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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

Ladainha dos Martyrios - Bendita e louvada seja A paixão do redentor
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Ladainha dos Martyrios - Bendita e louvada seja A paixão do redentor Que p'ra nos livrar das culpas Padeceu por nosso amor! Senhor tende piedade de nós! Jesus Cristo tende piedade de nós! Espirito Santo que sois Deus tende piedade de nós ! P'las sete dores de Maria, rogai por nós! P'las três quedas do Senhor, rogai por nós! P'los Martyrios de Jesus, rogai por nós! P'las moedas que o venderam, rogai por nós! P'la corda que o maneetou, rogai por nós! P'la corrente que o prendeu, rogai por nós! P'los espinhos que o coroaram, rogai por nós! P'la cana que lhe deram, rogai por nós! P'lo caminho do Calvário, rogai por nós! P'la toalha que o limpou, rogai por nós! P'la cruz que o suspendeu, rogai por nós! P'los cravos que o pregaram, rogai por nós! P'lo martelo que o cravou, rogai por nós! P'la torquês que o despregou, rogai por nós! P'los dados que lançaram, rogai por nós! P'la tunica que rasgaram, rogai por nós! P'la esponja envinagrada, rogai por nós! P'la lança que o trespassou, rogai por nós! P'lo suspiro que lançou, rogai por nós! P'la escada que o desceu, rogai por nós! P'la Santa Mãe que o recebeu, rogai por nós! P'lo Santo Sepulcro que o acolheu, rogai por nós! E porque Jesus Ressuscitou, Aleluia, renasceu! E porque o Senhor vive p'ra sempre, Aleluia, renasceu! E porque o tumulo está vazio, Aleluia, renasceu! E porque a vida triunfou, Aleluia, renasceu! E porque o véu que nos separava para sempre se rasgou, Aleluia, aleluia, aleluia, Renasceu! Bendita e louvada seja A paixão do redentor Que p'ra nos livrar das culpas Padeceu por nosso amor!

Vacilo - Hoje que o corpo parece vacilar, num acto de profunda contradição,
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Vacilo - Hoje que o corpo parece vacilar, num acto de profunda contradição, levanto os meus olhos para Deus, para que jamais permita que me penetre a solidão ... A nossa arma é a oração! É de Deus que nasce a cura pois é da Fé que nasce a paz que paira leve e docemente sobre o coração ... Oh Senhora da Saúde venho falar dos meus medos são teus os meus segredos que partilho em confissão. Pois não vejo o caminho Nesta imensa escuridão. Mãe do destino dos pobres, sem nada, estou cheio d'incertezas que deixo em vosso altar nestas velas acesas.

Nossa Senhora da Saúde de Évora - Senhora das faces serenas Alivia-me as penas
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Nossa Senhora da Saúde de Évora - Senhora das faces serenas Alivia-me as penas Neste passar pela vida; Mãe dos tristes e dos crentes Do nascer aos meus poentes Sê meu porto de guarida! Senhora dos mantos bordados Dos olhos doces, brocados, Das vestes d'oiro e de luz, Alivia-me os pecados E põe meus olhos caiados Nas mãos doces de Jesus! Oh Senhora do destino Traz luz ao meu caminho Quando me invade a solidão, E como velas acesas Leva as minhas tristezas Salva o meu coração! Oh Mãe dos desolados Dos que choram cansados Num penar que não tem fim, Vovei, Senhora da Saúde Vossos olhos p'ra quem lute E não esqueçais também de mim!

Tanta gente desonesta - Tanta gente desonesta Com olhar de quem não é
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Tanta gente desonesta - Tanta gente desonesta Com olhar de quem não é Tanta gente que não presta Qu'inda assim diz que tem fé! O mundo corre, o mundo gira, Tudo passa em seguida Quem levanta uma mentira Pagará com a própria vida! Vem trevas, agonias P'ra quem fere um semelhante Nada o salva desses dias Condenado eternamente! E a vida sempre segue Ao lado dessa gente Mas a morte que os persegue Há-de calá-los para sempre!

Um Poema para Ti - Foi de mim que nasceu este poema para ti,
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Um Poema para Ti - Foi de mim que nasceu este poema para ti, não tem principio nem fim nem palavras que o sustentem no passar da madrugada ... E o silêncio é tão frio mas o amor 'inda é maior! E foi por ti, só por ti que o embalei no meu seio desde o ventre de minha mãe, sim, tu já lá estavas também! Não te via mas sentia que estavas entre o ali e o agora, estavas no meio ... E o tempo passou e todos passaram, tu chegaste, o teu olhar veio. E aqui estou dividido mas inteiro só por ti, só por ti à espera que venhas que me abraces sem princípio nem fim como o poema que escrevi nestas linhas para ti ...

Até Amanhã - Até amanhã ó meu amor ou então até já
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Até Amanhã - Até amanhã ó meu amor ou então até já acredita, por favor, que te amo mas não dá. Guarda em ti esses momentos que nós vivemos tão nossos na raiz do pensamento na raiz dos teus ossos. Até amanhã ó meu amor que vá eu aonde vá deixa a vida ao sabor deste simples até já. Mas não houve um até já fica a esperança que foi vã este amor não voltará diluiu no amanhã.

Carta aberta ao Senhor - Vem Espirito de Deus, antiquíssimo e idêntico, Igual por dentro ao silêncio ...
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Carta aberta ao Senhor - Vem Espirito de Deus, antiquíssimo e idêntico, Igual por dentro ao silêncio ... Vem, Senhor das coisas impossíveis que, desces no olhar, na voz de quem vive o teu Mistério! Vem ... vaga e levemente com as Mãos estendidas para cada um de nós e beija-nos a fronte, enche-nos de infinito! Funde o teu corpo aos nossos sonhos nos impasses calados que nos prendem a vida! Vem embalar os nossos pensamentos, afagar-nos a tristeza, aumentar a nossa Fé! Vem lá do fundo, de dentro de nós e para nós, das raizes da vida que nos correm nas veias do coração. Dá alento às coisas que dizemos, às que dizemos e não somos, às que somos e não damos. Talvez porque a vida seja curta demais para a Alma que trazemos, talvez, porque não possamos tocar mais além do que o nosso olhar pode tocar, ou, porque não pensemos mais do que o nosso pensamento pode alcançar! Perdoa a nossa frágil condição. Essa que conheces desde sempre ... Aceita, porém, a nossa imensa gratidão por tantas vidas que nos envias indicando a direcção ... Essas vidas que se dão aos Teus desígnios Grandiosos, à Glória do Teu Nome, à plenitude do Teu Espírito. Obrigado, Senhor, pelo Dom do Sacerdócio! Esse Ministério tão cheio de Mistérios, esses Mistérios tão cheios de Grandeza ... Obrigado, Senhor, por aqueles que nos envias a penetrar os Teus Segredos, p'los que curam as feridas, por aqueles que participam em cada sofrimento, p'los que vivem neste mundo de prazeres sem procurar o seu prazer, p'los que vão dos homens até Ti, Senhor, e vão de Ti até aos homens, levando-lhes a Esperança, a Fé e a Caridade num amanhã que há-de vir! ... Por terem um coração de fogo e uma Alma de marfím onde se passeiam , de mãos dadas, a caridade e o amor, levando a cruz como bandeira. Obrigado, Senhor, por lhes dares um pensamento de oiro num corpo de prata! Derrama sobre nós a Tua bênção, mas, abençoa sempre, e em primeiro, quem nos guia, porque nos guia! Pois se não formos dignos de te falar, ao menos, podemos ouvir-te por intermédio desses que escolheste para nos ajudarem p'los caminhos pedregosos que a vida tem ... Despeço-me, Senhor, de Ti, por Ti e em Ti. Ricardo Maria Louro (Caminhando)

Trevas, Noite e Lume - Passa o tempo devagar por silêncios indiscretos
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Trevas, Noite e Lume - Passa o tempo devagar por silêncios indiscretos passa a dor que por te amar vem do sangue de dois pregos. Passa ao lado a ilusão dessas trevas que deixaste e no calvário do coração um coração que tu pregaste. Passam medos sem destino passam gritos magoados tantas pedras no caminho que deixaste nos meus fados. E até passa o meu ciume e as mentiras que o fizeram passam trevas, noite e lume por tantas coisas que não eram. Tudo passa, bem o sei, por esta ausência sem razão oh meu Deus porque deixei que alguém pregasse meu coração?!

GESTO BRANDO - Por um momento, Senhor, senti a Tua Voz descer por sobre
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GESTO BRANDO - Por um momento, Senhor, senti a Tua Voz descer por sobre o meu coração magoado! Era manhã rasgada sobre a névoa. Foi-se a memória do passado, o silêncio opaco e triste, a noite cheia de mistério que por sobre mim persiste ... Havia ondas de Luz num horizonte qualquer! Asas batiam no firmamento de um Sol inútil. E Tu, Senhor, 'inda assim, desceste por sobre o meu coração ferido e macio, cheio de bocados de sonhos, caídos na noite sem fim ...

Saudades de Maria Flávia - Que saudades do Estoril! Do cheiro a mar e a madrugada
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Saudades de Maria Flávia - Que saudades do Estoril! Do cheiro a mar e a madrugada numa doce atmosfera subtil onde a vida parecia consagrada. Que saudades das Estrelas! Da mistura do Branco e do Lilás que pendia das janelas feitas de ternura, amor e paz. Que saudades desses dias, daquelas horas cheias de jasmim que o meu coração sentia quando falávamos sem fim. Que saudades de quem tanto amou de forma doce, terna e sábia mas que partiu como chegou ... Que saudades de Maria Flávia! (Volvidos seis meses da Partida de Maria Flávia de Monsaraz para a Casa do Pai - que Saudades ... muitas ...tantas ...)

Sábado Santo - (... de Aleluias) Sábado Santo! Dia de silêncio ...
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Sábado Santo - (... de Aleluias) Sábado Santo! Dia de silêncio ... Jesus morreu por nós! Meditemos ... Tudo está fechado em redor - ao redor de cada um! Foi traido pelo mundo. Negaram-lhe uma estrela. Mais longe foi seu grito d'infinito ... Os tumulos estão fechados! Os mortos em suspenso! Tudo parado à meia luz ... E onde está Jesus?! Onde?! Eu não gosto de Sábados! Sabem a despedida ... Porque lhe chamam santo se nele somos impotentes?! Já não sei a quem rezar! Não há gaivotas nem marés ... Jesus mandou-nos esperar. A espera é tranquila, porém, triste. Não lhe vejo ter um fim ... De que valia dizer-lhe que não fosse, era seu, o destino de ter que ir ... Não gosto deste Sábado! Quero um amanhã mais cheio de poesia sem morte nem silêncio. Porque esta é a noite em que a vida gera Vida! A morte é decepada ... O negro cortejo de sombras desvanece ... Aleluia! Vai-se a noite, virá o dia ...

Na Mão de Deus - Na Mão de Deus, na sua Mão Divina, faço repousar a minha solidão,
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Na Mão de Deus - Na Mão de Deus, na sua Mão Divina, faço repousar a minha solidão, e assim, as horas do meu pobre coração, batem numa dor mais pequenina ... E ai de ti, pobre mortal perdido numa ignorância infantil, ao dizeres por aí, com voz hostil, que Deus é coisa vã e sem sentido! Em Deus os sofrimentos que não saram são correntes que desaparecem na solidão dos rios que nunca param ... Tudo o resto é apenas ousadia entre tantos conceitos que se tecem (num mundo triste) tão iguais em cada dia!

Covid-19 "O Anjo da Morte" Caiu a noite sobre o Mundo!
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Covid-19 "O Anjo da Morte" Caiu a noite sobre o Mundo! Dias vestidos de silêncio e solidão ... O Anjo da Morte passeia pelas ruas; invisivel, discreto, cauteloso; predador astuto sem piedade. E aonde vai?! O que deseja dos Homens?! De onde os tira? Para onde os leva?! ... Espalhou-se um vazio desolador ... Caiu a noite sobre as ruas! Há cadáveres no alto da madrugada ... ... abandonados ... sem familia. Revemo-nos temerosos, perdidos, frágeis, sem destino! Criaturas débeis! Praças ... ruas ... cidades ... tudo suspenso ... ... em contratempo, num inesperado sopro de silêncio que veste a Humanidade de palavras nunca ditas ou pensadas . Porque a Morte espreita, sussura, gesticula a cada esquina da vida teimando em separar-nos. Então, põe os teus olhos na Cruz! Sinaliza o umbral da tua casa para que o Anjo a não procure. Abre os braços e abandona-te à verdade que um dia nos salvou. Do Céu, descerá então uma Luz que fará brilhar o Dia sobre o Mundo , a vida renascerá e o Amor triunfará! Em Évora no exílio de Casa P.S./ Podemos perder tudo menos a Fé, a Esperança e a Caridade...

UM CRISTO ALUMIADO - Ao canto, na cómoda do meu quarto, há um Cristo que deixo alumiado,
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UM CRISTO ALUMIADO - Ao canto, na cómoda do meu quarto, há um Cristo que deixo alumiado, para que, de um braço a outro braço, me deixe, no seu peito, bem guardado! Rezo àqueles cravos da nossa salvação às suas antiquíssimas gangrenas, com fervor, àquela lança que lhe perfurou o coração: - Salva-nos da "peste" pedimos-te óh Senhor! (...) pendem silêncios da cruz ao canto do meu quarto mas um agitado fernezim toma-me por dentro e da sombra dessa cruz, não quero, não me aparto! Óh Senhor! Vê ... a humanidade está vencida, já não há o que pensar, acabou-se o tempo, desce dessa cruz e dá-nos outra vida!

⁠O Vento, a Água e o Mar - Do teu semblante carregado de infinito pendem as mais belas histórias de encantar ...
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⁠O Vento, a Água e o Mar - Do teu semblante carregado de infinito pendem as mais belas histórias de encantar ... Pende o vento, pende a água e o mar! Dos teus olhos cheios de madrugada pendem os mundos mais bonitos que poderei um dia encontrar ... Pende o vento, pende a água e o mar! Dos teus punhos cheios de silêncio pendem as rendas mais antigas que te possam adornar ... Pende o vento, pende a água e o mar! Do teu corpo cheio de malmequeres pendem as pétalas mais brancas sem pensar ... Pende o vento, pende a água e o mar!

⁠- À Senhora Condessa de Monsaraz - Há no espaço um aroma que perdura! Vai passando a Senhora Condessa de Monsaraz.
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⁠- À Senhora Condessa de Monsaraz - Há no espaço um aroma que perdura! Vai passando a Senhora Condessa de Monsaraz. Que graça, que encanto, que candura nos deixa, ao olhar, aquela alvissima escultura que um artista já não faz! Que doce e fundo olhar, mensageiro, de Alma pura! Amor em canto de Poeta, que nos apraz, alvissima, pairando pela vida, vestida de ternura, a Senhora Condessa de Monsaraz! Ao vê-la, meu Coração, intimo, murmura uma oração à sua magnifica beleza! E sinto, dentro em mim, uma unica certeza, que sua Alma se desfaz em água pura ... Pois paira alvissima, vestida de ternura, a Senhora Condessa de Monsaraz! Poetas que escreveis sobre a beleza, pintores que pintais a formusura, fixai essa eterna e etérica figura que com certeza, pelo mundo, já não há! Que permanece alvissima, vestida de ternura, a Senhora Condessa de Monsaraz!

As Estrelas de Maria Flávia de Monsaraz - No vazio da penumbra dos meus sentidos vagueiam memórias caiadas de silêncio,
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As Estrelas de Maria Flávia de Monsaraz - No vazio da penumbra dos meus sentidos vagueiam memórias caiadas de silêncio, saudades, palavras e gestos perdidos que se aninham, recalcados no meu peito, batendo como asas de Anjos adormecidos. Uma só caricia me vem ao pensamento, uma só vontade adorna os meus desejos, Voltar atrás, beijar seu rosto, amar o tempo em que nos tinhamos tão próximos, tão juntos e que a morte nos tirou num pé de vento. Sua voz ... essa voz calma e serena, as púrpuras que caiam das suas mãos, seu corpo, cheio de aves, tantas penas, agora na paz sepulcral de um jazigo, adormecido num ataúde d'açucenas. E cai a madrugada sobre mim como aquela tarde triste e tenebrosa em que partiste do cais da minha solidão num barco à vela! O mundo parou! Parou a vida! Parei eu naquela casa frente à sacada da janela ... Casa, outrora, de Poetas e de Paz! E a janela, a sacada, aquela rua ... ... a Victor Cordon que saudades que me traz, um tempo que não volta, voltar aos braços das Estrelas de Maria Flávia de Monsaraz. Até sempre querida Maria Flávia! Um ano de saudade.

⁠Mundo ao Contrário - No silêncio dos Astros indiferentes, na terra, algo de oculto aconteceu!
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⁠Mundo ao Contrário - No silêncio dos Astros indiferentes, na terra, algo de oculto aconteceu! O mundo estava velho e sem Deus ... As pessoas não morriam, o Sol anoiteceu, os bebés não nasciam, a Lua não voltou, as bocas não sorriam ... Havia gritos nas esquinas e desejos incumpridos ... Choravam os alegres e os tristes, a cantar, lamentavam o destino! A vida ao Contrário trazia na algibeira, mortalhas e angústias que pesavam sobre o corpo. A esperança não se via, havia dor por todo o lado e os olhares eram turvos. E tudo isto sobre o silêncio dos Astros indiferentes porque o mundo estava velho e sem Deus! (Perdão Senhor ... Perdão!)

⁠O Canto de Amália - Seu canto vinha de longe vinha do fundo do mar
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⁠O Canto de Amália - Seu canto vinha de longe vinha do fundo do mar não era canto de gente era o Fado em seu lugar. Havia ali algo diferente sobre as águas a pairar era a vida, era a morte de uma guitarra a soluçar. E o mar cansado e forte não calava a voz do tempo por alguém ela esperava mas só ouvia a voz do vento. Porque o tempo não passava p'ra quem tinha aquele olhar aquela voz não se calava era o Fado em seu lugar.

⁠⁠Insalubre - À beira do silêncio daquela madrugada apetecida
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⁠⁠Insalubre - À beira do silêncio daquela madrugada apetecida sentei-me à mesa do vazio ... E veio a chuva, veio o Sol, veio o vento! Na mesa, pus as mágoas, as tristezas escondidas, os desejos incumpridos, a vida não vivida. Servi-me! Tudo estava frio! Insalubre ... Então, bebi das lágrimas dos meus olhos excessivamente abertos, cansados de existir ... Sem metas nem destino, sozinho , adormeci sobre a mesa ... e morri!

⁠- Versos no Espelho - Ontem escrevi um poema Guardei-o bem no peito
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⁠- Versos no Espelho - Ontem escrevi um poema Guardei-o bem no peito Sem passado nem presente Ao meu gosto, ao meu jeito Dormi com ele no meu leito! Hoje sinto-me diferente ... É que os versos são presságio D'uma Alma sem descanso Que se canta num Adágio Profundo, triste e manso! Amanhã a vida seguirá Outros versos nascerão O silêncio será voz Vestirei a solidão Estarei de novo a sós! E depois? O que virá? Terei Alma? Terei corpo? Só Deus sabe o meu destino ... E as maselas do meu rosto Hei-de vê-las no caminho!

⁠Mãos do meu Destino - Há em mim um grito de infinito no silêncio que me veste a solidão
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⁠Mãos do meu Destino - Há em mim um grito de infinito no silêncio que me veste a solidão há qualquer coisa de vento numa voz que me fala ao coração. E há um suspiro feito de água num olhar que me toca o pensamento há um gesto ferido e meigo que pesa triste sobre o tempo. Há um adeus de asas paradas junto às mãos do meu destino que me acena com um lenço, desde sempre, no caminho ..

⁠Nos meus Lábios de Mágoa - Nos meus Lábios de Mágoa Há saudade minha e tua
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⁠Nos meus Lábios de Mágoa - Nos meus Lábios de Mágoa Há saudade minha e tua Trago os olhos cheios de água Sem destino pela rua ... Trago os sentidos cansados Trago a Lua sobre os ombros Trago os meus olhos parados Na tristeza que hoje somos. Bate ao longe um coração Traz saudades a boiar E no cais da solidão Vou chorando sem parar. Passa o vento apressado Sem vontade de me escutar Porque amei o amor errado, Nada resta, há-de passar. A saudade não passará Trago os olhos cheios de água Esse amor só viverá Nos meus Lábios de Mágoa.