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Frases de Poeta mineiro do cerrado - LUCIANO SPAGNOL

666 frases

IPÊ AMARELO (soneto) No teu fugaz aflorar. És partitura Duma melodia cálida fulgurante
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IPÊ AMARELO (soneto) No teu fugaz aflorar. És partitura Duma melodia cálida fulgurante De etérea figura num semblante No ápice duma passagem pura Se ergue na paisagem, vibrante Em efígie no cerrado, escultura Tão cróceo de aparata candura Num teor pomposo e insinuante Ave ipê! Natureza na sua mesura Aos olhos se faz guapo arruante Ao poeta estro em embocadura E neste Éden de aptidão gigante Ao belo, a quimera se aventura Numa viagem de visão alucinante Luciano Spagnol Agosto de 2016

SONETO "MEA CULPA" Você que sempre foi especial, errei Então, no meu erro, desculpa peço
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SONETO "MEA CULPA" Você que sempre foi especial, errei Então, no meu erro, desculpa peço É difícil perdoar! Sei! Árduo regresso Eu confesso: -com remorso fiquei! E nesta "mea culpa", algo lhe direi Se o coração escuta, é progresso Não é fácil arrepender sem acesso Tão pouco indulto de quem o fazei Então, com um afeto lhano modesto No nada é impossível, o meu gesto De contrição... Na minha incorreção Nem tudo na vida nos é tão funesto Pra que seja no amigo ato molesto E neste soneto de amor: -Perdão! Luciano Spagnol 27, agosto de 2016 Cerrado goiano

SONETO SUPLICANTE Amor, o meu plangor rasga o céu Como lavradores no chão inviolado
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SONETO SUPLICANTE Amor, o meu plangor rasga o céu Como lavradores no chão inviolado Querendo arar o peito aqui calado Com o teu olhar, e no teu amor, réu Neste universo dum amor imolado Escrevo sentimento neste cordel Triunfante e tão cheio de tropel Que faz o pensamento enevoado Venha ver as emoções deste anel De luz, quantidades e, de agrado Num vento de virtude, nunca infiel E entre muitos, o meu a ti destinado É fulgor transparente, sem ser cruel Apenas a sorte de amar e ser amado Luciano Spagnol Poeta do cerrado Cerrado goiano 16'00", janeiro de 2016

SONETO ANTES DE TU Antes de amar, amor, era amador Não tinha nome, rua ou endereço
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SONETO ANTES DE TU Antes de amar, amor, era amador Não tinha nome, rua ou endereço Nada importava ou queria apreço Expresso era o suspiro de amor Eu sonhava sonhos pelo avesso Nas fases da lua um devaneador Em silêncio cochichava a tal dor Num desprazer plácido, impresso Tudo era um vazio, morto, clamor Caído em um horizonte espesso Onde escorria olhar tão sofredor Antes de tu, não existia começo Até que vieste com o teu amor E pude no soneto ter ele impresso... Luciano Spagnol Poeta do cerrado Janeiro, 21 de 2017 Cerrado goiano

JUBILA CANÇÃO (soneto) Bendito sejas o amor, ao coração meu Que desnudou o breu da minha solidão
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JUBILA CANÇÃO (soneto) Bendito sejas o amor, ao coração meu Que desnudou o breu da minha solidão Em luz, das andas minhas na escuridão Quando a sombra, me era o apogeu Bendito amor, que me estendeu a mão Como quem no amor oferta o amor teu Sem distinção, pois, dele dor já sofreu E então sabe aonde os vis passos dão Bendito sejas, que no prazer plebeu Trouxe amor à vida e, boa comunhão Ao pobre pecante, dum âmago ateu E então, neste renascer com gratidão Que no peito uivou e angústias moeu Do solitário pranto, fez jubila canção. Luciano Spagnol Poeta do cerrado Janeiro, 2017 Cerrado goiano

SONETO DO AMOR EXATO Da ventura, terá sempre o invejoso Por não ter a lua amasia tão divina
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SONETO DO AMOR EXATO Da ventura, terá sempre o invejoso Por não ter a lua amasia tão divina E uma paixão tão pouco peregrina No coração eleito no olhar amoroso Amor, será sempre suspiro glorioso Regado de adulação pura e cristalina Vermelhas rosas, e emoção inquilina Um gesto, revelado um tanto airoso É harmonia que nos amestra, contina Não emulando, e sim no afeto ditoso O sentimento no espírito, lamparina Que então, não seja o ter ambicioso Que o mal que queira o bem ensina Pra no amor não ter amor enganoso Luciano Spagnol Poeta do cerrado Janeiro, 2017 Cerrado goiano

CERRADO DUAL (soneto) O cerrado tem dia de sorrir, e ele sorria Tem dia de melancolia, e ele entristecia
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CERRADO DUAL (soneto) O cerrado tem dia de sorrir, e ele sorria Tem dia de melancolia, e ele entristecia Porém, também, tem dia de total silêncio E na quimera dum colossal o vário é cio É mistério, sequidão, chuva, calor e frio Deitados sob o céu que provoca arrepio É a tristura com o espanto da sutil ironia Que muito desflora, muito recria, poesia E nesta galeria de tanto, dele o encanto Da sequidão ao empapado num só canto Num bale dual, no seu cenário desigual É o cerrado, das cores e do seu pálido Soprando no planalto o seu vento cálido Transmutando a diversidade no plural... Luciano Spagnol Poeta do cerrado Janeiro de 2017 Cerrado goiano

QUIMERAS DOLOROSAS (soneto) Estou solitário no cerrado sem cores Nas lembranças tristuras guardadas
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QUIMERAS DOLOROSAS (soneto) Estou solitário no cerrado sem cores Nas lembranças tristuras guardadas No peito vis nostalgias desmaiadas De sortes desfolhadas e sem flores As tardes de mesmices requentadas Que a solidão arrefece aos arredores Enquanto vão esgarçando as dores Perdidas saudades hão em toadas Quantos gemidos, quantos valores Por estarem dolorosas nas ciladas Largam as quimeras nos bastidores E nas presunções alheias, estacadas Que fazem da condição só temores... Me vou arrastando entre vergastadas! Luciano Spagnol Poeta do cerrado Janeiro de 2017 Cerrado goiano

O AMOR MEU (soneto) O meu amor pode ser afim à todo mundo Os deslizes mais ou menos à toda gente
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O AMOR MEU (soneto) O meu amor pode ser afim à todo mundo Os deslizes mais ou menos à toda gente Porém, ele tem um particular facundo Insiste em ser fidelidade integralmente É diferente de ser só um amor profundo Vai além do temporal, quer eternamente -se importa? Ah! Importa completamente Pois é rotundo no peito, e n'alma fecundo Ele tem sombra e, também é reluzente Necessariamente é simples e jucundo Sempre evidente, nunca está ausente Todavia, ele será ferozmente iracundo Se das profundezas o bem for poente Pois amor que é amor do amor é oriundo! Luciano Spagnol Poeta do cerrado Janeiro de 2017 Cerrado goiano

AMOLDO VERSOS (soneto) Eu amoldo versos como artesãos Do barro inviolado a transfiguração
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AMOLDO VERSOS (soneto) Eu amoldo versos como artesãos Do barro inviolado a transfiguração Livre é o saltimbanco do coração Que trova alumbramentos cortesãos Nas pontas dos dedos em convulsão A quimera arranha os tarares anciãos Com a lira d'alma nos gemidos sãos Escorrendo expressão da imaginação Gota a gota, tato a tato nos corrimãos Das vozes que aos amados clamam E das odes que saem como bênçãos Neste improviso tem dores, emoção Solidão. Na cata dos sensíveis grãos Da poesia. Transformados em canção! Luciano Spagnol Poeta do cerrado Janeiro de 2017 Cerrado goiano

SOLIDÃO BORRALHEIRA (soneto) Erma solitária solidão borralheira Que atulha o cerrado de melancolia
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SOLIDÃO BORRALHEIRA (soneto) Erma solitária solidão borralheira Que atulha o cerrado de melancolia No entardecer encarnado em romaria Alongando o minuto em hora inteira Assim só, os sonhos vão pra periferia A espiar a sofrença além da fronteira D'alma, caraminholando oca asneira A crepitar agonia em atroada sombria O vazio do imenso céu sem cabeira Nos engole com chilreio e zombaria Galopando apertura numa carreira Tétrico encanto da solidão crua e fria Que do silêncio é a sua mensageira E que ao coração saudades anuncia! Luciano Spagnol Poeta do cerrado Janeiro de 2017 Cerrado goiano

ENTRANHAS (soneto) Então? Poucos estarão ao teu lado Tua sorte vai até quando fores útil
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ENTRANHAS (soneto) Então? Poucos estarão ao teu lado Tua sorte vai até quando fores útil O desprezo é porção do lado fútil Lamentável, da ingratidão é aliado De tão cego o afago se torna inútil Vários hão ambição, pouco agrado Onde o olhar se faz fragor calado E o abraço repulsa num solo fértil Afaze-te ao discernir denodado Da injustiça encontrarás o covil Da proteção o ferrolho trancado Não te faças de amigo neste ardil Nem formidável no vil acordado A dor calejada, pode ser gentil! Luciano Spagnol Poeta do cerrado Janeiro de 2017 Cerrado goiano

LACUNA (soneto) Solidão, de insistir-te, não és esquecida A saudade anda exagerada em te trazer
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LACUNA (soneto) Solidão, de insistir-te, não és esquecida A saudade anda exagerada em te trazer Nem sequer és o pretexto do meu viver Pois se a sorte é triste, alegre é a vida! Nada neste exagero é de fato pra crer Se há ganhos e perdas, vinda e partida Ter desvario é querer chuchar a ferida O vital é mistério, bom é se surpreender Pois a mesma estória tantas vezes lida Traz história enlouquecida ao escrever Tudo passa, não é só subida e descida Ai, pode voar o tempo, tempo morrer Tudo tem princípio e o fim, na medida E nesta metamorfose, vai o nosso ser... Luciano Spagnol Poeta do cerrado Cerrado goiano 2017, início de janeiro

CERNE (soneto) Do ventre do cerrado ergui meu gemido Estrugido duma saudade que me eivava
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CERNE (soneto) Do ventre do cerrado ergui meu gemido Estrugido duma saudade que me eivava Furtando o fôlego duma dor que escava O coração já aturado e um tanto dividido Da solidão a tramontana reviu-se escrava No cerne da sofrença no peito desfalecido Que és de tudo escárnio no fado contido Grito! Que ao contentamento então trava Que labareda tal me arde no esquecido Me remanescendo qual tétrica cadava E me prostrando na réstia do suprimido? E, se toda sorte aqui me falhe, és clava A esperança, dum regresso ainda vivido Factível, sem os que a quimera forjava... Luciano Spagnol Poeta do cerrado Janeiro, 2017 Cerrado goiano

CHUVA NO CERRADO ( soneto) Canta chuva, no cerrado, uma cantata E há, feérico coro no planalto fustigado
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CHUVA NO CERRADO ( soneto) Canta chuva, no cerrado, uma cantata E há, feérico coro no planalto fustigado De gotas do céu num tilintar animado Como que um suave retinir de prata Bendita chuva que ao chão imaculado Batiza a secura com água que desata Verdes relvas e fulgor novedio da mata Num renovo de um frescor empanado Alvor ideal que desponta na fragata Do sertão, num úmido beijo desejado Arejando, generosa, em trínula volata Ah! Num regozijo do viver denodado Num delíquio louco, ri-se escarlata A encantada chuva que cai no cerrado Luciano Spagnol Poeta do cerrado Janeiro, 04, 2017 Cerrado goiano

SONETO SONHADO Sonhei que saudade de ti sonhava Aqui pelas bandas do meu cerrado
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SONETO SONHADO Sonhei que saudade de ti sonhava Aqui pelas bandas do meu cerrado Foi tão bom, uma pena ter acabado Pois nele, sonho, contigo eu estava Que pena... era um sonho sonhado De lembranças em que a alma lava Onde a tua falta na minha ali ficava Em um silêncio d'um afeto amado Sonhei hoje contigo, nem imaginava Ter-ti tão manifesto ali ao meu lado Num sonho, que nostalgia passava Queria de ti, não estar desamparado E sonhar-ti, onde só amor anunciava Eterno sonho, eternamente no fado... Luciano Spagnol Poeta do cerrado Janeiro, 2017 Cerrado goiano

SONETO EM BRANCO E PRETO Quisera ter no alforje d'alma um poeta vibrante e canoro, de algures secretos
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SONETO EM BRANCO E PRETO Quisera ter no alforje d'alma um poeta vibrante e canoro, de algures secretos do amor, ornados em versos discretos e parido num singelo berço de asceta Quisera atar-me em sonhos irrequietos trazendo quimeras na pena da caneta num dueto com a fulgor d'um cometa que versifica a lírica d'outros quartetos Quisera rimas, na simetria em linha reta dos caminhos honrosos, versos epítetos num alarido de fidalguia, terno e violeta Quisera da poesia a alforria dos ginetos d'amargura, d'um soneto branco e preto pros variegados belos e sonoros sonetos Luciano spagnol Poeta do cerrado Cerrado goiano Dezembro, 2016

Poema do imaginário Vamos pulsar a vida Expulsar e por de partida
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Poema do imaginário Vamos pulsar a vida Expulsar e por de partida Qualquer forma de desamor Some no abraço o laço acolhedor É preciso amar É preciso atar No olhar, a cumplicidade Chegar mais na felicidade Como quem chega Para alguma parte E sempre rega O sonho em arte A vida em entrega “O silêncio é o exato momento do nada no lamento.” Luciano Spagnol Poeta do cerrado Cerrado goiano

No acaso a vida nos abençoa com aquela pessoa exclusiva. Que a cumplicidade nos cativa, e que especial se torna a felicidade. Presente de Deus na sua bondade, de pai, que nos dá a chance de conhecer; nos dá está especial convivência, para que possamos entender o valor da partilha…
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No acaso a vida nos abençoa com aquela pessoa exclusiva. Que a cumplicidade nos cativa, e que especial se torna a felicidade. Presente de Deus na sua bondade, de pai, que nos dá a chance de conhecer; nos dá está especial convivência, para que possamos entender o valor da partilha...do amor... do abraço... e aí neste laço poder afirmar: - você é meu amigo! Luciano Spagnol Poeta do cerrado Cerrado goiano

Sou eu Eu sou o desigual do cerrado torto
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Sou eu Eu sou o desigual do cerrado torto árido de morro lascado pelo fogo queimado rebrotado na menor das chuvas. Sou descampado só tenho nas mãos as luvas que escrevem o traçado das rimas em melancolia iguais a do cerrado poetadas na poesia de um plebeu. O cerrado sou eu... Luciano Spagnol Poeta do cerrado Cerrado goiano

Miragem Quimeras não me deixes só, no fundo Do fosso da ilusão, deste veloz mundo
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Miragem Quimeras não me deixes só, no fundo Do fosso da ilusão, deste veloz mundo Subindo e descendo, remando trova Tentando entender e ser alguma prova Além, de estar debruçado no horizonte Querendo mirar uma tal e desejada ponte Que possa me levar ao outro lado, reverso Se nas mãos só tenho o meu amor e verso. (Pois, cada miragem, solidão, eu confesso). Luciano Spagnol Poeta do cerrado Cerrado goiano