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Frases de Naeno Rocha

424 frases

CANTADOR Às vezes os olhos se entregam Lembrando momentos de plena dor.
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CANTADOR Às vezes os olhos se entregam Lembrando momentos de plena dor. Enquanto o coração segreda Lindas palavras de amor. Distante a paisagem dorme Parada sem nem um brilho A dizer que o tempo passa E tudo fica pequeno É quando a luz Revela a campina bela Numa aquarela sem cor. E as vezes nada toma importância E do nada se vê uma tela Preenchida de vazio Do que veio a não ser falado Um estio esvaziando a claridade. Adiante um sabiá Canta, enchendo o tempo real De verde tingido o chão Que anseia pingos de frio Prefere dormir lá fora Solando pelas narinas Em grosso e moderado tom Cantigas que retoquem a vida. Naeno* com reserva de domínio

FARDO São tantas vinhas e fados São tantas minhas saudades
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FARDO São tantas vinhas e fados São tantas minhas saudades São tantos mares serenos São tantos ais, são venenos. São tantas marcas no corpo Tantas lembranças de um porto. Tantos destinos havia O céu tantas terras cobria São mais os ventos que guiam Que o meu coração que cativas. Te vendo eu me alucino E talvez seja, O destino que eu ganhei Esta parada. A distância que eu ainda não gostei. Ou a vontade de beijar-te. _________________ naeno*comreservas

AMOR, A MORTE Águas de enxurradas, quem se arrisca, A segurar garranchos e se assentar em lodo,
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AMOR, A MORTE Águas de enxurradas, quem se arrisca, A segurar garranchos e se assentar em lodo, Rio sem futuro, que depois da chuva, a vista, Não terá mais rumo, o que se ver de novo. Bate o vento trazendo a chuva que tudo traz, Uma esperança, o amor, lembrança de se agarrar, Uma vontade espessa, algo que nos faz, Pensar eterno, desejar os restos que se assentarem. Águas corredias, no sentido contrário, O amor nos conduzindo pra de novo se largar, E tomar o leito revertendo, o horário, Quando mergulhamos loucos por lhe abraçar. Uma cuspideira, sujeira do mar, O amor assim quase sempre nos traz, Já perdido o fôlego, a visão, o ar, Dá-nos sua boca como um salva vida, só isso faz. _______________ naeno*comreservas

DESAFIO O cordão rompeu antes Que a bolsa desse sinal de tempo
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DESAFIO O cordão rompeu antes Que a bolsa desse sinal de tempo E formou-se um temporal Um nascimento De uma nuvem espessa No quintal. E caíram mangas maduras E ficaram marcas nos joelhos De quem ajoelhado rezou. E foi um berro enchedor De alguém que se segurava E não emergia no poço, E passaram-se horas, Passaram-se séculos Até se decidir, Se vê depois.... Mas depois era muito depois Do tempo marcado. E as marcas em suas mãos De gladiador, Já faziam sangue pelo quarto E nada de querer, Nada de amar, Só pelo que via Debaixo, um buraco.

POEMA DO CÉU Se eu vier a nascer de novo Pedirei ao Deus da vida...
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POEMA DO CÉU Se eu vier a nascer de novo Pedirei ao Deus da vida... Seja esta a vez da minha morte. Mandai-me velho, com todo o tempo que terei E deixai que progressivamente eu regresse. Largai-me cambaleante como uma criança Nos seus primeiros passos Que daí eu desça, remoçando Com a carga pesada de tudo o que é meu Das coisas que vi e fiz e repetirei de novo. E siga esquecendo, desaprendendo Diminuindo ou aumentando. Destapados os ouvidos, limpos meus olhos Que eu ouça e veja. E que tudo vá se diluindo e consistindo No olhar atento e sentidos perfeitos de moço. Mas que eu vá me esquecendo, E o que eu lembre dure o tempo de esquecer. Que a mim seja da beleza De primeiro ver o crepúsculo Pra só depois ver a aurora. Que as estrelas e a lua, eu veja antes Que a luz ofuscante do sol. Que as mulheres se surpreendam Com os beijos que sugarei de suas bocas Que eu siga de tudo esquecendo... Que as estações se invertam Da forma como eu venho vindo e indo. Que eu veja as águas que não se repetem No mesmo ponto do rio Descidas distas dos meus olhos, um dia. Que as chuvas primeiras sejam as derradeiras E eu já colha antes de plantar, antes de arar. Que o meu primeiro presente, uma bola furada Dê-me a alegria de um menino encantado. Que eu desça ou suba esquecendo... Desaprendendo, perdendo e sendo o sentimento adulto. Que de repente eu me veja No regaço de minha mãe sugando o colostro, E de tudo esquecido, Que se abram as portas Por onde entrei e saí pela segunda vez. ________________ naeno*comreservas

ROSAS DO CAMINHO Eeu dei para a moça que trabalha no banco Uma rosa de oito pontas.
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ROSAS DO CAMINHO Eeu dei para a moça que trabalha no banco Uma rosa de oito pontas. Era uma rosa singela, tirada de um jardim No caminho da agência bancária Ela que andava esquecida de mim, Com os olhos mais displicentes, Que tivera antes sobre mim, mais atentos, Um abrigo, para os meus olhos tão buliçosos. E por este gesto senti que ela ficou De vez por outra me notado. Olhando a mim e a rosa. Ela não tinha lugar para colocar a rosa, E eu sugeri seu cabelo Ela disse que não, que estava em serviço. Ai meu coração falou: é isso, é isso, Sugeri que ela a pusesse no decote. Pior ainda. Ela sorriu a fechou na mão e disse Vou mergulhá-lo na água enquanto espera Eu chegar em casa. Tenho um vaso esperando por ela, No criado mudo ao lado de minha cama, É um vasinho, onde antes de dormir Faço dormir o meu coração. _______________ naeno*comreservas

PASSARINHO Estou fazendo a minha parte, Passarinho,
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PASSARINHO Estou fazendo a minha parte, Passarinho, Estou vertendo água dos olhos. Gota a gota, derramando, passarinho. Sem nem ter quem me console. Estou fazendo dessa dor Uma promessa Que sem nem ver, estou pagando E sem ter razão, que vida, Passarinho, eu canto ainda, O teu nome vou chamando. Passarinho um rio indo Na corrente é um destino Que só se acaba com a morte. Contravir é sacrifício Que só peixe faz perdido Confundindo o sul e o norte.

CALMARIA Horizonte calmo Sem promessas
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CALMARIA Horizonte calmo Sem promessas Mar sem riscos O silêncio se contém E não quebra um graveto. O barco segue Sem que se ouça Os batimentos das águas Cortadas nos dois lados Da embarcação. Tento e não consigo, Cubro a cabeça com a camisa E não consigo ouvir Os batimentos do coração. Com o cuidado de uma agulha Vejo o meu lado esquerdo Subir e descer. Será minha respiração, Será do meu coração Quietos, silêncio das mãos.

AMAR Amar é um rito Amar é um grito
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AMAR Amar é um rito Amar é um grito Amar é um fito Amar toca o mito Amar é bonito. Amar não é desdito É o que faz renascido Amar é rolar no infinito Amar no infinitivo. A carne no seu gemido O mar, na sua mesmice Amar é sair do sito Amar é conter um grito Amar é soltar um grito. Amar é como gripe Dá um cansaço esquisito. Uma viagem aos limites Trazer das estrelas o brilho E na distância perdido Ver o mundo, um granito Pedaço de um quarto aflito O interminável bendito. Todos os beijos prescritos Os gestos mais precisos Que se consegue, um alarido. Gente dentro da gente, inciso Amar é o que tem cabido A parte melhor, amor parido. Amor, um nome, amar, da vida. __________________________ naeno* com reservas de domínio.

O DIA REPETIDO O dia de hoje está como o de ontem As mesmas luzes incidentais,
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O DIA REPETIDO O dia de hoje está como o de ontem As mesmas luzes incidentais, Os mesmos minutos perigosos A mesma indumentária suada, Os mesmos contadores postos. A solidão que senti ontem Hoje se firma na condição de sol Do que tem em mim guardado Prenunciando o mesmo tempo, De claridade e jeito destoado. Hoje se comprometem as rosas Fulgurarem sobre o capinzal Os gira-sóis acompanham o sol Ora alegres, ora prevendo, ora tristes Será, serão, e terão sido os dias Com esta mesma presença obrigatória Com a mesma cara que não se viu pela manhã E não pressente a fúria impressa nela. Guardem-se os dias, vamos às noites, Ver algo novo no fulgor da lua, E que sua claridade mostre O que o sol presumiu não saber. Venha a escuridão soturna. De dias incompletos, quero viver. Sem as astúcias como anda a luz Ora nos mostra, ora se some E o tempo todo ela é quer nos ver. ________________ naeno*comreservas

ATÉ AMAR Infinitamente belo É qualquer gesto que tu faças...
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ATÉ AMAR Infinitamente belo É qualquer gesto que tu faças... Como segurar a presilha com a boca Antes de arrumar os cabelos. Quando te declinas a pegar no chão Um chinelo, um pano, o que te incomoda. Quando exitas antes de deitar E abre a porta e vai lá fora Observar o que pode está fora do lugar. Ai, amor! Só amando, com o bem que te quero Sentindo-te ausente, ainda que perto, E é com esse amor que a ninguém diz nada Mas que para mim é como divindade. E nunca duvido, nem sequer pensar Que ele é demais. Nunca sobrou. Porque como o ar que me faz falta até na morte, É muito forte, farto, não sobra e nem falta. Já me declinei diante de ti Ajoelhado diante de uma Santa. E se alguém, que não convém, pensar Julgar que amor assim não subsistirá Alucinado, com as estrelas cândidas, Saiba: é um liberto em queda livre E que um amor como o meu não conta Ninguém no mundo que já sentiu, falou. N a e n o

FUNDO Raspo o fundo da panela A ver brilhar uma cor que desconhecia
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FUNDO Raspo o fundo da panela A ver brilhar uma cor que desconhecia E me alimento do ferro De outras comidas servidas E me viro ao pote e afundo o copo E bebo barro diluído. É a fome e é a sede, É a minha casa e minha rede Onde rumino o tempo e a ferrugem. Já me acostumei com o grude E disso passo, e lavo o prato, E a colher com a ponta suja. E volto em casa, e pego das mãos O anel que era de minha mãe A aliança que era de meu pai, E os guardo atrás do quadro do Coração de Jesus. _________________ naeno*comreservas

RITO De paixão, acesa e viva, faço cada frase...
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RITO De paixão, acesa e viva, faço cada frase... De prazer, intenso e puro, faço cada parágrafo... e te descrevi em tua ausência Na distância e no vazio. És luz que rasga as trevas, Inspiração, utopia e lenda, Um rito que não cansa, pontilhar Aqui, inalo o amor que me ofereces No vento que me afaga o corpo, Inspiração profunda, Expiração ausente, Querendo manter-te Aqui dentro do coração. _________________ naeno*comreservas

EU COM O MEU AMOR Eu, com o meu amor Serei muito mais.
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EU COM O MEU AMOR Eu, com o meu amor Serei muito mais. Eu serei a estrela E ele brilhará. Eu serei a nuvem E ele choverá. Eu, com o meu amor Seremos um. E se um for nada Seremos nenhum. E se de tristeza Eu precisar chorar São seus olhos, meus Que lhe vão molhar. Naeno

LEMBREM DE MIM Lembrem de mim Como quem viu um beija-flor
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LEMBREM DE MIM Lembrem de mim Como quem viu um beija-flor Uma solidão, Uma tristeza. Como quem viu a flor Um risco de desespero, Uma fragilidade, sozinha. Que viu o beijo dos dois As núpcias e a proteção, O protetor protegido, A alegria guardada. Lembrem de mim No beija-flor e na rosa Em mim beijando, Em mim beijado. ______________ Naeno*comreservas

MÃOS DE ANJO Eu quero uma mulher Que saiba lavar o seu rosto com minhas lágrimas.
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MÃOS DE ANJO Eu quero uma mulher Que saiba lavar o seu rosto com minhas lágrimas. Que saiba passar o tempo a fio, comigo. E sentindo-se acompanhada de Deus. Quero uma mulher Que saiba costurar a vida Em seus remendos mais invisíveis. Que saiba varrer a tristeza, E recolhê-la ao lixo, e fique limpa, Não guarde mágoas do que não fiz, E não tenha rigor no que propositei. Eu quero uma mulher que saiba limpar Os resíduos que houverem no meu coração, De outras vidas passadas. Que me passe a mão. Quero uma mulher Que saiba enxugar meu pranto, E que o dela, permita-me secar com o meu sopro. Quero uma mulher Que saiba cozinhar o tempo ruim E faça o melhor prato e o ofereça a mim. Quero uma mulher Na vigília dos meus sonhos Que seja um batom na minha boca Que seja o seu perfume em minha roupa. Quero uma mulher Que seja, ela dentro de mim, Quero esta mulher, Apanhada nas mãos de um anjo. _________________ naeno*comreservas

MUNDO Desde criança, ainda pequeno, O meu desejo era ganhar o mundo,
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MUNDO Desde criança, ainda pequeno, O meu desejo era ganhar o mundo, Não em partes de latifúndio, Mas por todo ele palmilhar, Botá-lo por entre as pernas, Varar seus veios, caminhos, E assim seguir, indo, indo. Queria me deparar Com as diferenças previstas, Um mundo todo à minha vista, De ele todo me aproximar. Carregando em meus bornais, O pó fecundo das estradas, Imagens de novas pessoas, E assim seguir à toa, Sabedor que o mundo foi, E sempre será como é, De Deus, de nenhum homem, Quem só tem direito ao nome, E não o pode demarcar, Assim julgava eu, Um dia me prolongar, Nos retos estreitos e ir, Voltar só quando bem cansado, Das aventuras tresloucadas. _________________ naeno*comreservas

EU E ELA Lá fora o luar continua Sinal de que as nuvens
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EU E ELA Lá fora o luar continua Sinal de que as nuvens Amanhã ganharão um dia. Mas só amanhã. Hoje ainda correm frescos Esses faróis perfurantes. E o dia e a noite São de nós. Eu aproveito a presença da lua Para ser romântico e lunático. Uivo como lobo, Um lobo estático Sobre um cume quieto Um cupinzeiro deserto. Eu aproveito o dia Para por em dia A noite indormida, Dos sonhos com crocodilos Uma ameaça distante, Que é só do inverno. Mas eu antecipo as chuvas, Para não fazer de dia O que se mais detesta, Tomar café, Sentar no alpendre, Ir para o almoço Fazer a cesta. E quando eu olho Para o relógio incerto, Vejo que ainda há tanto tempo Pra que a noite venha, E eu me junte a ela, Amaciando ela, ________________ naeno*com reservas

É MESMO ASSIM Quando tentamos entender a vida Arriscamos-nos ao precipício de uma estrela cadente
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É MESMO ASSIM Quando tentamos entender a vida Arriscamos-nos ao precipício de uma estrela cadente Que perde o seu rumo E caminha no escuro Perdida a luz das outras. Quem ao deslembrar saber de si Indica a persuasão do alheio Da vida de outros, quem? Mergulhado em seu mar longo Encontra o sentido que os outros navegam? Sabemos ainda de nós, mas não sabemos do nada E é ausência o que somos Quando convictos disto Conseguimos avistar uma fresta Ainda incapaz de caber nossa visão Somos esses passageiros sem rumo Ciganos do cosmos estrelas desgarradas Ora estamos em nosso perfeito sentido Quando nos julgamos errantes Momentos depois dentro da vida Convencemos-nos que ela engana. __________________ Naeno*com reservas

UMA TENTATIVA Revolva-se o bom do tempo, Todo silêncio.
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UMA TENTATIVA Revolva-se o bom do tempo, Todo silêncio. Estanque-se os batimentos dos corações, As pancadas das águas no fim do mar, Silencie a abelha em sua arquitetura Doce, doce. Clareia e o mundo guisa, e faz barulho. Quando não se emudece com o teu grito. Tempo, para o silêncio, Ou dá uma trégua Da comoção de se estar vivo. Vivo e só. Morto e vivo, uma contracena, Mentiras reveladas ao vento. Deus, Feridas sem o vermelho rubro, Tampa que não cobre a extinta morada. De vertentes escorra, repúdio – Tal como acostumaram a morte. _________________ naeno*comreservas