Frase de Naeno Rocha
VIDA Depois que a vida chorou pelos meus olhos E soprou a minha boca pela boca dela Temos sido assim amantes barulhentos Quando em nossas encruzas Mostramo-nos os dentes. Depois de fincada no chão uma semente, Pelas mãos dela, e eu era um silente Pequeno grão suado em sua mão fechada. E ali já germinava, eu florava. Aflora agora uma vida em dormência Sob os caprichos dos seus pés, fui Calcado, e transplantado tantas vezes Por não ser o enfeite pra sua janela aberta. E eu não pergunto de mim a ela Não incomodo a dona dos arados, E o que quer de mim, nessa lavoura úmida? Que eu chore, que me decline. Serão meus frutos de sabor ruim, Que ela não arreda o seu olhar, E quando eu digo gosto desse canto, Ela me espanta apontando um outro igual Faz-se arrendatária, também de mim. Eu me iludo que com os outros É mesmo assim: Por ela transplantados, fustigados, Enxertados, lavrados. E que não têm sentido Os seus caprichos arcaicos. E terá acertado, e sabe o que faz. ______________ naeno*comreservas
No pensador.ai desde