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Frases de Múcio Bruck

263 frases

Em nome de Deus... Sou semente de milagre milenar Brotada criança do ventre de mãe forte
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Em nome de Deus... Sou semente de milagre milenar Brotada criança do ventre de mãe forte Menino somado de verbo e esperança Que a sorte desdenha e a dor já não alcança Sou filho de muitas aldeias E de todos os mundos Trago no peito todas crenças E no sangue frágil, um sonho que teima Não tomo a fome por inimiga Nem o sol, por castigo Das defesas, que me são poucas A tez é a de mais orgulho e valia Meu melhor emana de meu olhar É ele que fere de vida qualquer morte É ele que leva o perdão que entrego Aos dias da infância que não visitei

Velho Chico... Disseram que nascia um rio Logo acima, onde finda a vereda
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Velho Chico... Disseram que nascia um rio Logo acima, onde finda a vereda Nascente de água límpida e frágil Que aos poucos se agigantava Vi brotar da terra a dita nascente Observei as gotas incontidas Fluindo, compassadas e servis Pareciam saber o destino a cumprir Iam, aos poucos formando córregos Desviavam daqui e pra ali Sempre e cada vez mais vivas Água de minha sede, formando um rio E do rio formado, correntes Vieram lá da nascente, num repente E com as águas fortes, crescidas Brotaram lendas do rio de peixes viventes Contada sobre boto e Iara, até boi Tatá Deram ao rio nome de Santo São Francisco, rio de lendas Mas antes dos contos criados Era ele o rio, uma estrada de água E foi no leito acordado Que adormeci embriagado Pela beleza do rio que mar já era Na sua largura, em minha ilusão Criamos, eu e o rio, intimidades Tamanha era que, mais idoso que eu Tratei-o de Velho e Velho não era Era criança, feita de águas, sonhos e lendas

Contas... Quando partir não deixe nada para trás Nenhum batom, nenhuma foto
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Contas... Quando partir não deixe nada para trás Nenhum batom, nenhuma foto E nem seus ais Não toque em nada do que você já me deu Não leve o disco de Gardel Não faça contas O amor não subtrai, não se divide Só se soma... não se trai Se já não quer mais viver De nosso amor é hora de partir Quando a luz da manhã Invadir os seus olhos vazios E ao andar pela casa Viajar em saudades de nós Entender que geleira e amor Não misturam ou combinam Que fogueira e paixão Prá quem ama é igual Morrerás um pouco mais Entre abraços, enganos e danos Perceber que perdeu A história Que a vida Te deu

Arco-íris... Havia em minha fantasia uma passagem perdida Iniciada num desvio secreto na rua das Fadas
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Arco-íris... Havia em minha fantasia uma passagem perdida Iniciada num desvio secreto na rua das Fadas Passando em meio a terra batida e pedras deitadas Ladeada por ramos rasteiros e lenda inventada E foi nela adentrando que vi o céu se escurecer E já me perdia da trilha de volta e medo sentia Em não mais encontrar, na mata fechada A vereda que queria sob o céu que gotejava Segui em frente e fui encontrar guarida Às margens de um rio claro, doce e lento Que passava peixes e folhas de toda cor E mesmo molhada, distraída me encantei Me peguei perdida sem conhecer a volta Que tanto queria e já não me havia Mas pra minha alegria formou-se no céu Um arco-íris de cores tão belas e amigas Que veio dar seu começo aos meus pés E sendo de luz a ponte nascida em milagre Me convidara por ela seguir, mesmo sem asa Numa jornada que findou à porta de minha casa

Ti... Hoje, faço uma canção Que arda como fogo
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Ti... Hoje, faço uma canção Que arda como fogo Pra queimar uma paixão Meu corpo, ora voraz Já sente tantas dores Das esquinas que dobrou O amor me fez errante Mercante da ilusão Me fez também guerreiro Sentinela da dor Tombando notícias Que trazem de ti Hoje, não tem temporais Amiga que tive Sumiu por ai

Anna Helena é menina rara... dessas de muitas letras e poucas falas. Com a coragem dos bandeirantes, desbrava, desde páginas que vão de versos que contam aventuras e encantos milenares até as quase indecifráveis de seus complicados estudos e, de tudo, sempre volta mais viva, fala…
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Anna Helena é menina rara... dessas de muitas letras e poucas falas. Com a coragem dos bandeirantes, desbrava, desde páginas que vão de versos que contam aventuras e encantos milenares até as quase indecifráveis de seus complicados estudos e, de tudo, sempre volta mais viva, falando de Pasárgada, dos Montecchios e Capuletos e, entre citações da boa obra de Adélia Prado ou de Fernando Pessoa, conjuga suas amigas fórmulas e associações de glicerídios e triglicerídios... óxidos... hidróxidos, ácidos fortes... ácidos fracos... até de uns tais H ionizáveis... Certa manhã, inconformada com as injustiças do mundo, Anna esbravejava que, se preso fosse, o carbono teria direito a quatro ligações, enquanto o hidrogênio nem família tinha e, pra piorar, a cadeia do hexano era aberta... E não parou por ai... questionava porque uma mulher com o nome de Florbela Espanca escrevera Conto de Fadas? Foi a gota d'água! Em poucos minutos, Anna Helena foi levada de seu quarto ao consultório médico. Depois de muita conversa, doutor Orozimbo saiu do consultório e disse à mãe de Anna: “Lamento muito senhora, mas não há muito o que se fazer por ela... essa moça é um caso meio complicado de química e poesia”.

Só não vale desistir... Solidão Acatarei sua decisão
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Só não vale desistir... Solidão Acatarei sua decisão Seguirei só, em silêncio Recolhido em sua prisão Se o espaço for pouco me encolho num canto A pensar no impensável A pagar o impagável Mas logo aviso Não sou de conformar Em ficar distante do amor Sem sentir terra e mar Então, não se descuide de mim Pois depois de refeito, cresço Me agiganto, retomo-me em homem E não há pena ou dor que me domem Saio aos pulos de encontro a vida Disparo sorrisos, tiro os lamentos E se encontrar quem me queira bem Estendo logo a mão e vou mais além

Menina... Estreei no mundo descalça Minha meninice é prova disso
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Menina... Estreei no mundo descalça Minha meninice é prova disso Corria atrás de pipa Remava canoa, fugia de coça Também brincava de boneca De polícia e de esposa Era a melhor mãe de mim mesma Uma bailarina... uma princesa Meus primeiros dias de mulher Vieram sorrateiros... bem vindos Me chegaram num acorde merecido Me contaram que eu havia crescido Me peguei feminina pelos lábios Não sei bem se pelo batton ou se pelo beijo Mas tinha a pele que me esquentava Tinha a nuca... a razão que me abandonava Nunca me perdi da menina descalça Somei com ela garra e esperança Aprendemos que pra viver mulher É preciso antes cuidar de ser criança

Reticência... Me desculpe por me sentir assim Tão tanto seu, tão pouco meu
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Reticência... Me desculpe por me sentir assim Tão tanto seu, tão pouco meu Nos braços de seu abraço Me desculpe por não ter O jeito que gostarias Nem a idade que esperavas Ah, me desculpe Por somente saber amá-la Com um amor que desconheces Me desculpe por demorar A perceber que não fui bastante Nem útil e tampouco importante Me desculpe por ser tão tolo Por acreditar em mil bobagens Por descrer das meias verdades Me desculpe por ter mais que esperança Por duvidar que nunca é tarde demais Por meus olhos a verem melhor do que és Me desculpe por teimar em sonhar Por acordar mais vezes que adormecer Por nomeá-la Princesinha em meu amar Me desculpe pelos sonhos que sonhei Por “obrigá-la” a dizer palavras difíceis pelas frases tristes na hora da partida Me desculpe pela quase heresia De ter tido a pretensão de um dia tê-la Pagarei com minha paz esse pecado Me desculpe pelas cartas, poemas Pelas lágrimas incontidas e fáceis Mas somente pelas que não eram de alegria Me desculpe a voz embargada Pelo meu canto vadio e desafinado Pelas falas que invadiram a madrugada Me desculpe por não lembrar Que não residia em ti o poder de aquiescência E por fazer de seu silêncio, minha reticência

O que diria ao seu coração? Que jurei nunca deixá-lo em abandono Nem mais e por nada entristecê-lo
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O que diria ao seu coração? Que jurei nunca deixá-lo em abandono Nem mais e por nada entristecê-lo Se preciso fosse, palhaço seria E da vida, um picadeiro de magia faria Embrulharia em Serenata Toda boa alegria... e te daria! Mas acho que já não posso... Olha, mesmo distante fio que faria Te sinto ainda pulsante E é ai que terás minha companhia No bater de suas batidas Nelas estarei sempre presente Como você nas minhas... Jurei também lhe dar poesia Será ela nosso laço e elo absoluto Fique então tranquila Pois mesmo distante... corpo ausente Darei a ti, por cuidado e carinho Mesmo que sem rima ou talento Um verso verdadeiro para seu sentimento

Praquele janeiro... Vou voltar praquele janeiro Foi lá que me apaixonei
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Praquele janeiro... Vou voltar praquele janeiro Foi lá que me apaixonei Que encontrei semente Um amor que já nem sei Vou voltar praquele janeiro Tocar de novo a morna brisa Cuidar da dor mais sensível Que doía na flor que mais amei Vou voltar praquele janeiro Vou reencontrar em mim o poeta Que com a pena tecia a alegria De transformar desejo em poesia Vou voltar praquele janeiro Abrir as portas e me jogar por inteiro Resgatar meu coração quase ateu Dizer a ele que sou mais dele que meu

Lá na roça... Vida que foge pelos poros Pelas boas e desentendidas ideias
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Lá na roça... Vida que foge pelos poros Pelas boas e desentendidas ideias Vezes confusas, outras satisfeitas Como um trem que erra de linha Me tocam pensamentos férreos Duros, que se amaciam e se acalmam Na presença sentida de sua ausência Na sombra que esqueceste na sala Sombra inquieta pela saudade de ti e de nós Que toca e espera em largo e intenso desejo A querência de um reencontro sonhado Fiando em temor poder ser esquecido Passa chuva, uma hora na noite Que menos essa hora tem Mas que tem seu cheiro Tem seu cartão, já ilegível, apagado De ti, não guardei fotos, recados, sabor Guardei na memória somente uma noite Passada na roça, quase ao pé da serra Admirando o céu desnudado em seus olhos

Princesas e cowboys... Banco de prosa no canto da praça Viola a entoar canções sertanejas
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Princesas e cowboys... Banco de prosa no canto da praça Viola a entoar canções sertanejas No céu, balões a subir Dançam princesas cirandas de roda Fogueira queimando, estrelas que brilham Por sobre meninos, são todos cowboys Chega a manhã que ara com brilho Os olhos da cor de esperança Dos pequeninos Brincando entre tantas fantasias Sem saberem que na vida São todos heróis

Passarin... "Não me seria seguro viver em sua vida Porque trazes em ti, atiradeira
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Passarin... "Não me seria seguro viver em sua vida Porque trazes em ti, atiradeira E eu, passarin... Não poderias viver em minha vida Porque minha sina é ser alado, não atirado Afinal, sou desses que, às vezes, até sangra Não te acolheria em minha vida Porque falamos línguas adversas Assim, não saberia por qual amor viveria... ou morreria!"

Peregrino... Não me entendo bem com partidas Não me dou com despedidas
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Peregrino... Não me entendo bem com partidas Não me dou com despedidas Lenços brancos ao vento e à brisa Mãos de crianças acenando em colos Às vezes, só com chegadas Por isso me invento e me reinvento Sempre e sempre... só pra voltar Porque se reinventar faz bem à alma Invento sonhos, contos, canções Luas azuis, anjos prateados Palavras que só eu entendo E só entendo na hora que as invento Desenho povos cheios de pudor Outros sem e sem temor também Afogo o mar e queimo o fogo Armo alçapões pra pegar estrelas Mas, o que mais me atrai É ser capaz de carinhos e paz... isso me atrai Peço a um e a outro um verso que versa inocente Reinvento em mim um recomeço e sigo em frente

Alma de mulher... Tenho alma imensa... gigante Feita de medo e coragem
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Alma de mulher... Tenho alma imensa... gigante Feita de medo e coragem De silêncio, amarras e voz Amarras em laços, não em nós Colorida, perfumada, bem cuidada Dessas que sorri por bobagens Que faz coro até pr'um bom desaforo Que adora cartões, flores e mensagens Minha alma caminha, salta, dança É inquietantemente quieta Mas só quando a noite parte De dia, é quente... às vezes fria É dada aos avessos e aos contras Mas concorda com o que é certo Tem hora que sai... vai embora Mas não passa da porta e corre de volta Minha alma nada entende Além de ser só alma Tá de bom tamanho assim Porque quando ama, ama em mim

Simplesmente Nice... Olha, Nice Chegara em minha solidão
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Simplesmente Nice... Olha, Nice Chegara em minha solidão Sem vestes ou pudor Sem lamentos, sem dor Olha, Nice De alma coberta De estrela nos olhos Cortesã dos mais validos Olha, Nice Menina que mal sabia Que o tempo traria Um homem que a queria E assim, Nice Sendo homem esse menino Um caminho a mostraria Não de desejos, mas de valia Uma estrada, Nice Sem cercas, quase segura Para irdes sempre em frente Seguida por outras Nice's

Minha fé... É dessas raras, que se acende Que tem tino, honra e esperança
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Minha fé... É dessas raras, que se acende Que tem tino, honra e esperança É filha forte com vocação de mãe Postada atenta à porta de meus dias Minha fé flutua no mar que me atravessa Viaja de meus poros ao sangue que me cora E sempre volta sadia a sorrir de minh'alma Por ser bem dita, dita todo bem que me quer Minha fé respira desejos de paz Nas contas gastas de meu antigo terço Nas intenções das velas que queimo Nos passos da procissão que a torna mais bela Minha fé tem compromisso com o perdão E o nomeia encanto a cada encontro Me habita a salvo ao que chamo paixão E sempre me entrega o céu, sem me tirar o chão Minha fé tem vida, graça e destino É meu puro e melhor momento É meu colo, valia, alimento e luz É onde converso com Cristo, descido da cruz

Pra encerrar seu pranto... Troco suas lágrimas por um beijo Não um leviano... mas um sonhado
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Pra encerrar seu pranto... Troco suas lágrimas por um beijo Não um leviano... mas um sonhado Com sabor de mistério inventado Que lhe revire os olhos cerrados Troco suas lágrimas por um abraço Que não conhece outra razão de ser Senão a de ser somente um abraço Lento, certo, seguro, estreito laço Troco suas lágrimas por uma fogueira Não dessas de queimar paixões Dessas não... essas queimam sonho e alma Mas das que se acendem sob balões Se nada disso lhe for de agrado Troco então suas lágrimas por minha alegria Assim, tomo de ti toda dor que fere e castiga Dou a ela mil cores e o estandarte de minha folia

Sem perdão... Não te perdoo Por seres tão íntegra
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Sem perdão... Não te perdoo Por seres tão íntegra Por ter uma fé maior que a minha Por ser tão menina e tão mulher Não te perdoo Por amar além do que sabe o amor Por ser tão eternamente terna E de maneira tão séria e tão feliz Não te perdoo Por ter um coração que sabe cantar Por ter pernas que a sabem levar Além de além-mar... e voltar Não te perdoo Por ter mãos de afeto Por ter braços de acalanto Por ser colo, manto, porto e encanto Não te perdoo Por ser tão atenta e fiel Por ter nome de santa... e ser Por nada desejar além de bem querer Não te perdoo Por ter olhos que brilham e inspiram Por ter lábios que o desejo deseja Por ser assim tão serena e plena Não te perdoo Por olhar o deserto com olhos de mar Por jamais ter aprendido a dizer não Por saber perdoar bem mais que o perdão

Foi assim... A brisa tocava o fogo da vela, sem apagá-la A foto, já sem cor, não carregava lembranças
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Foi assim... A brisa tocava o fogo da vela, sem apagá-la A foto, já sem cor, não carregava lembranças A estrela, pairando no céu, sobre mar e floresta Era a janela que me trazia o brilho de nossa festa Arde, logo de pronto momento Da tez à fibra menor do coração Queimando saudades e desafios Coisas de amor... sem sarar a solidão Cadê você que não vem? A coragem já não me existe Para ir viajando em busca tua Fosse nas ruas, vielas ou luas Meu sangue se perde em mim Cria caminhos na contra mão Socorre-me um canto triste Uma sensação de que não há razão Tanto silêncio, distância e desistência Me assegura, seguro que a explicação não houve Sejam por suas últimas falas ou derradeiro olhar Que inda pranteia, sensível, seu querer: um adeus!

Viagem... Noite de lua cheia Eu quero sair
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Viagem... Noite de lua cheia Eu quero sair Noite de lua cheia Eu vou prosseguir E buscar nas cordilheira O rastro de um avião E na campanha o sangue Chê Da revolução Mirar o pôr do sol Seguir alado embalado na canção Sentindo o fogo derradeiro em meu coração E ver o homem como índio dessa estação

Cada macaco no seu galho... Havia nas Gerais um Aviador Coronel De alma terna, viva, a voar sobre terra e mar
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Cada macaco no seu galho... Havia nas Gerais um Aviador Coronel De alma terna, viva, a voar sobre terra e mar Chamava aos que se permitiam por ele amar De “Cara Pálida...” e errado não estava Homem culto, escorreito no vernáculo De vasto conhecimento geral em cultura mundial Desenvolto em continentais idiomas e ria-se de si Quando conta se dava, por ter dito bobagem Aprendi muito com o admirável Coronel Vivente forte, experiente, ademais, era sábio demais Prazer melhor não havia do que com ele estar Fosse no Quartel, num canto de Minas ou outro lugar Dizia, com certeza de causa e sabedoria Que na vida tudo tem um porque Porque há para tudo um rumo certo Que nada funciona fora de ordem e sem afeto Gostava, em particular, de uma canção que dizia “Deve ser legal, ser negão no Senegal...” E isso o reportava a uma imensa verdade Que se resumia: “cada macaco no seu galho” Fiava que lugar de lugar de médico é no hospital Que lugar de cartola, bem ou mal, é no futebol E de políticos, na política e, se assim não for Para o povo, vida e destino acabam mal!