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Frases de Nicola Vital

392 frases

⁠⁠⁠Série Microcontos 1982 Tambaú. A violeta sangra na manchete manchada..
⁠UTOPIA: Aqui sozinho no silencio do quarto A luz do espelho reflete o tempo em meu rosto desnudo
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⁠UTOPIA: Aqui sozinho no silencio do quarto A luz do espelho reflete o tempo em meu rosto desnudo Sem brilho... A felicidade reflete no brilho da ribalta Será? Que o brilho da mascara me faz feliz Será? Ou seria minha utopia na grande arena da vida Como paglia a queimar Onde todos riem do brilho no rosto Do tramp a chorar.

⁠GRÃO Essa vidinha que a gente vive e não é da gente, transcende. Hora é folha seca que se quebra em contato com a fina brisa
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⁠GRÃO Essa vidinha que a gente vive e não é da gente, transcende. Hora é folha seca que se quebra em contato com a fina brisa Noutra se deixa fluir ao sopro da ventania que sempre vai Passar sobre nossos rostos quão brisa mansa ou vendaval. Em outro instante, fria como o corpo físico inerte. E essas dores que sentimos apenas prelúdios são. Assim como o pensamento logo passamos aos corpos sãos... E quem não é o que é, naquilo que é se perde.

⁠OUTRO VIÉS Escrevo meus pensamentos Em linhas horizontais
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⁠OUTRO VIÉS Escrevo meus pensamentos Em linhas horizontais Tentando mostrar meus sonhos, Expostos em cabedais Por mais que eu tente alinha-los, Perdem-se em diagonais Eu busco outro viés, mas Perco-me de volta ao texto Do livro que a vida faz. O livro que nasce ao livro Do livro que a vida apraz É feito sem métrica ou rima E nenhum poeta faz Só o menestrel da vida, A ele é quem perfaz. Nicola Vital

⁠ FLOR DE AÇUCENA Nesses versos rimados que te fiz
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⁠ FLOR DE AÇUCENA Nesses versos rimados que te fiz Num momento sereno de emoções Recordo-me o instante em que te vi Em rebento vindo ao mundo de ilusões Oh! Minha flor de grande essência A meiguice que traz ao coração É tão tênue que explicita ausência Conduzindo-me ao ímpeto da razão Sou feliz por tê-la em meu convívio Tão vaidosa como a flor de açucena Que perfuma o jardim de quem te viu Regalo do meu peito incandescente Pelo beijo que me desse como tal Linda e única em meu corarão ardente.

⁠SUPLICANTE: Por ocasião de minha morte, Tão breve quanto a tua
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⁠SUPLICANTE: Por ocasião de minha morte, Tão breve quanto a tua Não me agracies compaixão, Melancolia ou pesar Pois que em vida me odiaste, Meu coração molestasse Por que agora caminhas Nesse insólito séquito? Não! Não me indulte funeral, Cortejo ou adoração Deixeis que meus entes Se encarreguem do fato Com pouca indumentária E que apenas consigne A identidade na lapide Sem muita adornação.

PRELÚDIO Sou essa paranoia pensar seria o tempo Que não verga, envelhece ou fenece.
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PRELÚDIO Sou essa paranoia pensar seria o tempo Que não verga, envelhece ou fenece. Mas é pura ilusão... Resume-se apenas em instantes. Esse instante de mim É movimento Noutro instante Estático, desalento. Um instante de mim É teoria Noutro instante Prática em demasia. Um instante de mim Sou integro sou razão Noutro apenas Solidão. Um instante de mim Eu permaneço Noutro instante Desato me arrefeço. Um instante de mim É toda sorte Em outro instante Desvaneço. - O ser cessante mundo sem sorte. Um instante de mim Junto os pedaços Noutro Recorto me desfaço. Um instante de mim É alegria Noutro instante Se encontra devaneios - Juntando um instante a outro instante Seja seu sonho sem recorte Essa face de mim Resume num só instante Vida em Morte. Será ilusão ou será norte?⁠

⁠⁠POEMA DO ABSTRATO O poeta não se alveja... Pega-se ou se tem
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⁠⁠POEMA DO ABSTRATO O poeta não se alveja... Pega-se ou se tem - É um misto de beleza E tudo que não convêm. A histeria dos loucos... - A insensatez dos príncipes A fobia dos eunucos O esmolar dos pedintes. - Na mão do tacanha do grão. À beleza que se mistura Verte o riso dos pagãos -- Junto à alma em ternura Aufere sal da terra ao pão.

⁠ O CONTO QUE NÃO SE CONTA Cada história possui o lado que contamos e, aquele que ela por si só vai dizer.
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⁠ O CONTO QUE NÃO SE CONTA Cada história possui o lado que contamos e, aquele que ela por si só vai dizer. Não seria diferente nesta que vamos agora prosear! Em fins dos anos de 1960, surgia aqui no Brasil um sujeito que doravante vai figurar como protagonista de nossa narrativa. Aqui, porque lá fora ele já dava o ar da graça, não sei se com o mesmo rosto. E, só agora, meio século de seu nascimento é que passei a conhecê-lo e ter meus primeiros contatos, afetivo e efetivo com ele, e tudo aconteceu, Plá, assim. Como um estalo. E me apaixonei. Claro, não sei se foi recíproco o sentimento. Mas foi amor, e amor à primeira vista. Quando ele me foi apresentado, logo chegou de mansinho, ali, tímido, conciso e integro. Pequenino porem forte, sua suposta timidez paradoxalmente trazia consigo muita definição. Eu, que sempre fui amante da arte, alguma coisa mais, digamos romântica ou prosaica por assim dizer. Fiquei embasbacado com a beleza e sutileza daquela persona. A cautela me faz não querer contar nada a principio. À medida que nossa relação se consolidava comecei a tornar pública minha admiração àquele jovem, de gênero ainda não bem definido aos olhos da crítica literária que ainda, salvo as exceções, permite-se negar sua identidade e seu lugar de pertença. Digamos a pequena cidade de Guaxupé – MG. Onde nascera e, antes de demandar pânico à sociedade feminina Curitibana como O vampiro de Curitiba... Aquele jovem já se apresentava incorporado em Amanhã, Camila, A mal amada, o sabor do humano e outros. Todos, filhos dos pioneiros do grupo de Guaxupé. Em 1969, enquanto eu dava meus primeiros passos à adolescência, o nosso personagem já estreava como protagonista e estrela de capa da Plaquete “Cadernos-20” publicada pela imprensa oficial de BH. E hoje somos efetivamente casados e com uma proposta de afetividade em construção. Sobretudo esse moço que teve sua identidade havia anos, velada, possui nome, e é filho de Francisca Villas Boas e seus contemporâneos. Atendendo pela graça de Miniconto. Apesar de sua grandiosidade. Sendo assim, é, sim, um conto que se conta.

⁠ POESIA Alucinante dialogo poeta, coisas e objetos. Viagem fantástica...
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⁠ POESIA Alucinante dialogo poeta, coisas e objetos. Viagem fantástica... Ao universo subjetivo. Sonhos e emoções. Verdades e mentiras Loucura ou razão? Não é propriedade do artista É patrimônio imaterial, universal! A gente apenas formula para os leitores Inspirado em coisas, pessoas ou objetos. Deem-me uma flor do campo! Para que eu plante e com esmero. Hoje. Porque a primavera que nascera ontem Morre agora num discurso delirante.