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Frases de Negreiros

86 frases

Pernambucanidade! Palavra de identidade! Gilberto Freyre lhe deu nome,
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Pernambucanidade! Palavra de identidade! Gilberto Freyre lhe deu nome, Pernambuco lhe deu verdade; E o povo segue escrevendo Por toda sua eternidade.

SÓ GRATIDÃO Nasci trazendo esperança, Sem saber o que viria,
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SÓ GRATIDÃO Nasci trazendo esperança, Sem saber o que viria, A vida abriu sua estrada, E eu segui com alegria. Por ter recebido a vida, Agradeço a cada dia. Sobrevivi às tempestades, Atravessei vendavais, Caí, levantei de novo, Não quis olhar para trás. Cada dor deixou ensino, Cada passo trouxe paz. Superei tantos obstáculos, Que pensei não suportar, Descobri dentro de mim Uma força pra lutar. Quem persiste diante da vida Sempre aprende a superar. Agradeço à minha família, Aos amigos de verdade, A quem segurou minha mão Nos momentos de dificuldade. Quem compartilha nossa estrada É riqueza e amizade. Agradeço as minhas derrotas, E também cada vitória; Pois a queda me ensinou A escrever minha história. Vitória sem aprendizado É apenas vã memória. Agradeço o que aprendi E aquilo que pude ensinar; Conhecimento compartilhado Faz a vida prosperar. Quem ensina também aprende, Quem aprende pode ensinar. Agradeço pela fé, Por crer e também confiar; Quando a estrada fica escura, Tenho Deus para me guiar. Quem conserva a esperança Nunca deixa de caminhar. Agradeço o que plantei, Mesmo antes de colher; Toda semente tem seu tempo, Cada fruto seu nascer. Quem trabalha com esperança Tem razões para agradecer. Agradeço os meus erros, E os acertos que conquistei; Foi errando que aprendi Os caminhos que trilhei. Cada erro corrigido Foi um passo que avancei. Agradeço por amar, E por também ser amado; Pois o amor deixa na alma Um caminho iluminado. Quem ama nunca caminha Neste mundo abandonado. Agradeço pelos filhos, Pelos livros que escrevi; Pois aquilo que deixamos É semente após partir. Quem perpetua seus valores Continua a existir. Se a vida me deu espinhos, Também me ofertou flores; Deu-me noites tão difíceis, Mas também belos albores. Entre lágrimas e risos, Fui juntando meus valores. Hoje olho para a estrada E agradeço o que passou; Cada encontro, cada ausência, Cada abraço que ficou. Tudo fez parte da história Que a própria vida escreveu. Se amanhã vier incerto, Não preciso me assustar; Levo fé dentro do peito E coragem pra enfrentar. Enquanto houver vida em mim, Terei motivos pra amar. Pelo dom de estar presente, Pelo ontem e pelo agora, Pelo sonho que permanece E pela esperança que aflora; Por nascer, vencer, aprender E deixar sementes mundo afora.

PERNAMBUCANIDADE Pernambuco é uma chama Que ninguém consegue apagar,
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PERNAMBUCANIDADE Pernambuco é uma chama Que ninguém consegue apagar, É povo que enfrenta a luta Sem jamais se acovardar; Traz no peito a resistência E o orgulho de seu lugar. Desde o tempo das batalhas, Nossa história tem memória, De Guararapes aos engenhos, Cada luta fez história; Foram bravos brasileiros Construindo a nossa glória. Nilo Pereira em três volumes, Expressou de forma verdadeira Esse amor que a todos incendeia, Como chama sertaneja, Como paixão verdadeira Por nossa terra altaneira. Pernambuco tem no sangue Mistura de muitas raças, Índio, negro, português, Cada qual deixando marcas; Dessa união tão diversa Nasceram nossas praças. Tem o frevo pelas ruas, Maracatu no terreiro, Caboclinho, ciranda, Baque solto e batuqueiro; Tem o coco, tem o forró, Tem repente e violeiro. Tem a voz dos nossos mestres, Tem a arte popular, Tem o barro de Tracunhaém, Tem o verso a improvisar; Tem xilogravura e cordel Contando o nosso lugar. Tem Olinda em suas ladeiras, Recife à beira do mar, Tem o Agreste e o Sertão, Tem canavial a brotar; Do litoral ao Sertão, Há um povo a celebrar. E quando tremula ao vento Nossa bandeira querida, O azul lembra o céu aberto, O branco lembra a paz da vida; O arco-íris traz esperança Nessa terra aguerrida. O sol mostra a força viva De um povo trabalhador, A cruz lembra a história De sua fé e seu valor; E a estrela representa Um sonho de esplendor. Heróis ficaram na história, Com seus feitos e bravura; Outros vivem nos terreiros, Na escola e na cultura; Pois herói também é o povo Que preserva sua cultura. Pernambucano não esquece O chão onde nasceu, Guarda a fala dos antigos, O conselho que recebeu; Ama a terra dos seus pais, Ama aquilo que viveu. Pernambuco é resistência, É coragem e tradição, É memória, é identidade, É cultura e coração; É um povo que transforma Cada luta em celebração. Se perguntarem quem somos, Não precisa explicação: Somos filhos dessa terra, Dessa forte geração; Pernambuco é nossa casa, Nossa história e nosso chão. Nilo Pereira em três volumes, Expressou de forma verdadeira Esse amor que a todos incendeia; É Pernambuco em nossa veia, É paixão que não arrefeia, É nossa Pernambucanidade inteira!

CORRER ATRÁS DO VENTO Tem gente que vive a vida Sem saber onde quer chegar,
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CORRER ATRÁS DO VENTO Tem gente que vive a vida Sem saber onde quer chegar, Conquista tudo que sonha, Mas não consegue enxergar Que aquilo que já possui Era o que queria alcançar. Quer sempre mais uma coisa, Depois outra sem parar, Quando consegue o que busca, Já começa a reclamar: O desejo vira fome Que não consegue saciar. Constrói castelo de sonhos, Mas não consegue morar, Pois sua mente está sempre Procurando outro lugar; Tem o mundo nas suas mãos, Mas só consegue enxergar O que ainda não pode tocar. É como um buraco negro No fundo do pensamento, Que engole toda conquista, Todo afeto e sentimento; Quanto mais recebe dentro, Mais aumenta o seu tormento. Olha a casa que comprou, Mas deseja uma mansão; Tem amor da sua família, Mas procura outra paixão; Tem saúde, tem amigos, Mas reclama da situação. Tem dinheiro no bolso, Mas ainda quer acumular; Tem estrada percorrida, Mas só pensa em caminhar; Não contempla a própria história, Porque só quer conquistar. O problema não é sonhar, Nem querer prosperidade; É transformar o desejo Numa eterna necessidade, E esquecer que a verdadeira Riqueza é ter liberdade. Quem vive correndo atrás Do que pensa encontrar, Pode passar pela vida Sem sequer dela desfrutar; Pois enquanto busca o futuro, Deixa o presente escapar. Há quem tenha quase tudo, Mas se sinta sem ter nada; Porque mede sua riqueza Pelaquilo que é desejada, E não pelo que já possui Na caminhada encerrada. O vento passa ligeiro, Não se deixa aprisionar; Quanto mais alguém o persegue, Mais distante ele estará. E quem vive nessa corrida Pode a própria vida perder. Não é errado querer mais, Nem buscar transformação; O perigo é nunca dizer: "Já tenho o que é de bom." Pois a fome sem medida Também devora o coração. A vida pede equilíbrio, Entre o ter e agradecer; Entre aquilo que se busca E aquilo que se pode viver. Quem só olha para frente Pode esquecer de se ver. Se a felicidade é sempre A próxima coisa a alcançar, Quando ela enfim se aproxima, Outra irá ocupar seu lugar. E assim a pessoa passa A vida inteira a procurar. Pare um pouco nessa estrada, Respire e olhe ao redor; Veja quanto já venceu, Reconheça o seu valor. Talvez o que tanto procura Já esteja dentro do amor. Pois quem não sabe agradecer Pelo pouco que conquistou, Pode ganhar o mundo inteiro E continuar sem valor; Porque nenhum bem material Preenche o vazio interior. E se quiser correr livre, Corra, mas sem se perder; Busque aquilo que deseja, Sem esquecer de viver. Pois mais importante que chegar É saber o que fazer. Correr atrás do vento Só por brincadeira, Pode até ser divertido Numa tarde passageira; Mas fazer disso uma vida É correr a vida inteira.

O LIVRO DA VIDA 1 — O começo Minha vida é um livro,
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O LIVRO DA VIDA 1 — O começo Minha vida é um livro, Que começa ao nascer, Todo dia há perigo, Que o tempo faz escrever. No livro da Vida nem todas as páginas são coloridas. 2 — A infância Na infância há folia, Com brinquedo e correr, Toda hora traz magia, Sem ter medo de crescer. No livro da Vida nem todas as páginas são coloridas. 3 — A adolescência Vem depois a mocidade, Com desejo de voar, Cheia de curiosidade, Quer o mundo conquistar. No livro da Vida nem todas as páginas são coloridas. 4 — A juventude O coração se desperta, Quando aprende a desejar, Uma paixão deixa aberta Uma porta para amar. No livro da Vida nem todas as páginas são coloridas. 5 — A paixão Tem olhar que diz carinho, Sem sequer uma palavra, E a paixão abre caminho, Quando o coração se entrega. No livro da Vida nem todas as páginas são coloridas. 6 — A desilusão Mas o amor também termina, Quando a promessa se desfaz, E a tristeza nos ensina Que nem todo amor dá paz. No livro da Vida nem todas as páginas são coloridas. 7 — As lutas Vêm as lutas da jornada, Que nos fazem aprender, Cada dor deixa ensinada Uma forma de vencer. No livro da Vida nem todas as páginas são coloridas. 8 — As alegrias Há momentos de alegria, Que parecem não ter fim, Há família em harmonia, Com abraço e amor sem fim. No livro da Vida nem todas as páginas são coloridas. 9 — O tempo O tempo passa ligeiro, Sem parar pra nos esperar, Leva o sonho derradeiro, E nos manda envelhecer. No livro da Vida nem todas as páginas são coloridas. 10 — A maturidade Cada ruga traz memória, Cada marca, uma lição, Cada queda conta história, Cada perda, reflexão. No livro da Vida nem todas as páginas são coloridas. 11 — As perdas Há páginas doloridas, Que ninguém quer reler mais, São lembranças tão sofridas, De pessoas que se vão. No livro da Vida nem todas as páginas são coloridas. 12 — A velhice Na velhice a gente entende O valor de um bom viver, Quem semeia amor, colhe e aprende Que é preciso agradecer. No livro da Vida nem todas as páginas são coloridas. 13 — A morte Todo livro tem seu fim, Toda estrada tem chegada, Quando a morte chega, enfim, Fecha a última jornada. No livro da Vida nem todas as páginas são coloridas. 14 — O que fica Mas o amor não morre inteiro, Quando alguém deixa este chão, Pois permanece verdadeiro Na memória e no coração. No livro da Vida nem todas as páginas são coloridas. 15 — A lição Não rasgue a página triste, Nem esconda a cicatriz, Pois a dor também existe Pra ensinar a ser feliz. No livro da Vida nem todas as páginas são coloridas. 16 — A caminhada Se a tristeza aparecer, Não desista de lutar, Toda dor pode ensinar Outro jeito de viver. No livro da Vida nem todas as páginas são coloridas. 17 — A última página Quando o livro for fechado, E não der mais pra escrever, Que seu nome seja lembrado Pelo bem que fez crescer. No livro da Vida nem todas as páginas são coloridas. 18 — Conclusão A vida é feita de histórias, De alegrias e de dor, De derrotas e de glórias, De esperança, fé e amor. No livro da Vida nem todas as páginas são coloridas. Nascer, crescer, amar e sofrer, São páginas da existência; Morrer é apenas devolver Ao tempo nossa presença. No livro da Vida nem todas as páginas são coloridas. Por isso escreva direito As páginas do seu viver; Faça o bem com muito jeito, Enquanto puder viver. No livro da Vida nem todas as páginas são coloridas. Pois ninguém escolhe as páginas Que o destino vai trazer; Mas pode escolher as marcas Que deixará ao morrer. No livro da Vida nem todas as páginas são coloridas.

A LEI DA CONVENIÊNCIA A Lei da Conveniência Tem força e autoridade,
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A LEI DA CONVENIÊNCIA A Lei da Conveniência Tem força e autoridade, Foi feita no Congresso Com muita formalidade; Depois foi sancionada Com toda solenidade. O Presidente assinou, Dando força à decisão, O Supremo homologou, Com sua confirmação; Mas o povo, indignado, Fez sua reprovação. Foi decretada em Brasília, Com pompa e aprovação, Cada poder deu seu aval, Selando a legislação; Mas faltou ouvir o povo, Dono dessa nação. Pois lei que serve ao poder, Mas ao povo traz prejuízo, Pode até ser conveniente, Ter carimbo e ser preciso; Mas quando falta justiça, Perde o seu compromisso. Congresso pode decretar, Presidente sancionar, Supremo homologar, E o sistema festejar; Mas se o povo não aceitar, Quem vai poder sustentar? A Lei da Conveniência Pode até ter aprovação, Mas quando o povo a rejeita, Perde toda a razão; Porque a voz da soberania Deve vir da população.

PROFESSOR DE POETA No sertão nasceu um mestre Que ensinava sem cartilha,
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PROFESSOR DE POETA No sertão nasceu um mestre Que ensinava sem cartilha, Com a viola e a palavra Fez da rima uma família; E mostrou que a poesia Também nasce na partilha. Sou Poeta sem diploma no canudo, mas cumpro o verdadeiro papel público do intelectual Matuto. Patativa do Assaré, Ave sábia do sertão, Transformou sua poesia Em denúncia e oração; Fez do verso uma ferramenta De cultura e reflexão. Sou Poeta sem diploma no canudo, mas cumpro o verdadeiro papel público do intelectual Matuto. Seu cantar veio da roça, Da enxada e do terreiro, Da pobreza, da esperança, Do vaqueiro e do roceiro; E ensinou que o pensamento Não precisa de dinheiro. Sou Poeta sem diploma no canudo, mas cumpro o verdadeiro papel público do intelectual Matuto. Em “Cante Lá, Que Eu Canto Cá”, fez do canto profissão, mostrando que cada terra tem seu modo e tradição; E que a voz de quem trabalha também merece atenção. Quando falou do “Caboclo Roceiro”, deu ao campo dignidade, fez da vida do agricultor um retrato da verdade; E levou para a poesia a voz da comunidade. Em “Triste Partida”, fez a dor se levantar, retratando o nordestino obrigado a migrar; E fez muita gente longe do sertão se emocionar. Não é apenas um poeta que o tempo pode guardar; Patativa é professor que continua a ensinar: quem conhece sua obra tem mais força pra pensar. Sou Poeta sem diploma no canudo, mas cumpro o verdadeiro papel público do intelectual Matuto. Os poetas o admiram pela força do seu dizer, pela forma tão simples de fazer o povo entender; pois sabia transformar o sofrer em aprender. Negreiros Neto assim diz, com respeito e clareza: “O poeta é um título da mais alta nobreza, dado ao matuto analfabeto e aos doutores da letra.” Patativa nos mostrou que a escola pode ensinar, mas também existe a vida com seus modos de educar; e o poeta que a observa tem lições pra revelar. Foi professor de poetas, sem cobrar mensalidade; sua sala era o mundo, seu diploma, a humildade; seu quadro era o sertão, sua matéria, a verdade. Sou Poeta sem diploma no canudo, mas cumpro o verdadeiro papel público do intelectual Matuto. Hoje, quando um poeta pega a pena para escrever, leva um pouco de Patativa sem sequer perceber; pois quem bebe dessa fonte aprende também a viver. Patativa, velho mestre, teu legado é imortal; tua poesia permanece feito estrela no quintal; Nordeste que vira verso, sertão que vira jornal. E aos doutores da palavra, aos poetas do sertão, fica viva a grande lição do mestre da inspiração: a maior sabedoria é ter voz e coração. Sou Poeta sem diploma no canudo, mas cumpro o verdadeiro papel público do intelectual Matuto. Se Patativa foi mestre, nós seguimos a lição: fazer da poesia ponte, da palavra, comunhão; e colocar nosso verso a serviço da nação.

ENCANTO DE CRIANÇA Criança é feito encanto, É estrela a cintilar,
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ENCANTO DE CRIANÇA Criança é feito encanto, É estrela a cintilar, É um mundo de descobertas Que começa a despertar; É semente pequenina Que aprende a vida a amar. Que venham a mim todas as crianças, pois meu reino está a esperar. Primeiro vem o nascimento, Com seu choro e seu olhar, Depois vem o colo amigo, Onde aprende a descansar; E, entre braços e carinhos, Começa a se aventurar. Que venham a mim todas as crianças, pois meu reino está a esperar. Depois começa a engatinhar, Logo aprende a caminhar, Dá tropeços, cai no chão, Mas insiste em levantar; Cada passo pequenino É uma forma de sonhar. Que venham a mim todas as crianças, pois meu reino está a esperar. Vem a fase das perguntas, Do brinquedo e da invenção, Do desenho colorido, Da primeira imaginação; A criança faz do mundo Um brinquedo de emoção. Que venham a mim todas as crianças, pois meu reino está a esperar. Depois chega a adolescência, Com conflitos e mudanças, Novos sonhos, novos medos, Despedidas e esperanças; Vai deixando a meninice, Mas conserva as lembranças. Que venham a mim todas as crianças, pois meu reino está a esperar. E o menino vira homem, A menina vira mulher, Cada qual seguindo a estrada Do destino que escolher; Mas quem guarda a sua infância Nunca deixa de viver. Que venham a mim todas as crianças, pois meu reino está a esperar. Pois existe uma criança Que o tempo não faz morrer; Ela mora nos bons homens, Nos que sabem compreender, Nos que têm mãos para o abraço E um coração para acolher. Que venham a mim todas as crianças, pois meu reino está a esperar. Homem bom brinca com filhos, Sabe rir e sabe amar; Não tem vergonha da infância Que insiste em lhe acompanhar. Quem conserva a alma criança Nunca deixa de sonhar. Que venham a mim todas as crianças, pois meu reino está a esperar. Ser adulto não é nunca Ter vontade de brincar; É saber que a vida é séria, Mas também sabe encantar. É guardar dentro do peito Um menino a caminhar. Que venham a mim todas as crianças, pois meu reino está a esperar. Crescer não significa A infância abandonar; É levar dentro da alma Tudo aquilo que ensinar: Que o amor, quando é verdadeiro, Tem o dom de transformar. Que venham a mim todas as crianças, pois meu reino está a esperar. E se o tempo envelhecer O rosto, o corpo e a mão, Que jamais envelheça A ternura do coração; Pois criança que permanece É eterna inspiração. Que venham a mim todas as crianças, pois meu reino está a esperar. Que venham com seus brinquedos, Com seus sonhos e alegria; Que venham com seus sorrisos, Sua doce fantasia; Pois onde existe criança, Renova-se a poesia. Que venham a mim todas as crianças, pois meu reino está a esperar. E quando a vida passar E a velhice enfim chegar, Que eu ainda tenha dentro Uma criança a me ensinar: Que nascer é começar, E viver é se encantar. Que venham a mim todas as crianças, pois meu reino está a esperar.

VIVER EM MUTAÇÃO A vida é feito um rio, Que não para de correr,
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VIVER EM MUTAÇÃO A vida é feito um rio, Que não para de correr, Vai mudando suas águas Sem deixar de ser viver; E o homem muda com o tempo, Sem saber o que vai ser. Ontem fui uma semente, Hoje sou árvore a crescer, Amanhã serei talvez Outra forma de florescer; Pois quem pensa que é o mesmo Não conhece o próprio ser. Meu Eu de ontem morreu, hoje vive outro Eu, e amanhã quem será Eu? Cada dor deixa uma marca, Cada amor traz transformação, Cada queda nos ensina A buscar nova direção; E a vida vai esculpindo Nosso ser e coração. Muda o corpo, muda a mente, Muda o jeito de pensar, Muda o sonho, muda o medo, Muda o jeito de sonhar; E até aquilo que amamos Pode um dia se transformar. Há um Eu que vai partindo, Sem fazer despedimento, Outro Eu chega ligeiro, Carregado de momento; Somos obras inacabadas Nas oficinas do tempo. Meu Eu de ontem morreu, hoje vive outro Eu, e amanhã quem será Eu? Não devemos ter receio Da mudança natural, Pois a vida é movimento, Nunca fica sempre igual; Até pedra vira areia Sob a força temporal. Quem aceita a mutação Aprende a se reinventar, Troca o medo pelo sonho, Deixa a vida lhe ensinar; Pois mudar não é perder-se, É uma forma de encontrar. Eu já fui tantos de mim, Que nem posso enumerar; Cada fase foi um passo Que me fez aqui chegar. E o futuro é uma pergunta Que ainda vou responder. Se amanhã nascer um homem Diferente do que sou, Não direi que perdi a vida, Direi: a vida me mudou. Pois enquanto houver caminho, Meu destino não parou. Meu Eu de ontem morreu, hoje vive outro Eu, e amanhã quem será Eu? Assim sigo nesta estrada, Entre o ontem e o depois, Reinventando meus caminhos, Descobrindo novos nós; Sou mudança, sou memória, Sou futuro dentro de nós. E se alguém me perguntar Quem sou eu neste momento, Responderei simplesmente: Sou mutação e movimento. Um ser que nasce a cada dia Das mudanças do tempo.

ALÉM DA ETERNIDADE Fique ao meu lado, segure minha mão, e vamos caminhar sem medo de errar;
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ALÉM DA ETERNIDADE Fique ao meu lado, segure minha mão, e vamos caminhar sem medo de errar; que o amor seja a nossa direção, e o destino nos ensine a sonhar. Se o mundo mudar de repente, que eu tenha você junto a mim, pois amor que é verdadeiro e presente não conhece começo, nem fim. Quero andar contigo pela estrada, sob o sol, sob a chuva e sob o luar; ter sua presença em minha jornada, e em cada silêncio, poder te abraçar. Se houver pedras no nosso caminho, juntos saberemos como seguir; pois nenhum coração fica sozinho quando encontra outro para dividir. Fique ao meu lado, não solte a mão, deixe o tempo passar devagar; que cada batida do meu coração seja uma promessa de sempre te amar. E quando a vida perder sua voz, quando o tempo deixar de existir, ainda haverá um caminho para nós, onde o amor continuará a florir. Fique ao meu lado, segure minha mão e vamos caminhar além da eternidade. Porque se o amor for nossa canção, seremos para sempre uma só saudade que nem o tempo conseguirá apagar, nem a distância poderá separar: dois corações que escolheram caminhar juntos... além da eternidade.

JEJUM: CORPO, ALMA E MENTE Jejuar para o Corpo, Alma e Mente por alguns instantes se renovar.
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JEJUM: CORPO, ALMA E MENTE Jejuar para o Corpo, Alma e Mente por alguns instantes se renovar. Jejum não é só deixar O alimento sobre a mesa, É calar desejos vãos E mergulhar na certeza De que a força vem do Alto, Quando a fé vence a fraqueza. É renunciar por um tempo Aos prazeres da matéria, É buscar dentro do peito Uma esperança mais séria, É transformar o sacrifício Numa oração sincera. Jejuar para o Corpo, Alma e Mente por alguns instantes se renovar. O corpo sente a privação, A carne pede e reclama, Mas quem jejua aprende a ouvir O que o silêncio proclama; Pois quando a fome se apresenta, A fé acende outra chama. Não é castigo ao próprio corpo, Nem vaidade espiritual, É exercício de domínio Sobre o impulso natural; É mostrar que a nossa vontade Pode vencer o desejo carnal. Jejuar para o Corpo, Alma e Mente por alguns instantes se renovar. Jejuar também é silêncio, É humildade e oração, É reconhecer nossas falhas Diante da imensidão; É dobrar os próprios joelhos E abrir o coração. É súplica por direção Quando a estrada fica escura, É pedir sabedoria Para enfrentar a travessia dura; É procurar na voz divina A resposta que perdura. É arrependimento sincero, É reconhecer o erro cometido, É abandonar velhos caminhos Que deixaram o coração ferido; É pedir forças para mudar E recomeçar renovado e decidido. Jejuar para o Corpo, Alma e Mente por alguns instantes se renovar. Há um sacrifício físico Quando o corpo é contrariado, Mas existe um outro maior: Vencer o eu acomodado; Pois muitas vezes o inimigo Mora dentro do próprio lado. É superar a própria fraqueza, É cultivar perseverança, É transformar cada renúncia Em resistência e esperança; Quem suporta a caminhada Fortalece sua confiança. E quando a emoção apertar, Quando a tristeza chegar, Que o jejum seja uma ponte Para a alma se reencontrar; Pois há dores que só o silêncio Consegue ajudar a curar. Jejuar para o Corpo, Alma e Mente por alguns instantes se renovar. Jejum verdadeiro não busca A plateia para admirar, Nem procura reconhecimento De quem possa observar; Quem jejua diante de Deus Não precisa anunciar. Não é contar quantas horas Conseguiu permanecer, Nem transformar a renúncia Em motivo para se engrandecer; É diminuir o próprio ego Para a humildade crescer. Porque o jejum sem amor Pode ser apenas aparência; Sem misericórdia e justiça, Perde a sua essência. De nada vale fechar a boca Se o coração mantém violência. Jejuar para o Corpo, Alma e Mente por alguns instantes se renovar. Jejuar é dizer à carne: “Nem todo querer é poder.” É colocar freio nos impulsos, É aprender a escolher; É descobrir que a vontade Também precisa obedecer. É controlar a língua, É vigiar o pensamento, É dominar a ira e o orgulho, É transformar ressentimento; Pois o verdadeiro jejum Também purifica o sentimento. Se a boca deixa de comer, Mas o coração não se transforma, Se a mão permanece fechada E a injustiça se conforma, O jejum perde sua força E a aparência vira norma. Jejuar para o Corpo, Alma e Mente por alguns instantes se renovar. Que a fome seja lembrança De quem vive em necessidade, Que a renúncia desperte Mais amor e fraternidade; Que o sacrifício gere frutos De justiça e caridade. Que o corpo seja disciplinado, Que a mente encontre clareza, Que a alma encontre descanso, Que a fé vença a incerteza; E que o homem compreenda Que é pequeno diante da grandeza. Jejuar é uma travessia Entre a fraqueza e a vitória, É escrever dentro do peito Uma nova e humilde história; É trocar o orgulho humano Pela esperança da glória. E quando terminar o jejum E a mesa novamente se abrir, Que não volte o mesmo homem Que decidiu ali resistir; Que a verdadeira mudança Continue depois de se nutrir. Jejuar para o Corpo, Alma e Mente por alguns instantes se renovar. Pois o jejum que transforma Não termina ao se alimentar; Ele deixa dentro da alma Uma maneira nova de olhar. Quem renuncia por propósito Aprende também a agradecer. Corpo, alma e mente unidos, Na busca pela direção, Entre súplica e silêncio, Entre fé e reflexão; O verdadeiro jejum começa Quando muda o coração. Jejuar para o Corpo, Alma e Mente por alguns instantes se renovar.

SUSSURRANDO COM O VENTO Minhas conversas o vento interpretam, umas deixam e outras levam.
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SUSSURRANDO COM O VENTO Minhas conversas o vento interpretam, umas deixam e outras levam. Quando a tarde vai chegando, E o silêncio vem pousar, Fico ouvindo o vento manso Pelas folhas a passar. Ele sopra uma cantiga Que ninguém consegue cantar. Não sei se é voz ou segredo, Se é lembrança ou pensamento, Mas escuto cada sopro Como um velho juramento. O vento fala baixinho Com a linguagem do tempo. Minhas conversas o vento interpretam, umas deixam e outras levam. Conto a ele meus segredos, Minhas dores, meu querer, As palavras que escondemos Quando é difícil dizer. O vento guarda o que escuta Sem jamais me responder. Se uma lágrima aparece, Ele passa devagar, Como quem seca o meu rosto Sem sequer me tocar. E aquilo que me entristece Ele aprende a carregar. Minhas conversas o vento interpretam, umas deixam e outras levam. Quando o tempo vai passando, Vou sentindo o seu movimento; Cada brisa é uma lembrança, Cada rajada, um momento. O relógio não tem asas, Mas o vento tem o tempo. Ele conhece as estradas, As montanhas e o sertão, Já brincou com muitas folhas, Já beijou muita plantação. E carrega pelo mundo Fragmentos do coração. Minhas conversas o vento interpretam, umas deixam e outras levam. Quando a noite abre os braços E o cansaço vem chegar, Deixo a janela entreaberta Para o vento me embalar. Ele sopra uma canção Que me ensina a descansar. Vento amigo, vento irmão, Companheiro sem morada, Quando o mundo me aperta, Tu me dás uma parada. Com teu sopro adormeço E acordo em outra jornada. E, dormindo, eu sonho longe, Sem saber onde vou dar; Talvez siga com o vento Por caminhos sobre o mar. Pois quem aprende a ouvi-lo Também aprende a sonhar. Minhas conversas o vento interpretam, umas deixam e outras levam. Se amanhã eu for silêncio, Se meu verso se calar, Que o vento leve meus sonhos Para alguém que queira escutar. Porque a poesia é semente Que o vento pode espalhar. E assim sigo conversando, Sem ninguém me interromper, Pois o vento é confidente Que não julga o meu viver. Ele leva o que é tristeza E deixa o que faz crescer. Minhas conversas o vento interpretam, umas deixam e outras levam.

CASA! ESCOLA DE CORAÇÕES Casa! Escola de Corações. Universo de tantas emoções.
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CASA! ESCOLA DE CORAÇÕES Casa! Escola de Corações. Universo de tantas emoções. No princípio da caminhada, Quando o mundo era ilusão, Foi a casa o primeiro livro, Da mais nobre educação. Ali nasce a esperança, E floresce a formação. Casa! Escola de Corações. Universo de tantas emoções. Tem chegada de um menino, Tem partida de um ancião, Tem abraço que conforta, Tem silêncio e solidão. Cada porta guarda um tempo, Cada canto uma lição. Casa! Escola de Corações. Universo de tantas emoções. Há encontros que eternizam, Despedidas de doer, Há promessas que florescem, Outras param de viver. Mas o tempo escreve histórias Que ninguém pode esquecer. Casa! Escola de Corações. Universo de tantas emoções. Ali mora o grande amor, Também mora a ingratidão; Há carinho que aproxima, Há intriga e divisão. Cada gesto deixa marcas No jardim do coração. Casa! Escola de Corações. Universo de tantas emoções. Perdas vêm como tempestes, Ganhos brilham como o Sol; Uns tropeçam na tristeza, Outros seguem no arrebol. Toda lágrima ensina Mais que o ouro e o arrebol. Casa! Escola de Corações. Universo de tantas emoções. Há alegrias em fartura, Decepções pelo caminho, Experiência faz o mestre, Imaturidade é espinho. Quem escuta os mais antigos Nunca segue tão sozinho. Casa! Escola de Corações. Universo de tantas emoções. Resiliência é a coluna Que sustenta a construção; Coragem faz cada passo Enfrentar a provação. Quem não teme as tempestades Vence a força do trovão. Casa! Escola de Corações. Universo de tantas emoções. Vitória bate à janela, Derrota entra sem avisar; Uma ensina a agradecer, Outra obriga a levantar. Quem aprende com as duas Sempre volta a caminhar. Casa! Escola de Corações. Universo de tantas emoções. União levanta pontes, Desunião faz ruir. Uma soma os sentimentos, Outra faz o bem fugir. Toda casa bem cuidada Faz a esperança florir. Casa! Escola de Corações. Universo de tantas emoções. Há caminhos luminosos, Há desvios na estrada. Quem cultiva bons exemplos Tem a alma iluminada. Quem abandona os valores Vê a vida embaraçada. Casa! Escola de Corações. Universo de tantas emoções. Base firme é fundamento, Teto abriga da aflição. Paredes guardam memórias, Grades pedem reflexão. Pois a casa não aprisiona, Quando reina o coração. Casa! Escola de Corações. Universo de tantas emoções. Amor vence o próprio ódio Quando existe compaixão; Vida nasce em cada berço, Morte encerra a procissão. Mas o bem que ali foi plantado Nunca morre em vão. Casa! Escola de Corações. Universo de tantas emoções. Seja humilde ou majestosa, De madeira ou de tijão, Toda casa é professora Da maior das lições: Quem constrói um bom lar na Terra Edifica gerações. Casa! Escola de Corações. Universo de tantas emoções.

GRITO DO SILÊNCIO No silêncio mora um grito Que ninguém pode calar;
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GRITO DO SILÊNCIO No silêncio mora um grito Que ninguém pode calar; Ecoa além dos séculos, Sem jamais se revelar. Há mistérios escondidos Que insistem em nos chamar. Não há papiro que conte, Nem pintura ancestral; Mas existem tantos sinais De presença imortal. Vestígios que desafiam O saber racional. Há pegadas sem caminho, Há muralhas sem pedreiro, Há um mapa sem legenda, Há um rumo verdadeiro. Quem contempla tais mistérios Fica mudo o mundo inteiro. Descobertas escondidas Dormem sob a própria luz; Mãos humanas as ocultam, Mas a verdade conduz. Quem procura com justiça Nunca perde a sua cruz. Olhos veem o fenômeno, Mas recusam explicar; Cada nova observação Faz a dúvida aumentar. Há respostas escondidas Que não querem revelar. Explica o não do porquê ou o porquê do não. Há montanhas de perguntas Sem resposta conclusiva; Toda porta que se abre Traz outra perspectiva. O mistério alimentando Nossa busca incessiva. Há quem diga ser lenda, Há quem jure ser verdade; Uns chamam coincidência, Outros, curiosidade. Mas o tempo segue firme Desafiando a humanidade. Nem todo fato se escreve Nos anais da tradição; Nem toda história vivida Cabe numa explicação. Há segredos preservados Pela própria criação. O silêncio também fala Para quem sabe escutar; Nem tudo cabe na ciência, Nem se pode imaginar. Há verdades que esperam Seu momento de brilhar. Explica o não do porquê ou o porquê do não. Talvez um dia os mistérios Saiam todos do esconder; Ou talvez permaneçam Sem ninguém compreender. Pois nem tudo que existe Foi nos dado conhecer. Sigo ouvindo esse silêncio Que parece até falar; Cada dúvida desperta Nova vontade de buscar. Quem pergunta cresce sempre, Quem procura vai achar. E enquanto houver mistérios Entre o céu, a terra e o chão, Seguirei fazendo versos Com respeito e reflexão. Pois o grito do silêncio Também mora em cada irmão. Explica o não do porquê ou o porquê do não.

MINHA VIAGEM AO SOL Quando fechei meus olhos, O impossível deu sinal;
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MINHA VIAGEM AO SOL Quando fechei meus olhos, O impossível deu sinal; A razão ficou na Terra, Parti rumo ao Astro-Rei celestial. No lombo da imaginação Cruzei o vazio sideral. Foi num instante de luz que viajei até lá. Disseram: "És um lunático, Não sabes o que faz." Respondi com um sorriso: "Quem sonha sempre vai mais." Pois o sonho abre caminhos Que a dúvida nunca traz. Foi num instante de luz que viajei até lá. Passei por luas e cometas, Vi planetas a girar; Cada estrela me saudava Como quem sabe esperar. No silêncio do Universo, Aprendi a escutar. Foi num instante de luz que viajei até lá. Quando alcancei o grande Sol, Não encontrei destruição; Vi um oceano de luz Banhando toda a criação. Seu calor não era fogo, Era divina compaixão. Foi num instante de luz que viajei até lá. No centro daquela chama Vi um brilho sem igual; Não tinha forma definida, Nem princípio, nem final. Era a Divindade de Luz, Eterna, pura e celestial. Foi num instante de luz que viajei até lá. Bastou um único olhar Para entender o infinito; Todo medo se desfez, Todo mistério foi bendito. Num segundo compreendi O que jamais fora escrito. Foi num instante de luz que viajei até lá. Voltei trazendo a certeza Que o possível nasce em nós; Quem alimenta a esperança Faz mais forte a própria voz. O impossível se rende Quando Deus caminha após. Foi num instante de luz que viajei até lá. Hoje contam minha história Como um sonho sem igual; Uns dirão que foi delírio, Outros, viagem celestial. Pouco importa o julgamento, Se encontrei o essencial. Foi num instante de luz que viajei até lá. Assina este viajante Que fez do verso um altar; Quem semeia a fantasia Sempre aprende a alcançar. Pois quem segue a luz divina Nunca deixa de sonhar. Foi num instante de luz que viajei até lá.

LARVARUNCA No terreiro da existência, Vi um caso singular;
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LARVARUNCA No terreiro da existência, Vi um caso singular; O varão perdeu o leme, Deixou outro governar. Quem já foi dono da casa Nem se atreve a opinar. LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca. Ela escolhe a roupa dele, O destino e o caminhar; Marca a hora, muda os planos, Diz se pode ou não falar. Ele apenas balança a cabeça, Sem coragem de negar. LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca. Se ela compra, ele paga; Se ela vende, é sem consultar. Ela muda os móveis todos, Sem sequer lhe perguntar. E o coitado só responde: "Se você quiser, pode deixar." LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca. No passeio ou na cozinha, No descanso ou no labor, Ela dita as regras todas Com firmeza e com vigor. Ele segue obedecendo, Sem mostrar qualquer valor. LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca. Mas cordel também ensina Com respeito e sensatez: Todo lar floresce mais Quando existe altivez. Diálogo, amor e acordo Valem muito mais que a vez. LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca. Homem e mulher unidos, Cada qual no seu lugar, Dividindo os desafios, Aprendendo a dialogar. Quem governa junto a casa Faz o amor sempre reinar. LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca.