sabe a fado, Hei-de florir em verde esperança Como um sonho de criança A cair no teu regaço.

Não procures a solidão - Não procures a solidão Sem saber d'onde ela vem
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Não procures a solidão - Não procures a solidão Sem saber d'onde ela vem Deixa-a ficar pela estrada Solidão é dor errada No peito de quem a tem. Não procures a solidão Que ela vai atrás de ti Solidão é dor sem nada Traz a vida tão cansada A solidão não é daqui. Não procures a solidão Na saudade ou no amor Na tristeza ou na loucura A solidão é dor sem cura Travo amargo sem sabor. Não procures a solidão Como alguém que não tem fé A solidão é dor parada É palavra mal-amada Vive a vida como ela é.

O Porquê - O Porquê daquela angústia Tão pesada, tão sofrida
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O Porquê - O Porquê daquela angústia Tão pesada, tão sofrida Tão lenta, tão calada?! O Porquê daquela dúvida Hora amarga de nós dois Sem futuro nem abraço?! O Porquê desse silêncio Cheio de noite, de saudade Sem dias nem esperança?! O Porquê da tua ausência Minha rosa, meu jardim Meu poema inacabado?! E o porquê de eu estar assim?! Alguém sabe?! Alguém me diz Porque dói tanto este porquê?!

Passaste por aqui - Passaste por aqui! Sei que passaste ... Pelo aroma que ficou espalhado pela rua ...
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Passaste por aqui - Passaste por aqui! Sei que passaste ... Pelo aroma que ficou espalhado pela rua ... As casas, os caminhos, as pedras que pisaste, tudo mais intenso, transparente, à luz da lua. Eras tu! Por certo que eras tu! O amor das madrugadas por viver, com aquele olhar que, por instantes, me deixava nú, sem respirar, sem que eu consseguisse perceber. Até as Primaveras acabadas de chegar reclinavam ante o paladar da tua boca e as flores, ao vento, até bailavam ... Bailavam os olivais das pradarias, as brisas eram feitas da voz roca de um só vento, e tu, meu amor, a cada gesto renascias!

Entre a noite e a madrugada - Entre a noite e a madrugada Foste embora como um louco
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Entre a noite e a madrugada - Entre a noite e a madrugada Foste embora como um louco Eu segui por outra estrada E despedi-me do teu corpo. Disse adeus à nossa história Toda feita de jasmim Hei-de tê-la na memória Num compasso que há em mim. Há em mim tanta saudade Do que fomos um p'ro outro Na madrugada da cidade Despedi-me do teu corpo. Vesti dias de saudade Vesti noites sem passado No silêncio e na verdade Minha vida é cor do fado. Guardo em mim aquele olhar A nossa vida já passada E p'ra sempre hei-de cantar Entre a noite e a madrugada.

Foi assim que nasceu - Tão estranho sentir o que sinto desde quando te vi Mas o amor sempre chega quando a gente não espera
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Foi assim que nasceu - Tão estranho sentir o que sinto desde quando te vi Mas o amor sempre chega quando a gente não espera Talvez seja a vontade de amar que um dia perdi Quem sabe se és tu o luar da minha quimera Foi assim que nasceu este amor que eu sinto por ti! E Vi nos teus olhos o destino que tanto pedi E tu nos meus olhos o amor que tanto esperaste Nem mar, nem silêncio, nem vendavais que vivi Não voltarei a chorar porque tu já chegaste Foi assim que nasceu este amor que eu sinto por ti!

Sou o que sou - Sou o que sou por não poder ser mais!
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Sou o que sou - Sou o que sou por não poder ser mais! Desprendo-me da vida, desprendo-me do Mundo, não sei aonde vou ... Talvez soubera e não fosse! E não sabendo irei?! ... Parado não estou. O que faço não sei. Tristezas que a vida trouxe ... E o destino passou ... A vida é tão estranha ... Há um fosso à nossa volta ... E como uma teia de aranha eu sou o que sou!

Deus, o deserto e a esperança - Há momentos de solidão na vida que vivemos, Horas tristes, tristes horas onde nada nos é dado
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Deus, o deserto e a esperança - Há momentos de solidão na vida que vivemos, Horas tristes, tristes horas onde nada nos é dado Que até parece que do amor nada sabemos Como nada saberemos da cor do nosso fado! São desertos dolorosos que atravessamos Que as vezes nos são tão dificeis de passar! E onde estão aqueles em quem confiamos?! Todos nos abandonam, à deriva a penar ... O que nos resta é dor, cansaço e solidão ... Virar p'ra Deus nossos olhos cheios de nada Porque de nada está cheio o nosso coração Num percurso solitário pela estrada. Mas quando tudo está perdido vem a luz Renasce em cada um uma nova confiança Entrega-te nos braços divinos de Jesus E vive esse Deus, o deserto e a esperança!

Hoje sinto-me abraçado por Deus - Hoje sinto-me abraçado por Deus Sem recriminações nem vazios
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Hoje sinto-me abraçado por Deus - Hoje sinto-me abraçado por Deus Sem recriminações nem vazios Para além de tudo, de tantos véus, Leve, aberto, esférico como um rio. Hoje sinto-me abraçado por Deus Que nem tenho vontade de falar Tão perto de tudo quanto é Seu Onde a vida só é vida se a gente amar. Hoje sinto-me abraçado por Deus! P'la sua Mãe e p'los seus Santos ... Tão leve que sinto que este corpo não é meu E até voo solenemente nas asas d'um Anjo. Hoje Deus abraçou-me mais uma vez! E se nada me pertence, nada é meu, E se, no fundo, até foi Ele quem me fez, Eu dou-lhe a minha vida, eu sou Seu ...

Esse amor que trouxe o vento - Esse amor que trouxe o vento Mais veloz que o pensamento
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Esse amor que trouxe o vento - Esse amor que trouxe o vento Mais veloz que o pensamento Trouxe rosas ao meu leito E num mar de água salgada Fez nascer a madrugada Como um sopro no meu peito! Esse amor que trouxe o vento Fez nascer no firmamento Uma estrela ilumimada E aqueles sonhos que sonhei Aquele amor que desejei Fez-me andar por outra estrada! Esse amor que trouxe o vento É mais forte que o lamento Que a saudade ou a tristeza E ái daqueles que o não sentem Na verdade é porque mentem E só vivem na incerteza! Esse amor que trouxe o vento Fez nascer um sentimento Que nos veste o coração; Disse adeus à amargura E não sei se foi loucura Disse adeus à solidão!

Como estou triste - Como estou triste na indiferença deste amor, Na alegria desta dor que me fez por ti sofrer,
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Como estou triste - Como estou triste na indiferença deste amor, Na alegria desta dor que me fez por ti sofrer, Na lonjura das Marés, num turpor Tão imenso que me faz anoitecer ... Como estou triste por não ver o teu olhar A passear-se no silêncio das manhãs, Por não saber se algum dia irás voltar Ou por sentir que a minha esperança é coisa vã. Como estou triste, ó Deus, como estou triste, Por tudo o que vivi, por tudo a que me dei ... E porque teimas coração, porque insistes Que continue a passar por aquilo que passei?! Como estou triste p'la aurora que não chega, P'la noite que não finda, por este mar Que nos separa , p'lo amor que não sobeja ... Como estou triste por não saber se irás chegar!

Linda Leonardo - Minha vida fez-se grito Cheia de curvas de saudade
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Linda Leonardo - Minha vida fez-se grito Cheia de curvas de saudade E num pranto entristecido Atravessou a minha idade. Veio de longe a solidão deixando a vida por viver E num momento sem razão me dei ao fado sem saber. E vai chorando o coração Num anseio sem ter calma E eu cantando desde então Tantas penas da minh'alma. Tanta vida por viver Tanto fado por cantar Tantos versos por escrever E eu sofrendo por te amar. (Versos que o poeta dedica à amiga e fadista Linda Leonardo)

Naquela Campa - Há um poema cansado Nas rimas do meu sofrer
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Naquela Campa - Há um poema cansado Nas rimas do meu sofrer Mais um momento marcado Pela vontade de morrer. Há um silêncio que agito No fundo dos meus sentidos E o meu poema é um grito São meus sonhos perdidos. E o que ficou do que fomos Está preso ao fado, à poesia P'ra mim seremos e somos Aquele amor que eu sentia. Aquelas horas tão nossas Só eu as guardo no peito Talvez também 'inda possas, Lembra-las tu ao teu jeito. Naquela campa tão fria Deixo uma rosa e um beijo Que a Musa desta poesia Fica virada p'ro Tejo. (Poema escrito pelo Poeta junto ao túmulo da sua sua Inspiração, Celeste Rodrigues, no Cemitério dos Prazeres em Lisboa, no talhão dos artistas, virado para o Tejo)

Às Dores de minha mãe - Eu que não era vim de onde não sei
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Às Dores de minha mãe - Eu que não era vim de onde não sei e foi em breve Primavera que em teu ventre me gerei. Mãe! Eu nasci das dores de minha mãe! Oh minha mãe! Foi em teu ventre, foi no ventre de minha mãe ... Poderei algum dia esquece-lo?! Deverei juntar minhas mãos e algum dia agradece-lo?! Serão apenas momentos vãos, palavra alguma poderá agradecer ao ventre de minha mãe. Oh minha mãe! Foi em teu ventre, foi no ventre de minha mãe... Mãe minha, minha mãe ... Em ti me fiz poeta em águas-de-solidão e masceu minh'Alma insurrecta do teu sanguíneo coração. Mãe, minha mãe! Foi em teu ventre, foi no ventre de mimha mãe.

Pura Ausência - Paira sobre a vida um vazio Uma sombra magoada sem destino ...
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Pura Ausência - Paira sobre a vida um vazio Uma sombra magoada sem destino ... Porque ficas em silencio frente ao rio E nos deixas à deriva no caminho?! O teu jeito! O teu toque! O teu olhar! A tua voz cristalina, eloquente, Capaz de nos fazer sentir o que é amar, Agora tão distante, tão ausente. Porque tinha eu que aqui ficar Se tu tinhas que partir?! Aconteceu! Aquele medo de separar O que o destino um dia quis unir ... Arrancaram de mim toda a alegria Só há ecos de saudade no meu peito Transformou-se em noite cada dia E cada hora fria no meu leito. Adeus musa cristalina dos meus versos! Teu olhar é como um passaro que voou, Como um dia que acabou, sem gestos, Adeus meu Vendaval de Sonhos que passou. (Poema dedicado à Fadista Celeste Rodrigues, à sua partida e à intensa amizade que unia o Poeta e a Fadista)

Na Solidão das Marés - Na Solidão das Marés de um dia pardo, vislumbra-se um amor que vai embora!
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Na Solidão das Marés - Na Solidão das Marés de um dia pardo, vislumbra-se um amor que vai embora! Instante de solidão toldado pelas águas da distância em que um coração amargurado se afunda lentamente. E as horas vão passando ... E aquele amor vai partindo ... E eis que nada nos rodeia nessa hora! Sozinhos como sempre, nos braços do destino, embalados pela vida. Ao longe, seus olhos de cristal, deixam saudades no horizonte!

80 Anos de uma Vida bem vivida - Oitenta anos de uma vida bem-vivida, Com instantes de tristeza outros de alegria
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80 Anos de uma Vida bem vivida - Oitenta anos de uma vida bem-vivida, Com instantes de tristeza outros de alegria Muitas vezes planeada nem sempre apetecida Mas vivida intensamente, dia a dia! Oitenta anos de uma vida bem vivida De um destino construído, inventado, Tantas vezes suportado em despedida Ora rindo ora choranso sobre o passado! Oitenta anos de uma vida bem vivida Onde as feridas já não tem um lugar Onde a verdade é esperança conseguida Com uma imensa vontade de sonhar! E passa a vida! Tudo passa sem passar ... Para a Alma não há tempo nem corrida O que importa é não deixar nunca de amar É o segredo de uma vida bem vivida! (Poema dedicado aos 80 anos da Avó Materna do Poeta ( Avó Clarisse)