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Frases de Poeta mineiro do cerrado - LUCIANO SPAGNOL

666 frases

DESENCONTROS (soneto) Saudades nas vontades que se esfumam No tempo visto com os olhos lacrimejados
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DESENCONTROS (soneto) Saudades nas vontades que se esfumam No tempo visto com os olhos lacrimejados Vou-me, assim, nos sonhos debruçados Dos devaneios findos, antes que sumam Dores e fantasmas na alma sepultados São sombras que na frustração abulam Com vozes que na emoção deambulam Numa espera tensa de prazeres alados Nas solidões frias... As carências bulam Arreliam e se desfazem em enevoados De refrigério que as futilidades simulam Então, tento resgatar dos inesperados Fados, versos que sobram e, engulam Os desencontros no coração atarracados Luciano Spagnol 27 de novembro, 2016 03'10", Cerrado goiano

NÁUFRAGO (soneto) Devastado pelos medos, a tudo, temo! E nesta imensidão de negrura sem fim
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NÁUFRAGO (soneto) Devastado pelos medos, a tudo, temo! E nesta imensidão de negrura sem fim Os assombros me aterram no extremo. Donde cheguei e, pra onde irei assim? Os sonhos se tornaram nau sem remo O olhar se prostrou no horizonte carmim Joelhos e mãos postas, de um blasfemo No caos, o favorável estoirou em festim Na sorte, o suspiro se fez de supremo Choro, lágrimas e desespero em mim É embarcação medonha, e eu tremo! Oh! Náufrago, de alma sem lanternim Miserando por um único ato sopremo. Rogo aos anjos, ter-me ao som de clarim... Luciano Spagnol Novembro de 2016 Cerrado goiano

PENÚLTIMA ESTROFE (soneto) O tempo no tempo passa e apavora Afobado por mim, vai e, vai acelerado
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PENÚLTIMA ESTROFE (soneto) O tempo no tempo passa e apavora Afobado por mim, vai e, vai acelerado Acotovela os sonhos, despreza a hora Caduca a poesia, por aqui no cerrado Corre tirânico a disputar lugar na aurora Adormece e acorda sem ser incomodado No meu contendo, nem por nada demora Sacode o vento, incauto, segue denodado Agora, ao redigir está penúltima estância Percebo o quão eu me faço na arrogância De achar que a pressa do tempo é desleal Afinal, o caminho tem estória e fragrância O tempo vivido, não se mede pela distância E sim, no amor ortografado, na estrofe final... Luciano Spagnol Novembro de 2016 Cerrado goiano

PERSIGO A FELICIDADE Em busca da felicidade Cada momento nos fala
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PERSIGO A FELICIDADE Em busca da felicidade Cada momento nos fala Com gestos e intensidade Se fragmento, a alma cala E nesta de inconformidade O sentimento vira lamento A felicidade é pela metade O momento sem sentimento A afetividade o amor escala Traz alento e cumplicidade Ao sentimento embala Nunca na desigualdade Pois, a vida não para... Persigo a felicidade! Luciano Spagnol Novembro, 2016 Cerrado goiano

LIBERDADE (cerrado) O que mais me fascina no cerrado não é o torto se fazendo admirado
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LIBERDADE (cerrado) O que mais me fascina no cerrado não é o torto se fazendo admirado e as melancolias nas tuas cabeiras nem as tuas singelas flores rasteiras e teus mistérios - pleno de arrepios tampouco teu horizonte nos vazios encarnados e cheios de diversidade O que mais me encanta, maravilha é a tua imensidão tão cheia de ilha de oásis, banhadas na pluralidade e a vida na vida pulsando liberdade! Luciano Spagnol Novembro, 2016 Cerrado goiano

CHOVE N'ALMA (soneto) Ouço chuva na minha alma, lá dentro pingando na solidão pingos de nostalgia
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CHOVE N'ALMA (soneto) Ouço chuva na minha alma, lá dentro pingando na solidão pingos de nostalgia é chuva de tempestade turbulenta e fria inundando o coração com triste tormento Tento na saudade ter qualquer analogia nas quimeras, então, busco aquecimento nas estórias de venturas, sem sofrimento pra ter momento de estiagem e melhoria A chuva, ainda cai num compasso lento avolumando dor e sentimento na alegria em rajadas de voluptuoso e firme vento Em vão, a razão quer sair da melancolia debruça na janela da alma, em lamento vê que é pranto, está chuva de carestia Luciano Spagnol Novembro, 2016 Cerrado goiano

VIOLA CAIPIRA (soneto) Noite ressequida, ao longe, viola caipira cantiga de sofrença era ouvida, batida
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VIOLA CAIPIRA (soneto) Noite ressequida, ao longe, viola caipira cantiga de sofrença era ouvida, batida cantada dentro da tristura, pura embira que contagia, é dor, amor de despedida Quem longe está, aproxima, o som pira na alma calam sensações desmedida nas emoções, melodia de toda uma vida chora viola! Chora na escuridade sofrida Trova o chão do cerrado, pura beleza razão no sonho sonhado e, "xonado" retinindo fragilidades de leve leveza Viola caipira, tem quimera no planger convida o coração a estar apaixonado e na paixão, vara até o amanhecer... Luciano Spagnol 2016, novembro Cerrado goiano

ROGO Quando eu estiver acabrunhado De não ter jeito, de dor no peito
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ROGO Quando eu estiver acabrunhado De não ter jeito, de dor no peito Tudo no espírito for atormentado E o perfeito coberto de imperfeito Me tragas a linguagem das flores Traze-me um sorriso de proveito No mortiço, por favor mais cores Na inspiração a poesia e o canto Que muito já ensaiou os amores Traze-me a tal ternura, que tanto Nos faz acalanto, e nos embalou Só não me deixes, aqui, só pranto! E no espanto de que tudo acabou Nem que seja de mentira, entretanto Meu velho amor, siga, assim eu vou! Luciano Spagnol 2016, novembro Cerrado goiano

APENAS QUERO Apenas quero, o cheiro da maresia pisar descalço nas areias, de Piratininga
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APENAS QUERO Apenas quero, o cheiro da maresia pisar descalço nas areias, de Piratininga gesto recompondo a adolescência, alegria Quero apenas, o meu eu, ser apenas eu evolar o silêncio do meu deserto, na ginga da rima, tecendo versos de um plebeu... Apenas quero.. Luciano Spagnol 2016, 15 de novembro Cerrado goiano

AMANHÃ Se teus sonhos são devorados Antes, então que venhas sonhar
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AMANHÃ Se teus sonhos são devorados Antes, então que venhas sonhar No fado eles serão a ti abafados E na alma, eles irão lhe devorar... Então, crie a energia do perdão Traga asas aos ensaios de amar Onde se encene real compaixão Gentileza que possa ser anfitriã E aos caminhos flores e emoção Senão, quem serás tu, amanhã? Luciano Spagnol 2016, 15 de novembro Cerrado goiano

MEIO DIA NO CERRADO Meio dia. Um canto do cerrado ermo O silêncio quebrado pelo som do sino
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MEIO DIA NO CERRADO Meio dia. Um canto do cerrado ermo O silêncio quebrado pelo som do sino A solidão na saudade sem meio termo Céu nublado e vigorosa chuva a pino O vazio cai na calma como um castigo Não há burburinhos e nem um destino O planalto devastado, ausente e antigo Está deserto de fantasmas e de almas A minha angústia não encontra abrigo O vento nos buritis, parece bater palmas... Luciano Spagnol 12'00". Novembro, 2016 Cerrado goiano

ROSA EM SONETO A rosa, florescendo no seu galho saúda o alvorecer com tal magia
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ROSA EM SONETO A rosa, florescendo no seu galho saúda o alvorecer com tal magia de encanto, que irradia cor no dia e um frescor roubado do orvalho Tal qual uma armígera, ali resistia ao sol do cerrado e, sem agasalho se debatia, ao vento, por um atalho clamando, enquanto a pétala ardia E na luta, de livrar-se do vergalho resplandecia mais bela e com valia se desabrochando num mimalho Então, gentil, a brisa e sua cortesia trazia chuva, no sertão tão migalho que como lágrima, na rosa acaricia... Luciano Spagnol Novembro, 2016 Cerrado goiano

CANTO (soneto) Na janela pro cerrado, solitário O apressurado vento na fresta
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CANTO (soneto) Na janela pro cerrado, solitário O apressurado vento na fresta Amigo de exílio, o meu cenário Sibila, e teu sibilo me molesta E, lá no ipê, alto, canta o canário Ouvindo o canto de sua seresta A saudade crê, no extraordinário A alegria, no som, a alma atesta Mas, poucos ouvem o meu dia Calado e frio, numa poesia fria Ajuntando o meu aflitivo pranto E neste choro, um choro estridente Que me faz chorar tão incontinente Muitos pensaram que é meu canto Luciano Spagnol 2016, novembro Cerrado goiano

PALESTRA AMOROSA (soneto) Aguardo-te, silente, pois não te tarda Fez promessa, há de vir. Não te aflitas
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PALESTRA AMOROSA (soneto) Aguardo-te, silente, pois não te tarda Fez promessa, há de vir. Não te aflitas Incertezas, na inconstância me agitas Mas, o coração não falha, te aguarda! No tempo algoz, às horas são infinitas Na velocidade, nada há o que a retarda Mas, a esperança é imortal e galharda E a recompensa vem com flores e fitas Pronto! Vens a mim! Aos meus braços! À espera é longa e, firme são os laços Do sonhado é desejado especial amor Olhe nos meus olhos, quero teus beijos Minha vontade está marcada de desejos De joelhos: - é pra te estás rosas em flor! Luciano Spagnol 2016, 17 de novembro Cerrado goiano

SONETO NOTURNO No olhar do entardecer silencioso o dia adormece e se põe a sonhar
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SONETO NOTURNO No olhar do entardecer silencioso o dia adormece e se põe a sonhar envolto no aroma, da noite, precioso se vai derreado nos braços do luar Se há choro, porque há fado danoso também, há perfume de rosa pelo ar se alguém soluça, há evento doloroso pois, no amor, aquele não soube amar E neste lusco fusco do tempo ditoso vai-se o tempo no ininterrupto caminhar pois, a vida no tempo é tempo vaporoso Assim, vem o dia, logo a noite a tombar num ciclo do destino um tanto misterioso mas, que na existência, é um poetar... Luciano Spagnol Novembro, 2016 Cerrado goiano