O amor de Deus não tem limites, só se recebe só se divide.
Frases de Naeno Rocha
424 frases
QUERER Querer e poder são por dois olhos Uma visão do extremado
Continuar lendo
QUERER Querer e poder são por dois olhos Uma visão do extremado E não do fim A beleza que encanta e tanto eu olho É o que vejo em em ti E não há em mim. O ter e o querer são, por prisão A razão de fazer-seSem ter fim: O esplendor de uma rosa Quando ela abre Os teus olhos também Se alargam assim. Bem dizer, mal dizer eternamente Sempre o não Quanto mais eu falo sim O suor do teu corpo Inteiro brilho De um brilhante lapidado de mim. O fazer e o benzer a obra feita Algo bem findado assim. _________________ naeno*comreservas
RECHEIO O vazio ocupa o homem Mais que a si mesmo.
Continuar lendo
RECHEIO O vazio ocupa o homem Mais que a si mesmo. Ele é a presença do nada Por não ser que em si o tudo cabe Por não ser que em si cabe o tudo. O tudo completo, em forma de vida e vazio A falta que é da própria vida. Do homem que cabe e acolhe o invisível, A alma se satisfaz disso... Do homem, do que há nele e não existe De recheio e do nada. No entanto o homem não é o todo um nada Que ocupa a vida, uma essência E a falta, outra hóspede que o habita. A descoberta da, mundo e do abandonado. O homem é completo de vida, nada, vazio, Vivíveis, fáceis convivas E quando dorme, o homem e ocupa dos seus sonhos, Sonhos que permeiam a vida, o vazio, o nada. E se comunica, causando o caos, a tristeza, O homem alegra-se com a vida, acordado. Com o vazio entronizando, Com o nada acostumado, Com a vida que lhe deixa atormentado _________________ naeno*comreservas
Qualquer dia, qualquer, Que seja coberto de nuvem, Ou que o sol se alastre na terra,
Continuar lendo
Qualquer dia, qualquer, Que seja coberto de nuvem, Ou que o sol se alastre na terra, Ai, amor, contigo eu gosto.
VAMOS Vamos, vens comigo E tudo te mostrarei
Continuar lendo
VAMOS Vamos, vens comigo E tudo te mostrarei As estradas mais limpas Onde já pisei tantas vezes As estrelas que pegam em minhas mãos O meu rosto liso Do tanto que chorei por tua ausência Por essa insistência tua Em não me seguir De não se dar o trabalho De sequer ouvir o que digo. Vem, vens comigo Daqui eu grito o teu nome Só que nem sei aonde Agora tu estás. Vejo tudo isso em grau de loucura Por abandono. O amor destrói um vivo quando quer Com suas pulsações, suas alucinações Mas nunca mata a si mesmo Há a inexistência de oxigênio De falta de caminho, do vazio Que nos invade. Vem, andas comigo Porque este amor não está em mim Está em ti. É com ele que eu quero me acertar. Morrer, viver Pouco interessa se eu teamo Pois o amor nos tira as tripas Nos decepa o coração O amor nos destrói por sua própria força. _________________ naeno*comreservas
Idealizei e a conquista não se deu, mas se dará, é uma questão de tempo. Ser feliz... Sob quais circunstâncias, Deus me aviará. Deus dará o sinal. Bondade, discernimento, reconhecimento da igualdade entre todos os seres.
Continuar lendo
Idealizei e a conquista não se deu, mas se dará, é uma questão de tempo. Ser feliz... Sob quais circunstâncias, Deus me aviará. Deus dará o sinal. Bondade, discernimento, reconhecimento da igualdade entre todos os seres. O meu sonho confunde-se com o sonho de todos e assim, de Deus. Ver os homens vivendo o presente com os olhos de uma criança na véspera do natal, esquecidos do passado, até do que aprenderam, para que a vida se torne uma eterna didática e o futuro a certeza de se aportar sem correr perigos, plenamente, já em estado de presente. E de onde vem o meu sonho, se sempre estive tão atento a tudo, preocupado e encandeado com o cair de um galho esguio de uma árvore desproporcional ao vão aéreo em que ele se precipitaria? Ouvia uma cigarra nos finais de tarde como quem ouve Mozart numa cantata de piano e violino, ou um Chico Buarque, extremamente melancólico em suas palavras de saudade explícitas, ou algo dos Beatles lá do tempo de todos de minha idade. Meu sonho vem das noites em que estive plenamente sonolento, com as mãos pendendo fora do pano da rede no prazer de ver as palhas do teto de minha primeira casa se transformando em uma entrada de mar tomada de ondas brancas. Chama isto, o sonhador, o sonho que não incomoda e nem nos guarda e nem nos revela, não que entendamos. Com um pouco mais de esforço vê-se o menino sentado à frente da TV assistindo a um programa cibernético, ou o simples pousar leve, sereno, esperado, no meio de tantas nuvens, onde se colocam aqueles que ainda não formaram uma idéia ou um estereótipo para Deus nem para os anjos. Confunde céu com nuvens, com luzes de um início de uma quermesse, quando mil foguetes explodem tornando o alto, fulgurante, iluminado por todos os lados. naeno*comreservas
Pelo pisado do pé Ninguém diz: É negro é branco
Continuar lendo
Pelo pisado do pé Ninguém diz: É negro é branco A pele dista Mas é só um manto. O branco tem no olho um preto No do preto tem um branco A pele dista Mas é só um manto.
MENINO Quando eu era um menino mirrado Bem pequeno, que dava mal pra se ver
Continuar lendo
MENINO Quando eu era um menino mirrado Bem pequeno, que dava mal pra se ver Eu já muita coisa sabia, Porque tudo o que as pessoas falavam Eu ouvia, em todo lugar eu cabia E ninguém me percebia, Ou faziam de conta que eu não existia. Portadores de miopia, Assim foi, que nunca me viam. Em mim a vontade pelo que não sabia, Curioso como um papagaio aprendiz, E ninguém me via, E tudo eu ouvia. Quando comecei a falar, Não comecei pelo que a minha mãe dizia, Me pus a falar de coisas já de aprendiz, Discutia geografia, Calculava a geometria, Delineava a filosofia, O que acontecia no dia a dia, Citava já algumas poesias, E mais, curioso eu ouvia. A história de Cristo eu sabia, Do inquisitório, da condenação, eu via, O erro maior da história, e não entendia, Como é que se mata Deus, e Ele assim permitia. De Sócrates a verdade que se puniu, Contava a estória de Lampião Do seu encalço, a polícia, Armada de artilharia, mirando ele e Maria. Mas continuava tão pequeno, Que tudo que eu dizia, Ou ninguém nada entendia, Ou, como a mim não percebiam. __________________ naeno*com reservas
MEU MENINO O menino que fui está distante Andando sobre algum lajedo,
Continuar lendo
MEU MENINO O menino que fui está distante Andando sobre algum lajedo, Vendo o resto das águas acumulado em poças Buracos que ainda cabem peixes, Proporcionais, ao tamanho de mim. Falo das poças dos peixes de ornamento Querendo saltar o menino, que por aí chora. E tudo eu faria para ir buscá-lo, Ter sua companhia, minha que falta Um pedaço que ficou, melhor Do que o que se ajoelhou , rezou e partiu. Eu queria o menino aqui comigo, Mas como reverter as luas, transgredir as estrelas, Os invernos que começaram e findaram, Tantos peixes que no fim morreram. Mas eu, se me conheço, Não me dei tempo, e assim mereço. O menino chora, a essas horas, Em que as cigarras cantam pro além. Onde pisam aqueles pés riscados de urtigas, Onde transportam o menino, que a mim fustiga, Sua desaparição, seu conforto de algodão, Suas conversas longas e boas, Tempos sorrindo à toa. Com quem ele se parece agora? Com as mudanças Que à ele não se assentaram, É do mesmo rosto, dos mesmos olhos, É dos mesmos dias, que não se passaram, Dos mesmos sonhos que não aconteceram. As estacas de unha-de-gato Devem estar ainda encostadas no pequizeiro, Não suportam mais a casa que sonhávamos fazer. Uma morada de quinze palmos de largura E nove mãos de altura. Lá íamos morar agregados de meu pai. Mas quem para me ajudar agora, Cavar, fincar estacas, subir a cumeeira, Bater o piso de malho, Pendurar as baladeiras, os bodoques, Espalhar as esteiras Para dormirmos ao meio dia. _______________ naeno*comreservas
VIDA Depois que a vida chorou pelos meus olhos E soprou a minha boca pela boca dela
Continuar lendo
VIDA Depois que a vida chorou pelos meus olhos E soprou a minha boca pela boca dela Temos sido assim amantes barulhentos Quando em nossas encruzas Mostramo-nos os dentes. Depois de fincada no chão uma semente, Pelas mãos dela, e eu era um silente Pequeno grão suado em sua mão fechada. E ali já germinava, eu florava. Aflora agora uma vida em dormência Sob os caprichos dos seus pés, fui Calcado, e transplantado tantas vezes Por não ser o enfeite pra sua janela aberta. E eu não pergunto de mim a ela Não incomodo a dona dos arados, E o que quer de mim, nessa lavoura úmida? Que eu chore, que me decline. Serão meus frutos de sabor ruim, Que ela não arreda o seu olhar, E quando eu digo gosto desse canto, Ela me espanta apontando um outro igual Faz-se arrendatária, também de mim. Eu me iludo que com os outros É mesmo assim: Por ela transplantados, fustigados, Enxertados, lavrados. E que não têm sentido Os seus caprichos arcaicos. E terá acertado, e sabe o que faz. ______________ naeno*comreservas
ÉS TU MORENA És tu morena, flor açucena O sol surgindo quando vem de clarear
Continuar lendo
ÉS TU MORENA És tu morena, flor açucena O sol surgindo quando vem de clarear A natureza, águas e matas Luar tão belo e uma onça a espiar. És tu, morena, rio vertente A cachoeira que a seca não faz parar És a colina, és a campina Cheiro da terra quando a chuva vem molhar. És tu, morena, o beijo eterno Desse namoro da rosa com o beija-flor, O sincopado do chico preto, Pombo correio, mensageiro do amor. Não é só isso, bem mais tu és És os acordes das canções dos imortais Na lira branca, no violão Dos passarinhos que cantam nestes quintais. _______________ naeno*comreservas
" Os marcos de DEUS, são os limites das vidas. Ninguém se insurja contra os limites dEle".
QUINTANA Escrevo olhando para o céu O papel é da mesma cor azul
Continuar lendo
QUINTANA Escrevo olhando para o céu O papel é da mesma cor azul Verde, a caneta, da esperança escrita E também desenho um pássaro ao léu. Estou curioso por ver a paisagem enfeite Misturo tons que me arregalam a visão Buscando sempre as mesmas descobertas O céu, é inútil querer dar-lhe outros efeitos. Brinco com a luz incidente na folhagem Que pinto e bordo, da cor e do cortado E que propunha, a poesia, enfeita-se Desses desmandos de nova linhagem. Ando volátil como o ar rompido Que acolho e beijo em minhas mãos aos poucos E me permito voar com ele aos pedacinhos Aí nessa folha como tenho sido. _________________ naeno*comreservas
GINA Amo, que sinto, desando Gosto de ter em meus braços
Continuar lendo
GINA Amo, que sinto, desando Gosto de ter em meus braços Sempre minha flor dormindo. Ela é uma obstinação minha E da roseira ainda pra rachar-se. Vejo a mulher e me provoca a rosa Acochado o meu coração. Primeiro veio o botãozinho, Logo se abriu num soninho Minha delicada, tão mínima Todo diamante é assim. Porque não haveria de ser O amor, todo de estimação E Ela além de ser muito mais que gente Por aí, chamo meu amor, coração Só do batente pra dentro Meu coração a tem nos braços Pra onde ela pousa subindo, Amo esta mulher pequenina, Como já a botei em minha sina, Amo esse anjo encantado Amo essa força de cima, E para que todos sabem Desse amor que a mim anima O nome dela confesso, Eu mesmo não sei qual daria Mas quando a viram no galho O mais alto da rosa-mimo, Já foram logo chamando, O meu amor, de GINA. _____________ naeno*comrervas
Ai, como eu gosto de ser poeta. E ser homem, andar reto, ter um caminho limpo à frente e atrás. Poder dizer o que sinto, como verdades, sem ferir, fazendo valer o lirismo como didática a que todos aprendam que a vida é boa, que a vida é um ofício, que a vida é para viver não para…
Continuar lendo
Ai, como eu gosto de ser poeta. E ser homem, andar reto, ter um caminho limpo à frente e atrás. Poder dizer o que sinto, como verdades, sem ferir, fazendo valer o lirismo como didática a que todos aprendam que a vida é boa, que a vida é um ofício, que a vida é para viver não para matar. Ai, se meus filhos fossem como eu, sonhadores, que perdem ou acham tempo, brincando com as nuvens, contando estrelas, se arrepiando ao ver uma rosa, valorizando os espinhos que a protegem. Ai, como doeria ser outra coisa, ter outra vida que não esta... Ter a vida em festa quando um velório passa, porque se assenta em minha cara que aquela alma não está perdida. Encontrou-se afinal, lá no édem, nos confins dos céus, ao lado de Deus, onde ferve a verve do cantador, do inventor dos sonhos, do sonho, do sono acordado, da vida pesada leve. Amo a poesia como amo o melhor de tudo... o que se expõe aos nossos ouvidos quando, duvidosa, ela nos agasalha em seu regaço.Ai vida bela assim, ai ventura sem fim! Ai, agora uma mulher dentro de mim.
"Invento é tudo o que o homem faz por descuido"
EU LA MANCHA Amar um gesto que de tudo ébrio, Permite-se no vento afundar,
Continuar lendo
EU LA MANCHA Amar um gesto que de tudo ébrio, Permite-se no vento afundar, E dar-se mais, ao que tiver na espera. A pedra o risco de voltar jamais. Amar perdido de amor tomado, Puxado a vil monumento agastado, A voz já rouca de implorar que deixem Seus olhos verem se lhe cabe a cabeça, A altura a forca que se vão largar. Solto o destino, solta a sorte, Larga-se sozinho espreitando a morte, Que antes de abraçá-lo se compadece e chora, Ainda não é hora, o amor vai se abrasar. Amar redondo, o mundo circundar, Cadê Dulcinéia, fugiram meus lugares, Onde fico, dormem meus cansaços, E a minha fadiga de me levantar. Acorda-me amor, amor, com beijos, Retira a infante veste, A espada pesa, sinto que a loucura, Deixara-me louco, por não te encontrar. Campos, trigais, moinhos ao vento, Vê-se distante, mais longe, te amo, Mostra-me antes, dos caminhos limpos, O lume longe do olhar da bela. Ó formosura, amar encarnado, Amor que sinto, corpo atormentado.
ROSA SOLTA Alguém deixou uma rosa cair no chão, Será que foi da rosa a decisão
Continuar lendo
ROSA SOLTA Alguém deixou uma rosa cair no chão, Será que foi da rosa a decisão De não querer se dar Por uma mão enganadora Que a usaria como intento Dizendo coisas ao vento, Coisas tiradas dos dentes. - Eu só me dou pelo coração... A mão é apenas um instrumento De arrancar-me, de ir, Se abrir e dar-me. Mas eu mesma vou É dentro do coração. Como as rainhas de antigamente, Em suas gôndolas cravejadas, A minha é bem mais guardada, Eu só ando no coração. - É, talvez seja por isto, Por ir servir de remédio, Ou em engano de assédio, A rosa se balançou, Dentro da mão traficante Debateu-se, largou-se E caiu no chão. _________________ naeno*comreservas
POBRESINHO Pobre de mim Que ainda espero por um beijo teu
Continuar lendo
POBRESINHO Pobre de mim Que ainda espero por um beijo teu Meu coração, na certa não entendeu Que aquilo foi despedida. Pobre de mim Que fico triste quando alguém me diz Que te encontrou de vida tão feliz Eu era o teu pesadelo. Só que quando eu me sinto assim Tão pobrezinho Eu desço a lata no fundo do poço de mim E bebo do amor que é meu. Só que quando eu me sinto assim Tão machucado Eu deito leve no colo De amor bem forrado E choro no amor que é meu. Ninguém me ama como eu Ninguém me engana como eu E nos reveses da vida A ferida do amor doeu. _________________ naeno*comreservas
RUAS AFLUENTES Ruas da minha cidade São para elas que o rio acena
Continuar lendo
RUAS AFLUENTES Ruas da minha cidade São para elas que o rio acena Em suas passagens tortas Procissão dentro da caatinga Cheio de água, de saudade Pois sabe que a cada ponto A volta se é mais improvável E sua espera é certeza. Do mar de outras cidades Que não acena às suas ruas Molha as suas encostas, E nunca foi passageiro Sempre ele vai, ele volta. Um tubarão de espreita Que engole o rio, sem pena O rio que deixou saudades Que à borda dele passaram. Rio de minha cidade Para ele as ruas acenam Em pontos tão esperados Que um gesto dista do outro Que passa afogado em saudade. ___________________ Naeno* com reservas
MEU OLHAR Estranham o meu jeito de olhar Que jeito eu posso dar,
Continuar lendo
MEU OLHAR Estranham o meu jeito de olhar Que jeito eu posso dar, Nos meus olhos e no meu rio. Acham que quero morrer, Porque solto meus olhos nas águas E só os tiro no escurecer. E que jeito podem dar Pra darem ao rio uma feiúra Que eu não suporte vê-lo. Dizem que sou narciso Erraram todos os adivinhos, A beleza que miro É da água, longe a minha passou. O rio e eu nos conhecemos Ele um pingo de uma fresta Somos irmãos siameses, Gerados no mesmo útero da natureza. Quem vê a mim ver o rio O mesmo ente escorregadio. Às vezes água, às vezes peixe, Barca encalhada, Bandeira do Brasil, Às vezes ponte, E sempre amor, perplexidade, Focos de muita saudade.
DEUS Deus o ser invisível que se põe entre nós e os nossos olhos Uma nascente borbulhante que levanta a areia da profundidade
Continuar lendo
DEUS Deus o ser invisível que se põe entre nós e os nossos olhos Uma nascente borbulhante que levanta a areia da profundidade Um silêncio que se ouve com a quietude do coração Olhos atentos que nos conta um a um na escuridão Que a todos se revela pela bonificação de acréscimo do seu amor Um rebento que chora ao ver-Se sair de suas próprias entranhas E que em nós se acomoda calmamente, comendo e dormindo Dos mesmos hábitos dos quais já somos costumeiros fazer. Deus que se perpetua a cada momento, desses momentos começos, E que não se finda, mas que se renova todos os dias, nas manhãs Que ele mesmo traz com o zelo por haver criado. Deus que na sua magnitude, infinitude, criou um fim imprevisível, Que a nenhum cabe conhecer. Só o começo, só o meio. Porque o fim, disto de Deus, foi criar-nos uma perfeita obra Na complexidade de seres humanos. Amados por Ele incondicional. Deus, que torna-nos infinitos, porque, em viver e morrer Somos cativos dos seus olhos, Que viver não é morrer, mas consubstanciar-se Nele, E de uma entrega, quase sempre dificultosa, por não sermos De sua mesma matéria. Relutamos às vezes acreditar Nele Que vemos, sem precisar dormir para sonhar. Porque Deus Não é sonho que se conte. E se alguém pensou assim. Verdadeiramente O viu, e em vendo-O, voltou confuso Da procura. Que pode ser longa, demorada e curta, Porque Ele depende de nossa fé, de nosso acreditar dormindo. E enquanto dormimos Deus, vela nosso sonho Com o zelo do artista que aprecia as minúcias agora percebidas, Na obra que criou. E que quanto mais olha mais fica orgulhoso. Deus é assim, um presente que se abre todo dia e não se amontoa Sobre nossa cama, porque a cada dia só temos um, o mesmo, Deus inigualável, Deus inavaliável, Deus que se dá mais!.. Muito mais, distando consideravelmente, do que recebe de nós. ________________ naeno*comreserva
DIVAGAR Também sei sonhar... Às vezes vejo que em cada ser
Continuar lendo
DIVAGAR Também sei sonhar... Às vezes vejo que em cada ser Existe um outro que o faz Sentir, mover-ser, amar, sofrer. A rosa tem por fora uma cor Um cheiro, uma forma . E por dentro, como sinto ser Também há algo que lhe sustenta E lhe dar esses movimentos, de tempo A cor, o brilho, o amor que inquieta. Dentro do homem reside calada Mas dona dos seus movimentos Seus sentimentos, e até sua aparência Uma alma, invisível, mas que se vê Por esses rompantes, essas quedas Que acometem o corpo. Deus, que existe, dentro de nós E fora do alcance do nosso olhar Por habitar o longe céu E o nosso coração tão perto. Por isso sonho, ou tenho a certidão De que Deus, eterniza-se Pois o que lhe acontece nunca podemos ver. E dizemos Dele infindável Como o sonho, de outra forma Que todos sentem E que se passa de um para outro Às vezes iguais E sempre tão diferentes.
REFÉM Algemada, fruto do meu coração Consumada, minha própria condenação...
Continuar lendo
REFÉM Algemada, fruto do meu coração Consumada, minha própria condenação... Viver sem ti, é estar sem mim Mesmo sabendo aonde estou Certo de que nada sou. Certo demais, De que não sou capaz. Confinado, olhos da minha razão Fustigada fio da minha canção. lembro os teus olhos Entre as vidraças Te acostumando ao pavor E eu me entreguei ao sabor Da mesma pena e da mesma dor. _________________ naeno*comreservas