Frases de Poeta do cerrado LUCIANO SPAGNOL
766 frases
TODA DOR DO SONETO
Toda dor do soneto, por mais que doa
Na própria ilusão encontra o refrigério
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TODA DOR DO SONETO
Toda dor do soneto, por mais que doa
Na própria ilusão encontra o refrigério
As lágrimas doídas de um despautério
Veda-as no desabafo duma poesia boa
O que conforta, a sensação que povoa
Que faz sonhar, um refundir, o critério
Que nos repara, nos valida, o cautério
Da gana n’alma. O amor tudo perdoa!
Quando a poesia compõe o outro lado
E, depois de descarregar a amargura
Do verso que sentiu... tudo é passado!
Noutra parte há de, acalanto, a ventura
Conjurando aquele instante apaixonado
E o poema segue num adeus à tristura!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
06 de maio, 2023, 12’59” – Araguari, MG
DOR
Desbotada, à rima da poesia sombria
Sobre a agonia da sorte predestinada
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DOR
Desbotada, à rima da poesia sombria
Sobre a agonia da sorte predestinada
Tal qual a lua na noite, esbranquiçada
O versar na prosa é de pálida melodia
E nesse tom lúrido e de sensação fria
A inspiração pela solidão é embalada
No silêncio das ideias, cheio de nada
Onde cada verso, de agrura se vestia
Chora o verso, e o verso vai chorando
Sofrença palpitando, as quimeras indo
Da imaginação. A tortura no comando
Não rias da poesia, ó vil dita, convindo
Pois, o versejar vela a tristura rimando:
Com muitas lágrimas no papel caindo!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
04 de maio, 2023, 15’55” – Araguari, MG
POÉTICA QUE ATRELA
Ó verso, que se enfada, ó verso, que brada
D’Alma cansada. Tão inquieto, e pobrezinho
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POÉTICA QUE ATRELA
Ó verso, que se enfada, ó verso, que brada
D’Alma cansada. Tão inquieto, e pobrezinho
Nunca foste amado, na tua estrofe, sozinho
E vives buscando aquela prosa encantada
Tua poesia anda vazia, deserta sua estrada
Tão frígida cada rima, sem calor do carinho
Ferido. No teu íntimo aquele certeiro espinho
E, a inspiração com o silêncio da madrugada
E, amanhã, quando a luz do sol fulgir, radiosa
Ó poesia sem sorte, importuna, com saudade
Traga em seus versos uma ventura formosa
E então, já não será ignoto, e numa viradela
A solidão será oculta na buscada intimidade
E, dum canto isolado, terá poética que atrela
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
03 de maio, 2023, 19’23” – Araguari, MG
BEM ACEITO
Suspira a alma, satisfeita, embriagada
Que brada, que celebra e engrandece
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BEM ACEITO
Suspira a alma, satisfeita, embriagada
Que brada, que celebra e engrandece
Alegrias assim singulares, as merece
Ornando a emoção de cor enamorada
Ó agrado afeiçoado, ó ventura ritmada
Pulsa o sentimento tal uma doce prece
E então, sensação, que o peito aquece
Causando está melodia tão encantada
Como é sonoro o versar, ao amor feito
É Deus, que tudo vê, assim, abençoa
A devoção, a cumplicidade, o respeito
Sim, o amor, que no bem tem sua sina
Quando no olhar há simpatia... perfeito
Pois, tudo sublima, onde a paixão ecoa
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
03 de maio, 2023, 05’59” – Araguari, MG
MAIS INTENSO AMOR
Eu que proclamo a falta, eu que proclamo
Reclamos no versejar, com suspiros e dor
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MAIS INTENSO AMOR
Eu que proclamo a falta, eu que proclamo
Reclamos no versejar, com suspiros e dor
Mal sabes o prosar que lágrimas derramo
De uma saudade que vive cheia de rumor
E, neste verso sofredor, sem o eu te amo
Tudo é incolor em um canto desesperador
Mal sabe que, na composição, a ti chamo
Ó meiga paixão, paixão que saiba compor
Mal sabe que, a sensação, que se sente
Em uma inspiração vazia de aqui sozinho
É, eternamente tenra, do agrado ausente
Eu, pra esquecer deste penetrante rancor
Juncaria a poesia com todo o meu carinho
Em verso de amor, com mais intenso amor!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
30 abril, 2023, 19’40” – Araguari, MG
SENSAÇÃO TANTA
É tão supremo o angélico amor
Uma bença que graça a paixão
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SENSAÇÃO TANTA
É tão supremo o angélico amor
Uma bença que graça a paixão
Cheio de agrado, de doce alvor
Cortês sentimento e de emoção
Peregrina no sentido, inspiração
Arde n’alma, tom maior, sedutor
Uma imaculada e bela tentação
Da existência, um precioso valor
Tem a essência e terna formosura
E a luminosa aliança sacrossanta
Do afeiçoar, é predestinação pura
E, quando o olhar, então, encanta
Inundado de uma singular doçura
Tudo cativa, neta sensação tanta!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
29 abril, 2023, 16’40” – Araguari, MG
REDENÇÃO
Depois que passou, só depois, desta dita fadada
Notei que a sensação e o quesito não têm preço
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REDENÇÃO
Depois que passou, só depois, desta dita fadada
Notei que a sensação e o quesito não têm preço
O melhor agrado, aquela leve emoção encantada
Brota n’alma, se há sentimento igual, desconheço
Aquele gesto manso e casto, ao silêncio confesso
O repouso, a calma, aquele sossego e mais nada
Tudo é poesia, cuja a poética é singular endereço
Hoje vejo quão a intensão não é mais enamorada
Depois que passou e, só depois, desta redenção
Me tive novamente vivente, cercado de aventura
É que o pensamento tem satisfação na libertação
Dei-te o meu eu, com intensão, o exato, e forjavas
Condição que não sentia. Uma desafinada mistura
Pois, nesta gorjeta rala, as tuas restas me davas! ...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Abril 2023, 11, 10’23” – Araguari, MG
Apenas uma poesia
Não tenhas receio, leia
É apenas uma poesia
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Apenas uma poesia
Não tenhas receio, leia
É apenas uma poesia
E não uma teia...
De enganos, porfia
Aqui tem viço
Nas rimas, melodia
Compromisso
De encanto, valia
Pode levá-lo, isso!
Ora-lo na sua solidão
Pois, ele é inteiriço
Aos olhos do coração
Aqui se fala de amor
Trás a certeza da paixão
E, nestas rimas sem dor
Terás prazer e emoção
Na certeza de ter alegria
Memorize está inspiração
De afeto, é só uma poesia
De paz e bem, em oração...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Abril de 2016 - cerrado goiano
CADA TANTO
Cada tanto que a poesia se abre, plena
E tatua o branco do papel com primores
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CADA TANTO
Cada tanto que a poesia se abre, plena
E tatua o branco do papel com primores
Tenho sensação nesta tão poética cena
De atraentes sentir com criados vigores
E vou versando. A paixão não é pequena
Inspiração da alma, encantados louvores
Ali, repousados em uma sagrada patena
E, tão repleto de sentimentos amadores
Sim, eu, um casto sonhador, emocional
Dum coração, devaneador, sentimental
Enredado de uma sedutora imaginação
Na minha prosa, eu, conto o quotidiano
Se triste, o alegro, se pranto, do engano
Assim, canto, cada tanto, duma emoção
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
05 abril, 2023, 14'00" – Araguari, MG
Soneto de janeiro
Então, janeiro, primeiro do ano
E, assim, caminha dia pós dia
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Soneto de janeiro
Então, janeiro, primeiro do ano
E, assim, caminha dia pós dia
A sorte na sua inquieta valeria
Agridoce magia, de fatal plano
O destino palpita tão soprano
Num canto de tristura, alegria
E, seguindo, cheio de fantasia
Faz-se vida, e o tempo decano
Indo, que se vai, caminhando
Fatos, estórias, n’alma flamas
Com um horizonte passageiro
Sentido, então, vai passando
Fugaz, vigente, em chamas
Alvorecendo mais um janeiro...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
21 janeiro, 2024, 14’12” – Araguari, MG
CONSTRUÇÃO
Dentre tudo eleito, põe-se o devaneio:
Ilusão por ilusão, embora tão recatada
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CONSTRUÇÃO
Dentre tudo eleito, põe-se o devaneio:
Ilusão por ilusão, embora tão recatada
No sentimento só sensação é traçada
Criando uma etérea emoção sem freio
Dentre tudo eleito, põe-se o anseio:
Forte, sussurrante, a ventura alada
Da alma, querendo ser apaixonada
Opondo a pluralidade, forte gorjeio!
E a poética é um versejar ondeado
Variado, tão cheio de rima por rima
Loucura, mas que traz a pura razão
Sobranceiro ao acaso, o amor estima
Lima, fazendo do coração enamorado
Numa terna e embaraçosa construção.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
20 janeiro, 2024, 18’28” – Araguari, MG
Pranto e sorriso (fado)
No pranto da alma um sorriso
De ilusão. Pesar não, encanto
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Pranto e sorriso (fado)
No pranto da alma um sorriso
De ilusão. Pesar não, encanto
Pois, haver a crença é preciso
Toda a doçura do amor, tanto!
Se bem, a risada é um paraíso
Cheio de cor, de cheiro e canto
Entanto, na dor chorar é inciso
Aliviando o coração, conquanto,
Nem sempre, a regra é a hora
Portanto, tenha o querer afora
Da renúncia, te soltes da tolice
Tem muito mais, creia, confie
E, com a satisfação... contagie!
Pois, o tempo traz já a velhice!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
20 janeiro, 2024, 12’12” – Araguari, MG
Um amante
Num soneto feliz e ímpar, a ternura
Rimando o prazer com uma lucidez
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Um amante
Num soneto feliz e ímpar, a ternura
Rimando o prazer com uma lucidez
Num sentimento com doce ventura
Que envolve a alma, com parvulez
Enquanto o canto alastra formosura
Em uma poética que a emoção fez
No âmago, o amor, figura brandura
Enchendo de agrado e de solidez
Pela primeira vez, a poesia amada
Uma rosa, um toque, apaixonada
Sensação. Versado o beijo galante
E, o soneto saciado, rico e querido
Outrora pícaro, agora com sentido
Rascunha versos para um amante.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
17 janeiro, 2024, 18’38” – Araguari, MG
Sonatina (soneto II)
Não pode ser sempre inquieta poesia
Está morna poética, cheio de torpeza
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Sonatina (soneto II)
Não pode ser sempre inquieta poesia
Está morna poética, cheio de torpeza
Os versos tão enevoados de lerdeza
Há de isentar-se desta sensação fria
Num vendaval de solidão e de agonia
O choro apodera da rima em tristeza
Quando a inspiração só quer alegria
E numa sonata vê-se sons da utopia
Hei de subir ao tope da imaginação
Vencer procelas e alaridos, emoção
Ali, triunfante, cheio de doce louvor
Em poema, aclamante, e com intento
O sol da glória há de ornar o momento
E eu, hei de toar: - em versos de amor!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
16 janeiro, 2024, 20’38” – Araguari, MG
Fragilidade
Se o verso bater de novo à minha inspiração
Inquieto, suspirante, para o meu sentimento
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Fragilidade
Se o verso bater de novo à minha inspiração
Inquieto, suspirante, para o meu sentimento
Hei de dizer-lhe tudo quanto for duma razão
O meu afastar, como um vingador momento
O que vir de tal gesto, pouco importa a ação
Não se faz árduo e penoso, tão pouco isento
Quando o versejar compõe para uma solidão
Falham com as duras rimas, sofrem fastiento
E, se for irreverência com uma flor, dor causa
E, se for olhar jogado ao vento, disperso olhar
Ah! borrado verso quando o amor, nele pausa
Tudo se faz tão vazio, ao poema tão aturdido
Sem cor, cheiro, colo, e sem um poético lugar
Onde o canto se põe a chorar num tom traído.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
15 janeiro, 2024, 04’38” – Araguari, MG
DEPOIS QUE TI SENTI
Depois que te senti, só depois, sentimento usual
Notei que o agrado d’alma é bem sem ter preço
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DEPOIS QUE TI SENTI
Depois que te senti, só depois, sentimento usual
Notei que o agrado d’alma é bem sem ter preço
A maior felicidade, emoção, singeleza virginal
E, se um dia há igual, eu ainda, não o conheço
Doçura ardente e casta, à Deus, afim, eu peço
Ó sentimental ponto, faz deste poetar divinal
Desejo sem igual, cujo certo e único endereço
É a paixão, que faz da sensação tão especial
Depois que te senti, só depois... vivi a cortesia
O espírito junto da alegria e cheio de ventura
É que a mente me invade uma emotiva poesia
Com versos imersos no prazer, assim, estavas
Cada rima, provando está minha suave ternura
Na entrega do amor rudimentar que me davas!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
14 janeiro, 2024, 14’53” – Araguari, MG
“Corteggio”
Num farto verso de grato sentimento
Sensações no canto eu encontrava
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“Corteggio”
Num farto verso de grato sentimento
Sensações no canto eu encontrava
E, assim, para ti meu amor cantava
Que domava todo meu pensamento
Toda à parte, um montão, eu invento
Momento para falar-te o que passava
No meu coração e, ali o amor estava
Tão tomado e, se não, eu acrescento
Inquietado... (diz-me então) a ternura:
Do prosar que tenho, qual te agrada
Pois na sedução os concedo, procura
E versejando com a alma enamorada
Assim, pra ti, cada verso com doçura
Escrevo o soneto com rima cortejada.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
07 janeiro, 2024, 11'02" – Araguari, MG
No cerrado, o dia alvorecer
Eu vi o dia alvorecer, no cerrado
Fiz aí eterno voto de admiração
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No cerrado, o dia alvorecer
Eu vi o dia alvorecer, no cerrado
Fiz aí eterno voto de admiração
Vi depois o céu rubente, visão
Feérica, igualmente encantado
A qual mais belo, se, ilimitado
Sedutor, este, aquele, sei não?
Cada qual com a sua emoção
Cada qual com o feitiço privado
Ah! que este instante inebriante
Sabe a sensação o quão cativa
Cá no cerrado é cena constante
Raia, cerrado, rebenta num viva
Ou faze do show ímpar instante
Surgindo em poética tão festiva.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
08 janeiro, 2024 – Araguari, MG
GULA
Sim, mais! Mais ainda! E ainda mais!
Quando o coração sente o tal desejo
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GULA
Sim, mais! Mais ainda! E ainda mais!
Quando o coração sente o tal desejo
Um olhar que queima, os toques tais
E aquele arfado suspiro, doce ensejo
Nunca as sensações nos são iguais
Porque o olhar do amor tem lampejo
Fazendo do sentimento ali seu cais
Sim, mais! Mais ainda! Ainda o beijo!
Ah! O beijo! ... que nos deixa talante
Querendo muito, ter terna felicidade
Cheio de sede, gosto que consome
Fosse, assim, toda a sorte, amante
Não há emoção que baste à vontade
Nem satisfação que chegue à fome!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
05/01/2024, 12'33" – Araguari, MG
Ao Pé da Cruz
Ao Pé da Cruz, no suplício do madeiro
Em cujo o pesar move no seu sofrer
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Ao Pé da Cruz
Ao Pé da Cruz, no suplício do madeiro
Em cujo o pesar move no seu sofrer
Em cujo no teu elemento hei de ser
Penhorado, neste mundo passageiro
Que não seja parte, sim, por inteiro
Pois, te sinto no meu peito a verter
Estais comigo em cada doce valer
Pois é a páscoa, o manso cordeiro
Então! Em tuas mãos o meu espírito
Volvei tua face a este falho pecador
E dá-me o vosso dom, que é infinito
Na cruz, nossa salvação, gentil amor
Que, por tudo que pequei, todo delito
Na redenção em Ti, rogo o Teu louvor!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
06/01/2024, 12'12" – Araguari, MG
*dia de Santo Reis.
PENA
Sensação renhida, deixai-me na paz
Livrai-me do mal e suas dores rasas
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PENA
Sensação renhida, deixai-me na paz
Livrai-me do mal e suas dores rasas
Que não rasteje e sege mais capaz
Com sentimentos de alongadas asas
Ou me faça, mais, mais sorte voraz
Onde meu olhar queime em brasas
Leve a desilusão e o amor perfaz
Quando a estima e a alegria casas
Satisfação, de cintilante claridade
Que iluminas a alma e traz sabor
Sê também aquele amigo abrigo
Ó boa sensação! Tem de piedade!
Não me condene tal a um pecador
Ordenando a aflição estar comigo!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
04/01/2024, 16'31" – Araguari, MG
PRENDA
Diga a poesia! A poesia compreenderia
O prazer contido em um poeta a compor
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PRENDA
Diga a poesia! A poesia compreenderia
O prazer contido em um poeta a compor
A luz do olhar, da lua, o espectro da flor
Que faz nascer d’alma a imensa magia
Traz os sonhos na noite e doce utopia
A ensopar a prosa com beleza e sabor
Enchendo os versos com alumiada cor
Desenhando as quimeras de cada dia
A cada gota de inspiração, o encanto
Vida que rima com alegria e o pranto
Inda que a lágrima seja para disfarçar
Cala no coração o fascínio tão fundo
Dos mais e entre as graças do mundo
O afago de então, a prenda de poetar.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
11 dezembro, 2023, 15’47” – Araguari, MG
INDEFINIÇÃO
Posso lá versar na poética jornada
Ter caução num verso divinamente
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INDEFINIÇÃO
Posso lá versar na poética jornada
Ter caução num verso divinamente
Se aquele revés, da amargura rente
Enche de nevoa a poesia inspirada
Se a prosa se torna cantiga agitada
E tenta impor uma sofrença ardente
Tendo suspiros e lágrimas somente
Como regra na imaginação traçada
Posso lá referir, assim, a sensação
Dum agrado, de concórdia e louvor
Seja a hora, sempre, na indefinição
Eu sei lá qual razão, então, a supor
Uma adição ou o apenas supressão
Se qualquer um irá poetificar na dor.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
10 dezembro, 2023, 14’15” – Araguari, MG
DIMENSÃO
Foi a poesia, bem sei. Sua alquimia
A cadência de chegadas e partidas
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DIMENSÃO
Foi a poesia, bem sei. Sua alquimia
A cadência de chegadas e partidas
Que me trouxe, aos poucos, a valia
E a certeza das emoções sentidas
Foi a saudade, bem sei, a nostalgia
Nos versos de pesadas despedidas
Que deixou a minha alma toda fria
E o coração com sensações doridas
Foi a prosa, alada, formosa, curiosa
O toque, o cheiro, e um tal momento
Que encheu de causos e razão nova
Foi a vida, bem sei, ao viver preciosa
Uma dor chorada naquele sofrimento
Que deu cada dimensão a minha trova...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
08 dezembro, 2023, 19’28” – Araguari, MG