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Frases de Negreiros

86 frases

E quando junto esses eus num só verso, enfim, assim, descubro que o universo
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E quando junto esses eus num só verso, enfim, assim, descubro que o universo fez um poema de mim. Pois sou palavra e ausência, fantasia e chão sem fim; sou o que escrevo no mundo e o mundo escreve em mim.

EU! MEU MUNDO. Eu tenho o meu caminho, Meu jeito de compreender,
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EU! MEU MUNDO. Eu tenho o meu caminho, Meu jeito de compreender, Vejo o mundo diferente, Mas também sei perceber. Nem sempre encontro palavras Pra dizer o que senti, Mas meu coração conversa Com tudo que existe aqui. Eu vejo a luz da manhã, O desenho do luar, O canto dos passarinhos, O vento vindo brincar. Gosto daquilo que acalma, Que me traz conforto e paz, Dos rostos que me acolhem E do carinho que satisfaz. Meu sorriso é uma ponte Que vai do peito ao olhar, Mesmo quando fico em silêncio, Tenho muito a revelar. Olho fundo as pessoas, Como quem quer conhecer Os segredos que se escondem No simples jeito de viver. Vejo beleza nas coisas Que muitos não vão notar: Uma folha que balança, Uma nuvem a passar. Tenho o meu próprio universo, Meu tempo e minha canção, Um mundo feito de afetos, Sensações e emoção. Se às vezes pareço distante, Não pense que estou sozinho, Pois carrego dentro da alma Muitos jardins de carinho. Eu sou feito de ternura, De esperança e de calor, E guardo em cada sorriso Uma semente de amor. Meu mundo é grande e bonito, Mesmo sendo singular, E quem entra com respeito Sempre encontra um bom lugar. Porque eu vejo, eu sinto, Do meu jeito, sem igual. Sou um jovem, sou um sonho, Sou humano, sou especial. Eu! Meu Mundo. Um universo inteiro a florescer, Onde o amor é a linguagem Que todos podem entender. Em homenagem a Guilherme Negreiros

ESTÃO INDO EMBORA Estão indo embora aos poucos, Sem fazer grande alarde não,
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ESTÃO INDO EMBORA Estão indo embora aos poucos, Sem fazer grande alarde não, Como o sol que se despede No final da tarde, então. Deixam marcas pelos caminhos, Saudades em nossos ninhos, E amor no coração. São os avós de cabelos brancos, Bibliotecas do viver, Que ensinaram com exemplos O valor de agradecer. Cada ruga é uma história, Cada lembrança, uma memória Que o tempo não vai vencer. Estão indo embora os pais, Sentinelas da existência, Que enfrentaram tempestades Com coragem e resistência. Construíram nosso abrigo, Foram força e foram amigo, Fonte viva de experiência. Também partem nossos tios, Companheiros da jornada, Que enchiam as reuniões Com risadas na calçada. Contadores de causos bons, De conselhos e lições, Na família respeitada. A cadeira fica vazia, Mas não fica sem valor, Pois quem viveu com virtude Nunca morre por completo, senhor. Permanece na lembrança, Na fé, na perseverança, E nas sementes do amor. O relógio segue andando, Sem parar sua missão, Mostrando que nesta vida Tudo tem sua estação. Quem hoje é filho e neto, Amanhã segue o trajeto Da divina criação. Mas não devemos chorar Somente pela partida, Pois quem plantou bons exemplos Continua dando vida. Na palavra ensinada, Na família edificada, Sua presença é sentida. Quando o vento sopra manso E a noite cobre o terreiro, Parece ouvir a voz antiga De um avô conselheiro. Ou de uma mãe carinhosa, Ou de uma tia bondosa, Num abraço verdadeiro. Estão indo embora, é certo, Como manda a natureza, Mas deixam em cada filho Sua maior riqueza. Honra, caráter e fé, Para quem segue de pé Com amor e com firmeza. Por isso ergamos os olhos Ao Deus da eternidade, Agradecendo o legado Que venceu a brevidade. Pois quem vive para o bem, Mesmo partindo, mantém Sua luz na humanidade. Estão indo embora os corpos, Mas o exemplo permanece. Quem semeou amor na Terra, No coração nunca falece.

APOSTASIA No correr dos tempos modernos, Vai mudando a geração,
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APOSTASIA No correr dos tempos modernos, Vai mudando a geração, Muitos trocam a verdade Pela própria opinião, Esquecendo os mandamentos Que conduzem à salvação. A palavra está escrita Nas páginas da Escritura, Mas há quem feche os seus olhos Para viver na aventura, Trocando a luz do Evangelho Pela sombra mais escura. A fé que movia montanhas, Hoje alguns deixam de lado, Buscando somente os bens Que o mundo tem ofertado, E o altar do coração Fica vazio e abandonado. A apostasia se espalha Como fogo pelo chão, Quando o homem se distancia Da divina orientação, E transforma a própria vontade Na sua única razão. Muitos dizem: "Não preciso Do Senhor para viver", Mas esquecem que a existência Dele veio a proceder, E sem a graça divina Nada pode florescer. As Escrituras Sagradas, Tesouro de imenso valor, São deixadas nas estantes Cobertas pelo pó e dor, Enquanto falsas doutrinas Ganham espaço e louvor. Os mandamentos de Deus, Que são farol e direção, São tratados com desprezo Por grande parte da nação, Que prefere os atalhos Da vaidade e da ilusão. A incredulidade cresce Como erva no terreiro, Faz do pecado um costume E do erro um companheiro, Levando muitos caminhos Para um destino traiçoeiro. Mas Deus continua firme Em sua misericórdia, Chamando o homem perdido Para sair da discórdia, Oferecendo perdão E uma eterna concórdia. Ainda existe esperança Para quem quer regressar, Pois o Pai abre seus braços Pronto para abraçar, Todo filho arrependido Que deseja se achegar. Quem retorna ao Evangelho Encontra paz verdadeira, Descobre que a salvação Não é promessa passageira, Mas presente preparado Pela mão do Deus que impera. Portanto, meu povo amado, Escute esta reflexão: Não abandone a Palavra, Nem rejeite a salvação, Pois longe da luz de Cristo Só existe escuridão. Guarde a fé e os preceitos, Com respeito e devoção, Pois aquele que persevera Com sincera contrição, Encontrará no Senhor A eterna redenção.

DEFESA CIVIL: ALMA E CORAÇÃO No sertão e na cidade, Na montanha e no baixão,
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DEFESA CIVIL: ALMA E CORAÇÃO No sertão e na cidade, Na montanha e no baixão, Existe uma grande força Feita de união e ação. Tem alma de solidariedade, Tem coragem no coração, É a Defesa Civil viva, Servindo a população. Com Deus no Comando e juntos numa só voz: Defesa Civil somos todos nós. Muita gente ainda pensa Que é apenas repartição, Mas quem conhece sua essência Sabe bem sua missão. Não é somente um órgão, Nem vive só na gestão, É sistema que integra Toda a Federação. Com Deus no Comando e juntos numa só voz: Defesa Civil somos todos nós. União, Estados e Municípios, Cada qual com sua função, Somam forças com o povo Em perfeita integração. Bombeiros, escolas, igrejas, Empresas e associação, Todos formam essa rede De proteção e prevenção. Com Deus no Comando e juntos numa só voz: Defesa Civil somos todos nós. Quando o risco é identificado, Começa a preparação, Mapeando as ameaças Com estudo e observação. Planejando cada passo, Fortalecendo a região, Para evitar que o desastre Cause dor e destruição. Com Deus no Comando e juntos numa só voz: Defesa Civil somos todos nós. A prevenção é o caminho Mais seguro e eficaz, Pois evita sofrimento E protege muito mais. Obras, alertas e campanhas, Conhecimento que satisfaz, Construindo comunidades Mais seguras e capazes. Com Deus no Comando e juntos numa só voz: Defesa Civil somos todos nós. Mas se a força da natureza Chega sem pedir permissão, Vem a resposta imediata Com coragem e prontidão. Socorrendo os atingidos, Levando apoio e atenção, Para salvar vidas humanas Na mais dura situação. Com Deus no Comando e juntos numa só voz: Defesa Civil somos todos nós. Depois da tempestade forte, Da enchente ou vendaval, Chega a fase da recuperação Do cenário ambiental. Reconstruindo esperanças, Com esforço coletivo e leal, Para que a vida retorne Ao seu curso natural. Com Deus no Comando e juntos numa só voz: Defesa Civil somos todos nós. Assim gira o grande ciclo Da gestão do desastre então: Prevenção e preparação, Resposta e recuperação. Um trabalho permanente, Movido por dedicação, Protegendo cada cidadão Com amor e vocação. Com Deus no Comando e juntos numa só voz: Defesa Civil somos todos nós. Que essa mensagem alcance Toda a nossa população, Mostrando que a segurança Nasce da participação. Pois quando o povo se une Em espírito de cooperação, A Defesa Civil revela Sua alma e coração. Com Deus no Comando e juntos numa só voz: Defesa Civil somos todos nós.

FAMÍLIA VIDAL DE NEGREIROS Das terras velhas da Europa, Onde a História começou,
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FAMÍLIA VIDAL DE NEGREIROS Das terras velhas da Europa, Onde a História começou, Veio um tronco de bravura Que o destino encaminhou. Trazendo fé e coragem, O oceano atravessou. Pelas rotas da aventura, Pelo vento e pelo mar, Entre povos e culturas Foi seu nome semear. Na África deixou pegadas, Fez histórias prosperar. Mas foi no solo brasileiro Que ganhou dimensão, Misturando sangue e sonhos Com trabalho e devoção. Fez da luta seu estandarte, Fez da honra sua missão. Em Pernambuco floresceu Como um forte cajueiro, Enfrentando tempestades Com espírito guerreiro. Cada filho foi guardando O valor de um pioneiro. Na Paraíba encontrou Terra fértil pra crescer, Entre engenhos e sertões Fez raízes renascer. E nas secas e invernias Aprendeu a resistir e vencer. Lá no Maranhão distante Também fincou seu brasão, Misturando sua história Com a história da nação. Fez do Norte uma morada, Fez da terra seu chão. Passaram-se muitas gerações, Mudou roupa, fala e jeito, Mas permaneceu acesa A chama viva no peito. Que não se mede em riqueza, Mas em caráter perfeito. Vieram mestres e soldados, Lavradores e doutores, Homens simples e honrados, Mulheres de mil valores. Todos regando a família Com seus exemplos e amores. Cada ramo dessa árvore Tem memória pra contar, Dos avós que abriram trilhas Para os novos caminhar. Mostrando que a verdadeira herança É saber perseverar. Hoje o tempo segue adiante, Como rio rumo ao mar, Mas a Família Vidal de Negreiros Continua a navegar. Entre passado e futuro, Sem jamais sua essência deixar. Que Pernambuco a celebre, Que a Paraíba também, Que o Maranhão reconheça O legado que ela tem. Pois quem honra seus ancestrais Fortalece o que mantém. E enquanto houver descendentes Preservando a tradição, Viverão os antepassados Na memória e no coração. Família Vidal de Negreiros, Orgulho de uma geração.

ALICE RAIO DE LUZ Nas terras de Canaã, Num reino abençoado,
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ALICE RAIO DE LUZ Nas terras de Canaã, Num reino abençoado, Onde o amor faz morada E o bem é celebrado, Há uma princesa encantada Por todo povo admirado. O amor reina soberano, A justiça é sentinela, A paz floresce nos campos Feito jardim de aquarela, E a esperança canta versos Sob a luz da lua bela. Seu nome é doce Alice, Raio de luz reluzente, Beleza de anjo divino, Sorriso puro e contente, Que espalha brilho e ternura Por onde passa entre a gente. Seu olhar lembra as estrelas Que iluminam o sertão, Seu coração generoso Transborda compreensão, Distribuindo bondade Como chuva sobre o chão. Nobres curvam-se à sua graça, Plebeus lhe ofertam carinho, Pois nunca negou um abraço Nem deixou alguém sozinho, Transformando cada encontro Num florido e doce caminho. Sua realeza não vive De ouro, prata ou riqueza, Mas da sabedoria justa Aliada à gentileza, Que faz do seu reino inteiro Um exemplo de grandeza. Quando Alice dá conselho, Fala mansa e verdadeira, Até o vento silencia Na mais distante fronteira, Para ouvir sua palavra Tão serena e certeira. Os jardins ganham mais flores, Os pássaros mais canções, As fontes correm mais claras, Os campos têm mais paixões, Pois sua presença espalha Luz nos mais nobres rincões. Nas maravilhas do reino, Entre encantos e magia, Alice segue brilhando Como o sol que anuncia Que a bondade e a esperança Vencerão a cada dia. E assim canta este cordel Com respeito e devoção: Viva Alice, raio de luz, Orgulho de Canaã então, Princesa amada por todos, Rainha do coração.

PERCURSO DO TEMPO O tempo segue seu caminho, Sem jamais olhar pra trás,
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PERCURSO DO TEMPO O tempo segue seu caminho, Sem jamais olhar pra trás, Carrega sonhos e destinos, Leva os fortes e os demais. Hoje somos voz presente, Nome vivo e conhecido, Mas amanhã, lentamente, Seremos quase esquecidos. Primeiro fica o retrato Dependurado na parede, Onde um olhar, vez ou outra, Mata a saudade que precede. Depois viramos lembrança Guardada em velho arquivo, Entre papéis e memórias, Num silêncio pensativo. As histórias vão ficando Mais curtas a cada ouvido, Até que reste apenas Um nome meio perdido. O relógio não se cansa, Nem conhece compaixão, Transforma reis em poeira, E castelos em chão. Por fim, seremos um objeto Que o destino fez sumir, Como folha levada ao vento Sem ninguém para seguir. Mas há quem vença o esquecimento Sem riqueza ou posição: Quem plantou amor na vida Floresce no coração. Pois o tempo apaga rostos, Datas, feitos e brasões, Mas não destrói por completo O bem semeado em milhões. Assim percorre o tempo, Do nascimento ao partir; E o homem vira memória, Até memória não existir. Mas enquanto houver bondade, Mesmo após o fim da lida, Algo de nós permanece Caminhando pela vida.

LUZGIRASSOL No sertão da Paraíba, onde o mandacaru vigia,
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LUZGIRASSOL No sertão da Paraíba, onde o mandacaru vigia, nasceu uma linda donzela feita de encanto e poesia. Chamaram-na Luzgirassol, nome de ouro e claridade, mistura de flor e estrela, de beleza e suavidade. Tem os olhos da manhã quando o sol vem despontando, e um sorriso tão sereno que faz a seca ir passando. No jardim onde ela mora, entre rosas e alecrins, parece um girassol vivo enfeitando os seus caminhos. As abelhas a cortejam com seu canto laborioso, vendo nela o doce néctar de um destino venturoso. Os passarinhos do campo, do canário ao corrupião, fazem festa em sua volta como num grande mutirão. Obra da mão da natureza, mas também do Criador, que moldou sua presença com ternura e muito amor. Quando passa pela estrada, o vento muda de tom; até a sombra das árvores quer seguir seu caminhar bom. Privilegiado será aquele que ela escolher, pois em seu jardim de afetos há sementes a crescer. E dos frutos desse encontro, regados por devoção, florescerão novas vidas como espigas no sertão. Luzgirassol é assim: sol que nunca perde o brilho, flor que transforma a paisagem e ilumina cada trilho. No sertão paraibano, entre a terra e o firmamento, vive essa deusa de luz, girassol do sentimento.

BODINHO, O FIAT Bodinho, velho guerreiro, Fiat Uno afamado,
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BODINHO, O FIAT Bodinho, velho guerreiro, Fiat Uno afamado, Nas estradas da memória Seu nome ficou gravado. Por onde passava firme, Sempre era respeitado. Tudo começou um dia Quando Israel o comprou, Com zelo e muito carinho Seu destino encaminhou. Depois ao Sargento Damásio A chave ele repassou. O tempo seguiu ligeiro, Fez a vida seu roteiro, Até chegar às mãos certas De um novo companheiro. Negreiros Neto o guardou Como peça de museu inteiro. Mas pense que está parado? Isso ninguém acreditou! Pois dentro daquelas chapas Muita história se alojou. Cada risco da lataria Uma aventura contou. Saiu de Aldeia ligeiro, Sem nunca olhar para trás, Por Araçoiaba corria Como quem queria mais. Subia Três Ladeiras rindo E vencia os canaviais. Nas estradas de barro grosso Nunca teve aflição, Enquanto outros atolavam Pedindo socorro ao chão, O Bodinho seguia em frente Com coragem de campeão. De Itaquitinga partia Cheio de disposição, Passava por Santo Antônio Com firme determinação. Entrando pelas pedras de Sapé Mostrava sua vocação. Quando surgia um riacho Não mudava direção, Cruzava a água sorrindo Sem perder a precisão. Dava um olé nos obstáculos Com sua velha tradição. Foi também para Condado Levando sonho e alegria, Passou por Matary primeiro Naquela mesma energia. Visitou Upatininga e Esconso Antes de clarear o dia. Seguiu viagem pra Goiana Num passo firme e certeiro, Só não foi pra Ponta de Pedras Por escolha do companheiro. Que desistiu da jornada, Mas não por medo do guerreiro. Nazaré e Tracunhaém Conheciam seu roncar, Carpina também o via Pelas ruas passear. Era um amigo da estrada Sempre pronto pra rodar. Não tinha hora marcada, Nem relógio pra mandar. De dia ou mesmo de noite Bastava alguém chamar. Entrava, girava a chave E o motor queria cantar. Nas festas de padroeiro Era rei da procissão, No Carnaval desfilava Misturado à multidão. No São João se enfeitava Com bandeira e balão. Muitos diziam sorrindo Ao vê-lo em circulação: "Esse carro não tem motor, Nem trabalha com pistão. O que move o Bodinho É alma e coração." Hoje repousa tranquilo Na garagem a descansar, Mas quem conhece sua história Sempre volta a recordar. Que há carros que envelhecem, E outros que aprendem a sonhar. E assim vive o Bodinho, Fiat Uno tão valente, Guardado como relíquia Na memória de muita gente. Mais que carro, virou lenda, Patrimônio permanente.

NETOS Meu bisavô começou Com coragem e tradição,
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NETOS Meu bisavô começou Com coragem e tradição, Plantou nome e deu exemplo No terreiro do sertão. Fez da honra uma bandeira, Do trabalho uma lição. Meu Bisavô começou, meu Pai continuou, minha parte Eu fiz. Agora é você Filho que diz. Meu avô pegou a chama Que o tempo não apagou, Guardou cada ensinamento Que a família lhe deixou. Foi ponte entre as gerações, Nunca o rumo abandonou. Meu Bisavô começou, meu Pai continuou, minha parte Eu fiz. Agora é você Filho que diz. Meu pai seguiu a jornada Com firmeza e devoção, Carregando o sobrenome Com respeito e gratidão. Mostrou que a verdadeira herança Mora no bom coração. Meu Bisavô começou, meu Pai continuou, minha parte Eu fiz. Agora é você Filho que diz. Chegou a vez deste Neto Assumir a construção, Erguer sonhos, criar filhos, Cultivar a tradição. Pois o sangue que nos une É mais forte que o sertão. Meu Bisavô começou, meu Pai continuou, minha parte Eu fiz. Agora é você Filho que diz. Quando nasce um Bisneto A esperança faz morada, É a história caminhando Pela estrada iluminada. Cada nome é uma semente Na família semeada. Meu Bisavô começou, meu Pai continuou, minha parte Eu fiz. Agora é você Filho que diz. E se vier um Trineto Num futuro abençoado, Vai ouvir dos mais antigos O legado preservado. Que um nome vale pouco Sem caráter ao seu lado. Meu Bisavô começou, meu Pai continuou, minha parte Eu fiz. Agora é você Filho que diz. Assim segue a corrente Que o tempo nunca desfez, De Bisavô para Neto, De filho para outra vez. Pois quem honra suas raízes Multiplica sua altivez. Meu Bisavô começou, meu Pai continuou, minha parte Eu fiz. Agora é você Filho que diz.

FESTA NA CHUVA Quando a chuva vem cantando Nos telhados do sertão,
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FESTA NA CHUVA Quando a chuva vem cantando Nos telhados do sertão, Parece que a natureza Faz festa no coração. Cada gota é um convite, Cada nuvem, uma canção. As crianças, sorridentes, Correm soltas pelo chão, Fazem barcos de papel Navegando na enxurrada então. Pulam poças, dão risadas, Sem temer repreensão. Os jovens, no campinho, Transformam lama em diversão, Jogam bola entre os pingos Com coragem e paixão. Cada gol vira uma festa, Cada queda uma emoção. Os homens seguem na lida, Com fé, força e devoção, Lançando sementes à terra Com esperança na mão. Pois quem planta sob a chuva Colhe fartura e pão. Os velhos, atrás da janela, Contemplam a imensidão, Vendo o tempo desenhar Memórias no coração. Cada gota lhes desperta Uma antiga recordação. As donzelas sonham longe, Em doce imaginação, Tecendo futuros encontros Feitos de amor e paixão. Enquanto a chuva borda versos Na moldura da estação. As senhoras, na varanda, Na cadeira de balanço então, Só espiando o movimento Da rua e da plantação. Guardam no olhar a sabedoria De toda uma geração. De repente, no horizonte, Surge em bela aparição Um enorme arco-íris Anunciando a renovação, Como uma ponte colorida Entre a terra e a criação. E as plantas, agradecidas, Rompem a escuridão, Brotam verdes, vigorosas, Num milagre de expansão. Pois a chuva é a mensageira Da vida em transformação. Assim acontece a festa Que não precisa salão: Basta chuva, céu e terra, Esperança e gratidão. Porque quando a água chega, Floresce toda a criação.

BOI TALUDO Da minha infância doce e dolorida, lembro-me dos fatos, alguns inesquecíveis. Esse que aqui início a contar é lindo e incrível, fala de um boi aqui no sítio nascido. Refiro-me ao Boi Taludo, o maior e mais querido, forte e manso, mas bravo se seus donos são agredidos…
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BOI TALUDO Da minha infância doce e dolorida, lembro-me dos fatos, alguns inesquecíveis. Esse que aqui início a contar é lindo e incrível, fala de um boi aqui no sítio nascido. Refiro-me ao Boi Taludo, o maior e mais querido, forte e manso, mas bravo se seus donos são agredidos. É o Sanção dos animais do sítio. Protetor, amigo de todos os animais da região. Recebe carinho e amor como forma de gratidão. Forte e valente, no trabalho não dá mole não. Arar a terra pra ele é moleza; ouvi falar que Taludo já puxou um caminhão. Lobos e raposas não chegam perto do sítio, não. Porque Taludo fica sempre na guarda e de prontidão. Muitos querem lhe levar para os rodeios, mas ele não vai, não. Dócil e manso, não serve para esse tipo de apresentação. Seus donos, que o conhecem bem só para desfilar e fotografar. Nisso Taludo é bom, conquistando sempre o primeiro lugar. Era assim a vida de Taludo, pacata e simples, de inverno a verão. Amado por todos, que lhe devotavam muita admiração. Num certo dia, choveu muito na região. E a casa do sítio, que era antiga, com seu velho telhado, não iria aguentar toda aquela agitação. Houve um grande estrondo, e as madeiras foram ao chão. Todos correram para se proteger, mas Taludo não. Ficou segurando o peso do telhado, dando tempo pra saída da família do patrão. Quando todos se retiraram, o telhado veio ao chão. Nesse dia, morreria o boi mais forte da região. Taludo deu a vida para salvar a família do seu patrão. Construíram uma estátua de Taludo na entrada do sítio, homenageando o boi mais forte e valente de toda a região.

ZÉ VOLANTE E MERCEDINHA – "A PRIMEIRA VIAGEM" Depois de viajar pelo interior da 1313 e conhecer seus comandos e compartimentos, fui convidado pelo meu pai, "Zé Volante", para ajudá-lo numa entrega de cestas básicas aos desabrigados de uma enchente. Fiquei eufórico e contente, m…
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ZÉ VOLANTE E MERCEDINHA – "A PRIMEIRA VIAGEM" Depois de viajar pelo interior da 1313 e conhecer seus comandos e compartimentos, fui convidado pelo meu pai, "Zé Volante", para ajudá-lo numa entrega de cestas básicas aos desabrigados de uma enchente. Fiquei eufórico e contente, mas triste pelo sofrimento daquela gente. Minha primeira viagem, sobravam sentimentos. Ajudei nos preparativos, observando os procedimentos. A carga, a amarração, o roteiro e a segurança da gente. Tudo nos conformes, escutei o ronco do motor e a longa estrada em nossa frente. Agradecemos a Deus, rezamos o Pai Nosso e seguimos em frente. Eram dias de estrada, mas tudo me deixava contente. Os momentos tristes vinham quando pensava no sofrimento daquela gente. Próximo ao destino, um grande engarrafamento. Muitas pessoas andando sem rumo, fugindo da enchente. Um guarda rodoviário nos informou que uma ponte desabou, e por isso não seria possível o acesso da gente. Meu pai argumentou: "Levo comida, e nada vai me impedir de entregar àquela gente”. Diga outro caminho que seguimos o destino em frente. O guarda disse: "Existe uma passagem, porém perigosa. Se o caminhão não for bom, é melhor aguardar, para evitar acidentes”. “Não seja por isso, me dê o trajeto que a 1313 assume o risco”, insistiu meu pai. Pegamos o novo destino e seguimos contentes. Passamos por barreiras, andamos na beira de precipícios, cruzamos margens de rios e chegamos à cidade inesperadamente. Distribuímos as cestas, ajudamos na reconstrução. Ainda hoje, sinto um aperto no coração, mas voltamos para casa com orgulho e satisfação. Agradecemos a Deus por nos ter ajudado a cumprir essa missão.

TSAS A MORTE LENTA Pela manhã a tela acende, faz da janela um muro digital.
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TSAS A MORTE LENTA Pela manhã a tela acende, faz da janela um muro digital. O corpo esquece o movimento, a alma perde o rumo natural. O sofá abraça sem maldade, convida ao descanso e à rendição. Pouco a pouco prende os passos, transforma a força em ilusão. O açúcar veste roupa de festa, adoça a boca, seduz o paladar. Mas cobra caro pelo encanto, quando chega a hora de cobrar. O sal tempera a convivência, dá sabor ao feijão e ao pão. Porém, em excesso silencioso, cerca a vida de preocupação. São prazerosos, mas é morte lenta para todos. São prazerosos, mas é morte lenta para todos. No brilho da tela, no abraço do sofá, no doce do açúcar e no sal a transbordar. São prazerosos, mas é morte lenta para todos. Não vieram como inimigos, nem carregam espada ou canhão. Entram sorrindo pela porta, ganham espaço no coração. A televisão rouba o tempo, o sofá negocia a disposição. O açúcar compra o instante, o sal disfarça a condição. Enquanto o mundo corre lá fora, a vida pede participação. Caminho, esforço e equilíbrio são remédios sem prescrição. São prazerosos, mas é morte lenta para todos. São prazerosos, mas é morte lenta para todos. Quando o excesso vira costume, e o costume vira prisão, São prazerosos, mas é morte lenta para todos. Então façamos nova escolha, sem guerra, culpa ou radicalismo. Que a tela informe, não domine; que o descanso não seja abismo. Que o açúcar seja visita, não morador do coração. Que o sal conheça limites, respeitando a moderação. Pois viver é mais que prazer, é movimento, consciência e valor. E o tempo, que tudo revela, é o mais exigente julgador.

ZÉ VOLANTE E MERCEDINHA (A DESPEDIDA) Após conseguir minha habilitação, muitas viagens realizei nesta vida, mas existe uma que chamo de despedida. Não havia entregas, e a 1313 na garagem permanecia. Era um dia, como tantos outros, de idas e vindas. A família reunida com os amig…
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ZÉ VOLANTE E MERCEDINHA (A DESPEDIDA) Após conseguir minha habilitação, muitas viagens realizei nesta vida, mas existe uma que chamo de despedida. Não havia entregas, e a 1313 na garagem permanecia. Era um dia, como tantos outros, de idas e vindas. A família reunida com os amigos que nos visitavam todos os dias. Era sagrado esse encontro em todas as vindas. Meu pai, Zé Volante, contando as viagens de um jeito que só ele sabia, não perdia um detalhe, pelo contrário, acrescentava e sorria. À tardinha, seu cochilo era certo, e todos já sabiam que horas depois ele voltaria. A gente ficava aguardando pra saber que nova história Zé Volante contaria. Fiquei desconfiado do aceno do meu pai naquele dia, sentindo no fundo do coração um sentimento de despedida. Muitas horas se passaram, e Zé Volante não aparecia. Alguns já perguntava se ele ainda dormia. Minha mãe foi procurar saber o que acontecia. Houve gritos e muito desespero, e eu nada entendia. Minha mãe pediu chorando: “Acorde Zé Volante!” Mas, por mais que eu suplicasse, ele não acordaria. Ele fez a viagem que todos nós faremos um dia. Naquele aceno, meu pai de mim se despedia. Os olhos mostram o que o coração sentiria. Caminhando lento, ele, pela última vez, me ensinou que nessa viagem não tem correria. O destino tá traçado, e a encomenda é a nossa vida.

A JAQUEIRA DE SÃO JOSÉ Segundo uma história do município de Itaquitinga/PE, todas as manhãs um menino saía para caçar passarinhos nos arredores, com sua baladeira, usando como munição caroços de jaca. Certo dia, ele avistou um pássaro no céu, que, pela distância, não o reconhec…
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A JAQUEIRA DE SÃO JOSÉ Segundo uma história do município de Itaquitinga/PE, todas as manhãs um menino saía para caçar passarinhos nos arredores, com sua baladeira, usando como munição caroços de jaca. Certo dia, ele avistou um pássaro no céu, que, pela distância, não o reconheceu; mesmo assim, armou sua baladeira com o último caroço de jaca que havia e não se abateu. Esticou a baladeira tão forte que a liga ficou fina e mirou no pássaro com a certeza de que o alvo acertaria. Soltou os dedos, e o caroço subiu feito um míssil teleguiado, mesmo assim o pássaro não alcançaria. O caroço desceu com o dobro da velocidade com que havia subido. Era mês de março, dia 19, e a chuva tinha castigado o município, mas a terrinha estava preparada para o plantio do milho. Quando o caroço desceu, na terra úmida se meteu, numa profundidade tão grande que o menino nunca mais o encontrou. Curiosamente, após o fato acontecido o menino marcou o local e protegeu de todos os perigos. Contou o fato a seu pai, que logo se tornou seu aliado e fiel guardião do local escolhido. Os anos se passaram, e o lugar protegido recebeu plantação de milho e mandioca, mas o cantinho não era mexido. Quando menos se esperava, num belo dia de sol, um broto de jaqueira havia surgido. Foi uma festa no município, pois todos, na região, a história já tinha ouvido. Mais anos se passaram, e os cuidados haviam permanecido, mesmo com o menino já rapaz e seu velho pai envelhecido. Certo dia, o rapaz viajou, porque precisava estudar pra ser militar. Seu pai cansado e fraco, das terras não poderia mais cuidar. Precisando de dinheiro para sobreviver e os estudos do filho pagar, teve que as terras vender a Luiz Maranhão, um usineiro do lugar. A este pediu para a jaqueira lá deixar. Contou-lhe a história, e o usineiro ficou encantado e resolveu de a jaqueira cuidar. Fez um campo de futebol para a população jogar, deixando a jaqueira perto pra na farta sombra descansar. O tempo continuou passando, e nas férias o rapaz vinha a jaqueira visitar. Já subia em seus galhos, chegando até com ela conversar. Perguntava pelo pássaro, pois nunca havia visto um igual em outro lugar. A jaqueira balançava seus galhos como se tivesse respondendo ao que o rapaz insistia em perguntar. Outros anos se passaram, e o usineiro, velho e cansado, teve que as terras lotear. Fez um acordo com o prefeito Zeca Vidal para a jaqueira nunca derrubar. O prefeito, que já conhecia a história da jaqueira, se comprometeu de em um lote ela ficar e, ao seu lado, uma igreja mandou edificar. Os lotes foram distribuídos e vendidos, mas o terreno da jaqueira ficou com Dona Ester, a tabeliã do cartório, porque ninguém quis comprar. A jaqueira ficava no centro, impossibilitando uma casa levantar. O rapaz, agora militar, com sua família veio a terrinha visitar. Sabendo do acontecido, foi a dona do cartório procurar e lhe fez a proposta de o terreno comprar. Sabendo da história do militar com aquela jaqueira e o lugar, pediu-lhe valor acima dos demais terrenos que estava a negociar. Sem pestanejar, o militar fez a compra do terreno para da jaqueira cuidar. Foi uma festa no município, pois todos tinham certeza que ela permaneceria em seu lugar. No dia 19 de março, na festa de São José, foi inaugurada a igreja para o santo homenagear. Nesse dia, batizaram a árvore com o nome de "Jaqueira de São José". 0 militar instalou uma pousada para a família visitar. E criou um jardim, onde, entre gramas e flores, há uma jaqueira no centro pra se cuidar.

ZÉ VOLANTE E MERCEDINHA (BOLEIA DA 1313) Depois de haver nascido na boleia da 1313 e ter meus primeiros dias dentro dela vívido, fiquei uns tempos distante, pois meu pai, Zé Volante, uma viagem longa havia conseguido. Quando ele retornou, eu já estava um pouco crescido. Lembro-…
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ZÉ VOLANTE E MERCEDINHA (BOLEIA DA 1313) Depois de haver nascido na boleia da 1313 e ter meus primeiros dias dentro dela vívido, fiquei uns tempos distante, pois meu pai, Zé Volante, uma viagem longa havia conseguido. Quando ele retornou, eu já estava um pouco crescido. Lembro-me bem do ronco do motor e da buzina, que era aquele estampido. Meu pai chegou, saí correndo aos gritos, abracei meu velho e fiquei admirando sorridente a Mercedinha, meu caminhão magnífico. Saltos de felicidade de longe eram vistos, atraindo as atenções de familiares e amigos. Logo todos entenderam que Zé Volante chegou, e a 1313 tá consigo. Minha mãe chegou e juntou seu abraço comigo. Pegamos o velho pelos braços e levamos para casa, seu segundo abrigo. As histórias de viagem ainda hoje trago comigo, pois me lembro até das caronas que ele dava aos amigos. Passando por Ilhéus, quem pegou carona foi Jorge Amado, porque estava apressado para o lançamento do livro “Gabriela, Cravo e Canela”. Um dia, logo no amanhecer, para mim foi inesquecível. Meu pai me chamou para viajar dentro da boleia daquele caminhão incrível. Eram tantos detalhes: luzes, painéis, botões, chaves, alavancas, volante e a visão do motorista, nada passou despercebido. Fiquei abestalhado de tanta alegria, querendo tudo conhecer, e muita euforia envolvia o meu ser. Eram tantas perguntas que mal completava uma, e a outra já queria saber. Fui viajando num imaginário de tantas viagens. As paisagens, cidades e amigos compõem a felicidade que um dia iria conhecer. Essa minha primeira viagem me deu a certeza de que um bom motorista eu queria ser. E, em breve, junto com a 1313 tudo isso eu irei viver.

WHISK DE ITAQUITINGA Depois da segunda dose Fiz tanta coisa
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WHISK DE ITAQUITINGA Depois da segunda dose Fiz tanta coisa Que Nosso Senhor Não acreditou de lá de cima Dei salto, soutei, pulo três por quatro Que mestre de maracatu não ensina Chamei Lampião de frouxo Pra brigar na lazarina Debochei de Luiz Gonzaga Cantando em praça o Xote das Meninas Incabulei o Padre Cícero Abençoando os matutos da Caatinga Provoquei o mestre Chico Science Comendo caranguejo na praia do Pina Calei o rei Reginaldo Rossi Cantando Garçom no bar da esquina Desafiei Alceu Valença Cantando Anunciação no Carnaval de Olinda Frustrei Ariano Suassuna Mentindo mais que Chicó e João Grilo nas telinhas Ganhei de Miguel Arraes Na disputa da reeleição na terrinha Magoei o mestre Vitalino Fazendo o maior presépio de barro da festa natalina De tudo que fiz Só me arrependo de ter Decepcionado o de lá de cima Se não fosse por isso Tomava mais duas doses Do Whisk de Itaquitinga.

ONTEM E HOJE Ontem, a carta cruzava estradas,
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ONTEM E HOJE Ontem, a carta cruzava estradas, levando notícias e emoção; Hoje, a mensagem corta os céus na velocidade da conexão. Ontem, o avô contava histórias à sombra do velho juazeiro; Hoje, o mundo inteiro cabe na tela de um aparelho. Ontem, a enxada riscava a terra sob o calor do verão; Hoje, máquinas guiadas por satélites fazem a mesma plantação. Ontem, o valor estava na palavra, no aperto firme da mão; Hoje, contratos digitais registram o peso da obrigação. Mas nem tudo mudou, nem tudo ficou para trás; a tradição guarda as raízes, a inovação abre portais. A primeira ensina quem somos, a segunda onde chegar; uma sustenta o presente, a outra faz avançar. Pois o futuro mais seguro não nasce da divisão: é quando o ontem oferece sabedoria e o hoje traz renovação.

EU, POEMA DE MIM Sou verso antes da palavra, eco antes do som,
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EU, POEMA DE MIM Sou verso antes da palavra, eco antes do som, mistério que se procura no espelho do próprio dom. Habito em muitas moradas, sou plural em cada fim; às vezes nem me conheço quando faço poema de mim. Sou o eu lírico que canta o amor, a dor e a esperança, que veste roupas de sonho e brinca com a lembrança. Sou o eu inanimado, pedra, estrada e paredão; dou voz ao banco da praça, à enxada, ao velho portão. Sou a poeira do caminho, a folha seca a cair, o relógio esquecido que continua a seguir. Sou também o abstrato, o que ninguém pode tocar; sou saudade, sou silêncio, sou vontade de ficar. Sou a dúvida da noite, a fé buscando razão, o medo escondido em sombras, a coragem do coração. Mas sou também o real, carne, osso e cicatriz; sou o homem que tropeça na procura de ser feliz. Carrego marcas do tempo, vitórias, perdas e ais; sou feito de muitas vidas que já não voltam jamais. E quando junto esses eus num só verso, enfim, assim, descubro que o universo fez um poema de mim. Pois sou palavra e ausência, fantasia e chão sem fim; sou o que escrevo no mundo e o mundo escreve em mim.

MONARQUIA DO AMOR No reino verde de Itaquitinga, onde o vento espalha raiz,
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MONARQUIA DO AMOR No reino verde de Itaquitinga, onde o vento espalha raiz, floresceu um trono de afeto sob um céu sereno e feliz. Entre canaviais e memórias, entre o campo e a matriz, Israel tomou por coroa o sorriso da Beatriz. No reinado de Itaquitinga a felicidade é Imperatriz. Não governam com espadas, nem decretos por um triz; seu poder nasce do abraço, da palavra que bendiz. Quando o Rei estende a mão, quando a Rainha a conduz, o amor acende caminhos como estrelas dando luz. No reinado de Itaquitinga a felicidade é Imperatriz. Israel, monarca do sonho, cavaleiro aprendiz, aprendeu que a maior riqueza é amar e ser feliz. Beatriz, rainha das flores, de coração sempre gentil, transforma simples instantes em tesouros do Brasil. No reinado de Itaquitinga a felicidade é Imperatriz. As muralhas desse reino não são feitas de verniz; são erguidas com respeito, com ternura que não diz. Seu castelo tem alpendres, tem varanda e tem raiz; e a bandeira que tremula é a esperança que reluz. No reinado de Itaquitinga a felicidade é Imperatriz. Quando o tempo passar ligeiro e a juventude se for, ficará gravada na história a grandeza desse amor. Pois há reinos que se acabam, há impérios por um triz; mas o reino dos que amam permanece e sempre existe. E dirá o povo em festa, cantando pela matriz: No reinado de Itaquitinga a felicidade é Imperatriz.