Frase de Naeno Rocha
TEIA Escolho ao acaso uma folha branca Mas que podia ser verde, ou de outra cor. A intenção é escrever o poema E que ele saia nítido como esta cor oportuna. E escrevo, faço intercalações, Faço a palavra que mais se adequou, distante, E ponho um risco ligando-a ao nome. Comecei por chamar saudade Mas vi que o sentimento era outro, E o nome obrigado teria Que não se chamar saudade. No meio da página a poesia quase enfeite, Derramo café e espero secarem as idéias. Ponho um preposto, entre o sentido e o fim, E pra quem vem lendo de lá, A alfândega perde o pedágio E a poesia ganha outro ditame. O lápis por descontrole pára. E a poesia silenciou, quando afluíam As falas, as almas, os encostos. Aí me deito delgado, de cara pra cima, E do teto a aranha tece sua nova roupagem, O acabamento impecável Que, se lembrasse, usaria na poesia. ____________________ naeno* com reservas
No pensador.ai desde