Pular para o conteúdo

Frases de Negreiros

86 frases

LEI DA NATUREZA A mulher tem o direito de fazer o que quiser.
Continuar lendo

LEI DA NATUREZA A mulher tem o direito de fazer o que quiser. Cabe ao homem aceitar ou não. No princípio, o Deus da vida Fez o mundo em perfeição; Deu ao homem a missão De guardar a criação. À mulher deu companhia, Amor, graça e comunhão. A mulher tem o direito de fazer o que quiser. Cabe ao homem aceitar ou não. As Escrituras ensinam Cada qual na sua função; Autoridade não é força, Nem domínio ou opressão. É servir com humildade, Com justiça e compaixão. A mulher tem o direito de fazer o que quiser. Cabe ao homem aceitar ou não. O marido ama a esposa Como Cristo amou a Igreja; Protegendo com ternura, Sem orgulho que a despreza. Quem governa pelo amor Nunca perde a natureza. A mulher tem o direito de fazer o que quiser. Cabe ao homem aceitar ou não. Toda esposa tem seus sonhos, Seus projetos e querer; Merecendo ser ouvida Em qualquer amanhecer. Pois quem ama escuta antes De falar ou decidir. A mulher tem o direito de fazer o que quiser. Cabe ao homem aceitar ou não. A palavra é liberdade, Não é carta de poder; Cada escolha traz consigo Consequência no viver. Quando o casal anda unido, Deus faz tudo florescer. A mulher tem o direito de fazer o que quiser. Cabe ao homem aceitar ou não. O marido é responsável Pela paz do seu lugar; Se disser um "sim" consciente, Ou um "não" para guardar, Que o faça com sabedoria, Sem jamais desrespeitar. A mulher tem o direito de fazer o que quiser. Cabe ao homem aceitar ou não. Nem tirania do homem, Nem orgulho da mulher; Quando Cristo é o alicerce, Cada um cumpre o dever. Há respeito e harmonia No caminho do viver. A mulher tem o direito de fazer o que quiser. Cabe ao homem aceitar ou não. Assim segue a Lei Divina, Fonte viva do Senhor: Autoridade é serviço, Sacrifício feito em amor. Onde Deus governa o lar, Reina a paz do Criador. A mulher tem o direito de fazer o que quiser. Cabe ao homem aceitar ou não.

FÓRMULA PERDIDA No caderno da existência, De mistério e de beleza,
Continuar lendo

FÓRMULA PERDIDA No caderno da existência, De mistério e de beleza, Há segredos que escaparam Da maior inteligência. Foi um deles, certamente, Que vestiu tanta grandeza. Quando Deus moldou o mundo, Com perfeita harmonia, Misturou luz e esperança, Cor, perfume e poesia; Mas guardou um ingrediente Que ninguém mais descobriria. Quando passeia no jardim, As flores a invejam, sem pudor; Se aparece na janela, O beija-flor canta de amor. Até o vento muda o rumo Só pra sentir seu calor. Quando vai passear na praia, Baleias fazem reverência; Golfinhos saltam nas ondas Em alegre efervescência. Como artistas do oceano, Saúdam sua presença. Se vai à noite pra janela, Os meteoritos, em desatino, Perdem a rota no espaço Mudando o próprio destino. Pois até o céu se distrai Diante de encanto divino. A lua perde o brilho, As estrelas a direção; O arco-íris se pergunta Qual é sua verdadeira cor então. Toda beleza do universo Lhe rende admiração. Nem os sábios descobriram A receita da perfeição; Nem a ciência decifrou Tão sublime criação. É um enigma que desafia Toda lógica e razão. A natureza perdeu a fórmula Quando fez minha Bela; Gastou toda a perfeição Na mais bonita aquarela. Depois disso, nunca mais Criou outra igual a Ela.

CARRO DE BOI Carro de boi é memória, que o tempo nunca venceu;
Continuar lendo

CARRO DE BOI Carro de boi é memória, que o tempo nunca venceu; leva o passado nas rodas e o futuro que nasceu. Nasceu de madeira bruta, Talhada por boa mão; Do machado e da enxó, Do talento do artesão. Feito com força e paciência, Virou nobre criação. Sem luxo, ferro ou riqueza, Só madeira e precisão; Cada peça bem medida, Respeitando a tradição. Era a ciência da roça Guiando a civilização. Foi companheiro do homem Nas veredas do sertão; Levando pedra e madeira, Colheita, sonho e feijão. Era o braço da esperança Na mais dura plantação. Carro de boi é memória, que o tempo nunca venceu; leva o passado nas rodas e o futuro que nasceu. Foi herança dos antigos, Dos avós e dos bisavós; Cada sulco que deixou Ainda hoje fala a nós. Sua história permanece Na lembrança de todos nós. Ajudou na colonização, Rasgando o Brasil inteiro; Abriu estrada e caminho, Venceu barro e atoleiro. Foi desbravador valente Do sertão ao tabuleiro. Na frente seguia o guia, Experiente condutor; Atrás vinha o boi de coice, Também forte trabalhador. Dois parceiros da jornada, No serviço e no suor. Quando o eixo reclamava Num chiado agudo e forte, Era um canto da madeira Desafiando a própria sorte. Parecia uma cantiga Ecoando de sul a norte. Levou engenho e farinha, Levou cana e algodão; Levou gente, levou vida, Levou fé no coração. Foi estrada sobre rodas, Foi sustento da nação. Carro de boi é memória, que o tempo nunca venceu; leva o passado nas rodas e o futuro que nasceu. Hoje dorme em museus, Ou na sombra do terreiro; Mas quem ouve o seu chiado Vê renascer o vaqueiro. Pois o carro de boi vive Na alma do povo guerreiro.

AMIGOS DAS ANTIGAS Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou. Quem o guarda sabe seu valor.
Continuar lendo

AMIGOS DAS ANTIGAS Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou. Quem o guarda sabe seu valor. No terreiro da infância, Tudo era simplicidade; Cada amigo era um irmão, Criado na lealdade. Não havia interesse, Só carinho e amizade. Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou. Quem o guarda sabe seu valor. Era bola, era peteca, Era pipa pelo céu; Carrinho de rolimã, Sonho doce feito mel. Quem caía logo via Outro amigo ser fiel. Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou. Quem o guarda sabe seu valor. Na tarefa da escola, Sempre havia união; Um emprestava o caderno, Outro dava explicação. Se um não sabia a resposta, Todos davam solução. Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou. Quem o guarda sabe seu valor. Também tinha em casa o jeito De ajudar sem reclamar; Varria o terreiro cedo, Ia a água buscar. Terminada a obrigação, Já corria pra brincar. Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou. Quem o guarda sabe seu valor. Nos passeios de domingo, Cada riso era canção; Piquenique lá na praia, Com farofa e emoção. O mar lavava os pés, E a amizade o coração. Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou. Quem o guarda sabe seu valor. Vieram os quinze anos, Festa, encanto e emoção; Vestido rodando ao vento, Brilhava o salão. Os amigos celebravam Mais um sonho em construção. Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou. Quem o guarda sabe seu valor. Depois veio a formatura, Conquista de cada irmão; Abraços, fotos e risos, Misturados à emoção. O futuro abria portas Para uma nova estação. Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou. Quem o guarda sabe seu valor. Cinquenta anos passaram Como um sopro pelo ar; Mas as velhas brincadeiras Ainda fazem gargalhar. Quando a turma se reencontra, A infância volta a morar. Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou. Quem o guarda sabe seu valor. Nem só de festa viveu Nossa bonita jornada; Também houve despedidas Na estrada iluminada. Alguns partiram primeiro, Deixando a saudade guardada. Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou. Quem o guarda sabe seu valor. Cada nome é uma lembrança, Cada riso uma oração; Quem partiu vive na história, Na memória e no coração. A amizade vence o tempo E também a separação. Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou. Quem o guarda sabe seu valor. Se existe riqueza eterna Que dinheiro não comprou, É o abraço de um amigo Que o destino conservou. Deus abençoe essa amizade Que o tempo nunca apagou. Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou. Quem o guarda sabe seu valor.

AVÓ, MÃE, TIA E MADRINHA Quando Deus envia ao mundo uma criança em seu nascer,
Continuar lendo

AVÓ, MÃE, TIA E MADRINHA Quando Deus envia ao mundo uma criança em seu nascer, cerca-a logo de mulheres que lhe ensinam a viver. Cada gesto de carinho faz a alma florescer. Senhoras da minha vida. Casa, Lar, Ninho e Moradia. A avó borda a experiência com ternura e devoção; conta causos, faz lembranças, cultiva a tradição. Seu colo é porto seguro, seu conselho é direção. Senhoras da minha vida. Casa, Lar, Ninho e Moradia. A mãe é fonte de amor, é coragem e proteção; ensina os primeiros passos, a verdade e o perdão. No silêncio de um abraço fala mais que uma oração. Senhoras da minha vida. Casa, Lar, Ninho e Moradia. A tia chega sorrindo feito um raio de alegria; é parceira das brincadeiras, da conversa e da folia. Mas também sabe aconselhar com firmeza e cortesia. Senhoras da minha vida. Casa, Lar, Ninho e Moradia. A madrinha faz promessa diante de Deus e do altar; recebe um filho do coração para amar, guiar e cuidar. Na bonança ou na tormenta, nunca deixa de amparar. Senhoras da minha vida. Casa, Lar, Ninho e Moradia. Cada uma tem seu jeito, cada qual sua missão; uma afaga, outra corrige, todas dão a mesma mão. Na união desses cuidados cresce forte o coração. Senhoras da minha vida. Casa, Lar, Ninho e Moradia. O café feito com afeto, o remédio e a oração, o vestido bem cuidado, o pão quente e o feijão; tudo ensina à criança o valor da gratidão. Senhoras da minha vida. Casa, Lar, Ninho e Moradia. A bênção dada à noitinha, o sinal da Santa Cruz, a palavra de esperança, a confiança em Jesus. São sementes de uma vida iluminada pela luz. Senhoras da minha vida. Casa, Lar, Ninho e Moradia. Quando a lágrima aparece, logo chega uma das quatro; uma enxuga o rosto triste, outra acalma o desacato. E o amor transforma a dor num bonito reencontro. Senhoras da minha vida. Casa, Lar, Ninho e Moradia. Quem cresce cercado assim leva o bem por onde for; faz da bondade um costume, da humildade o seu valor. Aprendeu desde pequeno a linguagem do amor. Senhoras da minha vida. Casa, Lar, Ninho e Moradia. Que Deus guarde essas mulheres como estrelas a brilhar; são alicerces da família, são razão para sonhar. Onde existe esse carinho, Deus escolhe ali morar. Senhoras da minha vida. Casa, Lar, Ninho e Moradia.

ISSO NÃO TEM PREÇO NÃO Lembro da casa de taipa, do terreiro e do fogão;
Continuar lendo

ISSO NÃO TEM PREÇO NÃO Lembro da casa de taipa, do terreiro e do fogão; da fumaça da lenha acesa, do café no bule, então. Era pouco na despensa, mas sobrava coração. Isso não tem preço não. Não troco seu Dólar pelo meu Tostão. O cuscuz com manteiguinha, a tapioca no fogão, o leite ainda morninho, tirado da vaca à mão; quem provou esses sabores guarda eterna gratidão. Isso não tem preço não. Não troco seu Dólar pelo meu Tostão. Banho de chuva na rua, mergulho limpo no ribeirão; cada gota era brinquedo, cada riso uma canção. A natureza era mestra da mais bela educação. Isso não tem preço não. Não troco seu Dólar pelo meu Tostão. Pipa riscando o infinito, bola de meia no chão, pião rodando na areia, bila na palma da mão. A infância era rainha sem conhecer ambição. Isso não tem preço não. Não troco seu Dólar pelo meu Tostão. A bênção aos mais antigos era gesto de afeição; o respeito era riqueza, não pesava obrigação. Hoje ainda vale ouro quem cultiva essa lição. Isso não tem preço não. Não troco seu Dólar pelo meu Tostão. O vizinho era da casa, compadre era um irmão; bastava um aperto de mão para selar obrigação. A palavra tinha força mais que firma em cartório, então. Isso não tem preço não. Não troco seu Dólar pelo meu Tostão. As férias na casa do tio, rede armada no alpendre, então; manga madura no pé, açude cheio no verão. Cada lembrança dessas vive firme no coração. Isso não tem preço não. Não troco seu Dólar pelo meu Tostão. Hoje mudou muita coisa, veio a modernização; tem progresso e tecnologia, facilitando a missão. Mas o abraço continua sendo a melhor conexão. Isso não tem preço não. Não troco seu Dólar pelo meu Tostão. Ainda existe quem conserve a fé na oração, o café servido à visita, o sorriso e a gratidão. Enquanto houver gente assim, há esperança na nação. Isso não tem preço não. Não troco seu Dólar pelo meu Tostão. Não condeno o tempo novo, nem rejeito a inovação; só não deixo que o dinheiro compre minha tradição. Há riquezas que o mercado nunca vende em promoção. Isso não tem preço não. Não troco seu Dólar pelo meu Tostão. Quem mede tudo em moedas desconhece a verdadeira razão; há tesouros invisíveis guardados no coração. São lembranças, fé e amizade, a mais valiosa coleção. Isso não tem preço não. Não troco seu Dólar pelo meu Tostão. Se um dia eu partir da vida com pequena condição, levarei a maior fortuna: amor, paz e gratidão. Pois quem viveu essas riquezas jamais conheceu pobreza, não. Isso não tem preço não. Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.

LÉGUAS DA VIDA Nasce o choro anunciando que Deus abriu nova estrada; uma alma chega ao mundo com sua missão traçada. O primeiro passo é dado, sem conhecer a subida. A légua da vida, sabe-se quando começa,
Continuar lendo

LÉGUAS DA VIDA Nasce o choro anunciando que Deus abriu nova estrada; uma alma chega ao mundo com sua missão traçada. O primeiro passo é dado, sem conhecer a subida. A légua da vida, sabe-se quando começa, mas não se sabe quando finda. Cada manhã é uma légua que o Criador nos oferece; uns semeiam esperança, outros colhem o que esquece. Toda escolha deixa marcas na poeira da partida. A légua da vida, sabe-se quando começa, mas não se sabe quando finda. Há veredas de alegria, há espinhos no caminho; ora se anda em multidão, ora segue-se sozinho. Mas quem carrega a fé no peito nunca perde a direção da lida. A légua da vida, sabe-se quando começa, mas não se sabe quando finda. A infância é campo florido, a mocidade é corrente; a idade madura ensina o valor de cada gente. E a velhice, qual cajado, faz da memória guarida. A légua da vida, sabe-se quando começa, mas não se sabe quando finda. Nem riqueza nem poder compram mais um só instante; o relógio segue firme num compasso constante. Só Deus conhece a medida da jornada concedida. A légua da vida, sabe-se quando começa, mas não se sabe quando finda. Quem reparte o pão com o pobre, quem consola o coração, vai deixando pelo mundo sementes de redenção. Pois a bondade floresce mesmo após a despedida. A légua da vida, sabe-se quando começa, mas não se sabe quando finda. Quando chegar a derradeira curva da estrada cumprida, que encontremos Cristo à espera na morada prometida. Então a morte será ponte para a eterna acolhida. A légua da vida, sabe-se quando começa, mas não se sabe quando finda. Por isso vive com honra, com coragem e gratidão; faz da fé teu alimento e do amor tua oração. Porque a maior das viagens é a que conduz à Vida. A légua da vida, sabe-se quando começa, mas não se sabe quando finda.

MULHERES: Palavras, Frases e Poemas. No livro da vida humana, Cada ser traz seu valor;
Continuar lendo

MULHERES: Palavras, Frases e Poemas. No livro da vida humana, Cada ser traz seu valor; A mulher tem mil caminhos, De tristeza e de amor. Com virtudes e fraquezas, Ela enfrenta o mundo inteiro, Pois ninguém nasce perfeito, Nem vive só por roteiro. Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas. Há quem guarde a castidade, Com respeito e discrição; E há quem caia na luxúria, Pela força da paixão. Entre a razão e o desejo, Cada alma tem dilemas, Mas o equilíbrio é caminho Para evitar os problemas. Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas. A caridade é virtude Que reparte com prazer; Já a avareza aperta O coração sem ceder. Quem ajuda o semelhante Planta luz por onde passa, Mas quem vive só para si Vai colhendo a própria escassez. Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas. A temperança ensina A comer e a agir com medida; A gula, quando domina, Traz excesso à própria vida. O bom senso é companheiro Da saúde e da prudência, Pois o exagero constante Rouba a paz e a consciência. Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas. A paciência é abrigo Nos momentos de aflição; Já a ira descontrolada Fere a mente e o coração. Quem espera com calma e fé Vence a luta com brandura, Mas quem se entrega à raiva Perde a força da ternura. Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas. A bondade é luz acesa No caminho de alguém; A inveja, quando cresce, Faz sofrer quem a contém. Quem celebra a vitória alheia Mostra grandeza e valor, Mas quem vive comparando Esquece o próprio fulgor. Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas. A humildade é bonita, Não precisa se exibir; Já a vaidade excessiva Quer sempre se distinguir. Quem conhece o próprio limite Anda firme sem soberba, Mas quem vive só de aparências Muitas vezes se desorienta. Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas. A fidelidade sustenta A confiança e a união; A traição, quando aparece, Traz ferida ao coração. Quem cultiva lealdade Constrói laços verdadeiros, Mas quem quebra a confiança Afasta os bons companheiros. Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas. A amabilidade encanta Pelo jeito de tratar; A aspereza machuca Sem precisar nem gritar. Quem fala com gentileza Faz o ambiente florir, Mas a dureza constante Pode afastar e ferir. Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas. Há mulher trabalhadora, Que enfrenta o dia a lutar; E há quem ceda à preguiça, Deixando o tempo passar. O esforço abre caminhos Para o sonho florescer, Mas a falta de vontade Pode impedir de crescer. Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas. Assim segue a caminhada, Com virtudes e imperfeições; Toda mulher traz em si Lutas, sonhos e emoções. Não se deve generalizar Nem julgar por um só tema, Pois cada alma tem sua história, E muitas são verdadeiros poemas. Existem mulheres que são palavras, outras são frases e umas são poemas.

AMIZADE: Moeda Universal. No mercado desta vida há tesouro sem cifrão; vale mais um bom amigo que um cofre cheio na mão. Quem reparte o seu afeto nunca vive nos conflitos. A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos.
Continuar lendo

AMIZADE: Moeda Universal. No mercado desta vida há tesouro sem cifrão; vale mais um bom amigo que um cofre cheio na mão. Quem reparte o seu afeto nunca vive nos conflitos. A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos. Quando a estrada se escurece e a esperança quer partir, surge uma mão estendida para o outro prosseguir. É Deus agindo em silêncio por gestos tão benditos. A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos. Há quem chegue sem alarde, sem promessa ou condição; traz no peito a boa palavra e o conforto ao coração. Transforma dor em coragem com abraços infinitos. A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos. O impossível se encolhe quando um amigo intervém; o peso torna-se leve quando alguém diz: "Eu também." Dois ombros vencem montanhas nos momentos mais aflitos. A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos. Não se compra em feira alguma, nem se vende por favor; é tesouro cultivado com respeito e com amor. Quanto mais dela se oferta, mais se colhem bons frutos. A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos. É remédio para a alma, é farol na escuridão; é a ponte que Deus constrói entre um peito e outro irmão. Quem semeia amizades colhe dias mais bonitos. A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos. Nem o ouro, nem a prata, nem palácio ou posição superam o privilégio de um amigo de coração. Pois a maior das fortunas vive em gestos tão benditos. A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos. Que jamais nos falte a graça de estender a nossa mão, de enxergar no semelhante um irmão da criação. Porque o céu recompensa os corações mais contritos. A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos.

RIQUEZA DE POBRE Na riqueza do homem simples há tesouro sem cifrão;
Continuar lendo

RIQUEZA DE POBRE Na riqueza do homem simples há tesouro sem cifrão; mora dentro do abraço, da amizade e do pão. Quem reparte o que possui nunca sofre de ilusão. Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem, sabem quem são os verdadeiros ricos. Vizinho era quase irmão, porta aberta o dia inteiro; um chamava, o outro vinha, sem convite, sem roteiro. Na tristeza dividia, na alegria era o primeiro. Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem, sabem quem são os verdadeiros ricos. As brincadeiras de rua eram festa sem dinheiro: bola de meia, pião, pipa cortando o terreiro; cada riso da infância valia um mundo inteiro. Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem, sabem quem são os verdadeiros ricos. Na panela, o bom cuscuz, feijão quente e macaxeira, tira-gosto no alpendre, café forte na chaleira; quem comia repartindo nunca viveu na canseira. Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem, sabem quem são os verdadeiros ricos. O contrato era na fala, aperto firme na mão; a palavra tinha peso feito pedra no sertão. Quem mentisse por ganância perdia toda razão. Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem, sabem quem são os verdadeiros ricos. Compadre era um parente escolhido pelo amor; comadre era confiança, respeito, estima e valor. Na aflição eram escudo, na bonança, flor em flor. Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem, sabem quem são os verdadeiros ricos. A bênção aos mais velhos era lei de cada dia; o ancião era biblioteca de coragem e sabedoria. Quem ouvia seus conselhos colhia paz e alegria. Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem, sabem quem são os verdadeiros ricos. Banho bom era na chuva ou no rio a mergulhar; cada gota era brinquedo, cada canto um festejar. A natureza ensinava sem jamais cobrar vintém. Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem, sabem quem são os verdadeiros ricos. Nas férias, a casa do tio era um reino encantador; rede armada no terreiro, história contada com amor. Cada primo era um tesouro, cada abraço, uma flor. Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem, sabem quem são os verdadeiros ricos. O futebol na campina era Copa do lugar; gol marcado no chinelo, sem juiz pra apitar. Quem perdia dava risada, logo queria jogar. Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem, sabem quem são os verdadeiros ricos. Tinha fofoca de esquina, mas sem ódio ou traição; mentira sem maldade, vaidade sem ostentação; valentia sem braveza, respeitando cada irmão. Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem, sabem quem são os verdadeiros ricos. A fé morava na alma, na novena e na oração; Deus entrava pela porta e habitava o coração. Quem possuía esperança nunca viveu na solidão. Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem, sabem quem são os verdadeiros ricos. Hoje muitos têm de tudo, mas lhes falta o essencial; compram ouro e compram luxo, sem riqueza espiritual. O pobre guarda no peito o tesouro mais real. Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem, sabem quem são os verdadeiros ricos. Que não morra essa herança da mais sábia natureza: ser humilde, ser honesto, cultivar a gentileza. Pois a alma vale mais do que qualquer riqueza. Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem, sabem quem são os verdadeiros ricos.

AVÔ, PAI, TIO E PADRINHO Quando Deus manda uma criança para este mundo chegar,
Continuar lendo

AVÔ, PAI, TIO E PADRINHO Quando Deus manda uma criança para este mundo chegar, não lhe entrega só um berço, nem somente um simples lar; dá pessoas de confiança para ensinar e amparar. Avô, Pai, Tio e Padrinho são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho. O avô planta a memória com paciência e tradição; conta histórias do passado, fortalece o coração. É raiz que nunca morre, é exemplo e direção. Avô, Pai, Tio e Padrinho são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho. O pai ensina o caminho do trabalho e do dever; mostra que a honra é riqueza que ninguém pode vender. Seu abraço é fortaleza para o filho florescer. Avô, Pai, Tio e Padrinho são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho. O tio chega sorridente, companheiro da alegria; é parceiro das aventuras, da pescaria e da folia. Sem deixar de dar conselho, faz da infância poesia. Avô, Pai, Tio e Padrinho são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho. O padrinho faz promessa diante do altar sagrado; assume um compromisso de seguir sempre ao seu lado. Quando a vida traz espinhos, é apoio abençoado. Avô, Pai, Tio e Padrinho são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho. Cada um tem sua missão, cada qual seu próprio jeito; um corrige com firmeza, outro abraça com respeito. Todos deixam na criança um amor que bate no peito. Avô, Pai, Tio e Padrinho são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho. A bênção de cada um vale mais que ouro e prata; é riqueza que acompanha desde a infância mais ingrata. Quem recebe esse carinho nunca vive vida exata. Avô, Pai, Tio e Padrinho são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho. Se o menino cai na estrada, logo encontra uma das mãos; uma levanta o seu corpo, outra aquece o coração. Assim cresce homem de bem, cheio de fé e gratidão. Avô, Pai, Tio e Padrinho são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho. A criança bem cuidada faz do mundo um bom lugar; leva adiante os exemplos que aprendeu no seu caminhar. E um dia será também quem vai ensinar e amar. Avô, Pai, Tio e Padrinho são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho. Que Deus guarde essas figuras como joias do destino; são colunas da família, são faróis do nosso hino. Onde vivem esses homens, floresce o amor divino. Avô, Pai, Tio e Padrinho são nossa Casa, Morada, Lar e Ninho.

REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DA CAATINGA No coração do Nordeste Nasceu um novo esplendor,
Continuar lendo

REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DA CAATINGA No coração do Nordeste Nasceu um novo esplendor, República da Caatinga, De coragem e de valor. Onde a honra faz morada, E a fé floresce em flor. Nação de bravos guerreiros. Sua bandeira tremula Com orgulho e tradição; Azul do céu que protege, Branco da paz em união, Laranja é força e coragem, Que aquece cada coração. Nação de bravos guerreiros. São nove Estados unidos Num destino verdadeiro, Como nove sentinelas Guardando o chão caatingueiro; Cada povo é uma estrela, Cada filho um guerreiro. Nação de bravos guerreiros. No alto brilhou no infinito Uma nova constelação; Nove estrelas reluzentes Desenhando a região, Fez do céu da Caatinga Seu eterno pavilhão. Nação de bravos guerreiros. À esquerda vive o sertão, Mandacaru altaneiro; O sol poente se despede Pintando o chão por inteiro, Mostrando que a resistência É o brasão do sertanejo. Nação de bravos guerreiros. À direita canta o mar Com seu azul cristalino; Coqueirais fazem reverência Ao nascer do sol divino, E as ondas beijam a praia Num espetáculo genuíno. Nação de bravos guerreiros. Do couro nasce a coragem, Do barro nasce a missão; Da seca brota esperança, Da chuva a celebração; Cada espinho é uma escola, Cada luta uma lição. Nação de bravos guerreiros. O vaqueiro e o jangadeiro, Cada qual no seu labor, Um domina a terra firme, Outro enfrenta o mar bravio; Ambos levam no semblante A grandeza do valor. Nação de bravos guerreiros. A sanfona abre caminhos, O aboio encontra o mar; O coco dança com o vento, O xaxado faz lembrar Que a cultura desta terra Nunca deixa de cantar. Nação de bravos guerreiros. Que esta pátria imaginada Seja exemplo de união, Onde o povo seja livre, Respeitando o irmão; Sob as nove estrelas brilhe Uma eterna construção. Nação de bravos guerreiros.

VERSOS, CONTOS, MÚSICAS E MODAS No terreiro do sertão, Nas veredas do luar,
Continuar lendo

VERSOS, CONTOS, MÚSICAS E MODAS No terreiro do sertão, Nas veredas do luar, Nasce o verso feito fonte, Que não para de cantar. É a cultura nordestina Que ninguém pode apagar. Tem poeta e cantador, Violeiro de valor, Que transforma a própria vida Em semente de amor. Cada rima é uma colheita, Cada canto, uma flor. Os contos passam de boca Como o vento no roçado, Misturando fantasia Com um fato acontecido. Quem escuta guarda a história No coração enraizado. As modas de viola ecoam Pelos campos sem ter fim, Falam da seca e da chuva, Do mandacaru e do alecrim. Cada nota leva a alma A um jardim dentro de mim. Tem aboio de vaqueiro Rasgando a imensidão, Chamando o gado disperso Com coragem e precisão. É a voz do homem do campo Abraçando o coração. A sanfona abre o fole, A zabumba faz tremer, O triângulo acompanha Fazendo o povo viver. Quando o forró principia, Ninguém pensa em padecer. Os mestres da poesia São estrelas do sertão, Deixam livros e folhetos Como eterna inspiração. Cada estrofe permanece Feito raiz no chão. O repente é desafio De talento singular, Onde dois grandes cantores Fazem versos sem falhar. Quem domina a inteligência Faz a plateia admirar. Luiz Gonzaga ensinou Que o Nordeste tem valor; Patativa fez do verso Um jardim de esplendor. Cada mestre deixou viva Sua marca e seu louvor. Dos folhetos de cordel À viola dedilhada, Dos romances às cantigas, Da toada apaixonada, Tudo forma um patrimônio Da cultura abençoada. Enquanto houver um poeta E um cantor para cantar, Haverá versos e contos Para o povo recordar. Pois o sertão nunca morre, Só aprende a florescer E em suas músicas e modas Ensina o mundo a viver.

CANTOS DA CAATINGA No sertão quando amanhece, Tudo ganha novo ardor,
Continuar lendo

CANTOS DA CAATINGA No sertão quando amanhece, Tudo ganha novo ardor, Cada ave faz um verso Ao divino Criador. Na caatinga a esperança, Vence o tempo e o dissabor. Seus cantos aliviam minha dor. A Asa-Branca levanta Num gracioso esplendor, Levando paz em suas asas Mesmo em tempo de calor. Quando canta lá distante, Renasce em mim o valor. Seus cantos aliviam minha dor. O Cancão, inteligente, Defensor do seu redor, Com coragem anuncia Que a vida tem seu vigor. Seu chamado desafia Toda sombra e todo horror. Seus cantos aliviam minha dor. A Patativa, rainha, Do mais puro cantador, Transformando o chão rachado Num jardim cheio de flor. Sua voz parece prece, Cheia de fé e de amor. Seus cantos aliviam minha dor. O Galo-de-Campina, Vestido de muita cor, Leva encanto ao sertanejo Com seu belo esplendor. Cada nota que derrama É perfume em meu redor. Seus cantos aliviam minha dor. O Sofrê faz seu lamento, Que parece um trovador, Misturando a saudade Com um gesto acolhedor. Sua voz consola a alma Com divino resplendor. Seus cantos aliviam minha dor. A Rolinha faz seu ninho Com trabalho e com amor, Ensinando à humanidade O caminho do labor. Sua paz anuncia sempre Um futuro promissor. Seus cantos aliviam minha dor. Bem-te-vi anuncia cedo Mais um dia promissor, Despertando o sertanejo Para o campo e seu labor. Seu aviso traz esperança Ao pequeno agricultor. Seus cantos aliviam minha dor. O Sabiá da Caatinga É poeta e trovador, Faz do galho seu palco, Da manhã seu esplendor. Quem escuta sua cantiga Sente Deus por onde for. Seus cantos aliviam minha dor. Cada ave é um tesouro Que nos deu o Criador, Guardião da natureza, Do sertão encantador. Preservemos essa vida Com respeito e muito amor. Seus cantos aliviam minha dor.

PELEJA SERTANEJA No sertão nasce o guerreiro Com coragem por bandeira,
Continuar lendo

PELEJA SERTANEJA No sertão nasce o guerreiro Com coragem por bandeira, Aprendendo desde cedo A vencer a vida inteira. Faz da luta seu caminho, Da esperança, companheira. Quando o sol castiga a terra E a chuva tarda a chegar, O sertanejo não desiste, Segue firme a caminhar. Pois conhece que a vitória Também sabe esperar. O mandacaru florescendo É lição de resistência, Mesmo em solo castigado Não abandona a existência. Mostra ao povo nordestino O valor da persistência. O vaqueiro rompe a mata Enfrentando espinho e chão, Conduzindo o seu rebanho Com firmeza na missão. Leva a fé como armadura Protegendo o coração. Cada enxada abre sulcos Na esperança do plantar, Mesmo vendo a terra seca Nunca deixa de sonhar. Quem cultiva com coragem Sempre aprende a esperar. A mulher do velho sertão É exemplo de bravura, Transformando pouca água Em riqueza que perdura. Com amor sustenta o lar E enfrenta toda agrura. O poeta faz do verso Uma espada de valor, Cantando a vida sofrida Misturada com amor. Cada rima é resistência, Cada estrofe, um louvor. O sanfoneiro anuncia Que a tristeza vai passar; Quando o fole solta o canto, Faz o povo se alegrar. Mesmo em tempos de peleja Sempre existe um festejar. Quem conhece o sertanejo Sabe bem de sua fé; Nunca baixa a sua fronte, Nunca perde o rumo em pé. Tem em Deus sua fortaleza, Sua rocha, sua mercê. A peleja do sertão É batalha sem igual; Mas quem luta com esperança Nunca encontra o ponto final. Pois o povo nordestino Tem coragem ancestral. Enquanto houver sol queimando, E um vaqueiro a cavalgar, Haverá no velho sertão Uma história pra contar. Da peleja nasce a glória, Da coragem, o triunfar.

ARRUMADINHO DE AMOR Desde os tempos de menino, Quando a vida era brincar,
Continuar lendo

ARRUMADINHO DE AMOR Desde os tempos de menino, Quando a vida era brincar, Já diziam: "Esses dois Ainda vão se enamorar." Théo sorria para Flor, Sem saber o que esperar. As famílias, entre risos, Já faziam armação, Um passeio no parquinho, Uma doce diversão; Era um jeito carinhoso De plantar a afeição. No balanço e na gangorra, Na corrida e no escorrega, Os olhares se cruzavam, Sem que o tempo desse trégua; A inocência da infância Foi quem fez a entrega. Veio então a adolescência, Na escola a estudar, Sempre havia um professor Que fazia aproximar; Na mesma fila da sala, Pra conversa despertar. Num trabalho em parceria, Num caderno a dividir, Entre provas e recreios Viram sonhos florescer; Sem que o mundo percebesse, Começavam a se querer. Já na flor da juventude, Nas festinhas do lugar, Os amigos insistiam: "Vocês têm que se encontrar!" Cada dança era um convite, Cada música um luar. Quando a vida fez madura Sua estrada prosseguir, No cinema, lado a lado, Foi difícil resistir; Na penumbra da telona Fez o amor se definir. Já adultos, os encontros Reuniam amizade; Sempre alguém organizava Com enorme felicidade: "Théo e Flor vêm para o jantar, É por pura afinidade!" Tantos laços preparados, Tantos risos sem igual, Mostravam que o destino Escrevia um ideal; Cada encontro era um capítulo Desse enredo magistral. Um olhar virou promessa, Um abraço, um coração; Duas almas descobriram A perfeita direção; Quem nasceu pra caminhar junto Vence qualquer solidão. Hoje contam essa história Com ternura e gratidão: Nem foi sorte, nem acaso, Nem somente intenção; Foi Deus guiando os caminhos Com amor e perfeição.

CALDO DE CANA No roçado amanhecendo, Vi o sol beijar a estrada,
Continuar lendo

CALDO DE CANA No roçado amanhecendo, Vi o sol beijar a estrada, A enxada cortando o mato, Na lida abençoada. O cheiro verde da cana, Na memória adormecida... Doce lembrança de uma infância dolorida. No engenho a roda cantava, Gemia o velho moendão, A garapa escorria farta, Feito bênção pelo chão. Cada gota era esperança, Pela família repartida... Doce lembrança de uma infância dolorida. Tinha a cana Caiana, Alta, forte e vigorosa, Ao lado da velha Pitú, Sempre doce e generosa. Cada talo era um tesouro, Na jornada tão sofrida... Doce lembrança de uma infância dolorida. O caldo de cana gelado, Com pão-doce e boa broa, Era um banquete de pobre Que a lembrança ainda entoa. Pouco havia sobre a mesa, Mas nunca faltou comida... Doce lembrança de uma infância dolorida. O melaço fervilhando Na panela de carvão, Perfumava o terreiro inteiro, Adoçando o coração. O doce vencia a dureza Da batalha já vivida... Doce lembrança de uma infância dolorida. Quando vinha o tempo da safra, Era festa no canavial, Mas depois da derrubada Recomeçava o ritual. A terra pedia de novo A semente repartida... Doce lembrança de uma infância dolorida. Na reçoca do plantio, Brota a força da raiz, A cana vence o tempo, Sem esquecer seu país. Quem conhece esse mistério Vê a vida refletida... Doce lembrança de uma infância dolorida. O suor de cada homem Era chuva sobre o chão, Misturando fé e coragem Com trabalho e oração. A colheita era pequena, Mas a honra garantida... Doce lembrança de uma infância dolorida. Hoje o engenho silencia, Muita coisa já mudou, Mas o cheiro da garapa O tempo nunca apagou. Quem provou aquele caldo Leva a alma comovida... Doce lembrança de uma infância dolorida. Que o caldo de cana ensine O valor da tradição, Da família reunida, Da coragem do sertão. Pois o doce da memória Jamais conhece partida... Doce lembrança de uma infância dolorida.

A PELEJA DA ABELHA COM A MOSCA I Num jardim nasceu a peleja,
Continuar lendo

A PELEJA DA ABELHA COM A MOSCA I Num jardim nasceu a peleja, Que o destino foi traçando; Abelha, rainha das flores, Seu trabalho cultivando. Mosca vinha do outro lado, Cada qual seu rumo andando. II Disse a Abelha, muito altiva: — Eu vivo do puro mel, Faço cera, gero vida, Cumpro um nobre e bom papel. Quem visita flor perfumada Nunca perde seu troféu. III Respondeu logo a Mosca, Sem baixar sua cabeça: — Cada ser tem seu caminho, Sua sina e sua peça. Não escolhi meu destino, Nem a vida que me cerca. IV A Abelha retrucou ligeiro: — Gosto bom é o da flor! Quem procura coisa limpa Leva paz, perfume e cor. Quem vive entre imundícies Não conhece o verdadeiro amor. V A Mosca falou sorrindo: — Prazer muda de pessoa; O que é doce para uns, Pra outros não se entoa. Cada qual segue o costume Que a existência lhe abençoa. VI A Abelha fez ferrão, Defendendo seu reinado; A Mosca bateu as asas, Sem mudar de seu traçado. Cada qual julgando a outra, No seu mundo fechado. VII Uma buscava o néctar Nas campinas coloridas; Outra rondava os caminhos Das sobras já esquecidas. Duas formas de viver, Duas rotas tão distintas. VIII Mas o tempo, velho mestre, Ensinou sem humilhar: Nem só flores dão sustento, Nem só lixo há de ficar. Toda vida tem seu ciclo, Seu nascer e seu findar. IX Disse então a Natureza: — Parem já de discutir! Cada qual cumpre um serviço Que não pode se medir. Quem condena a escolha alheia Pouco aprende a refletir. X Abelha produz o mel, Mosca limpa o que apodrece; Uma encanta os jardins, Outra evita o que fenece. Mesmo sendo tão diferentes, Cada qual à vida tece. XI Gosto, hábito e costume Nem sempre são iguais; Cada um faz sua estrada Entre erros e ideais. Não existe um só caminho Para todos os mortais. XII Terminou-se a velha peleja Com lição de igualdade: Quem despreza o semelhante Só cultiva a vaidade. Abelha e Mosca, no fim, São iguais nas diferenças da humanidade.

TRANSCEPTO CRUZEIRO No mar da velha poesia, Dois navios vão singrando:
Continuar lendo

TRANSCEPTO CRUZEIRO No mar da velha poesia, Dois navios vão singrando: Um carrega a dor da história, Outro segue renovando. Entre o ontem e o agora, Vai o verso navegando. Castro Alves levantou Sua voz de claridade, Denunciando as correntes Da cruel desumanidade. Fez do poema um clarim Em defesa da liberdade. Seu Navio Negreiro, então, Foi um grito contra o mal, Retratando o sofrimento Do cativeiro brutal. Cada estrofe era um açoite Na consciência mundial. Negreiros Neto, por sua vez, Lança a Nave ao infinito; Não conduz corpos cativos, Mas o sonho mais bendito. Leva esperança na proa E Deus guiando o seu rito. Se um navio foi prisão, Outro é ponte e travessia; Se um cruzou mares de sangue, Outro semeia poesia. Um revela antigas sombras, Outro anuncia o novo dia. No transcepto do cruzeiro, Onde os rumos se entrelaçam, A memória encontra a fé E os destinos se abraçam. O passado vira mestre, Sem que as feridas desfaçam. Castro Alves fez da pena Uma espada de justiça; Negreiros faz do cordel Um altar de boa liça. Cada qual em seu tempo Cultivou igual premissa. Não disputam grandeza, Nem procuram primazia; São faróis de um mesmo porto, Cada qual com sua guia. Um combate a escravidão, Outro exalta a harmonia. Transcepto Cruzeiro é ponte Entre o pranto e a esperança; É o encontro das palavras Com a eterna confiança. Quem conhece o seu passado Dá ao futuro segurança. Que o Brasil jamais esqueça O valor da consciência; Pois a arte quando é livre Transforma toda existência. E a poesia permanece Como luz da resistência.

CABRA-MARCHO Sou cabra-macho do Sertão, Homem de fé e fundamento,
Continuar lendo

CABRA-MARCHO Sou cabra-macho do Sertão, Homem de fé e fundamento, Não meço força na aparência, Mas no valor do sentimento. Pois quem carrega honra no peito Segue firme em qualquer vento. Aprendi com meu velho pai A palavra nunca quebrar, Respeitar os mais antigos, Trabalhar sem reclamar. Porque o homem vale mais Pelo que faz que pelo falar. Sou filho que guarda o nome Como tesouro e tradição, Carrego raízes profundas Plantadas no coração. Feitas da mesma madeira Da família e da educação. Sou pai que ensina no exemplo, Sem precisar levantar a voz, Mostrando que o bom caminho Se constrói dentro de nós. E que o amor de um verdadeiro pai É um laço que nunca se desfaz. Sou amigo nas horas difíceis, Companheiro de caminhada, Daqueles que estendem a mão Sem esperar receber nada. Pois amizade verdadeira É riqueza abençoada. Carrego valores antigos Que o tempo não conseguiu levar: Honestidade, respeito e coragem, Virtudes para cultivar. São tesouros que não enferrujam Nem o mundo pode comprar. Sou raiz pivotante no solo, Que ninguém consegue enxergar, Mas sustenta toda a árvore Quando o vento quer derrubar. Pois a força que dura na vida Vem de dentro para lutar. Não vivo de fama ou riqueza, Nem de aparência e posição, Minha maior fortaleza É ter paz no coração. E saber que minha consciência Não me acusa em oração. Tenho somente um temor Que guardo com devoção: Desagradar ao Deus Altíssimo, Fonte da minha salvação. Pois homem que teme a Deus Nunca perde a direção. Se a luta aperta o caminho, Se a seca castiga o chão, Eu me ajoelho primeiro E entrego tudo em oração. Porque a vitória do homem Nasce da fé e da ação. Cabra-macho de verdade Não é quem vive a se exaltar, Mas quem protege sua família, Sabe servir e respeitar. Quem honra pai, mãe e amigos E não foge de trabalhar. Assim sigo minha jornada, Sem orgulho e sem vaidade, Com Deus na frente dos passos, Com amor e dignidade. Pois ser homem é ter caráter, E viver com honestidade.

TEMPO DE DEUS No correr dos dias modernos, Numa pressa sem direção,
Continuar lendo

TEMPO DE DEUS No correr dos dias modernos, Numa pressa sem direção, Tem gente querendo colher Antes mesmo da plantação. Quer o fruto sem a semente, Sem trabalho e dedicação. Vivemos tempos apressados, De ansiedade e agonia, Onde tudo tem que ser rápido, Da noite para o outro dia. Mas a vida tem seus ciclos, E Deus tem sua harmonia. Muitos pulam os degraus Que ensinam a caminhar, Trocam lição por atalho, Sem tempo de observar. Depois sentem a fraqueza Quando chega a hora de lutar. O conhecimento amadurece Como o fruto no pomar, Precisa de sol e chuva, De tempo para se formar. Quem acelera o processo Pode até se machucar. A conquista mais bonita É aquela construída, Com suor, fé e coragem Em cada etapa vivida. Pois o valor da vitória Está na estrada percorrida. Esperar o Tempo de Deus Não é ficar sem fazer nada, Nem cruzar os braços à sombra Vendo a vida estacionada. É plantar todos os dias E cuidar da caminhada. É trabalhar com firmeza, Ter esperança e ação, Preparando o próprio campo Com amor e dedicação. Pois Deus abençoa a colheita, Mas requer participação. Quem confia no Senhor Segue em frente sem parar, Faz a parte que lhe cabe Sem viver a reclamar. Porque sabe que o impossível Deus também pode realizar. Cada fase tem seu tempo, Cada tempo tem valor, Há momentos de silêncio, Há momentos de labor. Tudo acontece na hora Determinada pelo Criador. Se a porta ainda não abriu, Não entregue o coração À tristeza ou ao desânimo, Nem à precipitação. Talvez Deus esteja apenas Preparando a ocasião. Porque aquilo que vem cedo Nem sempre permanece, Mas o que Deus determina Floresce, cresce e fortalece. Chega firme, chega certo, E jamais enfraquece. Por isso siga sua estrada, Com trabalho, fé e união, Aprendendo em cada passo, Em cada nova lição. Que o relógio do homem corre, Mas o de Deus não falha, não.