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Frases de Petros Medeiros

31 frases

Meus poemas estão acabados. Não consigo mais escrever, a tempestade me abandonou
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Meus poemas estão acabados. Não consigo mais escrever, a tempestade me abandonou e fui o ultimo a perceber e o que sou sem a tempestade? onde foi parar toda a intensidade? já é tempo de encarar a verdade. Não há novo ciclo a ser iniciado, estou com medo, paralisado; onde foi o fogo e as visões? os mares se acalmaram, não há mais furacões, incinerado pelas erupções, fugindo do maior dos medos aquele que não pode ser revelado, trago comigo o- não trago nada que valha ser citado e não pertenço mais a lugar algum, continuo me perdendo com a esperança de um dia ser encontrado.

Que as flores nasçam sob o vulcão, que os tornados incendeiem o gramado, que a tempestade se choque com a erupção
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Que as flores nasçam sob o vulcão, que os tornados incendeiem o gramado, que a tempestade se choque com a erupção e um novo ciclo possa ser iniciado. Que meus pés se afastem do chão até que o solo seja renovado e quando novamente houver essa união, que seja ponto de impulso para retornar ao tornado; e que a terra nunca me prenda, pois sou cavalo alado, que as feridas não façam que eu me renda mesmo estando tão desesperado, e que aquele que me atormenta acabe por se tornar o maior de meus aprendizados.

Vazio. Oque mais além da tempestade? gritava ele, tomado por ansiedade.
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Vazio. Oque mais além da tempestade? gritava ele, tomado por ansiedade. Afinal, o mesmo se descrevia "senhor da pluralidade", um balde de lama sob sua vaidade, seria mesmo o furacão sua liberdade? no momento parece prisão, condenado a seguir junto a erupção, trazendo amor e destruição sob toda a cidade; acorrentado pelo trovão, as tormentas se tornaram as grades, gritos que irrompem em uma canção, afinal, oque mais além da tempestade?

Não quero a calmaria, pois pertenço a tempestade, pertenço ao vulcão,
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Não quero a calmaria, pois pertenço a tempestade, pertenço ao vulcão, quero correr em liberdade, o mais distante das águas frias, nelas não cabem minha intensidade, carrego comigo o trovão, o caos e a calamidade, meu suspiro é furacão, que os oceanos sejam eletricidade. E que eu nunca seja terra; que minhas cidades continuem em guerra para que eu possa me encontrar, que eu nunca seja a serra, as arvores não quero derrubar, que eu seja pássaro, que eu seja voo, que eu seja tão livre que do passado possa me libertar.

A tempestade nunca para e a ferida que foi aberta não sara, talvez porque eu não queira,
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A tempestade nunca para e a ferida que foi aberta não sara, talvez porque eu não queira, ou talvez só agora ficou estampada, no momento em que deitei na banheira e já não importava mais se as águas eram geladas. Os mares são turbulentos mas eu já não temo mais os ventos; os vulcões congelaram mas ainda carrego o óleo e a brasa e não importa oque aconteça, não serão esses cortes os que me calam, ou que me param. Não temo! Mesmo sendo cada vez mais escuro o caminho de casa.

Ele não temia a tempestade, nem mesmo quando trovejava; temia a brisa, temia que as águas fossem frias; perdido em suas palavras,só assim ele se encontrava,
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Ele não temia a tempestade, nem mesmo quando trovejava; temia a brisa, temia que as águas fossem frias; perdido em suas palavras,só assim ele se encontrava, cansado de suas poesias, mas era ali onde ele se reconhecia. Aos rios ele gritava seu pavor pela calmaria e em seu medo lutava completamente tomado pela covardia. Trazia consigo a brasa, o óleo e a ventania, chorando por uma casa, um bosque e uma fantasia.

Quero que meus poemas percam o sentido e quero tatua-los em mim para nunca mais me encontrar perdido, quero deixar as pilulas de lado
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Quero que meus poemas percam o sentido e quero tatua-los em mim para nunca mais me encontrar perdido, quero deixar as pilulas de lado e continuar dormente; quero que as águas esfriem mas não deixem de ser quentes. Quero o sol e a terra, o fogo e a água, temo o vento, mas também o quero, quero tudo oque planejo, mais ainda oque não espero. Quero encarar a tempestade e me esconder embaixo do cobertor, quero lutar mesmo ferido, imploro aos deuses por um protetor, quero tudo que sou longe de tudo que eu era, quero parar de querer, nada acontece como se espera, sinto que quero tarde demais, já não sou capaz de conter a fera.

E o vento levou o que precisava ser levado, que a terra contenha as chamas e finalmente o ciclo possa ser encerrado.
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E o vento levou o que precisava ser levado, que a terra contenha as chamas e finalmente o ciclo possa ser encerrado. Mais um cadáver no jardim, mais sofrimento, mais aprendizado; me pergunto se finalmente a maldição me devorou, se também serei condenado a viver a vida amargurado, e que eu não pertença mais a mim e que meu lugar seja ao lado de todos esses corpos aqui enterrados. Que minha alma ascenda e alcance paz, o necessário foi feito e o passado não se desfaz. Que a terra permita que eu descanse meus pés e me dê forças para germinar e crescer uma vez mais.

De um lado ansiedade, do outro inquietação, a brisa que enfrenta a tempestade,
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De um lado ansiedade, do outro inquietação, a brisa que enfrenta a tempestade, céus vermelhos tomados por um clarão, entrega-te a mim com toda tua intensidade e eu retribuirei, minha Vênus está em escorpião; me deixe provar a essência da verdade, me deixe sentir tua rebelião. Que se derramem as águas e que caia a tempestade pois uma arvore acaba de nascer sob um vulcão.

Mais um poema inacabado, mais um domingo nublado, terá fim um dia essa tempestade?
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Mais um poema inacabado, mais um domingo nublado, terá fim um dia essa tempestade? indaga amargurado o sol que iluminava a cidade. O silêncio grita as palavras não ditas que sangram e rasgam na pele daquele que suplica, que pede por calor mesmo sem saber se ainda acredita; que fala de amor sem mesmo ser capaz de segurar as próprias mãos, que pulou, voou e arriscou mesmo temendo o que encontraria quando chegasse ao chão e após a queda ainda lutou mesmo não ouvindo mais seus próprios conselhos e agora ele não mais se encontra nos vulcões, pois passou a pertencer aos céus vermelhos.

Oh água o que me trouxestes? ainda tento esvaziar meus pulmões. Me inundastes,
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Oh água o que me trouxestes? ainda tento esvaziar meus pulmões. Me inundastes, me fizestes ignorar o que o fogo me deu, deixei de lado as visões; fechei meus olhos enquanto me partias, mergulhei, me afoguei, vendavais, terremotos e furacões; e quando abri os olhos já me preenchias e aquela paisagem eu não mais reconhecia Eras fria... e eu? Pertenço e pertencia as águas dos vulcões.

O que o vento trouxe só o vento há de levar, as chamas já perderam o controle, nem mesmo a água pode as parar;
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O que o vento trouxe só o vento há de levar, as chamas já perderam o controle, nem mesmo a água pode as parar; a água que congelava agora ferve em meio a essa luta solitária que empata e logo perde e essas mãos trêmulas que se esforçam para se segurar; uma mente em delírio se encontra e se perde em conjunto a essas asas que lutam para não mais falhar. Traga me o espelho da alma, traga me paz, traga me calma, pois essas asas, ainda encharcadas pela água são pequenas demais para voar.

Que seja forte, que seja a morte, que queime como o fogo
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Que seja forte, que seja a morte, que queime como o fogo mas que marque, que seja e esteja, que mostre o quanto arde. Que seja o oceano e o piano, o inacabado e o não dito, que seja a canção de Urano, as estrelas, infinito. Que seja furacão, trovão e tormenta, que traga tudo que restar, mesmo depois da erupção, da catástrofe mais violenta. E que nunca seja terra, nunca seja serra, nasci para a guerra e só nela posso dançar. Lance sobre mim as quatro sensações; seja a quinta. Nunca deixe a calmaria me alcançar.

A tua beleza transborda, teu sorriso implora por socorro, teu toque é loucura,
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A tua beleza transborda, teu sorriso implora por socorro, teu toque é loucura, tudo em teu alcance se torna ouro, frio, pesado e amaldiçoado, e mesmo em toda tua doçura, tua sentença é sempre findar no matadouro. Não carregas contigo mais nada, pois temes ser abandonado pelo teu próprio choro, estás pronto para abraçar uma vida amargurada, te tornastes um dos cadáveres que outrora julgastes com total desaforo, e agora que com eles divides a mesma terra encharcada, tudo que pedes é um pouco de consolo.

Eu preciso ter certeza de que você está morto, de que você não respira mais, de que acabou esse amor torto,
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Eu preciso ter certeza de que você está morto, de que você não respira mais, de que acabou esse amor torto, e que contivemos nossos animais, pois, já não aguento mais, não aguento te ver se escondendo em panos de conforto. Prefiro te ver morto. Te quis mesmo torto, e não suporto, não suporto fingir que não me importo de te ver desistir de tudo, depois de chegar tão próximo ao porto. E em teu coração eu me perdi, pois ele era deserto, e eu, tempestade, e mesmo em toda minha intensidade não consegui te arrastar, ou mesmo carregar um pouco desse amor torto.

Além do bem e do mal, além da erupção, o suspiro final.
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Além do bem e do mal, além da erupção, o suspiro final. Amor, destruição, o mais poderoso ritual. Dor, não há redenção, permanecer uivando é oque restou a criatura, ao animal. E a maldição alcançou toda a cidade, o luar, a besta que corre livre em meio a tempestade, rasgando os corações em seu caminho, tentando significar tanta intensidade, trazendo consigo o trovão, o caos e a calamidade. O espelho já não o suporta, e a ansiedade pelo amanhã só encerra quando ele se corta, e que seu coração de leão o mantenha corajoso antes que ele alcance a aorta.

O óleo e a brasa foram derramados, o centauro, o escorpião, os assassinos gêmeos, todos eles foram libertados,
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O óleo e a brasa foram derramados, o centauro, o escorpião, os assassinos gêmeos, todos eles foram libertados, e o furacão os alcançou a todos, o solo já não pode ser renovado. E você não chama, você toma, leva, rouba, destrói. E eu estou implorando, me destrua, me roube, me tome, me coma. O óleo está derramado sob o chão, não há para onde fugir, então por que não abraçar a combustão? pois tudo que vem de você é explosão, que me destrua, que me liberte,que transceda, pois é com você que eu me sinto como se estivesse retornado ao vulcão. Me banhe em lava, rompa a trava, mergulhe a clava, destrua de uma vez meu coração.

Como escapar da própria criação? Preciso me erguer, emergir da erupção, talvez a tempestade agora
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Como escapar da própria criação? Preciso me erguer, emergir da erupção, talvez a tempestade agora seja só uma memória, uma possibilidade que nunca foi possível, uma inocente estória e o vulcão foi um bom lugar mas tenho de aceitar já faz tempo que ele me pôs para fora. Não é de um novo ciclo que preciso agora, nem que esse termine, preciso me entender, de fora pra dentro, de dentro pra fora, ou talvez, talvez eu não precise, talvez eu só precise que o poema termine agora. Só continuo me perguntando angustiado... até quando a fuga será a minha Senhora?

O tempo me levou a um lugar completamente desconhecido onde jamais imaginei me encontrar.
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O tempo me levou a um lugar completamente desconhecido onde jamais imaginei me encontrar. O tempo me levou os amados, alguns entes queridos, sorrisos, amigos mas também levou minha tristeza e a sensação de não pertencer, de não estar. E honestamente se houvesse algo que eu pudesse pedir ao tempo, seria que continuasse a tudo e todos levar, que arrancasse as raízes, revirasse as florestas e deixasse às sementes a missão de recomeçar. O tempo já foi meu inimigo, meu amigo também, apagou feridas incuráveis, e abriu algumas que acreditava estarem fechadas, usando de uma crueldade que cheguei a achar que não poderia ir além. A maldição e o dom entrelaçados nas estrelas, derramando em sua poeira a queimadura e o refrescar, um coral que dedica sua vida inteira a uma canção, que anuncie a morte, a vida, o recomeçar.

Me traga o sol, a floresta e a morte,
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Me traga o sol, a floresta e a morte, juntemos nossos sofrimentos, nossa dor, nosso amor e façamos deles nosso aprendizado, nosso encanto mais forte. E em meus olhos você ouvirá, o vulcão, o bater de asas, o trovejar. Traga para mim a canção, Os cinco passos, a oração que emana de seus braços e me deixa sem chão, me faz delirar. Seja a explosão, sou o óleo, a brasa, a ventania e oque mais precisar. Ao espírito ofereça seu coração, a água, a terra, o fogo e o ar, e se ainda quiseres toda essa rebelião, permaneça ao alcance de meu olhar.

SINTO MUITO, eu apenas sinto, e,
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SINTO MUITO, eu apenas sinto, e, quando sinto, o rio deságua, a tinta atinge o chão e é em meio a vermelhidão que percebo que já não há mais palavras que possam substituir essa ação. A minha boca sangra, pois ela deseja ser capaz de falar, deseja ser capaz de se libertar, deseja que ainda que por um momento as palavras pudessem curar. Sonho com um momento em que a canção do rio seja mais forte que sua correnteza, e que ao lado do vento seja capaz de em suas notas transmitir minha tristeza, que sirva de alimento. E se eu pudesse falar, se coubesse em palavras e eu pudesse expressar, que me perco desejando ser encontrado, que meu medo seja me deixar ser levado por aquele que se reconhece terminado, e que por implorar por um pouco de cor, seja em branco que eu continue a ser banhado.

E se você pudesse o matar, você o mataria? Aquele que te persegue à noite, aquele que faz sempre dia,
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E se você pudesse o matar, você o mataria? Aquele que te persegue à noite, aquele que faz sempre dia, que rompe a tempestade e torna tudo calmaria. Aquele que te destrói enquanto te deitas, só para dizer que te constrói quando te rejeita. Ele é o grande medo, ele está em todo lugar seja tarde ou cedo, pronto para te arruinar. Ele é o que é, faz o que faz, o inimigo invisível, o devorador voraz, e não é hoje, nem amanhã que você vai se recuperar do que ele te fez, do que ele te traz. Ele mora com você, mora comigo também, ele vai mas sempre volta, ele está com você quando pensas não ter mais ninguém. Ele se banha em vermelho, vive no espelho, e sim, ele é.