Frase de Naeno Rocha
MENESTREL Ouvi de um menestrel Das investidas de puro amor em seu corcel Que o seu violão falava uma língua Propensa a fazer morada no coração. Que o desleixo de sua vida E parecer-se cão sem dono É que a cada estação, Chuvoso tempo e de raro sol Lindos cantos saiam de sua boca. Um pinho, uma madeira às costas, Já se ferindo roçando as encostas, Onde o amor subira, pedindo me toca Com teus dedos cegos. A mão disposta por todas as cordas, Um piano idêntico, de teclas amigas, E a voz plangente daquele homem apeado Amarrado ao cavalo, por ali comendo. Ouvi de sua boca canções que nunca esqueço, E quando me dou na ventura alegre, De alguma me lembro, Outras solfejo baixo, Cá com o meu coração Por tudo apaixonado. Quando dou por mim amando intenso Lembro do escondido canto Que ele me guardou, Num fundo sem fundo, entrando o coração È essa a aventura, que me alegra tanto. O menestrel das estradas Lembro, o seu chapéu de barbicacho, Nem lembrava ser todo esse riacho, De águas perenes dos meus olhos inteiros Que inda são de estação de inverno Ainda ele insiste em ser meu cativo. naeno*
No pensador.ai desde