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Frases de Poeta mineiro do cerrado - LUCIANO SPAGNOL

666 frases

Fado, metade de mim é cerrado a outra metade, mar salgado...
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Fado, metade de mim é cerrado a outra metade, mar salgado... Luciano Spagnol Cerrado goiano

SONETO ENCARNADO Cerrado, pinta o céu de encarnado por não poder pintar a noite estrelada
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SONETO ENCARNADO Cerrado, pinta o céu de encarnado por não poder pintar a noite estrelada assim, vesti a sombra da esplanada de prata, do luar em tom apaixonado Pra extinguir o rubro desta tal cilada e aprisiona-la até o arrebol no prado o sol se demole num gesto nacarado tão cansado, retirando-se em toada No breu, a cor, escarlate enevoado permanece, então, na noite trancada pra de novo no dia surgir encantado Então, no empalecer da luz arrozada dorme desmaiada, do dia acalorado no ciclo do cerrado, em sua jornada... Luciano Spagnol Poeta do cerrado Novembro, 2016 Cerrado goiano

MINHA PESSOA (soneto ) Eu sou o do fio da meada perdido O que poeta devaneio e quimera
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MINHA PESSOA (soneto ) Eu sou o do fio da meada perdido O que poeta devaneio e quimera Verão ou inverno é só primavera Neste fado, sonhar, é permitido Emaranhado, pensado, eu quisera Em exequível gratulação ter vivido Mas olhar amargo me foi servido E tal refutado, tive sorte megera Aos olhares um quase despercebido Impelido pra muito além da biosfera Espírito enlutado, dum senso sofrido Nas tiranias, choro, sou pessoa sincera Áspero, sem ser, de amor sou provido E no querer mais, me tenho em espera Novembro, 2016 Cerrado goiano

ENFADO (soneto) O quarto penumbroso e triste. Meu viver! Um silêncio na alma que ela parece morta
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ENFADO (soneto) O quarto penumbroso e triste. Meu viver! Um silêncio na alma que ela parece morta Eu num olhar vago, uma pujança absorta Não tenho ânimo, nem uma reação sequer Rabisco gestos pálidos que a nada importa O mundo lá fora a passos largos. Ouço dizer O meu aqui dento de solidão põe a embeber O vazio lânguido, num isolamento que corta E neste enfado, no enfado inquieto do ser Que é que me interessa além desta porta? Se sempre é o mesmo, o mesmo parecer Aqui neste útero meu sonho se transporta Que diga a sorte, e o destino o que quiser Aqui poeto quimera, que abre comporta... (do meu envelhecer!) Luciano Spagnol Novembro, 2016 Cerrado goiano

LINHA DA VIDA (soneto) A linha da vida, na vida é sinuosa Da partida a emaranhada chegada
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LINHA DA VIDA (soneto) A linha da vida, na vida é sinuosa Da partida a emaranhada chegada Quimera criada e felicidade caçada Já a morte... Ah! A morte é teimosa E nesta estrada, a sorte misturada Certeza e surpresa bem manhosa Mas tudo com uma pitada furiosa De cor e sabor, se bem aproveitada Tal qual uma poesia em sua tosa Irresoluta é a linha a ser traçada Porém, é elaborada na sua prosa E no tem tudo e no não tem nada Há saída, entrada, espinho e rosa Como corredeiras (vida) não fica parada... Luciano Spagnol Novembro, 2016 Cerrado goiano

SONETO NUTRITIVO Se liberte por demais da vã filosofia No fado não se tem um alvo certeiro
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SONETO NUTRITIVO Se liberte por demais da vã filosofia No fado não se tem um alvo certeiro Tenha a harmonia, seja companheiro Avigore o tudo e o nada sem utopia Tudo passa, se transforma por inteiro E nesta corredeira leve-te sem agonia O bom da esperança é sair da galeria Sonhar o possível, lutar como guerreiro Vencer é armar-se de amor, ter cortesia O generoso partilha glórias de cavaleiro Achar-se na sombra é meta de covardia Não te percas no efêmero, só nevoeiro Ter, não pertence a ninguém, é fantasia A alma se nutre do bem, do verdadeiro Luciano Spagnol Novembro, 2016 Cerrado goiano

ALMA (soneto) Tenho idade de um tempo qualquer Vivo menino, jovem ou sou senhor
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ALMA (soneto) Tenho idade de um tempo qualquer Vivo menino, jovem ou sou senhor Neste olhar, tenho o olhar do amor Embalado, às vezes, no o que vier Se não vem, tudo bem, sou o que for Adiante, radiante, serei o que quiser Depende de mim e de onde estiver Então, posso ser razão ou sonhador A idade em mim nunca será mister É estado de sentimento, um exterior Garoto ou velho, vai do que dispuser Às vezes amador, noutras um jogador Porém, o corpo, não é o que eu disser Já a alma, estará ao meu total dispor... Luciano Spagnol Cerrado goiano

NADA SERÁ... Se a vida for um vazio, um vazio de vida será...
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NADA SERÁ... Se a vida for um vazio, um vazio de vida será... Se o gesto for sem brio, hostil o gesto será... Se o ter lhe for tardio, o possível não lhe será... Se o existir não for sadio, a existência nada será! Pois, ser é tornar o amor luzidio, aí a vida proverá.. Luciano Spagnol Cerrado goiano

SONETO MELANCÓLICO Chove, embrusca o céu do cerrado o horizonte ribomba em trovoada
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SONETO MELANCÓLICO Chove, embrusca o céu do cerrado o horizonte ribomba em trovoada nuvens prenhas, parindo gota d'agua "cachoeirando" o telhado poeirado Tomba galhos, ventos na esplanada um cárcere sombrio, espírito calado a alma com os seus ais embrulhado contempla os sonhos em disparada E o tempo a ver, o chão ensopado escorrendo devaneios pela fachada dos sonhos, em rodopios atordoado Salpica na janela, medos em pancada melancolia, num espanto não desejado dos meu olhos em pranto, numa cilada... Luciano Spagnol Novembro, 2016 Cerrado goiano

SAUDADE (soneto) Um segundo, não mais que um segundo o andamento já vivido, num tal lampejo
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SAUDADE (soneto) Um segundo, não mais que um segundo o andamento já vivido, num tal lampejo derretido na lembrança, passado mundo do tempo no tempo num sucinto cortejo E neste breve segundo, e tão profundo o antigo tornou-se não mais que desejo duma tal recordação, em que me inundo numa saudade que fala e na alma arpejo Neste minuto conciso o suspiro oriundo traz agridoce eternidade... num ensejo pra amenizar o ser em ser moribundo E ao final, nesta saudade em manejo o que teve de valor foi o amor fecundo que no sentimento... - palpito e adejo! Luciano Spagnol Outubro, 2016 Cerrado goiano

SONETO DUM AMOR Aos olhos surdos, estás ainda, presente No silêncio do cochicho, tua voz é canção
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SONETO DUM AMOR Aos olhos surdos, estás ainda, presente No silêncio do cochicho, tua voz é canção Meus versos mudos, ainda assim, emoção E aos ouvidos, o teu vulto nunca ausente Arrastar-me-ia, se coxo, até a exaustão Pra ter-te em minhas palavras vorazmente Qual tal aragem arrefecendo inteiramente A afeição, a inspiração e o meu coração Sem sentidos, eu te sentiria novamente Circulando loucamente na recordação Qual miragem num perfume languente E sucumbido, ainda assim, em devoção Ao teu nome, na alma eu bem contente Versejaria e te poliria com doce exatidão Luciano Spagnol Outubro, 2016 Cerrado goiano

31 de outubro, DIA DO POETA VIRTUAL... e nascimento do poeta maior Carlos Drummond de Andrade.
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31 de outubro, DIA DO POETA VIRTUAL... e nascimento do poeta maior Carlos Drummond de Andrade. Saudações! O VERBO POETA (soneto) Sem metáforas, conjuga-se, o amor Na oração tudo há, perfeito infinito Varia nas flexões, e nunca restrito Na alma, no olhar, soma esplendor Das conjunções, és o verbo bonito Nas ordenações, é a junção maior Regulares e irregulares, num alvor O poeta, então, grifa o seu escrito Se a favor, ledices, também há dor Do verbo amar, o poeta não é finito Vai além da "sofrência", e do ardor De qual verbo então é o poeta? Dito: É o do sonhador. Pois neste condutor Sabe cantar: quimeras com espírito... Luciano Spagnol Cerrado goiano

ALGO MAIS (soneto) Eu queria ir além, algo mais que quimera algo que me abrase, que me punge, arda
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ALGO MAIS (soneto) Eu queria ir além, algo mais que quimera algo que me abrase, que me punge, arda e não só consuma o íntimo que acovarda mas que tirasse o desejo da eterna espera Queria deixar a alma no tempo acordada Para ter vivido algo mais, mais primavera Sem amargar solidão, sem poesia parda Ou tão pouco, a alegria em uma cratera Eu queria ter algo mais que um lamento Queria lembrança de um beijo tatuado Um olhar eternizado e não de momento Com tão pouco de mim, e o poetar calado Eu queria algo mais, sem um sangramento Dum amor que não tenho... e não só desejado! Luciano Spagnol Outubro, 2016 Cerrado goiano

TANTO (soneto) Que importa, oh sonho! Se sonhei tanto Se por ti, tanto e mais tanto, estou aqui
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TANTO (soneto) Que importa, oh sonho! Se sonhei tanto Se por ti, tanto e mais tanto, estou aqui E hoje, pra não ver os olhos em pranto Vejo o tanto de estórias que eu escrevi Agora são meus fados, cheios de encanto Dum destino intenso, que sonhei, e vivi Se truncados, me foi tanto, que são canto Cantando tanto, que tanto não esqueci Se o passado se esvai, o futuro no entanto É presente na minha felicidade, entretanto A saudade dói, de não tanto, ter tanto mais Portanto, o milagre de se ser, eu aprendi Foi tanto amor, que nele eu tanto construí E estes tantos na alma, nunca são demais Luciano Spagnol Cerrado goiano

CERRADO NUM SONETO Bendito és tu, cerrado de cascalhos que em tuas ramas o belo derrama
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CERRADO NUM SONETO Bendito és tu, cerrado de cascalhos que em tuas ramas o belo derrama num céu imenso e cheio de drama de exóticas flores e tortos galhos Escancaraste a janela num monograma dum horizonte rubro e de secos borralhos num contraste de luz e sombra em talhos que a admiração esculpe num panorama Bendito sejas tu, trançado em retalhos de relva rastejantes que no chão flama refrescantes nascentes, e áridos atalhos E do seu sol poete, poemas declama ipês florescentes e avoengos carvalhos que encenam vida, e a vida proclama... Luciano Spagnol Outubro, 2016 Cerrado goiano

SONETO AO PÉ DO PEQUI O fado ao pé do pequi, no cerrado pôs-me a ouvir e um soneto narrar
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SONETO AO PÉ DO PEQUI O fado ao pé do pequi, no cerrado pôs-me a ouvir e um soneto narrar estórias que eu não podia imaginar e que fez da gratidão o meu agrado Era o destino me propondo reciclar pra me tirar do espírito aperreado do fútil que estava acorrentado me dando a chance doutro lugar Sim, ai eu pude então ser evocado qual a terra prometida, vim me achar na eterna busca de ser encontrado De filho pra pai, pai me vi no olhar então na compaixão fui anunciado e entendi o doce sentido de amar... Luciano Spagnol Cerrado goiano ao meu velho pai

SONETO DUM PISCIANO Sou peixes, das águas da emoção dum olhar profundo, sou cardume
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SONETO DUM PISCIANO Sou peixes, das águas da emoção dum olhar profundo, sou cardume que bóia na nascente do coração das irrigas condoídas, e de nume Ter zelo e dedicação, sua missão doar-se num dos lados do gume alma encharcada de expressão gota a gota, afeto com perfume Banha o outro nas tuas chagas içando doçura nas tuas austagas peixes, místico servidor do amor Neste mar, e com suas dragas devora a tirania, e as pragas... Do zodíaco, eterno sonhador! Luciano Spagnol Cerrado goiano