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Frases de Miguel-Manso

5 frases

DEPOIS QUE ME PARTI ilustração chã do planeta pouco préstimo teve este aguaceiro
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DEPOIS QUE ME PARTI ilustração chã do planeta pouco préstimo teve este aguaceiro reservatório de enganos em tão opaca agra e degredo, a poesia escuríssima nuvem no-la encobre nula grandeza a de um texto vai pelas gentes com uns chorados mais leves que ao vento canas em que trilho, com que rastro por que abertas mal ter vindo, mal ter ficado

ardia de amor pela casa uma confusão de silêncios ou dizendo de outro modo
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ardia de amor pela casa uma confusão de silêncios ou dizendo de outro modo afundava-se numa líquida recordação cardíaca ocultos pólen pólvora fósforos a má reputação dos dedos paixão cartografada remota toponímia de enganos braço a braço crescia alto o incêndio no interior do peito deliberado ritual de lâminas e pele a transparente certeza da cicatriz mas ardia de amor pela casa soturna silêncio dando para o saguão luz muitíssimo extinta por sobre a larga extensão destruída morrer, principalmente de amor, é uma compendiosa tarefa doméstica dentro do coração antigo serei breve

às Musas não interessam drenagens, deixam alagar livremente com o que sobrevém: a água do instante
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às Musas não interessam drenagens, deixam alagar livremente com o que sobrevém: a água do instante subjectivo quando o poeta era uma fera luminosa e Veneza, sobre a laguna, a porta para o Levante com seu tráfego de peregrinos imateriais – que também traziam as laranjas douradas, a seda, a musselina porcelanas, aço, pimenta incenso e alívios a cidade detinha um colégio de sábios que sabia, em dialecto próprio, ser a magia este palácio mergulhado nos silêncios meio submersos e que apenas a ciência da leitura paulatina poderá ser o escafandro glotal e sinal que soltará da grosseria eloquente o espanto oculto do poema

NEM TANTA COISA DEPENDE preferes o canto, o lugar oculto a folhagem, a sombra, o quarto, este
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NEM TANTA COISA DEPENDE preferes o canto, o lugar oculto a folhagem, a sombra, o quarto, este saco de trigo: ouro de um texto sobre a velha escrivaninha do real lá fora o clarão do arvoredo atalhos para a tingidura da paisagem cá dentro menos caminho, outro panorama: a presença tão-só desabitada de uma pessoa, mistério sem atributo ou função sempre a desfeita de um coração o cultivo intensivo das figuras e sobram tristeza e dias ao corpo que escreve no calabouço de uma manhã muito larga reluzente de gotas de mel enquanto os gatos lambem o sábado e sentado, sapo de ouro, permites-te pôr no mundo (mas porquê) outro poema