O tempo passa Arruma e desarruma... As tonalidades da vida.
Frases de May Lu
94 frases
Há frutos que não colhi Na polpa doce do tempo Há pingos de néctar
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Há frutos que não colhi Na polpa doce do tempo Há pingos de néctar Nos fios de minha memória Há um eclodir de cores e sabores Nas ramagens dos meus outonos E fico a sorver... A aragem açucarada dos ventos Presente nos bagos maduros Dos frutos que não colhi.
Na inquietude da minha loucura Na incompletude de sossego Você invadiu-me a casa num abraço
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Na inquietude da minha loucura Na incompletude de sossego Você invadiu-me a casa num abraço Eu acreditei tão certo Que você me teria ao seu lado Para depois enxergar Que me tem é dentro
De tudo sou agradecida Obrigado por tudo! Vida Pelo tempo de minha jornada
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De tudo sou agradecida Obrigado por tudo! Vida Pelo tempo de minha jornada Por todos os caminhos que fiz Por tudo que me ensinaste... Quando me ofereceste o equilíbrio Pelos erros que um dia cometi Abrindo-me os olhos as mudanças Deu-me a serenidade de aceitar Sem perder-me de minhas raízes A sabedoria de mudar. Obrigado vida! Pelo presente que vivo Pela esperança do futuro... Por escrever-me um passado Pelos dias no tempo marcados Quando pedradas de ti recebi Mas confesso que com elas assinalei Os passos por mim percorridos E de todas as marcas obtidas Construí o melhor que eu sou E de todas as lembranças que tenho Recebo de ti as respostas Que se hoje eu sei mais que ontem É por conta das lições que me passou. Obrigado vida! Pela escolha de aprender Que sonhos podem ser-me roubados! Mas o direito de sonhá-los Não há como ser-me tirados. Sonho de olhos fechados Sonhos de olhos abertos Eles me são o peso na balança Do valor que tens... Oh, vida! Porque todo o dia aprendo Que é deles minha vontade de viver E que ninguém escapa de sofrer Mas enquanto bater meu coração Agradeço a ti com emoção Obrigado... Pelo direito de nascer.
Presa no arrastar das asas do tempo, Na longa espera do nascimento, A solidão embrionária não adormecia.
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Presa no arrastar das asas do tempo, Na longa espera do nascimento, A solidão embrionária não adormecia. E enquanto lá permanece Mergulha no dolorido silêncio da espera Muito além da sua escolha. Aguarda o momento da metamorfose, Sedosamente envolvida no casulo doído. Teme pelo precioso momento... Numa ávida sofreguidão de quem espera pela luz. Eis que perante seu olhar se revela o instante desejado Foi com cuidado que abriu as suas asas dobradas Removeu a larva e apreciou o voo da borboleta. E com "polida" indulgência compreendeu Que a diferença entre o voo e o casulo É apenas uma linha tênue Revelando-se os opostos fundamentais da vida... Onde o antagônico se revela idêntico, Um território de dolorida solidão, Muito além da paleta das cores.
Ainda que seja outubro Eu já espero pelo outono A bater-me nas janelas...
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Ainda que seja outubro Eu já espero pelo outono A bater-me nas janelas... Espero pelos ventos Despindo as copas das árvores E nuvens de folhas claras e escuras Cobrindo todo o chão Espero pelo sorriso do sol Em pequenos raios Abraçar as montanhas Sob um horizonte manchado de nuvens Em vários tons de cinzas Assim, encostada a janela Fico a espera... Fico ali até o cair da noite Sozinha com uma folha seca Agarrada às costas Esperando pelo renovo.
Dentro de mim prefiro as tulipas. Das pétalas caem poemas, Só para mostrarem que estou viva.
Gostaria tanto... De poder colocar em palavras todos os meus sentimentos Descrever aquilo que me está atrás dos pensamentos
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Gostaria tanto... De poder colocar em palavras todos os meus sentimentos Descrever aquilo que me está atrás dos pensamentos De absorver minhas emoções E transportar para o papel todas as sensações De poder soletrar o mundo Aquele habita no meu profundo De encontrar uma maneira de expressar As minhas formas de sonhar Que cada letra, cada sílaba que goteja no papel Seja um transbordo de palavras em corcel De cantar uma canção que fale da vida Sentindo a felicidade tão merecida De aprender com a grandeza do mar E em suas águas poder navegar De bailar como uma criança Vestida de esperança De ser mágico e transformar o choro em alegria E ouvir as gargalhadas em harmonia De nunca haver de contemplar Alguém que deixa de no amor acreditar De ouvir o grito surdo do silêncio Em que a verdade me revela Que os meus anseios são o prenúncio Das minhas palavras ganhando vida Na seiva aquecida dos meus sonhos Formando uma poesia inteira Em um mundo criado de outra maneira Não mais um mundo que em torno de si gira Mas um mundo que segue em frente... Gostaria tanto...
Se os teus dias estão nublados E acaso a tempestade persistir Dance na chuva
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Se os teus dias estão nublados E acaso a tempestade persistir Dance na chuva Entretanto se não sabe dançar Rodopie, cante, ria... Apenas sinta intensamente Traga o enlevo nos bolsos E na busca de si mesmo Abra os braços num abraço... À sua alma! Banhando-se em águas límpidas Mormente entre uma nuvem e outra Acalma-se o céu E de pingo em pingo escorre-se... A dor, a solidão, a angústia Cada parcela sentida Pois todo sentimento há de ser vivido São todos fachadas de uma mesma vida Para que ela não se reduza a opacidade Esse é o grande mistério... Permitir se equilibrar no tempo.
Petrificou-me... Em apenas uma fração de segundos Como um relâmpago que atravessa a escuridão E com tamanha intensidade tatuou-me nos olhos
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Petrificou-me... Em apenas uma fração de segundos Como um relâmpago que atravessa a escuridão E com tamanha intensidade tatuou-me nos olhos As janelas do mundo... Mostrou-me o olhar dentro do tempo Sincero, sem máscaras. Em uma viagem de ida e volta Contemplei a alma das cores Na delicadeza das flores. (O eterno me esculpido na retina)
As vezes sinto-me tão só em nós Uma solidão a dois Harmonizada de laços
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As vezes sinto-me tão só em nós Uma solidão a dois Harmonizada de laços Estendendo os braços Implorando por abraços
Sou filha da madrugada Na negritude da noite Em noite enluarada
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Sou filha da madrugada Na negritude da noite Em noite enluarada Tenho a alma errante Em mares sou navegante Por terra sou viandante Sou folha solta ao vento Um sentimento ao relento Sou o choro da saudade De algo que nunca tive Da pátria perdida no tempo De lugares que nunca estive São sonhos que em mim retive Esta é minha forma de pensar Não sei mais o que é a verdade Estou perdida em mim Porque vou planejar? Tenho o direito de ser É assim que quero estar Quero apenas velejar Por caminhos diferentes Não tenho rota determinada Apenas sigo pela estrada E quando nada mais restar Este será o meu lugar Minha conquista! O meu repouso, o meu lar.
Quais as cores desse fogo que me acende Espreita-me E revela meus desejos
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Quais as cores desse fogo que me acende Espreita-me E revela meus desejos Fogo paixão Chama vermelha carmesim Abrasado, encarnado Entalhado na pele No coração Labareda inflamada Que me deixa em vulcão Feito de sangue vermelho vivo Que me escorre incandescente Pelas veias, Em combustão Salamandras mágicas. Serão chamas eternas? Ou Poderão um dia virar fogo de palha? Fogo lento Sem vida Luz consumida Lume sem cor Que perde o calor Feito fogo de vela Que pouco a pouco se acaba Até restarem somente as cinzas Parafina derretida no fundo A escuridão. Estarei brincando com fogo? Que importa? Prefiro o fulgor O incêndio que se alastra Indomável, intransigente Em veemência O ardor da madeira Na fogueira Que desaba e acaba Ao desatino de nunca ter sido chama.
Quero um amor que acomoda Que me sussurre aconchego Que me abrace com o corpo todo
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Quero um amor que acomoda Que me sussurre aconchego Que me abrace com o corpo todo E me envolva na doçura dos apaixonados. Preenchendo-me todas as lacunas Até que eu não me caiba dentro. Chega de boicotar os sentimentos Tenho pressa do genuíno A invadir-me a casa, a alma, o coração... Com a intensidade que exige a vida. Sim, sim eu quero! Porque eu mereço Um amor verdadeiro. Deixe que venha... Se achegue e sente ao meu lado Quero conhecer a minha nudez Sem o peso da solidão. Eu quero... Em teu corpo repouso.
E ela ficou em silêncio Ao som do vento... Que se revelava um menino serelepe
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E ela ficou em silêncio Ao som do vento... Que se revelava um menino serelepe Despenteando tudo a sua volta Sapateando descalço Entre delicado e arredio Deixava nesgas de esperança nos passos Ela podia sentir sua gargalhada Espalhando no ar um cheiro de flor quando sorri E em redemoinho coloria todo o quintal do mundo Movimentando nuvens mágicas pelo céu Com as cores que eram sós dela... Um estampado céu de borboletas. É nesse instante que ela agradece E abre os braços para uma prece. Numa serena felicidade distraída Deixou-se embalar na ternura do momento Pois esses dias não são frequentes, Acontecem muito raramente! Dias assim tem sabor E deixam na alma um suave gosto de mel. E então, o vento tocou de leve sua face Num suave beijo de despedida. Beijo assim... É feito de algodão doce! Ela tocou a face com as mãos E deixou-se ir... Estava na hora de voltar para seu refúgio E o vento prosseguiu em seu giro pelo mundo. Entretanto, Já não tinha mais jeito de menino serelepe! Deixou atrás de si os devaneios, Ganhou outros aromas, outros movimentos, Deslocando-se agitado. (Nada é pequeno quando se prova a ternura do vento)
Ontem eu fechei os olhos Precisava olhar nos olhos de Deus E pedir-lhe uma benção...
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Ontem eu fechei os olhos Precisava olhar nos olhos de Deus E pedir-lhe uma benção... Através dos seus sete olhos Que a tudo vê! E pela falta da possibilidade De estar olhando nos olhos do meu filho Que minha visão excedesse o tempo À distância... Encontrando assim o olhar do meu filho Voltado para o meu Senti uma luz vindo de dentro de mim Que me envolvia E ultrapassava as barreiras Então olhei dentro dos seus olhos No âmago furacão de sua alma Vi tantas perguntas sem respostas Muitas das quais eu também não às tinhas Eu sei que da vida muitas coisas eu vivi E que muitas das minhas dores Eu resolvi num abraço, no braço Em silêncio ou no grito Compreendi que não sou fraca E nem feita de aço Sou apenas eu, a mãe, a filha A irmã, a esposa... A vida! Sendo vivida A minha bagagem é esta... Que o amor e dor andam de mãos dadas O amor custa lágrimas, mágoas E muitas vezes amamos só... Em solidão O amor custa caro Custa sangue! Foi esse o preço que o filho de Deus pagou Por amar-nos tanto O amor é doação! E são poucos que estão dispostos a pagar por ele Com cuidado, proteção e perdão Só quando a humanidade compreender isso A felicidade não será uma mera passageira Os momentos de paz não serão tão fugazes Mas enquanto isso vou indo! Caminhando, seguindo... Tentando aceitar do tempo as suas definições Da tão esperada felicidade! Estou e sempre estarei Com o meu olhar sempre fixo no dele Espero que ele me tenha compreendido Que às vezes é melhor calarmos Para ouvirmos a voz do coração Somente ele pode nos guiar ao caminho... Que há de ser seguido.
O silêncio é o grito da alma É quando as palavras se calam E o mistério cria falas...
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O silêncio é o grito da alma É quando as palavras se calam E o mistério cria falas... Na brisa mansa da madrugada Na indolência da dormência da noite Na ternura das folhas do outono Que jazem esquecidas no chão Quando se ouve o som Da árvore que bota no campo Quando se ouve o balé sem som Das estrelas riscando o céu Quando se pode ouvir a magia Dos brotos dando vida aos seus sonhos Enfim... O silêncio é a linguagem perfeita O idioma falado Somente pela alma dos poetas.
Nos sonhos de terra molhada Nas noites enluaradas Um mundo de palavras embrulhadas
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Nos sonhos de terra molhada Nas noites enluaradas Um mundo de palavras embrulhadas De todas as magias sonhadas Com todas as cores usadas Em meio às pétalas jogadas É onde tudo acontece São como flocos de neve Quando o vapor do encanto congela E a beleza da vida revela Com ricas pinceladas no céu A hora que o arco-íris tira o véu E clareia a visão da beleza Mostrando da alma a pureza Da poesia o abandono Na incerteza das folhas de outono O oculto das palavras que rasga a boca Na navalha afiada do silêncio Assediando o sentimento na toca Das mãos que sangram em suplício Invadindo o coração do poeta Talvez seja só um profeta A dizer que a poesia não morreu São tudo partes de mim, sou eu.
Para muitos Foi bem mais fácil me considerarem louca Do que me compreenderem.
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Para muitos Foi bem mais fácil me considerarem louca Do que me compreenderem. Entretanto, Você de mim se aproximou E em silêncio me abraçou Protegendo-me de mim mesma Seu olhar atravessou os meus silêncios Desnudando-me por inteira Rompendo-me o lacre Minha porta, tua chave! E um desejo enorme de escancarar-me... Desmancharam-se todas as senhas E flutuei em nuvens Sob um céu de estrelas. Soubeste antes de mim Que as cicatrizes são apenas flores A fazer-me um jardim na pele Numa primavera meio-louca A esconder-me do rigoroso inverno E finalmente entendi que depois de ti Eu sou o meu lado original A fronteira que me separa dos hipócritas! O reencontro De uma louca com seu mundo Onde todos são loucos.
A rosa esteve a sonhar Em lindas pétalas a desabrochar O jardim ficaria mais perfumado
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A rosa esteve a sonhar Em lindas pétalas a desabrochar O jardim ficaria mais perfumado Pelo seu aroma deixado Ela só não podia imaginar Que mãos viriam sua alma podar Foi podada ainda botão E seus sonhos jogados no chão.
Há em mim um verde que não amadurece A pintar-me a vida de esperança.
Eu gosto de prece que surge sem efetuar alarde De oração que surge do nada... Do tudo! Quando nosso olhar constata a grandiosidade de Deus...
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Eu gosto de prece que surge sem efetuar alarde De oração que surge do nada... Do tudo! Quando nosso olhar constata a grandiosidade de Deus... Para a beleza da vida que acende ao nosso redor Deparando-se com as pequenas e grandes coisas Algumas tão singelas Que às vezes, somente às vezes, parecem esquecidas De olhares mais atentos Entretanto, sua candura resplandece Na mais divina prece Quando ao meu olhar engrandece e a minha alma enaltece Sinto o meu coração elevar-se em forma de oração Gosto da prece de abrir os olhos a cada manhã Da benção que me foi dada por mais um dia Esta resposta tão imediata de Deus à minha pessoa Por saber que uma vez mais Poderei contemplar tudo que amo! A grandeza de mais um dia... De luta, de dor De paz, de amor De superação diante das adversidades surgidas. Umas com soluções céleres Outras em uma velocidade mais lenta. Porém minha vida segue a correnteza... O tic-tac do meu coração E é quando ouço e faço a minha mais suave oração.
Há em mim um poema sendo escrito Escorre-me nas pontas dos dedos As tintas das minhas rimas
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Há em mim um poema sendo escrito Escorre-me nas pontas dos dedos As tintas das minhas rimas São traços... São sonhos São paginas... Minha memória São momentos de dor e de amor Os versos da minha história. Na poesia dispo a pele... Entrego-me Sou a mulher no ventre... A essência Sou eu, despida de toda ausência. Sou o antes e toda a esperança do depois Onde as letras se fizeram em ternura Cobrindo todo o meu corpo nu.
Na minha bagagem O que eu tenho É o que eu levo
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Na minha bagagem O que eu tenho É o que eu levo É tudo o que preciso Sou hóspede da vida Bastam-me as cores Que brotam das flores.