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Frases de Negreiros

86 frases

CALÇADA DA ROÇA Quando o Sol se despedia Por detrás da serrania,
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CALÇADA DA ROÇA Quando o Sol se despedia Por detrás da serrania, E o céu vestia de ouro A última luz do dia, Lá estava ela, paciente, Feita sala de estar do chão: A velha calçada da roça, Ponto de encontro e união. Chegava um com sua cadeira, Outro com banco de madeira, Trazendo histórias guardadas Na alma a vida inteira. Ali não havia relógio Mandando o tempo correr. A pressa ficava distante Para a conversa acontecer. Falava-se da chuva antiga, Do inverno que prometia, Do milho, do feijão plantado, Da colheita que viria. Os meninos corriam soltos, Inventando assombração. Enquanto os velhos contavam Casos de outra geração. As moças trocavam sorrisos, Os rapazes olhares também. Muita história de amor nasceu Sem que ninguém soubesse bem. Quando a noite se achegava Com seu manto estrelado, A Lua fazia companhia Ao povo ali acomodado. E cada prosa partilhada Virava riqueza sem preço. Pois quem reparte palavras Também reparte afeto. Hoje o mundo corre ligeiro, Pela tela e pela conexão. Mas ainda mora saudade No fundo do coração. Saudade daquele costume Que o tempo não levou embora: Ver o dia se despedindo Sentado do lado de fora. Porque a calçada da roça Nunca foi somente lugar. Foi varanda da amizade, Escola do escutar, Foi descanso para o corpo, Foi remédio para a solidão, Foi o endereço mais simples Da humana comunhão.

ZÉ VOLANTE E MERCÊDINHA Caminhoneiro afamado na região, Zé Volante era por todos conhecido, muito respeitado e amado. Dirigir caminhão é sua sina; aprendeu com o pai, que herdou do avô no passado. Recebeu do pai um Ford antigo, o maior patrimônio da família. De viagem em viagem…
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ZÉ VOLANTE E MERCÊDINHA Caminhoneiro afamado na região, Zé Volante era por todos conhecido, muito respeitado e amado. Dirigir caminhão é sua sina; aprendeu com o pai, que herdou do avô no passado. Recebeu do pai um Ford antigo, o maior patrimônio da família. De viagem em viagem, juntava dinheiro para realizar seu sonho, sua grande conquista. Sonhava comprar uma Mercedes 1313 seminova, pois uma nova não podia. Os anos se passaram, e o sonho se realizaria. Agora na garagem uma Mercedes 1313 existia. Feliz e realizado, não demorou a pedir em casamento a bela Patrícia. Moça educada, que também era sonho de conquista pra formar uma família para toda vida. Casa e caminhão são suas duas moradias, mas não se sabe onde Patrícia ficou grávida. O que se sabe é que nove meses depois, em 19 de março, nasce na boleia da 1313 o varão da família. Em homenagem ao santo, com o nome de José lhe batiza, mas é o apelido de Mercedinha que se eterniza. E é agora que minha história se inicia.

RELÓGIO DE DEUS Quarenta dias... Tempo de chuva sobre a Terra, tempo de água sobre os erros, tempo de uma arca navegando entre o juízo e a esperança.
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RELÓGIO DE DEUS Quarenta dias... Tempo de chuva sobre a Terra, tempo de água sobre os erros, tempo de uma arca navegando entre o juízo e a esperança. Quarenta dias... O dilúvio cobriu montanhas, mas não afogou a promessa. Quando a pomba voltou com o ramo, a humanidade aprendeu que toda renovação nasce depois de uma tempestade. Quarenta dias... No deserto caminhou Moisés, entre o fogo da presença e o peso da missão. A pedra recebeu palavras, e o povo recebeu direção. A aprovação exige disciplina, e a liberdade cobra responsabilidade. Quarenta dias... Espias atravessaram Canaã, vendo cachos de abundância e muralhas de temor. Uns enxergaram gigantes, outros enxergaram futuro. A prova revelou o tamanho da fé de cada coração. Quarenta dias... Elias caminhou até Horebe, alimentado pela esperança quando a força já faltava. Aprendeu que Deus não mora apenas no trovão e no terremoto, mas também na voz silenciosa que resiste dentro da alma. Quarenta dias... No deserto esteve Cristo, entre a fome e a tentação, entre o poder e a renúncia. Ali não venceu pela espada, mas pela fidelidade. A aprovação tornou-se exemplo para todas as gerações. Quarenta dias... Após a ressurreição, o Mestre permaneceu entre os seus, ensinando que a morte não possui a última palavra. A renovação caminhava viva entre aqueles que ainda duvidavam. Quarenta dias... Punição para os soberbos. Salvação para os justos. Provação para os chamados. Renovação para os que perseveram. Quarenta dias... Não são apenas uma medida de tempo. São a forja da humanidade. São o intervalo entre o erro e o perdão, entre a queda e o recomeço, entre a travessia e a chegada. Se hoje fossem dados quarenta dias à humanidade, não seriam para contar horas, mas para contar escolhas. Pois quarenta dias, desde os tempos antigos, sempre foram o relógio de Deus marcando a oportunidade de um novo mundo nascer.

RAÍZES DA VERDADE Enterraram sementes de promessas Nos campos férteis da esperança,
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RAÍZES DA VERDADE Enterraram sementes de promessas Nos campos férteis da esperança, Regaram discursos com aplausos E colheram dúvidas na lembrança. A verdade, porém, não vive nas vitrines, Nem nos palácios de mármore polido; Ela cresce escondida sob a terra, Onde o povo pisa, sofre e é ouvido. Suas raízes atravessam mandatos, Não conhecem partidos ou bandeiras; Bebem das lágrimas dos injustiçados E da força das mãos trabalhadeiras. Enquanto alguns disputam os galhos, Os frutos e a sombra do poder, A raiz permanece silenciosa, Preparando o tempo de florescer. Pois a mentira teme a profundidade, Necessita da pressa e da aparência; A verdade aceita a demora, Mas nunca renuncia à existência. E quando o vento da história sopra, Levando embora folhas e vaidades, Fica de pé apenas o que foi plantado Nas raízes profundas da verdade.

FORJA DA HUMANIDADE Quantos Gênesis serão precisos para ensinar ao homem o valor da própria criação? Quantas auroras deverão nascer sobre mares recém-formados, quantas sementes romperão a terra, quantas vidas serão sopradas pelo fôlego da esperança?
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FORJA DA HUMANIDADE Quantos Gênesis serão precisos para ensinar ao homem o valor da própria criação? Quantas auroras deverão nascer sobre mares recém-formados, quantas sementes romperão a terra, quantas vidas serão sopradas pelo fôlego da esperança? Um Gênesis não bastou. Erguemos cidades, mas também muralhas. Criamos ferramentas, mas também correntes. Descobrimos estrelas, mas ainda tropeçamos na sombra dos próprios passos. Vieram dilúvios, vieram desertos, vieram profetas, vieram cruzes, vieram lições escritas em pedra, sangue e memória. Ainda assim, o homem insiste em reinventar o erro com a mesma criatividade com que reinventa o progresso. Quantos Gênesis serão precisos? Talvez um para cada guerra. Talvez um para cada preconceito. Talvez um para cada criança que nasce acreditando num mundo melhor e encontra um mundo inacabado. Mas a criação não desistiu. A cada nascimento, um novo capítulo é escrito. A cada gesto de bondade, uma luz acende nas primeiras páginas do amanhã. Porque a verdadeira forja não acontece no fogo das estrelas, nem no coração dos vulcões. Acontece dentro do homem. É ali que o ferro da ignorância enfrenta o martelo da experiência. É ali que a consciência é aquecida pela verdade até transformar-se em sabedoria. Talvez não sejam necessários novos Gênesis. Talvez seja necessário que a humanidade finalmente leia o primeiro. E compreenda que a criação ainda não terminou. Ela continua sendo escrita em cada escolha, em cada encontro, em cada geração. Pois a maior obra do universo não foi a criação do mundo. É a lenta e interminável Forja da Humanidade.

AS PÁGINAS DO AMANHÃ Se o amanhã continuar escrevendo com a tinta de hoje, as páginas do futuro carregarão as mesmas manchas que recusamos apagar. Os céus estarão mais próximos, mas os corações mais distantes.
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AS PÁGINAS DO AMANHÃ Se o amanhã continuar escrevendo com a tinta de hoje, as páginas do futuro carregarão as mesmas manchas que recusamos apagar. Os céus estarão mais próximos, mas os corações mais distantes. As máquinas aprenderão a conversar com os homens, enquanto os homens desaprenderão a conversar entre si. Haverá cidades de vidro, pontes de luz, estradas cruzando oceanos e naves tocando outros mundos. Mas ainda existirão muros invisíveis separando irmãos pela cor, pela fé, pela riqueza e pela origem. As bibliotecas caberão na palma da mão, e o conhecimento correrá mais veloz que os rios. Entretanto, a sabedoria continuará rara, como água em terra seca. O homem enxergará o nascimento das estrelas distantes, mas permanecerá cego ao sofrimento da casa ao lado. As florestas pedirão socorro num idioma que todos entenderão, e ainda assim muitos fingirão não ouvir. Os mares devolverão aquilo que receberam. O vento cobrará suas dívidas. A terra lembrará aos homens que nenhum império é maior que a natureza. As multidões estarão conectadas por fios invisíveis, mas a solidão caminhará entre elas como uma rainha. Os números crescerão. Os lucros crescerão. As torres crescerão. E, por vezes, o próprio homem diminuirá. Mas as páginas do amanhã não estão completamente escritas. Entre as linhas da ganância, ainda existe espaço para a compaixão. Entre as palavras do medo, ainda cabe a coragem. Entre os capítulos da destruição, ainda pode nascer uma nova história. Porque o futuro não é uma sentença. É um manuscrito aberto, segurado pelas mãos da geração presente. E quando os filhos do amanhã abrirem suas páginas, lerão não apenas o que herdaram de nós, mas aquilo que tivemos a coragem de mudar. As páginas do amanhã ainda estão em branco nos cantos mais importantes. E é justamente ali que a humanidade escreve o seu destino.

HINO NORDESTINO DO BRASIL Ô meu Brasil de sol queimando De mandacaru florescendo
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HINO NORDESTINO DO BRASIL Ô meu Brasil de sol queimando De mandacaru florescendo Do vaqueiro forte lutando E do povo nunca se rendendo. Terra de fé e de coragem De sanfona, verso e oração Que transforma a dor da viagem Em esperança no coração. Do sertão ao verde da mata Do agreste ao mar de anil Cada canto dessa pátria É um pedaço do Brasil. Respeite esse chão sagrado Que tanto filho já criou Com suor foi cultivado Com amor se levantou. Se a seca castiga a terra A coragem faz resistir Nordestino não se encerra Nasceu mesmo pra seguir. Brasil amado, companheiro Nosso orgulho sem igual Do Oiapoque ao Juazeiro És gigante e fraternal. Salve o povo brasileiro Salve a força do sertão Que carrega o mundo inteiro Dentro do seu coração.

RAIZ E COPA Ontem meu velho Avô Disse que a raiz é despercebida
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RAIZ E COPA Ontem meu velho Avô Disse que a raiz é despercebida Não é formosa e bela Mas é a base da vida Hoje o mundo corre depressa, Busca o brilho e a inovação; Colhe frutos em abundância, Mas nem sempre cultiva o chão. Os antigos cuidavam das raízes; Admiravam a copa e seus frutos A sabedoria estava no saber Que um dependia do outro. Hoje toda atenção É voltada para o fruta e a copa Visibilidade, aparência e resultado É o que mais importa Raiz não tem fruto Mas faz ele surgir Copa só busca a exibição Sem base para produzir A cada geração O equilíbrio é fundamental A Herança e a Mudança Precisam ser proporcional A Raiz e a Copa São fontes excenciais Uma é base e começo E a outra os finais.

TÁ NA SALA Tá na sala o povo chegando, Pra última despedida,
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TÁ NA SALA Tá na sala o povo chegando, Pra última despedida, Uns trazendo no silêncio As lembranças desta vida. Eu, deitado, observo tudo, Sem poder dar mais um pulo, Pois já terminou minha lida. Tem gente que fica calada, Relembrando o que passou, Revendo antigas histórias, Tudo aquilo que viveu. Outros dão boas gargalhadas Das minhas velhas presepadas, Das peripécias que aprontou. Um lamenta a minha perda, Diz que eu era bom amigo, Outro fala: “É muito triste, Nunca pensei nesse perigo.” E entre um suspiro e outro, Vão lembrando do meu rosto E do tempo que esteve comigo. Tem conversa sobre o presente, Sobre a vida e a situação, Enquanto alguém, bem baixinho, Puxa outra recordação. “Ele fez isso certa vez...” E começa outra história No meio da reunião. Uns contam contos do falecido, Que eu jamais pude imaginar; Cada qual tem sua lembrança, Cada qual tem seu contar. E eu escuto em silêncio, Percebendo que, no tempo, Já não posso mais falar. Chegam amigos e parentes, Para os meus confortar, Dão abraços apertados, Tentando amenizar. Mas, olhando aquela cena, Descubro, sem mais problema, Que não posso mais voltar. Observo todos na sala, Cada gesto, cada olhar, E começo a compreender O que é enfim descansar. A conversa continua, Mas minha voz ficou na rua, Não tenho mais como falar. Foi então que eu percebi Que a vida tinha passado; Eu estava ali presente, Mas já não era mais lembrado Como alguém que estava vivo. Eu era apenas o motivo De todos terem chegado. Tá na sala a despedida, Tá no rosto a emoção, Tá no canto de um amigo, Tá no abraço de um irmão. E entre lágrimas e risadas, Vão fechando as minhas estradas Sem nenhuma explicação. Quando o talude se fecha, E termina a derradeira passagem, Pela porta saio sozinho, Sem bagagem, sem viagem. Não levo ouro nem dinheiro, Nem relógio, nem roteiro: Só aquilo que fui na passagem. A última porta se fecha, E o silêncio toma o lugar. Deixo a sala, deixo a casa, Deixo o mundo e seu falar. E sigo, sem mais demora, Meu destino vida afora, Para onde ninguém pode voltar. Tá na sala! Foi assim que eu compreendi: Enquanto vocês se despediam, Eu também me despedia de mim.

MACALÃ — A AGUARDENTE DOS CORRUPTOS Lá pras bandas de Brasília Tem reunião todo dia,
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MACALÃ — A AGUARDENTE DOS CORRUPTOS Lá pras bandas de Brasília Tem reunião todo dia, Homem de terno alinhado, Cheio de pompa e regalia, Coleirinho bem branquinho, Com discurso de carinho, Mas por trás, quem saberia? Sentados numa grande mesa, Com fartura e gentileza, Político e empresário, Autoridade e alteza, Fazem brinde, apertam mão, Trocam papel e comissão, Tudo em nome da riqueza. No centro daquela mesa Tem uma garrafa acesa, Com um nome bem sugestivo, Que causa muita surpresa: MACALÃ, a aguardente, Que deixa o corrupto contente E embriaga a esperteza. Um diz: “Vamos conversar, Tem contrato pra assinar.” Outro responde sorrindo: “Tem licitação pra ganhar.” Um terceiro, muito ligeiro: “Se sobrar algum dinheiro, A gente pode repartir.” E a garrafa vai passando, E o acordo vai fechando, Um gole pra cada amigo, Todo mundo comemorando. Quem pergunta fica de fora, Quem se cala ganha a hora, E o povo fica pagando. Tem gravata e tem colarinho, Tem discurso bem mansinho, Tem promessa de progresso, Tem aperto de carinho. Mas quando a conta aparece, O pobre é quem paga a prece E fica sozinho no caminho. Falam muito em democracia, Em justiça e cidadania, Em combate à corrupção, Em moral e economia. Mas se a porta se fechar, Tem segredo pra guardar Debaixo da mesa fria. Macalã corre ligeira Pela mesa traiçoeira; Quem bebe perde a vergonha, Quem vende ganha a carreira. E aquele que diz “não quero” É chamado de exagero Por não entrar na brincadeira. Tem obra, tem emenda, Tem contrato que se estenda, Tem privilégio escondido, Tem promessa que se venda. Enquanto o povo trabalha, Tem quem faça sua farra Com a riqueza desviada. Mas cuidado, meu cidadão, Não aceite essa ilusão: Corrupção não é destino, Nem faz parte da nação. Se o poder perde a medida, Quem sofre na própria vida É quem paga a corrupção. Brasília pode ser bela, Mas não deve ser janela Pra quem olha o povo de longe E só protege a sua cela. O poder que vem da gente Deve servir honestamente, Não alimentar mamela. E se a Macalã surgir Com alguém querendo servir, Pergunte antes do brinde: “Quem vai depois ressarcir?” Porque enquanto eles bebem E seus acordos concebem, É o povo que vai pagar. MACALÃ, pode guardar, Não venha nos embriagar! O Brasil precisa é de justiça, De coragem pra fiscalizar. Pois quando a esperteza impera, A corrupção prospera E o povo começa a acordar. No fim deixo este refrão, Como alerta à população: “Macalã embriaga o corrupto, Mas não embriaga o cidadão; Enquanto uns brindam ao lucro, O povo paga a conta na mão!”

O MEDO E A CORAGEM O medo bate à porta, Querendo entrar sem demora,
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O MEDO E A CORAGEM O medo bate à porta, Querendo entrar sem demora, Dizendo: “Pare, desista, Não enfrente a luta agora!” Mas a coragem responde: “Levante e lute sem demora!” O medo gosta da sombra, Da dúvida e da incerteza, Faz o homem enxergar A derrota como tristeza; Mas quem enfrenta seus medos Descobre a própria grandeza. Quem tem medo da derrota, Não é digno da vitória. A coragem não é ausência De medo no coração, É seguir mesmo tremendo, Sem perder a direção; É transformar cada queda Em degrau de superação. Quem já caiu nesta vida Sabe o preço de levantar, Pois nem sempre quem tropeça Está condenado a parar; Às vezes, a própria queda Ensina a gente a caminhar. Se a estrada estiver difícil, Não abandone a caminhada; Toda subida cansativa Pode terminar na chegada, E a força de quem persiste Faz nascer uma nova estrada. Quem tem medo da derrota, Não é digno da vitória. Resiliência é ter força Para outra vez começar, Mesmo quando a tempestade Parece nunca passar; É juntar os próprios pedaços E novamente se aprumar. Determinação é seguir Quando falta inspiração, É carregar nos próprios ombros O peso da obrigação; É fazer do sonho uma meta E da meta uma missão. A vida testa os valentes Com problemas e provações, Mas ninguém vence uma batalha Vivendo só de ilusões; É preciso enfrentar o medo E vencer as limitações. Não existe grande vitória Sem batalha para enfrentar, Nem existe grande sonho Sem alguém para acreditar; Quem deseja chegar ao topo Tem que aprender a escalar. O medo diz: “Você não pode!” A coragem diz: “Vou tentar!” A dúvida diz: “É impossível!” A fé manda continuar; E a persistência responde: “Eu nasci para lutar!” Quem tem medo da derrota, Não é digno da vitória. Se hoje a vida lhe impõe Uma barreira no caminho, Não pense que está sozinho, Nem que nasceu para o espinho; Até o mais forte guerreiro Já caminhou devagarinho. O importante é não deixar A esperança se apagar; Pois enquanto houver vontade, Sempre é possível recomeçar. Quem persiste diante da vida Uma hora consegue triunfar. Medo pode ser aviso, Mas jamais deve ser prisão; Coragem é abrir a porta E enfrentar a situação. É fazer do impossível Uma nova inspiração. Portanto, amigo, prossiga, Não deixe o medo mandar; Se a derrota vier primeiro, Não pare de batalhar. Pois muitas vezes a vitória Só precisa de quem não vai parar! Quem tem medo da derrota, Não é digno da vitória.

O ILUDIDO E O DOIDO Tem gente que faz loucura Sem pensar no que está fazendo,
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O ILUDIDO E O DOIDO Tem gente que faz loucura Sem pensar no que está fazendo, Vai seguindo pela vida Sem saber onde está indo. Quando a coisa dá errado, Diz: “Eu não sabia, não!” Mas existe outro mais fino Que conhece a situação. O doido age sem juízo, Sem medir consequência, Já o iludido faz sabendo, Mas disfarça a consciência. Faz de conta que não sabe, Muda logo a explicação, E quando alguém desconfia, Ele diz: “Foi impressão!” O Iludido é pior que o Doido, Um sabe a razão, Outro faz sem noção. Um conhece o caminho, Mas finge estar perdido, O outro vai sem rumo Porque é doido ou distraído. O Iludido é pior que o Doido, Um sabe a razão, Outro faz sem noção. Na vida de um casal Tem história de montão: Um percebe a falsidade, Mas faz cara de paixão. Sabe onde está o problema, Conhece a situação, Mas prefere fazer de conta Que não viu a traição. Tem também quem viva em casa Fazendo jogo ensaiado: Sabe tudo que acontece, Mas se mostra enganado. Quando chega a tempestade, Vem com aquela indagação: “Quem foi que fez isso comigo?” Sabendo a resposta de antemão. No trabalho é parecido, Tem sujeito especialista: Sabe tudo que está errado, Mas se faz de bom artista. Quando a culpa bate à porta, Ele muda de posição: “Eu não estava sabendo!” E escapa da confusão. Tem colega que conhece Cada passo da jogada, Sabe quem puxa os cordões, Sabe quem não faz nada. Mas prefere ficar calado, Esperando a ocasião, Pois quem finge ser inocente Muitas vezes tem intenção. Entre amigos acontece Uma coisa interessante: Tem quem saiba da conversa E se faça de ignorante. O segredo está guardado, Mas conhece a situação; Só revela quando percebe Que lhe traz algum tostão. Na política é mais forte Esse tipo de esperteza: Tem discurso de esperança, Mas por trás muita esperteza. Promete céu ao eleitor, Fala em povo e união, Mas depois de eleito esquece Da palavra e do povão. Tem político que conhece A miséria do lugar, Sabe a dor de quem trabalha, Sabe o povo reclamar. Mesmo assim faz pouco caso, Com conversa e distração, Pois se faz de desentendido Para fugir da obrigação. E o povo muitas vezes Também entra nessa história: Sabe quem está enganando, Mas insiste na memória. Vota, sofre e depois diz: “Eu não tinha informação!” Quando a verdade estava Bem diante da sua mão. O doido pode ser franco, Pode errar sem perceber; Já o iludido tem ciência Do que pretende fazer. Um tropeça no caminho, Outro escolhe a direção, Mas se esconde atrás da fala Para negar sua intenção. Por isso tenha cuidado Com quem vive disfarçado, Que conhece cada coisa E aparece desinformado. Às vezes o mais perigoso Não é quem perde a razão, Mas quem sabe muito bem E finge não saber, não! O Iludido é pior que o Doido, Um sabe a razão, Outro faz sem noção. Um conhece o caminho, Mas finge estar perdido, O outro vai sem rumo Porque é doido ou distraído. O Iludido é pior que o Doido, Um sabe a razão, Outro faz sem noção. Na escola da existência Todo mundo tem lição: Nem todo silêncio é medo, Nem toda fala é opinião. Tem silêncio de quem pensa, Tem palavra de ocasião, E tem gente que se faz de doida Pra esconder sua intenção. Ser esperto é uma coisa, Ser desonesto é outra, Quem conhece seus próprios atos Não deve viver na sombra. Porque a vida dá voltas E revela a situação: Quem brinca de ser inocente Pode cair na própria mão. No final dessa peleja, Fica a grande conclusão: O doido pode ser doido, Mas merece compreensão. Já o falso desentendido, Que calcula cada ação, Sabe muito bem o que faz E ainda nega a razão. Por isso digo em meu verso, Com respeito e sem engodo: Não confunda quem não sabe Com quem finge saber de tudo. Pois há loucura sem maldade E esperteza sem coração. O Iludido é pior que o Doido, Um sabe a razão, Outro faz sem noção. Se um erra sem perceber, O outro erra decidido; Um é doido por natureza, O outro é malandro escondido. O Iludido é pior que o Doido, Um sabe a razão, Outro faz sem noção.