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Frases de Poeta mineiro do cerrado - LUCIANO SPAGNOL

666 frases

mansidão as paredes estão caladas as janelas numa mansidão
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mansidão as paredes estão caladas as janelas numa mansidão as portas foram silenciadas para não inquietar a solidão eita casa vazia! prostração tagarela só a poesia © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2019, meados de outubro Cerrado goiano

MANDRIÃO E, já de dia, a manhã então me pedia Que do leito preguiçoso eu acordasse
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MANDRIÃO E, já de dia, a manhã então me pedia Que do leito preguiçoso eu acordasse Eu, com o corpo tardo, morboso, dizia: Não pode! não vês que a alvorada nasce? O dia ainda, nuvioso, e sem luz a porta A alma dos sonhos roga que não afastasse Há! Como pode ser assim: tão fria, morta? Mais um pouquinho só, neste sono sagrado Que diria a preguiça, dirá que não importa? Não, ela me vê, exausto, torpe, cansado E todo pelo agasalho dos lençóis macios Confortavelmente assim perfumado... O sono, madrugada, corta com este frio Espera! Até que está preguiça desapareça Aconchegue-se comigo, ele está vazio Sobre os travesseiros deixa-me a cabeça Adormecido, como a pouco embalava Espera, só um pouquinho, por que a pressa? E ela me contagiava, mandrião. E eu ficava © Luciano Spagnol poeta do cerrado 16/07/2019, 05’55” Cerrado goiano Olavobilaquiando pra um amigo paulistano

vai um cafezinho? há no cerrado um gretado ali ressequido, árido chão
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vai um cafezinho? há no cerrado um gretado ali ressequido, árido chão no verão ele é molhado no inverno devastação sem a cor do encantado mas encanta a fascinação ele tão pálido, incendiado insiste em renovação aguerrido nosso cerrado dedicado o nosso sertão hoje todo cafeinado… põe açúcar ou não? © Luciano Spagnol poeta do cerrado quarta 16/10/2019 Triângulo Mineiro

REMORSO II (soneto) Às vezes, um poetar me espera E os amores e temores infando
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REMORSO II (soneto) Às vezes, um poetar me espera E os amores e temores infando Me padecem, doem, até quando? E assim, em branco vai a quimera Inspiração, emoção, vou sufocando N'alma, sem a doce ventura sincera Oh! Como este gozo no poetar quisera Mais suspirar, viver e amar trovando! Ah! Quão dura é a vera realidade Desespera, ao encarar a vetustez Te traz remorso e tira a suavidade Das paixões que deixei por talvez Da timidez do olhar na oportunidade E dos versos quererem só a lucidez! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 28/08/2019, 06'55" Cerrado goiano Olavobilaquiando

picadeiro estou num picadeiro na arena sou mágico
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picadeiro estou num picadeiro na arena sou mágico trapezista, Brasileiro (até no sobrenome) de compasso trágico poeta por inteiro... eu sou equilibrista no desequilíbrio... nas horas vagas pipoqueiro dum circo de ludíbrio corriqueiro! sobrevivente! paralelamente um sonhador na arte dum eterno amador vivo num suspense neste bio circense! © Luciano Segantini Brasileiro Spagnol poeta do cerrado 26 de setembro de 2019 quinta feita, 05’55” Araguari, Triângulo Mineiro

panorama... meio a secura o ipê com flor na rama
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panorama... meio a secura o ipê com flor na rama maravilha, perfumada ternura pelo cinza, pontos amarelos num matiz em mistura grifadas em prelos... queimada nuveada de fumaça e a estrada dourada traçado cheio de chalaça o cerrado. Vida enleada! Visto pela vidraça! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 21 de setembro de 2019 São Paulo, SP (Guaianases)

ALVORECER DO CERRADO GOIANO (soneto) Alvorece de nuvens o céu do cerrado Numa alvacento tal penugem a nublar
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ALVORECER DO CERRADO GOIANO (soneto) Alvorece de nuvens o céu do cerrado Numa alvacento tal penugem a nublar O Sol tão luminoso no adeus ao luar Radiante, pro dia assim ser anunciado Ouve-se o vento que se põe a soprar Os buritis revoltos no charco estacado Tal magos, num feitiço tão encantado Despertando toda a passarada no ar Num novo acordar, horizonte alumiado Surge a vida com a sua harpa a tocar Em um tom de um devaneio prateado Sobre a indomável vastidão a avivar Sucupiras e jatobás no chão tão árido O Goiás se abre em um sedutor raiar © Luciano Spagnol poeta do cerrado Agosto de 2017 Cerrado goiano

flerte olhava o céu nuvem inerte
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flerte olhava o céu nuvem inerte alvas como papel cá do cerrado calado, meu coração dispensava qualquer termo numa espera sem ação um olhar perdido, ermo pensando só em você e neste glacê de emoção o meu sentimento voa até ti, buscando razão desta distância atoa que ao amor maltrata é dor chata, que dá solidão aquelas que não cabem no peito, de tanta aflição e só os que sentem sabem como é contramão sentir... então, venha logo! Não fique por vir! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2019, 14 de outubro Cerrado goiano

garimpo entre cascalhos pouca a suavidade passei pela idade e por ela os sonetos
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garimpo entre cascalhos pouca a suavidade passei pela idade e por ela os sonetos eu os explorei os coloridos e os pretos fados, todos de amor, e de verdade e pelas gavetas sonhos ali secretos cada qual nas prateleiras, dificuldade suspiros, cometas, e tal multiplicidade eu só queria estrelas, e sólidos tetos o meu poetar é engatilhado, infinidade e nesta esgrima, rima, ares inquietos e os meus paradeiros, olhares eretos das fissuras dos desvalidos, a metade vasculho os sentimentos e quem diria dos devaneios, garimpei a ousadia... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 22/09/2019 Guaianases, São Paulo, SP

ACHANAR (soneto) Deixe que a dor da saudade enfim passe Soltando d'alma o que é teu maior enfado
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ACHANAR (soneto) Deixe que a dor da saudade enfim passe Soltando d'alma o que é teu maior enfado Deixe-a nas entranhas secas do cerrado Para que nos maçantes reclamos se cale Em um grande pesar não se é prolongado Basta! Se todo afeto que sentes se sovasse? Desafie os medos, e os ponha face a face Com coragem, e os tenha como teu agrado Sabe: eu já cansado! Ando tão com receio Na ventura, que o meu amor se consome E o encantamento no revés submerso... Sinto em tudo está ilusão... Tudo custeio! E, derreado de embatucar este cognome Achanando este infortúnio do meu verso. © Luciano Spagnol poeta do cerrado 30 de julho de 2019 Cerrado goiano Olavobilaquiando

mingau e por falar em milho rala-se no ralo grosso
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mingau e por falar em milho rala-se no ralo grosso panela e açúcar no fundilho cravo e canela um colosso pra gosto e temperar e não ficar ensosso... meche, meche sem parar no fogo, um alvoroço olha o leite pra engrossar quero ver se alguém resiste este doce paladar de igual não existe da roça pra qualquer lugar mingau de milho verde, hummm! os beiços a lambuzar de um sabor incomum pode acreditar! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 27/09/2019, sexta feira Araguari, Triângulo Mineiro

No Tempo O tempo já não muito importa as horas, segundos, quantos?
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No Tempo O tempo já não muito importa as horas, segundos, quantos? O que foi já não abre porta e os sonhos, estes tantos... O que vale é o que vem se ainda tem, os recantos onde a alma se sinta bem e no ir além, terá encantos Porém, lembre-te de amar pois nestes acalantos tua passagem irá marcar cada teu minuto teu dia, um olhar um sorriso, teu atributo As rugas, ah! deixe-as ter é o fruto de que pôde viver! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2019, outubro Cerrado goiano

choverando canta gota do céu corrente chuverando o chão ressequido
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choverando canta gota do céu corrente chuverando o chão ressequido em sonatas vorazmente canta para o sono embalar nina com sua água vertente banhando o cerrado a sonhar canta a canção das águas mata a sede inteiramente e leva contigo as mágoas © Luciano Spagnol poeta do cerrado setembro de 2019 Araguari, Triângulo Mineiro

Inspiração de amor Oh! imaginação solitária e crua Clamando pelos carinhos teus
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Inspiração de amor Oh! imaginação solitária e crua Clamando pelos carinhos teus Traz versos da alma nua E não somente sinais ateus Diga a ele que é o amor Quem grifa os versos seus Escorrendo na veia torpor E na inspiração os desejos meus. © Luciano Spagnol poeta do cerrado 09/10/2014 Rio de Janeiro, RJ

Feliz dia do contador (22 de setembro) Contador: o que contabiliza sua vida, no lucro não nos dá prejuízo, assinala a saída,
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Feliz dia do contador (22 de setembro) Contador: o que contabiliza sua vida, no lucro não nos dá prejuízo, assinala a saída, com crédito, benefício, e acolhida... O que calcula e avalia, e faz a perda reduzida! Dia de creditar abraço, parabenizar a quem nos livra do embaraço. © Luciano Spagnol poeta do cerrado outubro de 2019

SONETO ALEGRE Permita-me um momento de ilusão Onde alegre, na alegria possa crer
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SONETO ALEGRE Permita-me um momento de ilusão Onde alegre, na alegria possa crer E cá no soneto felicidade então ter Sem sofrê, alegrando a imaginação Só alegre não basta a alegria querer Tem que haver um além da emoção Olhos lacrimejados duma satisfação Da alegria em tal melodia à florescer Então, alegremente cá nesta canção Cantar as alegrias e, louvar o prazer Ressonando alacridades no coração E neste horizonte de alegria no ser Deixar a sofrência só como bordão Onde na alegria, alegre és o viver! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Fevereiro de 2017 Cerrado goiano

Mastigação Deixando os sonhos de lado Com que a pouco sonhava
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Mastigação Deixando os sonhos de lado Com que a pouco sonhava Por causa dum desagrado Com o meu eu, eu brigava Dizia então: és um danado - eu? E assim retrucava Amanhava tal a um arado O coração dor transportava Quem mais penava (coitado!) Era o devaneio. Gritava! Todo amarrotado Angustiado estava! O tanto, porém, largado Porém pouco se levava O ganho que for tirado Perde. E a alma não será escrava! E, ao fim, deste fatigado Dilema, eu me encontrava Com a plenitude no fado E o resto, a poesia mastigava... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2018, outubro Cerrado goiano Olavobilaquiando

Canção Não te cies do fado, nem do meu olhar que o vento nos puxa pela alma sedenta
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Canção Não te cies do fado, nem do meu olhar que o vento nos puxa pela alma sedenta que as estrelas no céu se põem a poetar... E nosso desejo se faz eternidade juventa. Apressa-te, amor, que o tempo é de amar que amanhã não importa, te quero agora! Não demora tão longe, não me deixe estar sozinho, num nácar de silêncio, janela a fora o pensamento, se fores sonho, quero sonhar! Seja já! Mesmo que a estória fale de outrora o coração traça rotas que nunca pude tatear. Apressa-te, amor, dispa está solidão, és abrigo pegue na mão, me abrace, e assim vamos estar. Se não te disse, com os meus versos te digo: Como foi bom poder te encontrar!… e ficar! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 05/04/2019 São Paulo (um mês)

REQUIESCAT IN PACE (soneto) O amor é apenas uma negativa Se eu um dia com ele já fui teu
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REQUIESCAT IN PACE (soneto) O amor é apenas uma negativa Se eu um dia com ele já fui teu Omitamos está outra alternativa Pois, desta, o nosso já morreu Ah! Porque alegação subjetiva Nada mais em mim sobreviveu Se hoje o senso está à deriva Não és meu bem nem eu o teu Não diz nada, se ali amamos Nossas almas estão separadas Não lembres mais, esqueçamos! Deixemo-lo ir repousar em paz As lembranças estão enterradas E no coração, hoje, é tanto faz! ... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2018, outubro Cerrado goiano Olavobilaquiando

INCONTENTADO (soneto) Saudade sem dor, amor sem fantasia, Que aperta o suspiro dentro do peito,
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INCONTENTADO (soneto) Saudade sem dor, amor sem fantasia, Que aperta o suspiro dentro do peito, Que no sim perpetuado, assim queria, Que nada mais se sente tão satisfeito. Emoção, que o doce sossego repudia, Na palavra rude dita sem o respeito, E, tirando dos sorrisos toda a alegria, Fica ferido, e sem qualquer proveito. Que viva sempre a sede e a tua fome, Paixão sem queixa, e sem lamento, E que ebule o amor em suas rimas. Sempre tenha, o nome que consome, Que eu tenha sempre, contentamento, No incontentado amar e suas pinimas. © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2018, setembro Cerrado goiano Olavobilaquiando

MESSALINA (soneto) Lembro, ao ter-te, as épocas sombrias Dum outrora. A saudade se transporta
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MESSALINA (soneto) Lembro, ao ter-te, as épocas sombrias Dum outrora. A saudade se transporta À tempos de prazer, e não dor à porta De meninices, abarrotadas de alegrias E nestas felicidades de glórias luzidias Que a mostra era viço, não ilusão morta O pouco era muito, e no pouco importa O estorvo, a mais valia, eram as orgias Tolas, e não só imaginação em ruína De quimeras incolores e, assim impura Num cortejo de recordação messalina Ó saudade, acostamento de loucura! Suspirando nostalgias tão cristalina Tinta de tristura, que no peito segura... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Novembro, 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

À SOLIDÃO (soneto) Oh! jornada de inação. O silêncio em arruaça Arde as mãos, o coração, aperreado arrepia
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À SOLIDÃO (soneto) Oh! jornada de inação. O silêncio em arruaça Arde as mãos, o coração, aperreado arrepia O olhar, tremulo e ansioso, tão calado espia O tempo, no tempo, lento, que ali não passa No cerrado ressequido, emurchecido é o dia E vê fugir, a noite ribanceira abaixo, devassa E só, abafadiço, o isolamento estardalhaça No peito aflito de uma emoção áspera e fria Pobre! Se põe a sofrer, nesta tua má sorte No indizível horror de um sentimento vão Quando silenciosa e solitária é a morte... Bem à tua paz! Bem ao teu “às” sossego! Melhor na quietude, ao espírito elevação. Se na solidão, viva! E saia deste apego!... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2018, 11 de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando