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Frase de Miguel-Manso

ANTICENA acreditei que talvez a poesia me pudesse salvar mas não vai acontecer: está fora dos seus termos outra coisa que não seja arredondar ainda mais esta triste tristura cunhar com luz e escuridão a grosseria das figuras (eu, o mundo)

Miguel-Manso

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Pensador.com

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DEPOIS QUE ME PARTI ilustração chã do planeta pouco préstimo teve este aguaceiro reservatório de enganos em tão opaca agra e degredo, a poesia escuríssima nuvem no-la encobre nula grandeza a de um texto vai pelas gentes com uns chorados mais leves que ao vento canas em que trilho, com que rastro por que abertas mal ter vindo, mal ter ficado

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NEM TANTA COISA DEPENDE preferes o canto, o lugar oculto a folhagem, a sombra, o quarto, este saco de trigo: ouro de um texto sobre a velha escrivaninha do real lá fora o clarão do arvoredo atalhos para a tingidura da paisagem cá dentro menos caminho, outro panorama: a presença tão-só desabitada de uma pessoa, mistério sem atributo ou função sempre a desfeita de um coração o cultivo intensivo das figuras e sobram tristeza e dias ao corpo que escreve no calabouço de uma manhã muito larga reluzente de gotas de mel enquanto os gatos lambem o sábado e sentado, sapo de ouro, permites-te pôr no mundo (mas porquê) outro poema

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às Musas não interessam drenagens, deixam alagar livremente com o que sobrevém: a água do instante subjectivo quando o poeta era uma fera luminosa e Veneza, sobre a laguna, a porta para o Levante com seu tráfego de peregrinos imateriais – que também traziam as laranjas douradas, a seda, a musselina porcelanas, aço, pimenta incenso e alívios a cidade detinha um colégio de sábios que sabia, em dialecto próprio, ser a magia este palácio mergulhado nos silêncios meio submersos e que apenas a ciência da leitura paulatina poderá ser o escafandro glotal e sinal que soltará da grosseria eloquente o espanto oculto do poema