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Frases de Naeno Rocha

424 frases

SONHEI Te puxo pelo coração E encosto a tua boca
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SONHEI Te puxo pelo coração E encosto a tua boca No meu regaço, beijo Os teus cabelos de gosto Da pessoa que eu amo inteira. Apago da tua visão O teu batom carmim E te verei campina Verde em toda direção Entre os montes cimo Dos teus seios. Eu sorvo a tua pele inteira Toda, tudo tão inteiro E tudo será como eu quero Como um beijar primeiro. E onde eu te tocacar Será como Midas Mas não será o duro ouro Te tornarás minha comida Te elevarei ao poço Da minha vida Rainha por um tempo bom E eu terei caído. Amor, amor, amor Te chamarei, querida Me sugarás teu beija-flor Todo equilíbrio Uma canção dos ditos De Moraes Vinícius E musicarei os versos De Neruda, em vida.

O TEMPO DE AMAR O tempo é próprio dos que amam profundamente, Olhos e nós são espalhados pelo vento.
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O TEMPO DE AMAR O tempo é próprio dos que amam profundamente, Olhos e nós são espalhados pelo vento. Chove muito e o tempo é bom para os que plantam. O tempo assim, arremete o amor a outros tempos Em que as tardes eram de gemidos e caras sorridentes. Vai o dia e fica o tempo propício Para os que têm no amor um vício. Para os que vêem nos leitos precipícios. E cai à toa, a loa é boa, sulcaram a terra Erraram o ventre, a força da mente materializou O amor que se quer, o amor que vier. O tempo de hoje é propício à jogatina Alguém olha nos olhos e se declina, Até à boca, que se molha nas verdades. Que amar é bom, que todo mundo sabe, Que amar é tom de céu todo azulado;

POR INSTINTO Meu coração vai vertendo sangue Se desmanchando aos farelos
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POR INSTINTO Meu coração vai vertendo sangue Se desmanchando aos farelos E assim mesmo ainda leva Uma artilharia de pedras Que insistem no instinto Jeito de continuar doendo Sua munição resiste ao tempo De plena seca, que se ultrapassa, Passa rolando, de tocaia Dos ermos lastros das carcaças O vento se me insinua em vez: “Prossegue firme sempre à frente”. Abandone à claridade da direita Tome o rumo de Che Guevara Se embriague com essa marcha Que parte aguerrida da mecânica dura Alveje os dizeres: assim seja. Mas com quem me confundem neste mundo Para neutralizar a tradição? Acheguem crias da esperança Conduzam-me na padiola Para o recanto da paz que busco Revelem-me a luz do amor Desfaçam seus cabelos amarrados Sobre mim, caso contrário Não verão em mim nenhuma culpa Se derem cabo de mim mais cedo.

COMO EU TE AMO De todas as maneiras eu te amo, Te amo com os meus olhos
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COMO EU TE AMO De todas as maneiras eu te amo, Te amo com os meus olhos Com o meu olfato, Te amo com os meus dedos Quando te toco, te amo tocando, Te amo distante ensaiando um gesto, Um beijo bom. Te amor por tua boca e pela minha, Te amo pelo teu encanto, quando Sempre me encantas, e não me canso Te amo de olhar, e fico horas te olhando, Quando és distante, recorro às tantas imagens tuas Que ficaram presas pelo meu pensamento, Te amo pensando, e em ti penso sempre. Te amo sempre e sempre, é fatal, Te amarei. Te amo fraseando ao teu ouvido Confissões, promessas que nunca vou viver Sem ti. Morrer é mais provável, E é esperado que eu nem te fale, Se falares um dia que nada mais sentes, Nem por mim, nem por meu amor. Aí estarás pecando, pecadora, Que nega o que viu, e sabe ser verdade. Mas que Deus nos livre, mais a mim, De tal passagem. A vida é uma passagem E contigo ela toda eu quero passar.

A ALTURA DO MEU AMOR Não diga do meu amor uma possessão Nem o mito que eu mesmo não amo
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A ALTURA DO MEU AMOR Não diga do meu amor uma possessão Nem o mito que eu mesmo não amo Que de respeito e temores vãos Não existe em mim essa comoção. Há o respeito, o medo ao mito Há a chegada à errada conclusão Mas se não for amor, não sei porque me explico Porque este mimo, esta imensidão. Linda verdade que pode ser dita E prazeroso assim o meu amor todo é Não invisível, não anda escondida. Ele é o mimo, um vagalume no escuro Depois da chuva do que era duro Depois da reza do terço o Bendito.

Quero sem que ninguém saiba A ser desconhecido, eu Passar imperceptível
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Quero sem que ninguém saiba A ser desconhecido, eu Passar imperceptível Completar minha vida De não buscar mais nada. A ambição faz dos homens Papéis alçados, pelo vento. A todos aqueles que ter É não conseguir conjugar O que tinha minutos atraz Aqueles que a felicidade É a paralização dos movimentos da terra E estão sempre a espera E tudo o que vier é dote.

NADA O nada é a visão da vista oculta É segredo que não quer emitir a boca
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NADA O nada é a visão da vista oculta É segredo que não quer emitir a boca Se curvam diante à altura Que não se vê mais que se escuta. É o preso do começo a que não vá Às estações distantes antes e depois do nó A que se ata e já a vida está Por desespero querendo o melhor. Não há quem nada ver e se põe a falar Nem tem boca audaciosa que se puna Por não saber do se trata Os dilemas que a si propunha. Do nada se edifica o tudo E o tudo nada por orifícios fundos Que por nada começa ainda mudo Que quando fala já se está no mundo.

PARA O BEM DOS OUTROS Eu gosto de brincar Com os corações das pessoas
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PARA O BEM DOS OUTROS Eu gosto de brincar Com os corações das pessoas Inclusive com o meu. Penso que assim Os animam para o resto da vida. Gosto de me desencontrar Das pessoas Que marcaram compromisso comigo Penso que assim Eles possam Tirar conclusões sobre a vida Penando a sós. Gosto de ser débil Diante das pessoas Penso que agindo assim Elas se achem mais interessantes que eu E não furtem seus tempos Querendo montarem Nas costas dos outros.

ODIGETORP Não falo do meu amor a ninguém Existe em mim o medo
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ODIGETORP Não falo do meu amor a ninguém Existe em mim o medo Que alguém o reconheça E desenhe Seu retrato falado E aí passe a incomodá-lo. Mas não o enxergam Os que o buscam Trancafiado vive o meu amor Numa cela semi-aberta E quando se chega À hora boa e certa O meu amor Permanece só comigo. Pela melodia, pelo cantar Eu reconheço o meu amor Por que é assim que ele me fala.

CHORO DA ESTRELA A primeira estrela que eu vi esta manhã Estava chorando.
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CHORO DA ESTRELA A primeira estrela que eu vi esta manhã Estava chorando. E por sua dor impregnada em mim Declinei o meu rosto e chorei também E eu só vim perceber Porque pensei, chover E dissimulei: chover do nada Nenhuma nuvem Foi quando a vi soluçando. Os pingos de suas lágrimas Faziam esta chuva De gotas contadas Mas que o chão todo molhava. Os olhos de uma estrela Não são como os nossos Que sequer dão para lavar o rosto Elas lavam a vida inteira Elas comovem o mundo inteiro E assim todos choram. Tomara seja a solidão do tempo Porque todas as outras estão imersas No escuro, um domínio protetor. -Não chore estrela Não chore A companhia dos homens não te basta. Não te redime com a comoção Pelo teu infortúnio? Abre a tuas visão Numa manhã venturosa Acompanhada de todas as noites O lindo estrelar.

DECLARO AMAR-TE Por mim tudo permanecerá assim Até que se torne alguma coisa
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DECLARO AMAR-TE Por mim tudo permanecerá assim Até que se torne alguma coisa Que ninguém reconheça O meu amor sentido por ti. Porque tudo o que te dou é sempre isto Incansáveis e abusivas declarações de amor. Vejo na tua ausência A distância do sol Te amo porque tu em mim Responde por ti. Na minha calada tortura Que a ti provoco Torno-me incansável Feito um cantador. Feito o mundo Que não mais nos surpreende Qua traz o vento cheio de orações De arrependimento, De necessidade, prantos Das calamidades do amor assim. Porque encostei minha boca na boca da noite Horas em que estais esquecida E assim meu amor inoportuno Silente, só o coração a ouvir E minhas entranhas a se contraírem Quando não sou misterioso. E termino por falar que mais te amo Repetidas vezes ao dia.

ROMÂNTICOS Houve um tempo em que os poetas, Ardiam de amor.
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ROMÂNTICOS Houve um tempo em que os poetas, Ardiam de amor. Catavam silenciosos, rimas, Deliravam em febre e iam solitários, Tudo em nome de qualquer amor. Alguns escreviam deitados, e tomavam chá De hora em hora, enquanto a amada chora, Por desespero, por não amar, Por não deixar-se amar. A repulsiva sorte do pobre, a morte, Ironicamente os inspiravam a falar de sorte. Houve um tempo, tempo de delírios, Dos moços, das tabernas infiltradas, Das chuvas em mormaços, De uma dor devastadora, que doía, Uma dor que não suplantava As mágoas do poeta em não ser amado. Será que estar por vir esse mandamento, Em que a poesia pede esse andamento, Em vez de externar sua beleza, pureza, Fica nas tranqueiras, no mal pensamento, Viver só com a morte ao lado, Morrer com a amada distante Com a cama repleta de papéis cruzados, De obras rimadas, de um corpo finado. naenorocha

COM RAZÃO Tem uma razão para esta minha tristeza. O meu amor não tem cumprido com sua palavra
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COM RAZÃO Tem uma razão para esta minha tristeza. O meu amor não tem cumprido com sua palavra De todas as manhãs me acordar Dando-me beijos Dizendo que me ama Abrindo as cortinas Falando de um dia lindo lá fora. Tem coerência esta minha saudade O meu amor anda viajando Pelo mundo andando Não sei o que, procurando Algo que a deixe entretida E eu esqueça o olhar severo da vida O meu amor sabe de mim, tanto Que não lhe causa espanto Antes causa ciúme Porque é pela vida Que derramo meu pranto. Tem cabimento Toda esta ausência Eu sou um que está longe de casa Fora do ninho Sem ver meu amor Sem carícias do abandono Sem o meu amor amar.

SIMPLES Deus não é egoísta Este sentimento é visto
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SIMPLES Deus não é egoísta Este sentimento é visto Ele fez quase tudo bonito Algumas coisas esquisitas E para tudo Ele legou um sítio Lembrou a todos os esquecidos Depois que já havia partido E ordenou que as vistas Fossem todas frontais as divisas Para que não se sentisse Sem a nossa dispensada companhia. De tudo Deus nos serviu De corpo caminho e vida De amor que se comprimiu De suas expostas feridas. Deus não quer para Si O que criou para os filhos E nestes olhares aflitos Nessas promessas benditas Deus foi morar no infinito.

Desse amor eu não quero nem um pedaço de pão. Desse amor eu não quero
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Desse amor eu não quero nem um pedaço de pão. Desse amor eu não quero nem mesmo uma refeição. Estando morto na vida, num canto da noite, não venha buscar-me, estarei bem aonde esteja, entenda, eu não quero morrer. Roupa rasgada na rua, é bem melhor que amargura, dentes cobertos de neve, é bem melhor que guardados. Estando torto da vida, não tente mudar-me não faça votos, não seja tão casta, meu bem, não tente virar pra beijar-me.

O sangue e alguns retalhos de panos sem peso, Amanheceram depois da litania dos arrependidos, Ou oportunistas, que depois de tanto saberem
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O sangue e alguns retalhos de panos sem peso, Amanheceram depois da litania dos arrependidos, Ou oportunistas, que depois de tanto saberem Fizeram ainda o holocausto, em nome deles. Ninguém pedira, a não ser suas bocas para dentro, Nenhum queria retirar-se da última esperança, E só algumas gotas de sangue, não mais vermelho, Quase cor de areia, infiltra-se no lugar. Em meio aos gravetos apagados, pela tempestade, Ainda em riste erguia o único tronco, Aonde o esticaram, quebraram suas veias, Canais que antes tanta bondade escoara. Julgaram tê-lo tirado de dentro do mundo oco, Agora muito mais deserto, e ninguém pra se escutar, Pois que ao justo, exatamente o incólume de qualquer culpa, Deles se agradaram como ovelha para o abate. Dos pedaços de pano, que quase não se via, Dava pra sentir um cheiro brando de cravo se abrindo, E ele fora pisado, por pés desnecessários, sem valia, E mesmo assim ardia, em pleno ermo, uma presença santa. O madeiro, mais afortunado fora lavado, Com o mais puro líquido. Uma nuvem vermelha, A deslizar seu lastro, até tocar o ponto onde Ele punha os pés. E quem dentre tantos maus abortos, poderia sequer querer, Ter como Aquele justo, a mesma justiça, ser o mesmo Ser. Um entre todos, o único entre todos, o que nunca igualou-se A ninguém, nem com o acréscimo desses dois mil anos. Mas quem julga tê-lo morto, esse realmente morreu, Quem considera tê-lo tirado, esse sem dúvidas apodreceu.

UM REI Sim, trata-se de um rei absoluto, Que traz as diferenças e vantagens suas,
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UM REI Sim, trata-se de um rei absoluto, Que traz as diferenças e vantagens suas, Que impera, quando na guerra do luto Ver tombar milhares de suas criaturas. Sim, trata-se de um rei parecido Deus, Que quando fala a sua voz às alturas, Faz se ouvir do mundo e, lá do alto céu, O outro que grita é sua caricatura. Sim, trata-se de um rei que reina ao leu, Em leves lugares pousa e não se vê balançar, Mas aos seus argumentos, tudo isso é seu, O amor, a dor, qualquer sentimento, é de lá. Trata-se de um grande, um guerreiro gigante, Que comanda à frente toda a humanidade, E o seu caminhar é certeiro e lento, E quem o acompanha, chega-o em outra idade.