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Frases de Naeno Rocha

424 frases

ENTREGADOR Eu gosto de tudo o que gostas E tenho repulsa a tudo do que te afastas
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ENTREGADOR Eu gosto de tudo o que gostas E tenho repulsa a tudo do que te afastas Adoro o teu silêncio e a tua fala Gosto do teu jeito de andar e do teu deitado. Amo o teu corpo esguio Tenho amor ao espírito que te guia Gosto do mar porque nele te banhas Adoro as roupas que tu vestes Teus vestidos de cetim. Amo, e choro Amo os teus filhos, porque saíram de ti. Cuido dos meus braços, porque te abraçam Gosto de todos que gostam de ti. Gosto de Deus, porque foi Ele quem te fez. naeno*

A BOCA DA LOBA (09) O que a boca fala Com a cumplicidade dos dentes
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A BOCA DA LOBA (09) O que a boca fala Com a cumplicidade dos dentes Porteiras de saídas e de entradas, O coração se atemoriza. E rebate na palavra, esgrima. A boca não tem a contensão Do coração. De ficar calada, Quando sente o gosto bom E ácido que leva o fermento dentro. Bocas que eu beijei, E as que só sonhei beijando, Pintaram-me dentro e fora, Na alma e na gola. Com marcas de ferros, Quando dobraram a minha vida. Sonho com cada uma E sofro por todas elas, Sinto os sabores dessas bocas Em minha língua provadora. Ah, tua boca, a minha boca agora. Puxo pela memória, Mas eu nunca senti nenhuma Doce como a tua, Dos formatos da lua, Quando está cheia, Quando declina minguando, E quando vai se levantando Pros meus olhos escurecerem. _______________ NAENO*comreservas

EU COM O MEU AMOR Eu, com o meu amor Serei muito mais.
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EU COM O MEU AMOR Eu, com o meu amor Serei muito mais. Eu serei a estrela E ele brilhará. Eu serei a nuvem E ele choverá. Eu, com o meu amor Seremos um E se um for nada Seremos nenhum. E se de tristeza Eu precisar chorar São seus olhos, meus Que lhe vão molhar. __________________ naeno*com reservas

NATAL por um tempo eu vi toda a alegria que podia o mundo.
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NATAL por um tempo eu vi toda a alegria que podia o mundo. Era um Deus menino a falar baixinho De um amor profundo. E nesse momento de contentamento Do meu coração Me senti tão perto de meu Deus presente E elevei as mãos. E naquele tempo era tão comum Tantos reis na terra A obediência de um homem pra o outro Até matar na guerra. Foi assim que Deus Ao julgar violada toda sua lei Não mandou profetas, todos ofendidos Ele mesmo veio. E chegou tão simples Numa manjedoura, num leito de feno Mas era o mais bonitos E todos O olhavam, como a um Deus supremo. E quando eu me lembro Que aquele Menino foi tão diferente Me angustia a alma Por saber que os homens foram tão ausentes. Quizera que o mundo Só por um segundo O visse de novo E deixasse Ele, como sempre quiz Conduzir seu povo. Eis aí o meu servo A quem eu amparo por todo caminho Sobre Ele eu faço repousar meu braço Todo o meu carinho.

PELO AMOR DE DEUS Pelo amor de Deus. Não vês que não aumentas
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PELO AMOR DE DEUS Pelo amor de Deus. Não vês que não aumentas Nem contrai o meu coração, por sofrimentos. Não crês na chaga vista, exposta, tão tormento. E já não és capaz, da mesma fúria em tempo Que os algozes voltem em seu momento; De desfazer os nós, romper a corda extensa, E nasceres de novo, criança e arrependimento. Pelo amor de Deus, não há o que tu arrenegues Se a guerra foi por tua parte mais entregue, Não vês no corte aberto, que se escorregue O pranto intento, intensa dor não há quem negue. O rubro rosto, de mulher, que não se esfrega, Nos bombardins, nos pelos, dos tiranos albergues. Pelo amor de Deus, não vês que assim fazendo Estás a desmanchar o riso em tua face, vendo O teu orgulho puro entulho, animais remoendo A dor que falta em ti, é a dor de mais do menos E se ressentindo estás ao ver-me refazendo, As malas, os remédios, eu todo me desfazendo. Pelo amor de Deus, não vês que o homem é Um bom sentido a uma mulher, E não sabes se andas, pra que lado, quer, A minha morte ou vida, areia ou maré. Amor ou ódio, então, dis-me o que és, Não desfolha em vão, descrente, um bem me quer. _________________ naeno*comreservas

DEPUS Minha alma são cartões postais De amor explícito
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DEPUS Minha alma são cartões postais De amor explícito Varais de panos coloridos Ou quintais de milho verde. Mas sei perfeitamente quando penso Que quem me põe feliz e aventureiro Pode me elevar aos ares de repente Voando com as asas de mim mesmo. E em meio a todo o caos desta história Eu sei perfeitamente Quando vivo. E vou morrer berrando Urrando pela boca das palavras. O que me toma o tempo E me constrange São as relações dos homens Com o salário A relação dos bois com o matadouro. O que me seca o jarro de acácias Amarrado num gesto inútil. Mas você é uma quitanda exposta à Ilha Onde amanheço E volto pelo avesso Com a barriga cheia de sorrisos. Um anjo, louca das profundezas do paraíso Das cavernas dafelicidade, amém.

TEMPO O tempo tece a roupa que vestimos É o destino suas mãos habilidosas,
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TEMPO O tempo tece a roupa que vestimos É o destino suas mãos habilidosas, Que em tudo muda os feitios, as aparências. E o acabamento, a amarração firme Dos pontos atravessados, nó por nó. É este denominado assim porque, Não é sujeito e também sujeito a nada Mas tudo rege elevado da gente E a cada um sente tirar, sente faltar. Não é preciso um tratado de filosofia Pra se chegar à conclusão efusiva Que uma tesoura corta lágrimas Que uma agulha segura a mão A mão de acalmar, de diminuir a enxurrada O tempo urde, enquanto o tear manipula E a catapulta armada, A vontade de cortar desertos, Sobrevoar mares, ir mais que o tempo Dele se iludir, e se enganar de novo. Caçadas dentro de mim, já risquei fósforos Iluminado o teu olhar me aquieta Quando me diz é por ali a estrada, Sinto-me desmotivado, me sinto imortal. Se o tempo esconde os presságios bons Os alentos das dores, que não nos põe na mão, As duas feridas, de uma ferida a outra Quatro chagas dissipando-se nos dois lados. O tempo impune, não sei o quê, Aprendi chamá-lo com este nome falso Mas que existe e na passagem rouca Pensa-se tudo, se corre da estrada. __________________ naeno*comservas

VOLUNTÁRIO Por um momento que durou sua vida toda Ele foi do voluntariado de cuidar de tudo,
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VOLUNTÁRIO Por um momento que durou sua vida toda Ele foi do voluntariado de cuidar de tudo, Passava à vista todas as manhãzinhas As borboletas que nunca as alcançava dormindo E saudava com o olhar mais venturoso, Cheio de coragem, audácia e cor, Os canários belgas postos ao sol nas sacadas. E visitava de fora, o casulo no seu tempo De rebento. Fazia emendas nas asas dos passarinhos Triscadas pelos helicópteros invasores dos seus espaços. Ia aos lixões demarcar pontos para os urubus, E lhes dava conselhos, quão perigoso é o sul. Fazia festa e quermesse para os beija-flores E lhes beijava o bico, provando do néctar. Dava nome e sobrenome a todos os outros, Quem não era parente seu, era do seu amor E assim amava o tempo, que não se ver Só por querer criar condições lá dentro Para que lhe fosse surpresa todo dia, a aurora.

PECADO Apedrejem esta criatura culpada de todo o azedume de nossas vidas, Foi ela quem ardilosamente tramou com os espíritos nossa descida.
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PECADO Apedrejem esta criatura culpada de todo o azedume de nossas vidas, Foi ela quem ardilosamente tramou com os espíritos nossa descida. E que nas noites em que dormíamos sonhando com as rosas Foi ela quem lançou a praga irretratável e todas vimos fenecidas. Lancem-na mais à frente, no meio dos condenados da inquisição, É ela um ser disforme que sob a blasfêmia se cobre, E nega a Deus, e dos prantos seus, nenhum tem o gosto da lágrima cristã, Reneguem os seus feitos que por seu tempo já o bastante pra chamar-se cobra. Eis o que destila a sua boca curta, os seus lábios úmidos, seu andar disperso, E nem aprende a fala, dos nomes se esquece. Como entrega-la o nosso destino, Se de queda em queda ela não tem calos, e o que pronuncia ninguém dintingue. O que logramos em esperar por ela, ainda por pintar-se, uma branca tela. Talvez se acerte em isola-la longe, e nos dias vindouros, vemo-la de novo, Se o azar cessou, é só uma criança. Alguém diz promessa, no escuro, vela.

TEIA Escolho ao acaso uma folha branca Mas que podia ser verde, ou de outra cor.
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TEIA Escolho ao acaso uma folha branca Mas que podia ser verde, ou de outra cor. A intenção é escrever o poema E que ele saia nítido como esta cor oportuna. E escrevo, faço intercalações, Faço a palavra que mais se adequou, distante, E ponho um risco ligando-a ao nome. Comecei por chamar saudade Mas vi que o sentimento era outro, E o nome obrigado teria Que não se chamar saudade. No meio da página a poesia quase enfeite, Derramo café e espero secarem as idéias. Ponho um preposto, entre o sentido e o fim, E pra quem vem lendo de lá, A alfândega perde o pedágio E a poesia ganha outro ditame. O lápis por descontrole pára. E a poesia silenciou, quando afluíam As falas, as almas, os encostos. Aí me deito delgado, de cara pra cima, E do teto a aranha tece sua nova roupagem, O acabamento impecável Que, se lembrasse, usaria na poesia. ____________________ naeno* com reservas

SERÃO TEUS OLHOS Quando me dou frente a frente Com os teus olhos de louca
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SERÃO TEUS OLHOS Quando me dou frente a frente Com os teus olhos de louca Fica a impressão de que vi, Algo de extremo e pouco E vou ao delírio, perto Já da minha loucura Fico gritando o teu nome Em aflita amargura. Se quando olho os teus olhos E não vejo os meus refletidos Fixo-me no chão só pra ver Se os meus não caíram E de pura dolência Caio por terra e vejo Já no fio do precipício Enxergo e não creio. Que tu não veja em meus olhos Esta claridade aveludada, mas plenas O que faz a idade São os teus olhos meus São só minhas verdades As tuas eu busco e não conto Se tenho encontrado. ______________ Naeno* comreserva

MATULÃO Vivo das lembranças De levantar do chão meus pés andarilhos.
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MATULÃO Vivo das lembranças De levantar do chão meus pés andarilhos. Nessas investidas, quase muito eu vi... A florada no seu tempo certo, E vi errado o argumento dos homens Duvidosos das chuvas, de língua seca. Morro das lembranças Eu apanhando do chão Meu matulão cansado da estrada E eu um homem desertificado, Orado, rezado, benzido pelas sombras boas. Cacho de alecrim, pra espantar mutuca, E deixar um cheirinho Que a gente logo abusa. E de noitinha ouvir a sinfonia mais desencontrada Da saparia escondida nas locas. Arengas na estrada de cobra e lagarta, Araras no topo jogando migalhas, Que até eu, com a fome no estômago, alimentada, Pegava e comia, essas lembranças do chão. Adoeço só de ver essas estradas raspadas, E um céu descoberto, nem uma nuvem que se pise Quanto mais me disto desses lugares meus.

MATULÃO Vivo das lembranças... De levantar do chão meus pés andarilhos.
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MATULÃO Vivo das lembranças... De levantar do chão meus pés andarilhos. Nessas investidas, quase muito eu vi. A florada no seu tempo Escutei com displicência o argumento dos homens Duvidosos das chuvas, de língua seca. Remôo essas lembranças Eu apanhando do chão Meu matulão cansado da estrada E eu um homem desertificado, Orado, rezado, benzido pelas sombras boas. Cacho de alecrim, pra espantar mutuca, E deixar um cheirinho Que a gente logo abusa. E de noitinha ouvir a sinfonia mais desencontrada A saparia escondida do maestro ensaboado. Araras no topo jogando migalhas, Que os bichos rasteiros Comiam lembranças do chão. Adoeço só de ver as estradas encobertas, E um céu descoberto, nem uma nuvem que se pise. Quanto mais me disto desses lugares meus. _________________ naeno*comreservas

A VIDA RI Ontem eu vi a vida sorrir, Vi seus dentes da cor do dia,
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A VIDA RI Ontem eu vi a vida sorrir, Vi seus dentes da cor do dia, E vi seus lábios na cor do entardecer, Boca molhada como um grito novo. Ontem vi que a vida existe, Que a morte não pode com um sorriso, Por isso é séria e sem graça, Eu nunca vi a morte sorri. Hoje a vida continua a rir, Como se estivesse de bem com ela, Como se a contivesse um cadim Refletida num espelho se vendo nítida. Ainda hoje a vida rir, Como se a felicidade não acabasse, Como se uma conquista tivesse galgado, A de ser vida, em tudo metida. Ainda agora escutei gargalhadas da vida, E não se cansa em mostrar-se feliz, E agora eu sei, está esclarecido, A vida não tem planos para partida. naeno

POR TODA PARTE Meus olhos como que varrem Toda a extensão da terra
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POR TODA PARTE Meus olhos como que varrem Toda a extensão da terra E pela reta do meu ponto Ao teu olhar que se distrai Faz da distância inatingível Um porto pronto a me esperar. Mas não me esperas e nem vês a mim Por um sortilégio o vento é que traz Estas visões dos mesmos jardins A rosa, o cravo, dentro de mim fazem um vergel Uma pintura suspensa, esta paisagem e o fim Dessa esperança e da minha paz. Todo alucinado enxerga esse cais. Não, não é de vera esta primavera Que antecipo ou adio na maluquice Dos teus olhos flores, e dos meus, quimera Porque só Deus torna à meninice Só Ele pode refazer o que era Que no tempo, vai e vem, resiste Ao teu lugar. Ver-te quem dera Poder de novo ver teus olhos tristes Dentro dos meus na alegria mera Olhando o cais que ainda resiste

MÚSICA Eu Quero fazer uma música Daquilo que tem doído
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MÚSICA Eu Quero fazer uma música Daquilo que tem doído E que eu me lembre de tudo Como lembro o teu sorriso. Que a tua boca me prove Na vida o que mais preciso Que minha boca te sorve Toco no teu paraíso. Em mim pouco, mas comove Muito já tão esquecido Tudo o que pranteio escorre Em rios E tenho descido. Como garranchos e escoras De cercados decaídos E esta letra que chora Lembrando-te, enternecido. Quero que essa música toque Em tudo que tem perdido Eu quero que te retoques A maquiagem mexida. Que te olvides se choras Porque o que bebo é só isto E tenho tomado porres De amargos tão esquisitos Tenho lembrado piores Estações já despedidas. _________________ naeno*comreservas

PALMA DA MÃO Eu não conheço a palma da minha mão. Entre tantos cruzados de linhas,
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PALMA DA MÃO Eu não conheço a palma da minha mão. Entre tantos cruzados de linhas, E mais de um veio principal Onde descambam as águas dos meus dias. Não tenho noção do que seja a palma da minha mão, Reconheço, e já é volumoso As coisas que toco, a embaralhar meu destino. Reconheço, quando a espalmo frente aos olhos, Alguns poros suados, o anel centenário, A cor, que coincide com a cor do meu corpo inteiro. Na aventura a que me lancei, Em me procurar e me achar, Em algumas partes de mim deu pra ver Outras nem que eu virasse o mundo o contrário Daria para medir, saber, esboçar. Alguém, como eu, desconhece, numa vista frontal O seu crânio, seu cabelo, tal como tal, são? Ou conhece seus buracos Que só na cabeça contam-se sete, Afora os outros por onde se mete Nosso temor, dizer explorar. E os seus encontros de mãos e pernas, Como uma árvore, quem conhece? O por trás todo, ninguém sabe o que é. Sabemos dos outros, também minúcias, Nada de definido se sabe O que conhecemos de nós mesmos Também os ouros conhecem, E somos mais conhecidos por eles, Do que por nós, da mesma forma inversa. Se por fora de nós pouco sabemos, Imagine um devaneio por dentro. _________________ naeno*comreservas

MENESTREL Ouvi de um menestrel Das investidas de puro amor em seu corcel
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MENESTREL Ouvi de um menestrel Das investidas de puro amor em seu corcel Que o seu violão falava uma língua Propensa a fazer morada no coração. Que o desleixo de sua vida E parecer-se cão sem dono É que a cada estação, Chuvoso tempo e de raro sol Lindos cantos saiam de sua boca. Um pinho, uma madeira às costas, Já se ferindo roçando as encostas, Onde o amor subira, pedindo me toca Com teus dedos cegos. A mão disposta por todas as cordas, Um piano idêntico, de teclas amigas, E a voz plangente daquele homem apeado Amarrado ao cavalo, por ali comendo. Ouvi de sua boca canções que nunca esqueço, E quando me dou na ventura alegre, De alguma me lembro, Outras solfejo baixo, Cá com o meu coração Por tudo apaixonado. Quando dou por mim amando intenso Lembro do escondido canto Que ele me guardou, Num fundo sem fundo, entrando o coração È essa a aventura, que me alegra tanto. O menestrel das estradas Lembro, o seu chapéu de barbicacho, Nem lembrava ser todo esse riacho, De águas perenes dos meus olhos inteiros Que inda são de estação de inverno Ainda ele insiste em ser meu cativo. naeno*

CARTA Um dos meus desejos mais ardentes Sempre foi o de sair deste lugar
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CARTA Um dos meus desejos mais ardentes Sempre foi o de sair deste lugar Minha primeira ambição foi ser Um militar do exercito brasileiro Sempre os julguei importantes demais E trabalhadores eventuais. Porém eu não era do tipo certo Que recebiam ordens e a executava E o mais complicado de tudo, Sou o tipo miúdo, a que se serve quase a nada E ainda com uma forte tendência a me perder Nos meus devaneios de poeta.