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Frases de Naeno Rocha

424 frases

PROCISSÃO DAS FORMIGAS Procuro o sentido Do caminho das formigas
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PROCISSÃO DAS FORMIGAS Procuro o sentido Do caminho das formigas E de verdade não sei Pelos rumos aonde vão Caminhando à frente E fazem da frente O lugar do seleiro Onde tiram e botam. E andando o contrário Elas vêm mais carregadas E vão na ida E da mesma forma na volta. O que lhes preocupa é a folha Não o chão, não o rumo pontilhado. Disperso o meu olhar Vai sem nexo, Carregado de outra dúvida Uns pingos que se mexem Voluntariamente, mas parece à toa Que não andam perdidos Seus pezinhos que voam. Não há marcas das formigas Pelos caminhos que palmilham E se alguma marca houvesse Fácil dava pra identificar, Pra onde é que elas vão, De onde vem é que elas vêm.

PALAVRAS Palavras são ditas pra não termos De recorrermos aos gestos
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PALAVRAS Palavras são ditas pra não termos De recorrermos aos gestos Que são palavras ocultas Que quando saem são passarinhos Arrebentando a gaiola, fugindo. Palavras são ditas para proferirem, Tudo aquilo que não basta E não são necessárias. Basta em dizer o que não é Tudo, o que não se faz entender Por que os sinais por si dizem mais. Palavras foram feitas para serem vigílias, E só aqui e ali, um murmúrio Já temos sido displicentes e vãos. Os gestos ferem mais que as palavras E as palavras vestem mais Que estas sobras de agulhas, navalhas. Eu me contento em não dizer Ao que não entendo De dentro pra dentro e me contento, Ninguém me ouve, nenhuma palavra, Que alguém confunda ser a ele dirigida. E com o mundo costumo agir da mesma forma, Da mesma forma, as palavras são, Do mesmo tamanho, da mesma dimensão Repercutem o engano sendo mal entendidas.

NÃO ENVELHECE Já houve um tempo que a cidade não tinha idade, Pra ela o tempo que conta parecia não andar,
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NÃO ENVELHECE Já houve um tempo que a cidade não tinha idade, Pra ela o tempo que conta parecia não andar, Nem para frente nem para traz, ela era estática, E ninguém se queixava, não se buscava novidades. Bom era como era. As mesmas andorinhas voando, As mesmas fontes luminosas, azuis jorrando, Água renovada, não por química, com peneira, coando. Os mesmos mendigos, tão conhecidos, passando. Já houve um tempo em a cidade era deserta e fértil, Os mesmos bêbados pingentes pelas nas calçadas, Já quando o tempo se avançava, a lua imersa, Dentro das águas refletia já o sol que raia, Já houve um tempo em os dias da cidade, velha Até pareciam não saírem de uma semana, um dia, E assim o tempo era coisa que ninguém vela, Só se adornava e se velava era só a nova vida.

A VIDA A vida é uma coisa que não se escolhe E se acolhe.
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A VIDA A vida é uma coisa que não se escolhe E se acolhe. A vida nos traz momentos de choro... E por um momento chorarmos com ela. É um entrelaçamento de fios que não se vê, Uma combinação de líquidos que não se serve, É um bulido, pelas entranhas, É algo estranho, dentro da gente, A vida dói sem que se fira, Pois quem se fere é a carcaça, retraída. É um povoado de tantas vidas Umas por sobre as outras, Pregadas como resina, que pinga. A vida é um convento aparente vazio, No qual se descobre depois de tanto andar, Um coro fino, a repedir, a ensaiar, Andamentos e tons, A vida não tem tom. Dizem que é dom, A vida é dona dos nossos pensares, Do que estes causam, nosso penares. A vida pulsa, e não nos tira do lugar, Ela se enfeita, quando é perfeita a tarde, Quando é perfeito o sol, sem friagem, calor A vida é dor que se sente e não se sabe onde, Pensamos até que dor que se sente dela, É a de alguém que está bem por perto. A vida é certa, o mundo é errado, ou O mundo fala certo e a vida quimera.

RAZÃO Há coisas cujo papel é o de apenas justificarem outras. Ha muita teoria em torno daquilo que é palpável, um papel necessário dos que buscam entender aquilo cuja existência é visível , o que de fato existe dentro da matéria absoluta. Existe muita semelhança, ou uma necessid…
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RAZÃO Há coisas cujo papel é o de apenas justificarem outras. Ha muita teoria em torno daquilo que é palpável, um papel necessário dos que buscam entender aquilo cuja existência é visível , o que de fato existe dentro da matéria absoluta. Existe muita semelhança, ou uma necessidade de que se completem as coisas desordenadas, e tudo se iguala na verdade a que se chega, de que tudo é um tudo,. absoluto e resoluto. A vida, depende não dela só, mas de tantas minúncias, uma cadeia preenchida, completa, e às vezes vazias, das vidas desligadas. O que se pensa, tangenciado o corpo sólido, se diz, ainda sem a verdadeira certeza de qeu aquilo é, ou que é aquilo, de forma tão dura e impenetrável, que não cabe o fio do penamento, entrar, caber. O que se diz das coisas, fala-se sem a exatidão do átomo, e tampouco chega-se a conjunção dos ânios e íons, muito mais lomgíquos e inexplicáveis. E dizem serem eles parte de uma célula, que compõem o homem inteiro, todas as coisas, todos os sentidos e retalhos. Onde cabe a comprovação de Deus, do seu amor, se nem um olhar até hoje foi direcionado a Ele, e acreditamos na sua santa existência sem necessáriamente termos noção de sua aparência e forma. Vimos Cristo, Deus sem dúvidas, mas coberto de das fisionomias humas. Deus é uma dedução, tida pelas atitudes divinas, a que o homem, ainda hoje reluta em atribuir a si próprio. E se Deus não fosse real, certamento o homem chamaria prá si essa divindade.

NAENO E O VENTO Pelo mundo inteiro acho que andei. Aos anjos tristonhos perguntei
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NAENO E O VENTO Pelo mundo inteiro acho que andei. Aos anjos tristonhos perguntei A todos arrenegados indaguei Queria saber o que é o amor. E ninguém soube me falar Aí pensei desistir..... Tamanho e cor eu preteri. Concluí da dor que se faz sentir Do amor não se fala Vestígios de sua essência além E assim como se já consciente Do amor não sabe, Além de misteriosos sinais. O amor é o zelo, É a proteção dos espinhos É o vento quando chega Abrindo as vagens Tempo das sementes cairem E se dispersam para qualquer lugar.

INCONTESTÁVEL para Maria João A realidade intransponível das coisas,
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INCONTESTÁVEL para Maria João A realidade intransponível das coisas, O que todos os dias constato, haver, Que a cada visão torna-se a verdade: Tudo é o que parece ser, Tudo é o que é E é difícil certificar a alguém, Pelo rosto de perplexidade repetido, Que de mim se vê, nem é necessário crer, Se isto é bom, e eu posso enfim expor um riso, Ou se é tristes estas verdades constatar. Basta sermos, para se ser uma realidade, Um mentira, aos olhos. Já tenho pensado tanto, E sei que ainda hei de muito pensar nisto, Por que tudo que penso e guardo, São essas mesmas verdades, E essas mesmas mentiras. Quando às vezes me dou olhando a uma árvore, E deduzo que essa árvore pensa, Não consigo chamar a ela, minha igual, Por que isto é uma verdade. E eu uma mentira. Talvez goste dela por não se parecer comigo, Por não falar pra que eu sinta, Os dissabores, a mais, de uma árvore, E eu sei que somos iguais, Que é uma verdade. Que eu minto. Às vezes sinto o bolinar do vento, E me encanto, por saber que ele é meu irmão. O que é um verdade. E uma mentira.

ATRÁS Hei de caminhar sempre por essa estrada Que por muito tempo venho já seguindo
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ATRÁS Hei de caminhar sempre por essa estrada Que por muito tempo venho já seguindo Sem que me cause mais a noite anunciada Qualquer medo ou motivo, de ir já saindo. Não desiludido, mão sem a ilusão que mude Um desgarrado que a dor vem no encalço Caço também a paz...se ela estivesse em tudo! É essa estrada o lugar, talvez, de encontrá-la. Busco por aqui, a estrada que me apontaram, Encontrar minha alma rindo, numa alvorada, E onde ela está? Talvez siga sem noção, Sem que me interesse além de caminhar, Numa ilusão de procurar a minha aurora, Com os tormentos de sozinho ir andar.

Não passará um minuto E os meus olhos sorrirão Mirando os dela
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Não passará um minuto E os meus olhos sorrirão Mirando os dela Por que é assim Quando estou Seja em qualquer lugar Com qualquer andar Com qualquer chinelo Com qualquer mochila Com qualquer ferida Caem por terra Todos os edifícios altos. Não passarão dez minutos E ela me olhará maliciosa A que eu lhe beije E sinta a dengosa E me esfrega meu rosto Pelo seu colo. Porque é sempre assim Toda vez que estamos juntos Nos damos em beijos e carícias Que o tempo passa E a gente não percebe. Não se passará meia hora E este aperreio que veio comigo Até este tempo de sol alto Permanece a doer contido. Porque é sempre assim Ela chega depois de mim. Não passará uma hora E eu estarei disto de agora Tempo pra escrever a ela Alguma coisa que mais Adestre como um poeta. Ela esquecida das horas E foi pelas previsões que errei Porque eu sei que ela virá.

DA MINHA SAUDADE Quando o mundo era dos delírios Do sonhar triste de uma paixão
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DA MINHA SAUDADE Quando o mundo era dos delírios Do sonhar triste de uma paixão De entrelaçar seus dedos noutra mão. Quando da desventura se fazia uma cruz E nela se pendurava em plena rua, Só de chamar a atenção do seu amor. Quando os pardais ainda de madrugada, Já afinavam seus estridentes cantares, E o dia era mais comprido pra nada. Quando o ser amado era demais amado, E seu joelho era mais procurado, Que um broche quando cai no gramado. Quando pelos coretos haviam retretas, Só pra impactar como seus metais, varetas, Os achaques, inaugurações do prefeito. Quando a noite vinha se via a pracinha, Cheia de amores, olhos de mocinhas, E de rapazes com olhares em cima. Quando o mundo foi desses delírios, vão, E junto com ele, um tempo de ilusão, E cada um com seu coração na mão.

REVELAÇÕES Da posição antiga no meu quarto O espelho faz revelações ao meu futuro
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REVELAÇÕES Da posição antiga no meu quarto O espelho faz revelações ao meu futuro Insinua que eu ando fora do tempo E assim me nego a mirar a sua face Sequer em sua frente passar Que já existem marcas em meu rosto Que já me mostram cansado Inerte no passar dos dias Que não me visto mais Das roupas coloridas que gostava Que deixei embranquecerem os meus cabelos Que passo dias sem fazer a barba.

TEM JEITO Prevalece, porque não seria A desordem
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TEM JEITO Prevalece, porque não seria A desordem Como deixaram a casa Quando racharam as paredes E pendulou o teto. E algumas coisas precisam Com o esforço de outras coisas Ficarem de pé. Na posição de partida Na porta da saída Porque ameaça o temporal maior. Eram dois prenunciados Um fez o que fez Com a faltosa ajuda das pessoas. Ficou por que não passou a miséria Esperando o fotógrafo Para que se registre o dia O dia claro como poderia ser Direcionado todo para os nosso olhos E o perdemos no temporal escabroso. Rachada pela caliça Alaga-se a casa e os livros. E permanece o dia mostrando Que é vulnerável a vida E é muito frágil o mito Que deus não Dorme Mas necessita olhar Para todos os lados. - Com o temor dos homens. A vida vence e lança no chão do mundo O perdedor. Mas não me disseram nada do mistério. E eles agora são tão visíveis E sentidos a todo o momento No que agora fico sabendo Pensamento.

PADROEIRA DOS VAQUEIROS Oh Mãe de Deus, Padroeira dos vaqueiros
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PADROEIRA DOS VAQUEIROS Oh Mãe de Deus, Padroeira dos vaqueiros Ouvi nossas orações E sempre rogai por nós. E nos proteja dos perigos que corremos Quando à mata nos juntamos Por entre galhos de fios. Pois confiantes vimos a tua presença Amores de uma nascente Que depois transborda em rio. Não só pedimos Mas também te ofertamos Nossa luta, o pó, a falta Nosso amor em vossas mãos. _________________________ Oh Mãe de Deus, escutai Nosso clamor, nossos ais Pois sempre, sempre serás A Virgem a santa, a mais bela Amor maior verdadeiro Mãe de todos sertanejos Ouve Oh Mãe nossa voz Por Deus, por vez escutai Não queremos ficar sós. Venham como um relampejo Teu olhar pleno de amor. Tuas bênçãos sobre nós.

VALSA A minha vida é um sonho Não um sonho sonhado
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VALSA A minha vida é um sonho Não um sonho sonhado Que se conta como impossível E bom. Nem um sonho de valsa Que de bom se sonha E a boca pinga. Minha vida é um sonho marcado Pisado, no assoalho Nos passos coreografado Sobre o linóleo Um pra lá, dois pra traz.

DIVISÃO O que valem os bons sentimentos Diante à força já existente
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DIVISÃO O que valem os bons sentimentos Diante à força já existente Em cada coisa. De que nos servem das boas ações Quando já existe a má vomntade consolidada. O que podemos fazer por aquilo Que não deseja de nós sequer um olhar Imagine tocar, abrir, perscrutar. Ficam impotentes os desejosos por mudança, Quando tudo está fincado De forma definitiva, e desorganizada E cada um ao seu lugar. E sentem prazer em serem assim. E acham bom como estão acomodados. De que valem as intenções dos que lutam Em favor da manutenção do verde, Da valorização dos pobres indefesos, Se existe uma força visível Em cada um em continuarem assim. Coitados dos que precisam desses reparos, Por não verem a outra forma Que se imaginam bom e mais humano. Ficam com o medo, e protegendo O que se ver como castigo e opressão. Coitados dos danosos, dos mentirosos, Que conceberam o mundo com essa divisão, Não sabem eles, que a parte que lhes toca, É a mesma, deles, sem ter-se acrescido nada. O que falta ao pobre à mulher sofrida, iludida, À natureza, aos que se mostram precisados, Tem para eles o mundo guardado, Que não é propriedade de ninguém ainda.

MINHAS SAUDADES Eu já namorei jogando pedras Na janela de minha amada.
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MINHAS SAUDADES Eu já namorei jogando pedras Na janela de minha amada. E recitava Castro Alves, Para chamar a atenção dela, Mostrando-me um revolucionário Um contra-ponto, nas ordens do dia. Eu já namorei empunhando um violão, Dando-me em segundo plano, Pois ela prestava atenção Mais as canções do que a mim. Tempo, tempo, aonde vamos nós? Tu apressado, nós correndo, Pra onde? Hoje eu tenho o meu amor, Mas por mim ainda andava vagando Nas ruas seguras da minha cabeça. Ainda chorava, escrevia cartas Com caneta tinteiro. Ainda levava ao meu amor um cacho de jasmim, E não saia te seguindo, tempo, Me segurava abraçado ao peitoril da casa dela Quando visse apenas uma ameaça de vento. E ficava por lá, contando estórias, Ouvindo os pássaros nas matas, A começar pela madrugada Quando devagarinho voltava pra casa Como o coração cheinho de esperança.

ABRAÇO Ainda não é noite Mas já sumiram os entes
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ABRAÇO Ainda não é noite Mas já sumiram os entes E o que adianta agora Horas mais pra frente. O amor chegou no tempo esperado E a noite agora já tem mandatário Veio o mais tarde possível de tudo Um esguio rei um débil solitário. Grito o teu nome mas a noite turva Além dos olhos os esforços aéreos Ninguém, se quer, tem de mostrar ternura Que reclame a si a posse do império. Laço, o meu anjo sem asas Sem sentimento porque tudo foi De a namorada elevar-se o abraço Se dá num gesto que ninguém propôs.

NADA A DIZER Quando me pergunto o que acho da vida Eu respondo: sei muito pouco, ou nada
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NADA A DIZER Quando me pergunto o que acho da vida Eu respondo: sei muito pouco, ou nada Porque o que eu acho da vida É o que acho nela E no tempo que ela me toma como seu Eu pouco acumulei ou achei de meu Por mim eu daria outra resposta Mais entusiasmado, diria: Acho que ela é como uma manhã Que às vezes nos desanima a chegar a tarde Que ela tem seu próprio controle E o manipula como quer. Desse-me ela o mágico aparelho E não impusesse condições para o seu uso Eu diria: espera aí que eu te digo já. Apertaria o botão propícia E falaria, boa em todo o seu andamento Uma previsão feita Como por quem tem o controle dos dias Se alguém me sondasse: Como anda a vida Eu lhe diria: Os dias andam como querem E a vida lhes segue no mesmo tempo.

ORQUESTRA Peçam que interrompam a orquestra Deixem os casais se adorarem
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ORQUESTRA Peçam que interrompam a orquestra Deixem os casais se adorarem Deixem que eles a detestem Permitam as horas silenciarem. Ninguém escuta o amor apontado E nem se vê quando ele chega A música toma todos os riscos marcados E os corações à sua marcação cegam. Formidáveis tempos da música sublime De um cantar dolente, tudo perdido O frenesi do amor algo lhes redime Atrás, à frente, seguiam os pares ouvidos. Silenciem as bocas os violões soberbos A tuba no seu marcar de medo A lira que não dá pra ouvir Os amores querem porque ainda é cedo.

DESENCONTRO Às vezes olho para mim e não me vejo. É comum eu me deixar por onde estive
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DESENCONTRO Às vezes olho para mim e não me vejo. É comum eu me deixar por onde estive E voltar pra me trazer e não percebo Que ainda estou andando como se vive. Acontece até de me afeiçoar Por argumentos soltos eu me escoltar Da companhia boa de quem me cobiçar Da presença doce de um bem beijar. Tomo em conta direções contrárias Nas investidas tolas de partir e vir Contrafazendo minha falta etária Isto me faz um bem sentir e rir. Onde anda o homem que esteve aqui E suas invenções expostas na calçada Antes do meu olhar sentir, fingir Um gesto néscio intento impensado.