Olhos Vazios...
Cansei de tentar te fazer entender
Que a distância não é a melhor solução
Ouvindo você me dizer
Que amanhã não estará em meu coração
E a noite se esvai
Quais as juras deixadas por ti
Remoendo em lembranças
Esse seu aprendiz
Nossas cartas de amor
Espalhadas sobre o cobertor
Dizem frases tão lindas
Entre estrelas, luares, batom
Quando o seu travesseiro
Fizer um estrago, enfim...
Vou rolar pela cama
Fazer sala pra mim
Não será tatuado em meu corpo
Nossa história, um caso vazio
Utopia de um amor
Que o tempo esqueceu
E o que resta no ninho
São detalhes perdidos
Qual bordado em toalhas
Eu e você...
Lá vem você...
Quem foi que disse que parti?
Pra onde iria, levando em mim tanto querer?
O que longe faria sem vê-la ou ter você?
Que alegria me chegaria sozinho, saudoso?
Quem foi que disse que menti?
Que decepcionei sua razão e esperança
De descobrir em mim o homem que sou
E sendo-o, sabia-me seu príncipe esperado
Quem te procurou pra magoar sua alegria?
Com intento de semear confusos pensamentos
Crendo que assim, desistirias do nosso desejo
De construir, no tempo futuro, uma família
Quem foi esse que, te amando silencioso
Inocentava seu modo de ser e viver
Fazendo mal juízo dos laços que atamos
Que se incomoda com a opção de nossa aliança
A resposta para tantas e vazias falas
Não vem do que foi-lhe dito, mas pensado
Fizeste a ti mesma tais questionamentos
Não te convencestes que seu futuro passa por mim
Mas para tudo existem regras e opções
Não me vejo sem ti vivendo em mim
E meu telefone, chamando todo o tempo
Explode em mim, levando o temor de perdê-la
Assim, meus dias amanhecem e anoitecem
Os beijos e carinhos se trocam nos encontros
E o que lhe é desconhecido é a causa do temor
Não te guie por dúvidas, o que sabemos é viver de amor
Anjos...
Anjos me existem
Fio que os creio... e eles em mim
Os sei sábios, alados querubins
Milenares guerreiros infantis
Anjos me existem
Mas já houve dias em não sabê-los
Os mesmos que sóis, ventos e luares
Deitavam inglórios em meus jardins
Anjos me existem
Todos eles brincalhões
Me deixaram a porta da vida aberta
Me levaram a coragem de partir
Meu menino...
Então, que surpresa é essa?
Nosso encontro estava combinado
Era questão de tempo ou chamado
Estar aqui tem nome: milagre alcançado
Não pense que me foi fácil vir a ti
Me entreguei valente, seguro e certo
A tudo o que cabia convencer
De que sou digno de te merecer
Meu plano não é incomodar
Nem te envolver em nada insano
Quero mesmo é bem te querer
Atar nós... te tirar pra dançar
Que importa então o que possam dizer
Assumo toda culpa, se culpa houver
Isso não me alcança nem faz ferir
Só não vale desistir... ou deixar de sorrir
Meu engano, seu ato...
Foste meu tango, meu fado
Eras meu moreno, meu pardo
Meu tigre, feroz leopardo
Meu amor, conserto e estrago
Que me conduzia desde o tablado
A um céu de magia desencontrado
Vem e me devolve o chão roubado
Para que eu siga meu destino fadado
Príncipe mascarado de mil encantos
Que me lançou à sorte dos lamentos
Dos risos ausentes, a chorar pelos cantos
Num um palácio forjado de sonho inventado
Como chegamos a esse final?
Tudo o que era pra ser alegria, se fez fatal
Porque em ti, vigorou o irracional animal
Que trocou o respeito por todo um mal
Foi no coração que tudo findou
Sua valentia, insana e demente
Marcou mais que minha pele e mente
Foi ela a algoz do amor que uniu a gente
Amor Vencido...
Caminho pela vida que me tem
Vendo tantas e tantos muitos
Apaixonados, amados, amantes
Em juras eternas, vezes, em prantos
Ouço silencioso, segredos e sonhos ditos
E com pouco, percebo insanas verdades
Ditas, quando uma flor era preciso
Para desfazer impaciências veladas
Tenho olhado pro lado
Em meus passos nessa estrada
Observando beijos se findando
Carinhos se esvaindo... terminando
Vejo o amor sendo vencido
Talhado em propósitos claros
De paixão já não sentida
Amor sem valia, sem quereres
Me falam tais momentos
Que no início calor havia
E que geleiras ao leo se ocuparam
Em calar de vez, o que o outro sentia
Então...
Minha juventude foi meia que vigiada
Não que tivesse desgostos ou incertezas
Tive meus dias de segredos e quietudes
Como outros de venturas e alegrias
Lembro que meu pai conversava por gestos
Entendia tudo o que seus braços e mãos diziam
Até mais que sua voz rouca e meio confusa
Sua fala beirava um português desafiador
Me apaixonava facilmente por seres conhecidos
Animais, flores e até pelo que não conhecia
Recitava poesias pra plantas e pra mim mesmo
Residia ali meu atalho às descobertas... à magia
Os dias vividos me trouxeram mais que poesia
Me peguei amando ainda adolescente
Juntei forças e fiz de amor planos de ter um lar
E nele, me perder dos ais e só amar
Amor de vó...
Em minha meninice ouvia Vó Maria
Contar dos perigos que rondavam a estrada
Dizia que tinha lobo e até uma Fada Malvada
Em quase sussurro, afirmava que toda noite
Tinha festa do outro lado, onde nascia a floresta
Que tinha boto, saci, corrupião e até besta danada
Ouvia e via Vó Maria, atenta, quase heroína
Mas, quando a noite rondava meu dia
Corria eu, cego pro colo de minha covardia
Olho aqueles dias com o encanto de Lobato
Com um olho no Sítio e outro em mim
Mas ambos tomados de magia e alegria
Cresci e a estrada que passa ali já é outra
Não nego, os medos ficaram, só são outros
A covardia me corteja, mas não sou mais cego
Crescer é bom por isso
Os mistérios vão se desfazendo
E a realidade aproxima a razão
Penso que pra Vó Maria
A festa na floresta ainda aconteça
Mas já fia, não há lobo ou fada que me vença
Moça bonita...
Busque em casa de Dona Filó
Um verso simples, que tenha gosto
Sabor de caminho estreito e reto
Travessa que atravessa o rio claro
Caminho de caminhante sem rumo certo
Ou de certo só tem o rumo
Que deseja nele encontrar
Um pedaço de história ou um nascer de favo
Não me traga em sua volta nada triste
Não me conte coisas que não seja mais
Que boas novas ou que venha em silêncio
Um silêncio falante de tudo o que vistes
Moça bonita
Vá assim mesmo, de sandálias
Saia de chita e cabelos ao vento
Caminhe tricotando sonhos audazes
Ouça mais, sem nada dizer
Dona Filó lhe contará prosas
Histórias de curupira, até de boi tatá
Falará de estrelas, rosas e sonhos
Se quando sair, notares que ronda, insano
Ao acaso um vento frio, vindo do norte
Volte logo, apresse seu passo
Pois é ali que toda brisa morre!
Até sempre...
Deixo-te em boa companhia
Por isso sigo confiante
Jamais há de te faltar
A paz que te compraz
Levo mais esperanças que certezas
Dois ou três ais e um “bucadin” de sinais
Guardei na mochila pente e poesia
Um carinho e um punhado de seu dia
Deixo-te a fantasia de meu carnaval
Sede saciada em minha saliva
Sem frio, sem fome... sem hora
De dormir donzela e acordar senhora
Saio meio às escondidas, devagar
Me vou em despedida velada
Na madrugada que nasce calada
Quieto, pra não acordar-te minha amada
Querubim que a via...
Conheci uma menina
Que na janela dos olhos trazia
Debruçado e atento
Um "loirin" querubim
Quando ela dormia, ele ria
Brincava do que queria
De ser rei e operário
De dizer não ao contrário
Mas quando era ele quem dormia
De tudo acontecia ao olhar da menina
Curioso que era, varria a noite
Reinventava o dia
Faltou bailar...
Não sei maneira tal de esquecer
O fim de nossa inesperada história
Naturalmente, qual uma semente
Brotou em meio a iguais desigualdades
Parei de contar as noites passadas juntos
Quando mil e uma já haviam corridas
Lembra da cicatriz em sua perna?
Do cinema, teatro, shows, da taberna?
Lembra das pintinhas espalhadas
Do rosto aos joelhos e suas eram?
Sei-lhes a forma e contei cada uma
E assim, sem pressa, te descortinei
Eram simples e longas as cartas
Que de punho próprio dediquei-lhe
Você, íntima das falas virtuais
Mas, não sequer me veio uma de ti
Isso nunca me incomodou de verdade
Era sua vida dividida entre o presente
E a luta para esquecer o passado
E no vão das coisas, seguias caminhando
Só não me perdoo por não tê-la dito
Que na valia do amor meu, marcante
Seria tirá-la para dançar nossa canção
Que ainda hoje, ecoa, sem fim, no salão
Liberdade...
Cansei de ser boazinha
De levar a sério o que não me é
Para agradar a quem não me agrada...
Nem tampouco me faz-lhe sagrada
Cansei de beber bebidas que me tomam
Desde o juízo até tudo o que me cala
Não vou mais ser aquela santa
Que fica quieta, calada na sala
Não que vá me entregar insana
À devassa e pecaminosa ação
Sou antes, em mim, pura razão
Vou me entregar sim, mas a mim
Serei fado, rock, pop e tango
Cantarei cânticos, dançarei
Gastarei terços e sapatos
Falas, gestos... incomodarei Santos
Descerei mais tarde de meu sono
Darei bom dia ao dia!
Caminharei na praia a tocar o mar
E se a água convidar, vou me molhar
Não farei esforço por coisa pouca
Mas se o pouco me parecer muito
Luto, me entrego, sem deixar de sorrir
E caso alguém se incomode, convido a partir
Amada Gi...
Meu amor,
Me tire pra dançar
Me leve em seus braços
Vem findar meus ais
Me conte do luar
Alegre meus porões
Embarque em meu navio
Vem conhecer meu mar
Não sei dançar um tango
Sem perder o chão
Não sei ouvir um fado
Sem sangrar paixão
Nas tramas do destino
Fiz planos de amor
Teci em desatino
Mil rendas de ilusão
Ah, a noite
Não tardou
Guardar suas estrelas
A lua retirou
Colhi de meu cabelo
A rosa que sonhei
Te dar ao fim da dança
Jurando eterno amor
Zica...
Zica é dona de modos antigos
Português arcaico e meio embolado
Filha de italianos e radicada no Brasil
Foi morar nos confins de Almenara
Muito depois da cidade iluminada
Vivia com seus bichos e sua paz
Tinha rádio a válvula, e funcionava
Era sua ponte com o que havia no mundo
Zica, na sua ingenuidade, se pegou confusa
Ouviu dizer que haviam outras zicas
E que todas vinham de um mosquito
Seu espanto superou a indignação
Tomou banho, penteou os cabelos
Atrelou a mula Brivana na carroça
E foi pra cidade encontrar uma resposta
Quantas outras zicas haviam além dela?
Foi complicado pro Dr. Genival
Explicar a Dona Zica que de gente Zica
Só ela havia e que a outra zica gente não era
Era nome de doença, por picada de mosquito
O amor...
Não foi feito para ser explicado
Analisado, estudado, questionado
O amor foi feito fundamentalmente
Para ser sentido... e vivido
A gente não precisa entender
Porque é amado... não mesmo!
Só é necessário aceitar que é... ou foi
Porque entendendo ou não, não o afeta
A gente não precisa se admirar
Com um carinho ou um beijo inesperado
Com um toque na mão, uma flor recebida
Nem tudo tem ou precisa ter uma razão de ser
A vida não se enfeita só de garantias
Às vezes, nos jardins de nosso próprio éden
Vingam plantas tão diferentes e coloridas
E por descuido nosso, morrem sofridas
É preciso guardar somente o que é importante
O amor é mesmo mais forte que a morte
Um abraço é sempre muito mais do que é
E nem tudo precisa ser compreendido
E dai?...
Foram tantas elas em pouca era
Bem mais haviam além de Stela's
De Lúcia's, loiras e indecisas Ana's
De Gih's, iguais a Tiana's que morenas eram
E se tantas delas vieram e se foram
Partiram, porque um dia chegaram
E se assim se deu, era para assim ser, e foi!
E eu amei cada chegada e pranteei toda partida
Mas o tempo passou como tudo passa
O rio leva suas águas, a chuva, lava as ruas
As folhas se deitão no chão dos outonos
A vida, vive seus dias nos dias de si mesma
Foram tantas e tantas as noites estreladas
Os dias de sóis e de vento soprando brisas lentas
E nessa estação de chegadas e partidas
O coração, errou seu norte e riu-se de si
Bichinho...
Saudade bem que podia ser flor
Mas com voz, perfume e cor
Flor de alegrar minuto e hora
Não dessas que deixam ir embora
Saudade bem que podia ser dia
Nos socorrer com sol e fantasia
Toda vez que a vida, por descuido
Se esquecer de adicionar magia
Saudade bem que podia ser doce
Qual melado ou marmelada
Pra gente se lambuzar inteiro
E se rir menina, farta e mineira
Mas saudade não é flor
Não tem voz, nem cor, nem alegria
Saudade é só um bichinho
Que de tudo, vai e volta sozinho
Amor de Infante...
Queria-me tanto teu
Que mesmo adormecido, ouvia-te
Verdadeiro, imaculado e ufano
Segredar em versos, a metade que sou
Se em minha utopia castelo havia
Era nela que a magia acontecia
E acontecendo, vivente era e sabia
Que a espera, um amor prestante valia
Queria-te tanto e tanto meu
Que coragem não faltaria
Pra conquistar todo um reino
E salvar da dor qualquer fantasia
Sonhava-me teu e tão desmedido
Vivendo-te em tempo passante
Que ainda infante, não me renderia
E por ti, amor de amar, até tombaria
E ao fim da cruzada, restada sorte errante
Por certo que fosse, salvar em ti a princesa
Por fé e direito ao destino que tinha
Romperia com o mundo e a tomaria rainha!
Amada...
Te convido a ficar em minha vida
Mas se quiser, pode deixá-la...
Não existem condições para ambas
Só seu querer, pura escolha...
Se desejar ficar um pouco mais
Te convido a falar de família
Mas pode ser de fé ou fantasia
Assuntar, de futebol a magia
Nas noites que seu sorriso faltar
Te convidarei a admirar estrelas
Se já não for capaz de ouvi-las
A gente canta e inventa poesias
Quem conta um conto, aumenta um ponto...
A curiosidade é sempre atemporal
Não fica sem jeito nem se intimida
É como bico de bule: pra frente
E quem a tem, sofre como todo amoral
Ser curioso não simples e nem fácil
Tem que inventar desculpas e ser ágil
Pra saciar sua sede de ser o primeiro
A ter notícia "fresca" do particular alheio
É querer ciência do que acontece
Na vida de quem é rico ou do que padece
Não é nada simples e muito menos fácil
Tem de ir de bar em bar, ouvir mais que falar
É preciso levantar cedo em qualquer lugar
Sentar na praça e até pra criança perguntar
Se os pais brigam ou vivem só de bem prezar
Se a comida lhe é farta ou dói de amargar
Ser curioso é quase um ofício
E esse trabalho suado não é ócio
É coisa de gente que aumenta um ponto
Sempre que conta a notícia que encontra
O curioso é um profissional como outro
Vive a gastar a língua depois de futricar
E sai, como sai a alardear... a noticiar
O que faz seja quem for, o que ele tem ou obtém
Ser curioso é lidar com o perigo eminente
É ter vocação para arauto em terras sem rei
E como passa seus dias em iníqua diretriz
Sem se aperceber que viver é amar e ser feliz
Desejo-lhe, extensivo à sua família, um dia de Felicidades e Realizações. Lembrando que o Criador, nos concedeu o dom e a capacidade de amar, dotando-nos das mais diversas e diferentes formas de expressar e ofertar esse raro e nobre sentimento. Amamos nossos iguais e amamos as diferenças, que sempre nos atrai... mas, não importa "qualquer maneira de amar vale à pena!"
Senhora Aparecida...
Chegastes sem hora marcada
Moldada em terracota perfeita, sem pompas
Em duas partes talhadas, em santificados detalhes
Pescada num rio que peixes faltavam
Colhida e bem-vinda em rede lançada
Tempo em que a pátria hino e nem bandeira haviam
Erguida das águas, leve e perfeita, em rede surrada
Foi logo nomeada Mãe Aparecida, Senhora Iluminada
É Ela, em verdade, "valedoura de homens e almas"
Santa protetora dos cristãos de boa fé e coração puro
Que a ela devotam paixão, devoção e esperança
Por fiarem na compaixão, Divindade e misericórdia
Olhos Atentos...
Voo pelo céu que me se abre
Observo tantas e tantos muitos
Apaixonados, amados, amantes
Certos, errados, em risos, em prantos
Ouço silencioso, segredos e sonhos ditos
Sobrevoo, desencantado, insanas verdades
Ditas, quando uma flor era preciso
Para desfazer impaciências veladas
Tenho olhar aguçado e mente aberta
Em meu voo silencioso e seguro
Sigo observando beijos apressados
Flores e caminhos esquecidos se findando
Tantos amores sendo vencidos
Talhados em propósitos claros
De paixões já não sentidas
Sentimentos sem valia, incertos quereres
Momentos que contam inocentes
Que no início calor havia
E que o vão das geleiras se ocuparam
Em calar de vez o que o outro sentia