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Frases de Naeno Rocha

424 frases

Vida, é um risco que corremos em contemplá-la Quando se mostra boa e harmoniosa Não é bom achegar-se dela e tocá-la
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Vida, é um risco que corremos em contemplá-la Quando se mostra boa e harmoniosa Não é bom achegar-se dela e tocá-la Os trages dela são de furta cor curiosa E eu falo assim por um desmando Não me foi permitido sequer citá-la Mas apenas por eu ter uma já distando Nem por isso é bom beijá-la Na vida tudo me atrai, esses sinais Tão próprios dela chegando na dispersão Ausência ruim e nos abala muito mais Saber que somos nós que temos coração. Ah, como me inebria e me cativa E é, por sua graça muito mais caprichada Quando ela vai passando linda e altiva E já não temos mais como chegá-la. É da gente mas parece tão primeira Indiferente, sem comunhão, cativa nata Que é desgosto afirmá-la deserta De seu grande mistério desordenada. Seu olhar detém num abraço ardente E com todo o perigo que coremos vale amar Tal como ela quer, num só repente Amá-la, tocá-la e admirá-la. Guarda-te na coveniência porque num dia Em que passes no caminho lentamente Já somos velhos e a beleza que ardia Não Seja no fim de passos tão lentamente.

REFLEXO O rio às vezes mergulha Nos teus olhos insaciáveis.
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REFLEXO O rio às vezes mergulha Nos teus olhos insaciáveis. Queres o mar e outras conquistas O que distingues com o teu olhar Acedidos nas nuvens precipitadas. O que tem pra ti no que distingues Que não haja em mim Todo refeito? Meu amor revolve o meu amor Ao teu coração mais uma vez Por que mais sofro Vendo os teus olhos assim Abismados por outra coisa Que não sejam os meus. Eu tantas vezes procuro O teu olhar perdido Nas matas ribeirinhas E lavo e me ponho com o sol Na desistência do dia Na enfermidade do arrebol. Passas agoniada com teu frio Da ausência de mim a me desfazer E eu bem que sei ser cobertor Meu amor volves o teu olhar pra mim A descrença com que olhas o nada Descrito entre mim e o cais do rio. Que sejas teu o semblante do mundo E que tu o guardes em teus olhos mudos Porém abranges nesta área oca Eu que te aceno, eu que te cerco Eu que sou água e quero ser um inclinado Para refletir o teu olhar tão lindo.

Com certeza esquecestes de que viestes aqui por mim Pelos meus braços te conduzi trôpega e infeliz Que buscavas em qualquer passagem um ideal assim.
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Com certeza esquecestes de que viestes aqui por mim Pelos meus braços te conduzi trôpega e infeliz Que buscavas em qualquer passagem um ideal assim. O lugar confidencial para uma alma aprendiz. Que tomastes minhas mãos buscando o guia Do meu corpo que naqueles momentos mais te servias O meu coração calado tudo de ti ouvia Buscavas aquela lua com sua face esguia. Provável que já não lembres destes acidentes Tens a memória curta e os olhos comprometidos Com a visão espantada vais completamente Ao entorno das estrelas comoventes. Envolvida com a beleza que cabia em teu manto Sopravas os lugares mais propícios tu limpavas Quando as aves divinais, pra nosso espanto Os teus cabelos de mormaço se desmanchavam. Quando, à brisa teu cheiro bom perpetuava Nesses lugares te prendias nas flores o teu encanto E tu sorrias por um anjo que os orientava A nave móvel que o anjo trouxe perto pousava.

A NOITE A noite tem um brilho fosco e nada pensa Não reflete em tela que se vê
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A NOITE A noite tem um brilho fosco e nada pensa Não reflete em tela que se vê E as suas impressões digitais Estão no céu bordado por estrelas E de estrelas é o olhar da noite Quando comunga com todos a vela acesa E se expõe e a gente teme, se treme. Quando enxergamos os contornos da noite E já são os seus cobertores minguando. A noite de um olhar minucioso Em tudo capricha Pinta da cor negrume o mundo inteiro, num segundo E em um terço fica nem claro nem escuro Nem o seguro no escuro é um desconforto ver Porque em tudo se divisa nada. A noite tem o poder de enlarquecer-se De ninguém encontrá-la E não cuida do seu tempo passado Às vezes manso e de cordialidades. De mãos vazias para se por o anel A noite não teve infância e nem cresceu Se construiu já grande e circunspeto Um desapontamento órfão Uma aventura difícil de se terminar E nós vamos e ela ficará. Na roda gigante marcada no chão O único brinquedo que ela não quebrou.

ENTRA E SAI Saindo que de dentro de ti E entrando já em mim
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ENTRA E SAI Saindo que de dentro de ti E entrando já em mim Ficamos por entender o amor E se complica a relação duradoura. Que as estações em que se senta o amor Termina por começar coisas de outros E uma palavra nova dominar. Quando sai de ti esta esperança comovida. Desse frio de desalento De que ainda não me vistes E que és uma fraude sem fim. Quando eu distraído me presto A conquista Permaneço ainda um tempo Tentando saber Se o que sentes em mim É do mesmo tamanho que vejo Que há amor, por todos nós Ocupando o espaço e a distancia. Escutar cintilar o amor e sua tortura. Pegar algo quente dentro de ti Um lago em mim a te sacudir.

Por acaso lembras daquele dia inverso Em que te amei por instantes devagar Não buscava somente amar pelo amor
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Por acaso lembras daquele dia inverso Em que te amei por instantes devagar Não buscava somente amar pelo amor Mas durar o tempo como os astos no deserto. Me aprofundavas com o teu jeito lutador Tuas mãos tateavam o chão de grama Protegidos das estrelas sem pudor Me amavas como forte sempre me amas. Nunca esqueci de tudo o que me dissestes Ante a maior luz que imperava altiva A lua a amante dos desertos dos poetas Não tivestes cerimônia com o teu olhar cativo Nos saímos já com o primeiro sol E agora minha eu te contemplava inteira O teu batom saíra de tua boca e agora Ficaram os meus pintados de aurora. Tenho ainda aberto em minha reminiscência O tempo contado em todos os dialetos Por que por todo o mundo não vi clemência De me lembrarem mais de ti o meu afeto.

O AMOR SAGRADO Todos os caminhos me levam Para onde eu já estoi.
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O AMOR SAGRADO Todos os caminhos me levam Para onde eu já estoi. Este lugar parece ser mesmo meu. Aqui resolvo, aqui me perco. O tempo de varrer o mundo Nesta minha idade, já vai longe. Vivo diante dos inquisitores Pagando por todas as minhas ausências Por todas as lamentações. Aqui vi o sol nascer e já me cansa A esperança de outras luzes ficam distantes. Eu não gosto de questionar a vida Porque todos os argumentos Que justifique sua dureza Inevitável passei por todos. Não quero lamentar por uma coisa perdida E nem dar nome a isto Mocidade e beleza Coisas que o tempo nomeia sem piedade. Escassez no meu dicionário De palavras e seus sinônimos Para dar um nome a vida.

SÓ EM PENSAR EM TI Só em pensar em ti Com as marcas que deixaste aqui
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SÓ EM PENSAR EM TI Só em pensar em ti Com as marcas que deixaste aqui Comigo, a vontade é infringir Os nós que os meus braços insistem Em relutar que te ausentastes E minha cabeça comanda Ainda ações, sentimentos De dor Para onde incide A precisão do aparte Como alguém que amputara a perna Mas a dor insiste Ele a movimenta e se cobre Até onde seria o pé. E assim eu te calculo aqui Ainda fazendo parte de mim Enquanto vou me diminuindo A precisão do teu corpo esguio E por me calar Um sintoma de clara vida Os meus pensamentos Vadeiam e eu te anuncio A princesa de outro reinado Prometida a mim por legado De alguém, um nó, uma certeza Que me clareiam a alma.

Não fiques triste Por perder algo que não era seu O amor não é um privilégio unitário
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Não fiques triste Por perder algo que não era seu O amor não é um privilégio unitário O amor imita a Deus, na sua onipresença. Enquanto você chora Outros tantos, um círculo no mundo Sentem o mesmo incômodo. O amor se ausenta para arrefecer-se Das plumas embebidas de água E ficam lá até que se compreenda Que o amor também se desconsola E se decepciona pela indevida reciprocidade. O amor quando bateu na tua porta Viu todos os teus dentes e ouviu o teu coração E se instalou, só não te disse que era provisório Se assim soubesses não ficarias triste E nem choravas Simples, tu esperavas e vivias O tempo que o amor dispôs Ao teu tempo. Se foi curto Da próxima vez... Porque não se tem um amor todo o tempo Partilha com ele a tua vida Falas incompreensível Faz um trato com o amor Que toda reza, reza.

O AMOR O amor quando chega Entra no seu jeito volátil
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O AMOR O amor quando chega Entra no seu jeito volátil E se instala no quarto. Muda as cobertas Deixa meia janela Solta a cortina. O amor não vai para a sala E se entroniza lá onde está. E a vontade que dar É a de tomar sua companhia. O amor não vai à cozinha Lá ele se perderia Com o cheiro Do que está sendo cosido O amor tem a fome Dos dias em que esteve ausente E dentro do quarto É como estar dentro de nós. E nos aperta e se alarga E toma quase toda a cama De tudo o que trouxe Presentes, vontades, faltas Desejos atraentes Alguma piada nova. E o amor nos ama Sem fazer força Ele nos ama Cobre-nos com ele Deixando apenas o lugar de respirar E comete o amor E nos ama inteiramente.

FALADOR Quando eu me levantar O mundo já terá mudado
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FALADOR Quando eu me levantar O mundo já terá mudado O amor já terá roubado Todos os meus pingentes de fantasia. E se eu levantar Já será para levitar Inaccessível de pedaços E por minha, tão minha culpa Enquanto estive inerte O tempo não me contestou nada Apenas passou e outras manhãs Transbordaram à minha frente. Eu desprovido dormente Aguardando a distância dos dormentes Esperando o trem da meia hora, Tempo que por afetuosamente não leva Meus conhecidos que me visitam. Quando eu me erguer concluído Já o mundo estará truncado... E eu sou o romancista que delata Que por aqui resvalam Canhões em todas as direções. Quando eu me levantar Lavarei os lençóis de cama E se ficarem cheirosos Como sabão de lavadeira Eu me deitarei, na minha condição..

SAGRADO AMOR Sou um dos que justifica o que não vale O precipício que anda sob meus pés.
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SAGRADO AMOR Sou um dos que justifica o que não vale O precipício que anda sob meus pés. Quero, às vezes, chamar pelo meu nome Mas eu ainda não aprendi nem decorei Por isto resiguinei-me à mutilação Dos meus valores, abaixo da importância Que uma vida vale. Não sei se vivo ou morto eu chego lá Ao abraço do Sôfrego da cruz E acreditar nisto, que tem o significado De tudo, o santíssimo, Cristo.

INCÓNITO Não sei mais quem sou Ou quanto de mim existe...
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INCÓNITO Não sei mais quem sou Ou quanto de mim existe... Tantas vezes mudei Tantas vezes piorei No tempo em que Minhas penas se largavam. Quem tem saudades Vive no passado Pisa com pés de gigante O instigante andamento De quem quer chegar. Quantas vezes aportei Às margens de qualquer rio Tantas vezes me larguei Em cursos que eu não sabia. Quantos amores tive Com a necessidade de amar profundo Ou com a destreza de fincar-me fecundo Ou nem amar, por vezes passei Solitárias noites de inverno Sem quem me cobrisse. Quantas vezes no verão Dormi sufocado Por um amor que me agasalhava De um cobertor pequeno Que não me chegava aos pés. Quantas vezes fui criança Nas voltas do meu coração E quantas vezes pisei com desequilíbrio A posição do homem astuto E assim fiquei chorando e cantando Indo e voltando Partindo e não saindo do meu lugar. Por vezes não sei por onde fui Na companhia medrosa do menino E nas condições do adulto.

É DE DEUS Enquanto eu destinguir Os galhos das frondosas folhas
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É DE DEUS Enquanto eu destinguir Os galhos das frondosas folhas E avistar sem engano a fruta madura Enquanto eu tiver essa vontade De come-la codimentada de sal Enquanto eu me cativo Dos cantos espalhados dos pássaros Que bicam as frutas, o seu alimento Enquanto eu me paralisar Diante deste simples mistério Que já deixamos de tentar Falar, explicar Eu me defronto com o amor de Deus Confirmando o seu poder A sua vontade de nos ver felizes E é da comida que deglutimos E da água, virgem que correm das nascentes Da espera das estações próprias de cada coisa Que os homens e os pássaros se enchem de vontade Eu me confrontarei com os negadores Do poder Divino. Foi Deus quem tudo fez e criou na sua completude Tudo o que vemos de bom e prazenteiro Deus não inventou a falta, ou a escassez Foram as esperas dos animais O homem com sua ganância Os animais das matas com sua fome inglesa. Enquanto eu subo aos céus Vou me aproximando dessa verdade A verdadeira verdade é de Deus Tudo é de Deus Que Criou, que aprimorou Que do seu conhecimento cibernético Criou o que está para ser feito Deixou a luz para nos iluminar O escuro para meditarmos E as condições de espera e paciência Do dia e da noite que chegam e saem No desencontro de fazerem o tempo.

AMOR O amor não se derrama É da conta do coração
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AMOR O amor não se derrama É da conta do coração O amor não se encharca É dos orifícios do coração O amor o que nunca erra Acerta com precisão O amor anda correndo Mas não se mete contramão O amor é a vontade De se comer com a mão O amor todo é real Nunca tende à ficção O amor dar na cabeça E dói lá no coração O amor não é acusador Sua sentença é o perdão O amor pode ser ferido Por que se posta na posição Como fez o amor de Cristo Deu-se às lanças e ao perdão O amor fica indeciso Entre o vento e o portão O amor é criação de Deus De nós só pede sua gratidão O amor vai às estrela E brinca lá de cordão O amor é uma flor aberta Atracado aos espinhos Também é o floral botão É por amor que ao chão desce Inesperadas chuvas de verão Que vê o amor não se questiona Sabe estar diante do bom sinal marcada a mão O amor pode ser um vício Que não gera depressão. O amor é um lutador Um barulhento tambor Soqueando o coração.

TEMPO Passa o tempo e a estrada vai Aonde só ela sai
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TEMPO Passa o tempo e a estrada vai Aonde só ela sai E eu não consigo ir. Cada passo conta tempo E o coração ainda inventa Amores pra eu buscar. Tempo Que se conta rápido e lento De quando chega a saudade E a espera se ela vem. Vida, ainda Que eu te inventasse de novo Vendo o tempo Eu nem saia do ovo.

LUMINOSA FLOR Lindeza de flor Sitiada de espinhos
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LUMINOSA FLOR Lindeza de flor Sitiada de espinhos Fiéis em seus postos Como chegar ao meu amor E minha a rosa que eu quero São meus os sonhos em que ela se deita E se transfigura de magnificência. Do seu amor eu já provei E ela sorveu o meu mundo Encantou-se com o frescor molhado Da fonte onde morreu minha sede Onde, presumi, a quis amar. E quase morro também Sob a sombra do corpo dela Anverso como uma encosta Que protege caminhos Qual predador acercando Sua presa, antes de abancar-lhe. Luminosa flor Guarda-me contigo aonde fores É por mim e pelo mundo todo Este favor É por ti, que ninguém vive Sem um amor.

ANTES DE TI Antes de te ter Eu não tinha os provimentos de agora.
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ANTES DE TI Antes de te ter Eu não tinha os provimentos de agora. E tudo o que eu ganhava Gastava em negócios com o mundo. Tudo, nada, serviam-me Da mesma forma, desatinada Ou era pequeno ou demasiado grande. O tempo encontra o que guardamos E por todas as vezes tirava de mim. Mas quando se tem o amaor do seu lado Tudo tende a se modificar. Se sou acanhado Não sabia valorizar o que tenho E tudo escapava de mim Como água que contemos nas mãos. E até eu desaparecia. Clara estrela, benfazejo dia Luminoso instante Em que a mim te deste Tudo passou a ter sentido e valor. Encareceram, valorizaram-se E hoje é o mundo Que me acerca Propondo negócios comigo Mas tudo eu quero, contigo Ninguém cogita, nem pensa ter Sabem que são minhas Todas as peças de ouro Lustrado amor Com o pano que cobre De transparência,o meu coração...

ADIOS Vai o tempo e fica o dia na metade, E todo o dia foi por todos demarcado,
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ADIOS Vai o tempo e fica o dia na metade, E todo o dia foi por todos demarcado, Manhã o sol clariei, tarde o amor melhorei, De noite perdi-me contando estrelas E olhos que brilhavam do mesmo tanto. O mundo contempla o tempo, que há em todo lugar. Nos pés de quem fareja uma perna e meia Nas mãos de quem segura seu coração. Para os que vêem nos olhos luzes, Seguram a claridade e se dão na boca Regujitos das entranhas expostas, Amor que não vê pelas costas, e não se despede, Prefere andar, selar seu próprio nome, E amar, montar o diagrama, se enclausurar Aonde for bom, o tempo é todo um remédio.

CADÊ O MUNDO Entre os meus olhos E o teu leito
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CADÊ O MUNDO Entre os meus olhos E o teu leito Onde fica o mundo Terá sumido Neste espaço tão pequeno Mas o tempo existe E é por ele Que conto meus desatinos. Entre os meus beijos E a tua boca Cadê o mundo? Coloca-se ante O vidro embaçado Sem futuro Sem passado Cadê tudo o que fiz A fotografia de perfil Do teu rosto simulado Dessa costura fosca A sombra fina Que contorna o teu nariz.

FELIZ Perdão aos que me vêem assim, feliz. É só jeito de impor-me à vida
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FELIZ Perdão aos que me vêem assim, feliz. É só jeito de impor-me à vida Que não gosta de pessoas alegres Por ela todos eram como não me posto. Um sofredor, resignado, rastejante. Por ela não haveriam sorrisos, E é por isso que eu rio, rio de nada. A depender de suas graças, O mundo era um cortejo extenso, Daí eu só mandar flores, Que ela me tome como diferente, Dono dos risos, das caras de paz com ela, Que ela me conte como um aventurado, E conste no seu relato, eis um erro, Um descalabro, alguém que nunca chora. Ele não conta despedidas, não vai embora. Por isso quando quero me derramar em água, Me tranco no mais escuro do meu quarto, Derramo lá o que tem pra ser aguado, E o tempo que for necessário, a dor , o pranto, Eu quieto, se ouço alguém por perto, Bato martelos, passo as mãos nas cordas do violão, Quando a voz destreme, imito um canto, Pois quem canta está feliz, E assim pra quem ouve eu fiz Daquele dia, sozinho, uma farra. Mas não deixo de sorrir, de mostrar-me feliz, Assim a vida me deixa, sem saber que sou, Entre todos os que ela persegue E quer passar ao extremo fio, Talvez eu seja o mais infeliz. Feliz eu não sou, ou não estou, Mas como eu, esses que a vida dá-se como castigo, Sou mais um que ela não contou.

PRESCRITO Quero que a cada segundo De cada minuto.
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PRESCRITO Quero que a cada segundo De cada minuto. Que todo minuto De toda hora. Que pelas horas De todos os dias Que nos dias Da vida toda, Digas que me ama. Porque em te ouvir assim Com essas confirmações, Que em mim se alargam, Saberei que sou amado. E que foi sem me esquecer. Agora a pouco por me dizeres. Quero que me repitas As vezes do amor sentido, Dentro da lista espessa, Faladas por toda vida. Assim me sentirei amado. Quadrado em qualquer Das partes do dia. Falado em repetição Colados na minha boca. Temo que se assim não for Se acabe essa comoção Que percebo nos teus olhos. E os meus a quem amarão.

FÓSSIL Ao me acharem Descobrirão uma parte do mundo
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FÓSSIL Ao me acharem Descobrirão uma parte do mundo Com o mistério De onde surge a matéria O barro das raízes profundas Das árvores petrifeitas Dos orifícios onde tudo cabe O meu esboço defindo A minha fisionomia. Uma matéria Que desperta o interesse Para Niede Gidon. O mais antigo dos homens Se parece comigo E eu não passei Pela metamorfose Como um fóssil qeu se junta O primeiro homem Tem profundo, traços meus E eu descendo já mais pra cá Mais ressente Como a escultura Que a chuva de ontem Deixou para ser vislumbrada Hoje no dia frio. Um fossil não tem coração Um macaco não fala Limita-se a imitar gestos Que a nós são sinais Que eles aprenderam conosco E não fazemos como eles.